
Postado originalmente por
Gildao
Pois é, mas é também função do estado zelar pelo bem da população. Se ele não fosse se intrometer no que as pessoas usassem por sua conta e risco não deveria haver a necessidade de apresentar um requerimento médico pra fazer a compra de um remédio tarja preta, por exemplo. Uma pessoa sem necessidade real de um medicamento potente do tipo muito provavelmente iria ter algum tipo de complicação por ter tomado ele, mas não teria causado nenhum tipo de dano a ninguém mais.
Estado tem sim que se intrometer na vida das pessoas nesse tipo de caso, não dá pra deixar rolar da forma como as pessoas quiserem porque senão vai ter nego morrendo à rodo.
Sim, entendo. A ideia que eu quis passar foi passar é que, mesmo que uma pessoa queira trocar anos da sua vida para desfrutar de uma droga, ela poderia. Pelo menos em teoria, eu acharia isso correto; os riscos dessa operação a nível de Estado, daí eu realmente sou ignorante. Talvez desse certo em algum país mais desenvolvido.
Por exemplo, eu acredito que uma pessoa em caso terminal tenha o direito de passar os últimos dias da sua vida em alucinógenos. Claro que essa situação diverge muito do uso cotidiano e da legalização em si, mas é algo para se pensar.

Postado originalmente por
Bob Joe
A escala e quantidade é bem menor, Martiny. A indústria do álcool gasta milhões em publicidade e o álcool já tem uma disseminação grande entre a população. O consumo dele é em muitas ordens maior do que o consumo ilegal de maconha. Pode parecer que não (pelo costume), mas hoje já enfrentamos a consequências disso (violência urbana, familiar e no trânsito, vícios).
O quanto seria maior? Não sei, é uma questão aberta. Mas seria maior, certamente. Até pelo fato que você mesmo colocou: não há argumentos contra a maconha que não poderiam ser aplicados contra o álcool. Dificilmente campanhas sobre o consumo surtiriam efeito, assim como o "Consuma moderadamente" em propagandas de cerveja é uma ilusão.
Cada droga liberada trás consequências, que precisam ser mensuradas. Pode valer a pena legalizar, pode ser que não. Só que ninguém aborta o lado ruim do pós-legalização com objetivo de analisar.
Mas já não estaríamos arcando grande parte dos malefícios da maconha na população já hoje? Eu fico relutante em pensar que um usuário da erva proibida faça tumulto/violência e que contribuísse para o mal estar da população, justamente por não ter agentes tão perigosos como o álcool, por exemplo.
Pode ser que minhas frequentes comparações com o álcool e cigarro já cansaram, mas se nossa preocupação é a real saúde das pessoas, não vejo como a legalização da maconha seria tão prejudicial. O álcool, por exemplo, não tem utilidade médica comprovada, é muito mais fácil de atingir uma overdose, seu papel nos acidentes automobilísticos é absurdo; seus agentes causam desinibição que podem levar a violência, sexo desprotegido e outros. Agora, se pensarmos em nossas justificativas para proibir a maconha (que se mostra muito menos perigosa do que o álcool), elas se tornam um pouco hipócritas. O problema é: como resolver o problema do álcool? Realmente, tenho poucos ideias sobre o assunto, mas
proibir apenas pioraria, e é esse o ponto que eu gosto de fazer com a maconha também, apesar de eu me mostrar ignorante nos assuntos dos cartéis mexicanos (por isso gostaria de aprender mais).

Postado originalmente por
Bob Joe
Qual o controle do álcool e cigarro? Quem menor fica sem fumar ou beber por ser menor?
E como eu disse, se existirem restrições maiores, como sobretaxa de impostos, consumo restrito a alguns locais e quantidades controladas, o mercado paralelo vai continuar existindo. E com clientela nova, vinda da publicidade legal e da curiosidade geral.
O controle é pequeno, mas seria um controle muito maior do que temos deixando o mercado clandestino, acredito.
O único problema seria a falta de rigidez do Brasil. Talvez a ideia da legalização da maconha aqui seja um problema muito maior do que eu tento passar; mas o meu ponto principal é esse: conscientização sim, proibição não. Sem que, apesar dos efeitos controversos da maconha (que muitas vezes são fruto do preconceito), ela ainda se mostra melhor do que o cigarro e álcool, e, se comparado com outras situações do cotidiano, dirigir um carro oferece mais riscos de morte.
A ideia que eu tenho é: se tivesse uma droga totalmente segura e livre de vícios, mas sempre produzisse um efeito de êxtase profundo e/ou "alucinações" (por falta de palavra melhor), essa droga seria proibida.

Postado originalmente por
Bob Joe
Essa ideologia só serviria para maconha então, né? Porque para outras drogas, como o crack, ela seria furada, já que a dependência dessa de fato prejudica terceiros.
A gente tem que separar sempre quem defende legalização da maconha de quem defende legalização de todas as drogas porque são coisas bem distintas.
Eu penso que todas as drogas deveriam ser estudadas os prós e contras antes da legalização. Em essência, poderia se dizer que sou a favor da legalização de todas as drogas, mas individualmente discutida. Talvez legalizar heroína ou crack não seja o melhor caminho, ou talvez seja, caso tenha um controle muito forte em que apenas já viciados podem entrar, oferecendo um produto limpo, um lugar para ficar doidão e sendo encaminhados para centros de reabilitação (apenas um exemplo de situação a ser ponderada. Um pouco irrealista quando pensamos no estado do Brasil hoje, mas seria ótimo, ao meu ver). Outras drogas como LSD, caso sejam consideradas seguras, poderiam ser vendidas em farmácias especializadas após uma consulta.
Bem, acredito que tenha entendido meu objetivo. Gostaria que as drogas fossem analisadas cientificamente e politicamente falando, sem o preconceito de um termo tão vasto como esse abrange. Se realmente for decidido que a maconha não deve ser legalizada (explicando em termos científicos e dando uma boa explicação do porquê outras drogas potencialmente mais perigosas como o álcool estão ainda legalizadas), acharei bom.