Hã.... Aqui está o fruto de uma madrugada amarga. Vai ter continuação? Não sei. Provavelmente não.
Não sei o que esperar desse pequeno texto. Só achei que de repente vocês iriam gostar de ler... Ou não. Sei lá. Aliás, nem sei que título dar pra esse tópico.
Aqui está o que seria o prólogo, 1o Cap, ou o que quer que seja da "história".
(É bem possível também que eu revise e acrescente coisas ao texto, posteriormente. Ele ta bem "verde", recém acabei de fazer. Sei que geralmente falo pra deixar o texto descansar, e digo pra revisar bastante... Mas essa é uma "ocasião especial"...)
Vazio e Miséria
Aurora de 1998, anno domini. Você que está lendo este relato, realmente deveria estar fazendo outra coisa: não há nada de bom nem de útil nessas linhas. Se é a necessidade que te fez chegar até essas anotações, se você *precisa* saber de algo que eu escrevi aqui, eu lamento por você de todo o meu coração, do fundo da minha... alma. Se a sua situação chegou a esse ponto, é por que eu falhei. Me perdoe por isso. Agora, se é apenas a curiosidade que te levou até aqui, bem... Você foi avisado. Certamente há livros melhores e mais agradáveis.
Então, dito isso, só me resta dizer porquê estou escrevendo, ainda. Parece contraditório, mas é justamente porque tenho ao mesmo tempo muito pouco tempo, e tempo de sobra – para coisas diferentes, é claro, como vou explicar mais adiante. Minha lucidez está perfeita até esse momento. Certo, talvez não perfeita... Mas ainda não cheguei ao ponto de me contradizer tão explicitamente. Ah, merda... Isso não é importante. Vamos direto aos fatos:
O que está acontecendo é que, justamente agora, eu tenho que fazer uma escolha importante. Na verdade, não sei por que disse “justamente agora”. Afinal, minha vida inteira foi tão nula que, se os presentes eventos tivessem ocorrido em qualquer um dos meus longos e pouco-vividos anos, não faria muita diferença. Perdoe-me, leitor, se converso comigo mesmo e me contrario, mas é um hábito – vou tentar evitar, mas é possível que isso tudo acabe sendo um monólogo. Como eu disse, há coisas mais agradáveis de se ler. Ah, e ja é a segunda vez que peço perdão. Tão tipico de quem vive comentendo erros...
Onde eu estava?
Ah, sim. Os fatos. Resumindo, hoje mesmo, ou no máximo amanhã, provavelmente eu esteja morto. Sim, morto. Se pareço não demonstrar nenhuma emoção acerca disso, bem... Paciência. Já cansei de me remoer, de torturar a mim mesmo com a minha condição de miserável. Na verdade, isso realmente não importa. Mesmo. Só o que importa é a minha decisão e as suas consequências diretas e indiretas. Agora, nesse ponto você deve estar se perguntando: “Ora, que decisão?” e pensando “Fale de uma vez, sem rodeios!”. Meu caro, entendo perfeitamente essa reação. Porém, peço que tenha calma pois, como disse, tenho tempo de sobra – para escrever – e sinceramente não tenho nenhuma pressa, pois terminar o relato significa que não terei nada mais pra fazer, o que significa que a hora de escolher é chegada. Não será um momento fácil para mim, e portanto não tenho pressa: Mais um motivo para eu lamentar por você, se lhe é necessário esse relato. Repito: Paciência. Se for de algum consolo, digo: Por mais que pareça que não, provavelmente você também não tem tanta razão para ter pressa. Quer apressar o pior? Nâo há nada de bom nessas linhas. Nem para você, nem para mim.
Hoje eu me peguei pensando, ousando pensar no que eu poderia fazer se conseguisse não morrer. Foi ridículo, caso esteja curioso. Voltar pra casa? Tentar retomar o contato com a civilização? Pra quê? De que serviria isso? Mais ainda: Como eu poderia *querer* esse tipo de coisa, ja não tive que provar o suficiente do gosto azedo que uma vida medíocre tem? Não tenho para onde ir, na verdade, e começo a me convencer de que isso não é ruim. Um lar, uma pessoa de braços abertos esperando meu retorno... Não vai ser aqui ou agora que vou arranjar algo do tipo. Não que eu queira. Ja quis, e muito, mas agora não quero mais. Cansei.
Não é triste, mas, ao contrário, é a única coisa que me fez sorrir hoje. Talvez um sorriso irônico, meia-boca e amarelo não conte para você, que provavelmente está lendo esse relato sentado numa cadeira estofada, com um copo gelado de água em mãos e um familiar amado no quarto ao lado. Mas antes que eu te mande a merda, e diga isso sem receio, pois a minha condição me permite alguns “abusos” ou intimidades (você sentiria ódio de um doente terminal, se ele cuspisse no seu sapato?) – deixe-me dizer: Na verdade aquele sorriso não significou nada nem para mim. Quase foi uma distração, nada mais.
