Visão, em linguagem leiga, do nosso maravilhoso, detratado, esquecido e subestimado Sistema Imunológico:
Sistema imune: nosso exército de defesa
Revista Veja, 27 de agosto de 2009
Recentemente, a Organização Mundial da Saúde lançou um alerta, advertindo para o risco de uma segunda onda de gripe A pelo mundo. Na visão da OMS, o vírus H1N1 poderia se alastrar desta vez a partir da Europa, devido à proximidade do inverno.
A preocupação, nessa situação, é dificultar a entrada do vírus no corpo ou aumentar o poder de combate do organismo ao agente invasor, uma vez que a doença costuma encontrar terreno fértil entre os portadores de doenças pré-existentes ou entre aqueles cuja saúde está de alguma forma debilitada. É aí que entra em cena a discussão acerca do sistema imunológico, ou seja, as defesas do organismo às agressões microscópicas.
Quando uma pessoa se sente cansada e contrai doenças ou infecções com certa frequência, o diagnóstico popular, proferido até por quem é leigo, é simples e direto: a imunidade está baixa. Mas, afinal, o que faz o sistema imunológico? Será que ele é mesmo capaz de evitar aqueles problemas? "Ele funciona como um exército, que utiliza diversas armas para combater um determinado microorganismo", explica Beatriz Carvalho, imunologista e chefe da disciplina alergia, imunologia clínica e reumatologia pediátrica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Sintomas como febre, diarréia, aumento no tamanho dos gânglios, tosse e espirro, entre outros, mostram que o sistema imune está reagindo contra algum mal. São mecanismos de defesa. "Se você come um alimento estragado, por exemplo, você tem uma reação inflamatória dentro do intestino: ele reage com uma diarréia para eliminar o mais rápido possível aquela coisa ruim", explica a imunologista. Entre as razões para o enfraquecimento do sistema imunológico, estão os problemas congênitos, desnutrição grave, stress, noites mal dormidas, má alimentação, exercícios físicos em excesso e uso de drogas imunossupressoras. Pessoas que lutam contra o câncer e portadoras do vírus HIV também podem ser vítimas. "É importante se alimentar direito, já que muitas células precisam de nutrientes como zinco e vitaminas para terem um bom desenvolvimento", diz. A especialista esclarece que um vírus, por exemplo, ao entrar em contato com o organismo, é reconhecido pelo sistema inato, que é a nossa primeira linha de defesa e responsável por resolver a maioria das infecções contraídas. Caso o vírus não seja eliminado em poucas horas, o organismo recruta a imunidade adaptativa, que é mais elaborada e específica. Nela, aparecem os linfócitos B, que produzem anticorpos para combater os vírus, e os linfócitos T, que são capazes de detectar e matar as células infectadas. Confira o funcionamento dos mecanismos de defesa no segundo quadro. Para pessoas sadias, as recomendações são básicas: manter uma alimentação saudável, dormir ao menos oito horas por noite e praticar exercícios físicos. "Todas as coisas que fazem bem para o corpo fazem bem para o sistema imune", sintetiza Luiz Vicente Rizzo, imunologista e diretor-superintendente do Instituto Israelita de Pesquisa Albert Einstein.
Sistema imunológico
Revista veja
O sistema imunológico, ou imune, é uma espécie de exército – formado por células e tecidos – muito bem treinado para defender o organismo contra invasores. Suas funções incluem vigiar e anunciar a presença do agressor, aniquilá-lo e até limpar os despojos do combate. O trabalho não acaba com a vitória. Em seguida, o sistema imune se organiza para produzir anticorpos contra o agressor, uma proteção que será usada em futuros ataques. Entre os inimigos que costumam mobilizar o sistema imune estão os vírus, as bactérias, as células cancerosas e os tecidos ou órgãos transplantados. Nem mesmo os melhores exércitos são invencíveis, e o sistema imune também sofre alterações à medida que o corpo envelhece. A degeneração mais flagrante é a diminuição no número de linfócitos T, um tipo de célula de defesa que regula e coordena a resposta imune patrulhando o sangue e os vasos linfáticos. As conseqüências disso são o aumento da freqüência e da intensidade de diversas infecções, entre elas a pneumonia e a gripe, e um risco maior de desenvolvimento de câncer e das doenças chamadas auto-imunes, nas quais o organismo ataca a si próprio, como a artrite reumatóide e o lúpus. Embora não seja possível interromper o envelhecimento do sistema de defesa do corpo, estudos mostram que uma resposta imunológica eficaz depende de hábitos saudáveis. Nas estimativas do médico americano Michael Roizer, é possível retardar o envelhecimento a ponto de se ter aos 70 anos um sistema imune quarenta anos mais jovem. Hoje, cada vez mais a ciência associa a baixa imunidade ao stress agudo e ao crônico. Pesquisas recentes se dedicam a desenvolver formas de "treinar" as defesas do corpo para enfrentar melhor os inimigos. As vacinas contra o câncer estão entre as principais estratégias. Ao notarem que o organismo leva um certo tempo para combater vírus e bactérias, os cientistas deduziram que o mesmo poderia valer para tumores, ou seja, as pessoas adoecem porque a célula cancerosa se multiplica mais rapidamente do que o corpo consegue combatê-la. Uma das formas estudadas para reverter esse processo consiste em usar o tumor do próprio paciente para estimular suas células de defesa a combatê-lo de forma mais rápida e eficaz.
