
Postado originalmente por
Steve Do Borel
Olha, to acompanhando essa porra toda desde o início, mas agora me surgiu uma dúvida.
Qual a ligação direta dessa
Questão christe com a
Guerra do Paraguai? Apenas ocorreram em um mesmo momento ou há uma ligação realmente direta?
E, outra, eu tava pensando em comprar um livro sobre a Guerra do Paraguai, mas a única coisa que eu sei dele é que possui mais ou menos umas 500pgs e a capa é verde. :o
Será que você faz idéia de qual livro seja? o.O
Eu vou perguntar o nome dele pro meu professor de história, mas com esses feriados não sei quando será a prósima aula...
P.S.: Eu penso seriamente em fazer faculdade de história.
<Edit>
Em relação a esse assunto da volta da
Monarquia...
Apesar da alusão à Anarquia na minha assinatura, eu sei que a Monarquia seria muito mais apropriado para o Brasil atualmente, mas...
E se ocorrer um golpe ou algo parecido?
Veja,
A monarquia precisará que o rei seja uma figura carismática.
E se o rei morrer, talvez até mesmo por conta de algum golpe político?
Isso iria desencadear uma put@ria danada, principalmente se ocorresse no início do governo.
Espero não ter sido ignorante... :o
Bah, chamo meus posts de porra
Sobre a Guerra no Paraguai, o melhor livro sobre é "A Guerra Maldita" de Francisco Diadiroto. Nao sei se é esse, mas se quiser uma obra completa, compre essa, vc nao vai se arrepender.
Esse livro que vc quer comprar, se é aquele que eu imagino, nao vale a pena. O nome é A Guerra do Paraguai de Chiavenatto, ele diz que Conde d'Eu envenenou as aguas dos paraguaios, o que nao foi verdade. Alem de xingar com palavroes tanto D. Pedro II como Duque de Caxias. Ele fala as coisas, mas nao tem referencia alguma, se eu fosse vc nao comprava. Nao vá atras dos livros dados pelos professores, a maioria sao livros didaticos, ou seja escritos pela republica.
A questao Christie nao teve relaçao direta com a Guerra do Paraguai, foram casos distintos. A guerra do Paraguai foi uma guerra de fato, começada pelo proprio Paraguai. A questao Christie, como já foi postado, foi um conflito tedencioso, em que o Brasil enfrentou a maior potencia do mundo, o Reino Unido, e este, foi obrigado a pedir desculpas! Meu Deus, o maior país do mundo pedindo desculpas formais ao Brasil, os países americanos ficaram pasmos de inveja! Foi o auge da política externa.
Eu vou tentar achar uns textos e posto aqui.
até!
edited~
Guerra do Paraguai
Bibliografia:
- As Barbas do Imperador, de Lilia Moritz Shwarcz, Cia. das Letras
- Brasil: uma História, de Eduardo Bueno, Editora Ática
- A Catástrofe dos Erros, de J.F. Maya Pedrosa, Biblioteca do Exército Editora
- Dicionário do Brasil Imperial, de Ronaldo Vainfas, Objetiva
- O Livro de Ouro da História do Brasil, de Mary Del Priore, Ediouro
- Maldita Guerra: Nova História da Guerra do Paraguai, de Francisco Doratioto, Cia. das Letras
- Princesa Isabel do Brasil, de Roderick J. Barman, Editora Unesp
- Vida e Morte do Partido Fardado, de Oliveiros S. Ferreira, Editora Senac
------------------ Breve Cronologia da Guerra e seus Antecendentes -----------------------
Século XVI a 1820: o Brasil inicia o processo de colonização da margem oposta do Rio do Prata, defronte a Buenos Aires e chama a colônia de Sacramento. Por mais de 300 anos, o Império Português e o Império Espanhol lutaram pela região, e vários tratados foram realizados (Tratado de Madri e outros) para delimitar as fronteiras.
O Brasil perde a colônia de Sacramento para a Espanha em troca do reconhecimento da ocupação portuguesa na Amazônia.
O rei dom João VI realiza a conquista da Guiana Francesa e da então conhecida como Banda Oriental, que nada mais era do que Sacramento. Ou seja: dom João VI chegou no Brasil e tratou de agir como todo bom monarca europeu: conquista (isso não é ensinado nas escolas, apenas a parte que ele era bobão). Tomamos de volta o que era nosso por direito. Assim, o então Reino do Brasil atinge a sua maior extensão (lembre-se que o mapa do nosso país nessa época era um pouco diferente do atual).
1822: Dom João VI retorna a Portugal no anterior e antes mesmo disso, devolve a Guiana pela França segundo os tratados assinados no Congresso de Viena (aquele que redefiniu a Europa após a queda de Napoleão).
