Acho natural. É uma discussão moral e ética. Talvez seja mais fácil ver o concreto do que o abstrato. Nosso sociedade da forma como ela é organizada, é uma construção de conceitos abstratos. O que temos de certo e errado está pautado em valores que não podemos ver com facilidade, a não ser em casos que eles inexistam.
Sobre o debate sobre segurança pública, queria adicionar outro pensamento. Acho que a população brasileira é muito inocente ao lidar com o crime organizado. Mesmo depois de assistirmos e adorarmos Tropa de Elite 2, parece que ninguém realmente entendeu.
Percebam, o crime organizado é o universo da inteligência e dissimulação, mentira e maldade. Bandido de verdade, aquele graúdo, que financia todo o sistema, não está em comunidade carente com fuzil na mão. Quem está com o fuzil na mão são os ignorantes, os burros, os marginalizados, aqueles que são totalmente descartáveis para os líderes de facções, milícias e esquemas. Morre um, tem 10 outros ignorantes para assumir o mesmo fuzil. O líder não mora na comunidade, mora em um casarão de bairro nobre, com família, filhos e trabalho formal.
O bandidão lá de cima não vai receber a polícia na bala. Vai receber com uma equipe de 10 advogados experientes e inescrupulosos. Além daquele político amigo, que vai mover mundos e fundos para convencer a todos que o bandidão é homem de bem, de família, as vezes até religioso. E esse homem de bem pode até se candidatar a um cargo eletivo. E adivinha a qual será a diretriz politica dele? Segurança pública, matar bandido, fortalecer a polícia, acabar com a droga que chega aos nossos filhos. E o eleitor, afundado em discussões ideológicas e partidárias, vai eleger esse cara.
Eu acho muito ingenuidade falar em combater crime organizado enumerando diversas formas de matar os descartáveis. Percebam que não existe a mesma severidade ao tratar de criminosos graúdos, milicianos e políticos corruptos. Será que um corrupto que levou milhões desviados de um hospital merece menos uma bala de sniper que um cara com um fuzil? Mas por que estamos debatendo este e não aquele? Por que o cara pego roubando (de fato sendo uma ameaça para a sociedade) não entra no mesmo julgo de ação arbitraria?
Inteligência policial + justiça eficiente e severa e não precisaríamos perder tempo com dilemas morais.
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