• A mortalidade por doenças infecciosas é pelo menos duas vezes maior em idosos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.
• Depois de perceber a presença de bactérias, o sistema imunológico leva de dois a três dias para aumentar o número de células de defesa e enviá-las ao local da infecção.
• A primeira vacina contra a varíola foi utilizada na China, no século X. Desenvolvida a partir do fim do século XVIII, a vacina moderna tornou a varíola a primeira praga a ser extinta. O último caso foi registrado em 1977.
• Um ramo da medicina se dedica exclusivamente ao estudo dos efeitos do envelhecimento sobre o sistema imune, a imunossenescência. Cada vez mais, os médicos estão associando o sistema imune ao desenvolvimento de doenças típicas da idade, como o câncer. Fonte:
http://veja.abril.com.br/240506/p_100.html
A batalha das células - Dois sistemas de defesa atuam
na proteção e erradicação de ameaças microscópicas
Sistema imune inato:
formado por células que não precisam ter mantido contato anterior com o microorganismo invasor para combatê-lo Sistema imune adaptativo: formado por células que só reconhecem o microorganismo invasor caso tenham mantido contato anterior com ele (é o caso das vacinas)
Proteção Proteção
Células do sistema imunológico liberam a proteína interferon, que não permite que o vírus invasor se multiplique, protegendo o organismo contra infecções Células dos glóbulos brancos que produzem anticorpos identificam o vírus ou a bactéria e neutralizam esses microorganismos com uma espécie de "capa"
Erradicação Erradicação
As células NK (natural killers, ou "exterminadoras naturais"), produzidas pela medula óssea, identificam outras células infectadas e liberam substâncias que as destroem. Linfócito T, células dos glóbulos brancos que detectam outras células infectadas, liberam proteínas para destruir as contaminadas. Após o processo, as células mortas são recolhidas.
Fonte: Beatriz Carvalho, imunologista e chefe da disciplina Alergia, Imunologia Clínica e Reumatologia pediátrica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
fonte:
http://veja.abril.com.br/noticia/sau...a-494755.shtml
“A colocação de sangue retirado da veia na musculatura (a AH) funciona como um estímulo de neutrófilos, monócitos e linfócitos que se dirigem para o local com a função de limpeza, remove coágulos, bactérias e tecidos lesionados. Os monócitos evoluem para macrófagos que exercem a fagocitose de qualquer substância, bactéria ou tecido residual. Segrega uma série de substâncias (citoquinas e fatores de crescimento) que estimulam mais ainda os neutrófilos para produzir tecido de regeneração e formação de novos vasos(angiogênese), como também a produção local de óxido nítrico, substância importante bacteriana. Além desta ação local, vamos falar assim, os macrófagos estimulam os linfócitos, que liberam as interleucinas e interferon, que são substancias estimuladoras dos linfócitos T e B, outras células do nosso sistema imunológico, este que nos defende de infecções, câncer e outras agressões ao nosso corpo.”
Dr. João Veiga - cirurgião, membro da Comissão de Trauma do Conselho de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e Secretário da Saúde do município de Olinda - PE
Especial Saúde - Revista Veja
Câncer
Os médicos costumam dizer que uma pessoa imune a todos os outros tipos de doença mais cedo ou mais tarde teria câncer. Isso porque o DNA das células sofre agressões constantes e cumulativas ao longo da vida. A própria célula dispõe de mecanismos para corrigir os erros que surgem. Se o conserto não é possível, a célula defeituosa morre. Dessa forma, o próprio organismo enfrenta e derrota dezenas e até centenas de tentativas de crescimento patológico de células – em outras palavras, elimina o câncer ainda no início e antes que as pessoas estejam conscientes dele. Em escala menor, o próprio sistema imunológico trata de eliminar células cancerosas, como na foto ao lado. O problema é que, com o envelhecimento, as células sadias ficam duplamente vulneráveis. A capacidade de proteção enfraquece justamente quando elas se tornam mais suscetíveis a erros. Portanto, a idade aumenta o risco de certos tipos de câncer. Pesquisas recentes apontam pelo menos três caminhos para preservar a juventude dos mecanismos de proteção celular. O primeiro é o combate direto aos radicais livres, moléculas super-reativas derivadas do oxigênio que atacam o DNA. Para isso, os médicos recomendam uma dieta rica em gorduras insaturadas, controle do stress e exercícios físicos. As outras duas promissoras frentes de combate ao câncer são os medicamentos inibidores das tirosinaquinases, as enzimas essenciais ao crescimento dos tumores, e os anticorpos monoclonais. Ambos agem no organismo como mísseis teleguiados que atacam diretamente os tumores sem atingir as células saudáveis, como acontece nas quimioterapias convencionais. "Esses remédios abrem a possibilidade de que o câncer, em dez ou quinze anos, se torne uma doença crônica, com a qual o paciente possa conviver por muito tempo", diz o oncologista Olavo Feher, do Hospital do Câncer A.C. Camargo, de São Paulo. Estima-se que 10% dos tumores sejam de origem hereditária. Todos os outros ocorrem por uma combinação de propensão genética com maus hábitos de vida, como tabagismo, sedentarismo e consumo exagerado de gorduras.