O príncipe Dom Pedro de Alcântara declara o Reino do Brasil independente do Império Português, eleva-o a categoria de Império. Após alguns anos de luta, os "brasileiros" conseguem derrotar as tropas "portuguesas" (vale lembrar que nessa época, a definição de português e brasileiro era meio confusa, todos os brancos eram um e outro ao mesmo tempo, ou ao menos filho de português ou algo do tipo).
A antiga colônia de Sacramento, e depois Banda Oriental, e agora conhecida como Cisplatina, aceita (em conjunto com as demais províncias) se unir ao Rio de Janeiro para formar o Império do Brasil, com ressalvas (como a manutenção da língua espanhola, etc).
1824: O Brasil passa por uma fase turbulenta, as províncias entram em revolta contra o governo central e decidem se separar, o exército é enviado para combater a “Revolução do Equador” que uniu as províncias do norte com o intuito de se separar do país.
1825: Enquanto o Exército continua na guerra tentando debelar a revolta, um grupo de aventureiros, conhecidos posteriormente como “Los Triente Treis” (não sei se escreve assim, desculpem-me), com o respaldo e a ajuda financeira do governo da República das Províncias Unidas do Prata (país que se tornaria conhecida como Argentina) que desejava restaurar o antigo e glorioso “Vice-Reinado do Prata” (a então colônia da Espanha, que englobava o que é hoje o Uruguai, Paraguai, Argentina e Bolívia) chegam a Montevidéu e declaram a província Cisplatina independente do Império do Brasil e requerem ao governo de Buenos Aires a sua incorporação a República, o que é imediatamente aceito.
O exército brasileiro e Pedro I, pegos de surpresa e guerreando ao norte do país, são forçados a restaurar a ordem nessa província ao sul e eliminar os traidores.
Declaram guerra a “Argentina” (vamos chamá-la assim para facilitar as coisas).
1828: O império do Brasil, exausto e dividido em dois fronts, decidem acabar com o conflito, um tratado de paz é criado, onde a Cisplatina é declarada independente de ambos os países e será conhecida como Uruguai.
1831-1848: Regência em nome do Imperador Pedro II o início de seu governo efetivo (muitos se confundem, mas o reinado de Pedro II se iniciou em 1831 e não 1840, “rei morto, viva ao rei!”. Uma monarquia nunca fica sem um monarca).
O Brasil mais uma vez se vê preso a guerras intermináveis onde as províncias desejam se separar do país. A ação firme do governo e do Exército Imperial consegue manter a integridade do Império.
A Revolta dos Farrapos se estende pro 10 anos, e alguns anos após iniciada, dom Manuel Rosas, o ditador da “Argentina” inicia o seu apoio a causa farroupilha (o se único desejo era ver o Brasil se desmembrar e conquistar os cacos para o seu país).
Dom Pedro II sabe do apoio do chefe de estado e de governo de um país estrangeiro a uma revolta em seu próprio país, mas decide evitá-lo enquanto não restaurar a ordem no Brasil. Decide não agir de forma imprudente como o pai.
Enquanto isso, o mesmo Rosas da Argentina, financia um caudilho chamado Oribe para que crie uma Revolta no Uruguai e crie uma desculpa para a Argentina invadir.
Pedro II financia secretamente os uruguaios em Montevidéu, para que se segurem contra as tropas de Oribe, que já haviam conquistado todo o Uruguai e assim, distrair Rosas até que o Brasil se recomposse.
12/11/06 1844: O Paraguai de Lopez se declara pela segunda vez independente da Argentina. O Brasil é o primeiro país do mundo a reconhecer o novo país. Financia o Paraguai e assina uma aliança contra Rosas. As tropas argentinas enviadas para reconquistar o Paraguai são derrotadas.
1848: A última revolta é extinta, a Praiera é eliminada. Iniciam-se os planos brasileiros de entrar em guerra contra a Argentina, se vingar de todas as desgraças que ela causou ao Brasil e eliminar sua ameaça de uma vez por todas.
1850: Pedro II elimina o tráfico internacional de escravos destinados ao Brasil, finalmente faz valer a lei assinada em 1831 e a coloca em prática de fato.
1851: Rosas descobre que o Brasil está financiando os insurgentes de Montevidéu, declara guerra. Tudo que Pedro II queria, assim poderia culpar a Argentina internacionalmente pela Guerra.
O exército de 16.000 brasileiros comandado por Caxias estacionado no Rio Grande do Sul ( por isso que a Farroupilha foi a ultima revolta ser debelada, por isso Caxias foi colocado como presidente da província, por isso que o exercito brasileiro foi remanejado para essa província) invade o Uruguai, derrota Oribe.
1852: O Brasil utiliza a mesma tática de Rosas: cria acordos e financia rebeldes dentro da própria Argentina. Em ação conjunta a estes, o exército brasileiro invade a Argentina e parte para a conquista de Buenos Aires.