Veja bem, eu estou exatamente no meio do nada, limitado a uma espécie de cômodo, buraco ou toca imunda – chame como quiser. Essa descrição do lugar não é precisa, eu sei, mas não me importo. Eu tentei, até usei a palavra “exatamente” pra ser mais claro. De qualquer maneira, como eu poderia saber onde estou, ou sequer dar algum ponto de referência? Você já deve ter entendido que aqui *não* é um lugar, pra ser franco. Não chega nem perto. Em “lugares” existem pessoas, pedras, árvores, sei lá. O que mais, placas, ruas, nuvens? Você não vai encontrar nada disso por aqui, se quiser procurar. E caso você esteja pensando: “Não seja tolo, ao menos uma pessoa está aí: você”, eu não tenho nada a dizer além de uma coisa... Eu não sou mais uma “pessoa”. Acho que nunca fui. Talvez sim no sentido concreto, ou seja, no que concerne a ter carne e osso. Mas um indivíduo sem sonhos, sem esperança, sem vida – pode ser considerada uma “pessoa”? Por acaso o único pré-requisito para ser “alguém” é respirar, mijar, comer, etc, essas coisas que qualquer um faz? Seja como for, não faz diferença pra mim. Meus parâmetros são outros, e não me culpe se são exigentes demais: Os seus também seriam se você estivesse aqui, escrevendo esse relato, e não eu.
Certo, certo... Agora já estou começando a ser incômodo. Não vou negar que seria divertido... ou quase isso, mas não é o meu objetivo – se é que eu tenho um. Voltando ao que interessa, e novamente resumindo: A minha escolha é bem simples até – Em uma mão eu tenho a minha própria existência, ou o que restou dela. Na outra, eu tenho a sua. Sim, a sua. Não entendeu? De algum modo, você está ligado a mim. O seu presente anula o meu futuro, e vice-versa. Ou um, ou outro. Estou certo que você gostaria que eu escolhesse ser altruísta nesse momento, não é? Bem, eu não sou, não acho que você ou qualquer outra “pessoa” mereça que eu seja, e dessa vez não vou dizer que lamento por isso - nem pedir perdão. Aliás, você pode até dizer que eu já escolhi, e que só por estar escrevendo essas linhas, pra “você” ler, é porque minha morte, ou “inexistência” é certa. Mas as coisas não são tão simples, pois eu apenas estou escrevendo... E essas linhas podem muito bem ser destinadas a mim mesmo apenas.
Por outro lado, eu não preciso ser altruísta para escolher a minha própria ruína, isso apenas depende dos meus motivos e razões. Agora, não espere que eu diga “não se preocupe, tudo vai ficar bem”. No máximo, digo que existe uma chance de elas não ficarem piores - para um de nós. Já é algo, ou deveria ser...
Se depois de ler isso você ainda continua com pressa, então é um tolo. Não me interessa se isso faz sentido pra você ou não. Me limito a dizer que, para mim, isso faz muito sentido e, como eu disse, minha lucidez é plena. Pode duvidar dela à vontade, eu mesmo já duvidei e não duvido mais. A culpa não é minha se minhas palavras são torpes e vis, se são como espinhos pra quem as recebe. Apenas estou me baseando no que vi e sofri para raciocinar. Sofra e veja você também, e quem sabe nós concordaremos. Fique tranquilo, teremos tempo para isso.
Então aqui estou eu, na frente de uma maquina de escrever mais barulhenta do que eu gostaria, com um estoque limitado, mas suficiente, de papel e tinta. O que eu vou contar não é fruto da minha imaginação – quem dera fosse – e não vai ser um “passeio no parque”. Também, logo logo você terá nojo de mim. Eu não te culpo por isso, então pode vomitar à vontade.
Gostaria de poder dizer “tudo começou no dia tal do ano tal”, mas não posso. A razão para essa impossibilidade é que eu não simplesmente não sei quando foi que os presentes acontecimentos tiveram início, nem sequer se tiveram efetivamente um começo. Só o que posso dizer é que ao meu ver parecem estar sendo preparados há muito tempo, e que têm como climax a minha participação na coisa toda... Não que eu seja causa, consequência ou peça-chave. Já refleti muito sobre isso, e cheguei à conclusão de que o meu papel é o de um mero catalisador. Eu apressei e facilitei o processo, inconscientemente – e só. Como? Bem, acho que já é hora de dar algum início real ao relato. Com o tempo, tudo ficará claro, ou pelo menos assim espero. Não adiantaria tentar explicar agora, porque não faria sentido.
Pra ser bem sincero, eu mesmo às vezes não acredito no que me aconteceu ou no que pode acontecer. Talvez escrever tudo sirva para botar as minhas memórias em ordem, e no fim das contas os fatos se encaixem e formem um corpo maior e conciso. Porém, eu também posso falhar. Seria bem típico, por sinal... Não seria uma surpresa se até nisso eu acabasse sendo apenas um estorvo, um empecilho. É isso que eu sou, e sempre fui: A pessoa errada, a menos recomendável para qualquer tarefa mais importante que apontar um lápis, empurrar uma mesa... Ah, você entendeu. É essa pessoa que, contra todas as chances e toda a lógica, terá que fazer uma escolha crucial. Mas chega de falar de mim em terceira pessoa e vamos logo para a coisa mais próxima de um “início” que eu tenho para oferecer: A lembrança de um dia ocioso e sem propósito que, há um mês atrás, me botou num caminho que só eu, na minha perfeita estupidez, poderia traçar sem perceber...
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