• Há mais de 800 tipos de câncer. Por ano, são diagnosticados 500 000 novos casos no Brasil.
• Os tumores que causam maior número de mortes são os de mama, próstata e pulmão.
• O diagnóstico da doença só se tornou possível com o aperfeiçoamento do microscópio, no século XVII. Antes, não se podia diferenciar um tumor maligno de outras lesões.
• Há cerca de cinco anos, uma nova tecnologia, a tomografia por emissão de pósitrons, PET/CT, revolucionou a detecção precoce de tumores e metástases. Por meio dela tornou-se possível estudar nódulos de menos de 1 centímetro presentes no pulmão em busca de um possível diagnóstico de câncer.
Fonte REVISTA VEJA em
http://veja.abril.com.br/240506/p_114.html
Revista Veja - Para prevenir e remediar “As vacinas estão entre as frentes de pesquisa mais promissoras da medicina. A proteção proporcionada por elas mudou o curso das doenças. Graças às imunizações, a varíola foi erradicada mundialmente em 1980 e o Brasil não registra um só caso de poliomielite desde 1989. As vacinas servem tanto para o tratamento quanto para a prevenção de doenças. O princípio é o mesmo: fortalecer o sistema imunológico. Quando usadas de maneira preventiva, elas preparam as defesas do organismo para que reajam ao ataque de um agente infeccioso. Se utilizadas de forma terapêutica, as vacinas têm por objetivo estimular a imunidade orgânica e assim controlar ou debelar uma doença.”
Fonte: REVISTA VEJA em
http://veja.abril.com.br/150605/p_114.html
Quando o sistema imunológico é diferente
A imunidade em algumas fases da vida e em condições específicas de saúde
Bebês e crianças
• Até os seis meses de vida, o bebê não produz anticorpos: ele utiliza os da mãe, transmitidos pela placenta
• Como até os seis meses o bebê não possui o reflexo de abrir a boca se o nariz entupir, ele não contrai o vírus que congestiona o nariz
• Até os dois anos, os pequenos não têm um sistema imune que funciona como o do adulto: por isso, são mais suscetíveis a um conjuto de doenças
• O sistema imunológico de uma criança atinge a plena maturação aos 12 anos, em média
• Crianças devem se alimentar adequadamente, de acordo com a idade
• O leite materno é rico em mecanismos de defesa
• As refeições devem ocorrer nos horários corretos
Grávidas
• A grávida não é imunodeficiente, mas sofre uma mudança no padrão de resposta do sistema imunológico através de alterações hormonais: o objetivo é evitar que o feto, que carrega material genético do pai, seja rejeitado pelo organismo da mãe
• A mulher grávida produz mais anticorpos para transmiti-los ao bebê
Idosos
• O sistema imunológico envelhece, passa a produzir menos células de defesa e perde a capacidade de "lembrar" dos contatos recentes com antígenos, preservando a memória dos antigos
• Por ter outras doenças, como diabetes e hipertensão, o idoso fica mais exposto à letalidade de novos males
• O idoso não costuma apresentar febre alta, já que o organismo não reconhece antígenos para produzi-la: por isso, sintomas como confusão mental devem ser observados
• Beber água, sucos e água de coco são importantes para evitar o quadro de desidratação
Cardíacos
• Portadores de problemas no coração têm um sistema imunológico mais debilitado em comparação a pessoas saudáveis
Obesos
• A imunidade é enfraquecida, especialmente entre obesos mórbidos: a falha se dá justamente no conjunto de células NK (natural killers), que são leucócitos (glóbulos brancos), fundamentais na resposta contra vírus e tumores
• A gordura "sequestra" os linfócitos (glóbulos brancos), que deixam de circular para proteger o organismo
• Obesos têm um padrão de inflamação exacerbado porque secretam constantemente proteínas das células de defesa: o corpo passa a inflamar demais e a ignorar a informação da inflamação, deixando de ativar o sistema imune e criando um ambiente pró-inflamatório
Fontes: Luiz Vicente Rizzo, imunologista superintendente do Instituto Israelita de Pesquisa Albert Einstein e professor da Universidade de São Paulo (USP); José Carlos Vilela, geriatra do Hospital São Camilo.
REVISTA VEJA , em
http://veja.abril.com.br/noticia/sau...o-496376.shtml
Perdão pelo tamanho do post... Somente para quem gosta de ler... Mas na minha opinião, vale a pena...