Batalhe de Monte Caseiros. Rosas é ferido, percebe a derrota iminente e foge para a Inglaterra. Tropas brasileiras conquistam Buenos Aires e desfilam por suas ruas (a lá Alemães em Paris em 1940).
No tratado é realizado. A Republica das Províncias Unidas do rio da Prata se divide em dois países: Argentina e Buenos Aires. Pedro II mantém a palavra em relação aos insurgentes uruguaios que apoiou de que não iria reincorporar o Uruguai ao Brasil.
O Brasil finalmente em paz, e sendo considerado a maior potência da América Latina inicia o seu processo de modernização e enriquecimento.
1862: Francisco Solano López se torna ditador do Paraguai após a morte de seu pai. Este, antes de morrer, pediu prudência ao filho e deixou claro que qualquer questão com o Brasil deveria ser tratada pela caneta, e não pelas armas. Ignora o conselho precioso do pai moribundo e inicia o alistamento em massa dos paraguaios.
Cria um exército de mais de 80.000 homens numa população de apenas 400.000 almas. Realiza missões de reconhecimento no Mato Grosso objetivando descobrir os pontos fracos do Brasil.
1963: O Império do Brasil na iminência de uma guerra contra o Império Britânico após a questão Christie, realiza a compra de vários armamentos costeiros e de navios de guerra próprios para combate nos oceanos. A marinha brasileira, a única da América do Sul, se torna cada vez mais moderna.
1864: O Brasil realiza acordo com a recém-unificada Argentina, onde decide invadir o Uruguai, que estava numa guerra civil feroz com o objetivo e pacificá-lo. A desculpa é o fato de que o governo uruguaio ignorou as reclamações do Brasil de que tropas uruguaias estavam entrando em território brasileiro, e matando brasileiros de ambos os lados das fronteiras de forma indiscriminada.
O Paraguai de Solano López ameaça declarar guerra ao Brasil caso invada o Uruguai (a desculpa que ele tanto queria para guerrear havia surgido). Tanto o Brasil quanto a Argentina ignoram e invadem mesmo assim.
O Paraguai em retaliação captura o navio a vapor Marquês de Olinda, onde estava a bordo inclusive o novo presidente do Mato Grosso, todas as pessoas a bordo são enviadas para um pequeno campo de concentração, a maior parte viria a morrer de maus tratos no decorrer da guerra. Paraguai declara guerra ao Brasil, invade o Mato Grosso.
O exército paraguaio pega de surpresa a população mato-grossense e o exército brasileiro da região apesar de resistir (inclusive com a ajuda de índios selvagens) se vê forçado a retroceder junto com o povo em massa. O exército paraguaio inicia a destruição, pilhagem e estupros.
1865: Meses depois apenas (as comunicações da época eram terríveis), o governo Imperial descobre que o Paraguai invadiu o Mato Grosso. Brasileiros por todo o país se indignam com tal ato e decidem se alistar para a guerra. São tantos os voluntários, que o governo decide criar um corpo do exército especial chamado “Voluntários da Pátria”.
O exército paraguaio sai do Mato Grosso, se divide em dois e invade o Rio Grande do Sul, mas passa pelo território argentino. Lopez esperava que a Argentina fizesse vista grossa, esta. No entanto, declara guerra.
Uma metade do exercito paraguaio é derrotado e retorna ao Paraguai, a outra metade fica sitiada numa cidade que conquistara a pouco no Rio Grande do Sul. O exercito brasileiro, argentino e uruguaio (40.000, 20.000 e 5.000, respectivamente) se encontram para sitiar a cidade.
Pedro II chega a cidade (Uruguaiana é o nome dela) e encontra-se com Mitre e Flores (presidentes da Argentina e Uruguai, respectivamente), decidem realizar acordos e definir os rumos da guerra. Mitre se tornaria o Comandante em chefe das forças aliadas.
Para a surpresa de todos, o Império Britânico envia um representante que se ajoelha para Pedro II, e pede desculpas oficiais em nome do Império. Havia mais de dois anos que não havia contato algum entre ambos os países. Pedro II aceita as desculpas e reata as relações com o Império Britânico.
O exercito paraguaio sitiado se rende. Parte dos soldados é enviada para o Rio de Janeiro, onde a mando do Imperador são matriculados numa escola para aprenderem a ler e escrever. No final, exames são feito e a grande maioria passa, os melhores recebem medalhas do próprio Imperador.
O exército aliado invade o Paraguai.
1866: Após algumas vitória e uma derrota, o exército aliado é impedido de continuar sua marcha até Assunção (capital do Paraguai) por causa da fortaleza de Humaitá.
Escravos são alistados para lutar na Guerra. Eles seriam imediatamente libertados e considerados homens livres, receberiam soldo (salário) de acordo com o posto e aparentemente, caso tivesse família (como mulher e filhos), estes tambem seriam libertados. A utilização de escravos libertos não chegou a ocupar 10% do númro de soldados no Exército brasileiro. A idéia de que o exercito era composto de escravos é devido ao preconceito de achar que todo negro era escravo e branco era livre. Caxias se torna opositor da medida de utilizar escravos.
A guerra começa a se tornar impopular no Brasil. As pessoas não mais se alistam por desejo proprio e começam a fugir do alistamento obrigatorio.
Mitre é obrigado a retornar a Argentina para debelar rebeliões contra a guerra e a favor do Paraguai. Caxias chega ao teatro de Guerra e se torna o comandante supremo.
1867: Caxias passará todo este ano e parte do proximo reestruturando o exercito brasileiro (Por isso a guerra demorou tnato tempo, apesar de ter começado em 1864, o Brasil se mobilizou apenas em 1865, e de 1866 até 1868 não irá realizar nenhuma ação militar de grande impotancia).
Irá criar um unico hospital para atender os feridos (ao invés de 5 espalhados pelo rio do Prata). Irá treinar os soldados, comprar armamentos e equipamento necessario para sobrevivencia nos pantanos paraguaios (tendas, roupas, uniformes, cobertores, etc).
Se tornará extremamente rígido quanto a higiene no exercito, para impedir o alastramento de doenças. Compra balões para ser utilizado como meios de observação a Humaitá. Melhora a qualidade de alimentos dos soldados e também dos cavalos, que estavam morrendo as dezenas por causa da vegetação impropria.
1868: dom Pedro II após grande insistencia, pede a Caxias que reinicie as operações de guerra.
O cerco a Humaitá se fecha com a passagem dos navios de de guerra da Marinha Brasileira.
O ataque a Humaitá é realizado, conqusita-se a praça, mas descobre-se que boa parte dos soldados inimigos e Lopez tambem ja haviam se retirado.
Dezembrada. 3 batalhas vitais vencidas pelo Exercito Brasileiro (que a essa altura girava em torno de 60.000 homens, o Argentino contava com 5.000 apenas e o Uruguaio, com 500).
Assunção é conquistada. As tropas brasileiras saqueiam a cidade. É necessario grande empenho dos oficiais para repor a ordem e diciplina na soldadesca.
Descobrem campos de concentração criados por Lopez onde ele colocou os opositores do seu governo e quem considerava "traidor" (descobriram depois que essas pessoas eram inocentes).
Caxias considera a guerra terminada e se retira de volta ao Brasil. Apesar de ter sido criticado pelo imperador, por ter se retirado sem ordens superiores, recebe o titulo de Duque, o mais alto e unico do Imperio.
1869: O marido da princesa Isabel, o COnde D´Eu, neto do rei Luís Felipe da França, descendente de São Luís e Carlos Magno, é apontado como novo comandante supremo das Forças Aliadas.
O exercito brasileiro é consideravelmente diminuido, já que o paraguaio, desde 1866, não representava uma verdadeira ameaça.
No segundo semestre de 1869, as operações de guerra são reiniciadas. Inicia-se a caçada a Lopez.
Lopez se torna cada vez mais paranoico, obriga a crianças a unir-se as tropas, tortura a mãe e o irmão (este depois é amarrado com uma corda ao pescoço e é puxado como um animal completamente nu pelas tropas paraguais que fugiam e acabou morrendo de exaustão). Mata varias pessoas acusadas de traição (tambem eram inocentes).
1870: Batalha do Campo Grande ou Costa Nu (acho que é este o nome, estou fazendo essa cronologia de cabeça). As tropas brasileiras alcançam Lopez finalmente, que coloca crianças de 10 anos para lutar. É vencido e acaba sendo morto ao não se render.
A popularidade de Pedro II que estava abalada, é levada as alturas pelo povo brasileiro, que recebe com carinho as tropas que retornam do teatro de guerra.
O imperador recusa a construção de uma estatua dele montado num cavalo e pede para que o dinheiro seja utilizado para construir uma escola.
O Paraguai é ocupado pelas forças aliadas até 1876, quando os ultimos acordos são realizados. Utilizando os antigos tratados feitos entre Portugal e Espanha, e o principio do Utis Possidetis (nao sei se é assim que se screve), o Brasil consegue delimitar a fronteira com Portugal.
1871: Com a guerra terminada, Pedro II consegue finalmente colocar em pauta o que já deixara publico anos antes: o fim graduativo da escravidão no Brasil. A lei do Ventre Livre é aprovada.
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Fim
:riso:
Ah, quem quiser saber mais, leia aqui:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?c...112631&start=1
até!
bem, e o que acharam do texto?