No Capítulo anterior...
Karter, em uma jornada rumo a Venore, tem como companheiros: Erklin e a jovem elfa (ao qual Karter tenta desvendar a morte de seu pai). Já estavam em Femor Hills quando foram atacados por um ciclope. Facilmente morto por Karter, estava com uma marca de grossas correntes. Seu amigo foi misteriosamente rapitado. Agora tem que tentar achar seu fiel camarada antes que seja tarde demais...

KARTER - O Cavaleiro do Norte


CAPITULO V - O resgate de Erklin.


- Eles estavam ao sudoeste! SUDOESTE! - Gritava Karter, inconformado com o sequestro de seu amigo. - O que eles vieram fazer aqui, meu Deus!

A garota nada tinha a falar, e não queria consola-lo, pois além de conhece-lo a menos de três dias, elfos não são tão sentimentais. Ela só sentou e ficou lá pensando em algo que ajudasse nas buscas por Erklin. Mas, de qualquer modo, Karter sabia quem foram e onde estão, só falta ir busca-lo.

- Garota, fique aqui e se esconda caso algo venha. Não quero outro rapto, entendeu?

Ela acenou com a cabeça de forma positiva. Karter apenas pegou um escudo de madeira que ele mesmo talhara e uma pequena adaga bem afiada. Se armou, colocando o escudo na costa e a adaga na cintura, em um suporte parecido com os de espadas, mas menor. Estava pronto. Faltava apenas uma coisa. Ele pegou um saco cheio de pólvora e uma tocha, amarrou o saco de pólvora em sua cintura e foi correndo a procura do amigo. Ele corria tanto, que parecia que as chamas da tocha iriam se apagar com o vento. A medida que ele corria, iria passando fleches das lembranças de Karter com Erklin, quando lutavam juntos no exército carliano...

"Era uma batalha nas redondezas de Thais. O Rei Tibianus pediu a ajuda de Carlin e Venore para uma guerra contra uma invasão de demônios, comandada pelos temidos Morgaroth e Ghazbaran. Não se sabia o motivo, só se sabia que era uma das batalhas mais difíceis que Karter já travou em sua vida. Não chegou a ver nenhum dos membros do "Triângulo do Terror" (assim apelidados). A batalha acabou. Todos comemorando, menos um singelo rapaz que tinha ficado ajudando os feridos. Estava em um canto, quieto e triste. Karter foi até lá conversar com ele.

- O que foi jovem rapaz? Qual seu nome?
- Meu nome é Erklin Ransley, senhor. Filho de Samuel Ransley. - Respondeu Erklin, do jeito que um homem reponde ao seu superior.
- Ora, não necessita de apresentação formal rapaz. Estamos aqui todos como amigos. Diga-me, por que não comemoras?
O rapaz levanta a cabeça e reponde ainda olhando para o copo de cerveja.
- Quando estava socorrendo os soldados feridos, fui logo socorrer meu pai que estava ao chão, com um ferimento na garganta. Ele me disse para cuidar de minha mãe, pois agora me tornaria o homem da casa. Ele morreu em meus braços. Não tenho motivos para comemorar, senhor.
Karter então o olha nos olhos do rapaz e diz:
- Em uma guerra, filho, sempre lutamos por ganhos, mas também ocorre perdas. Entenda uma coisa, na verdade, uma guerra é uma perda. Perda de diálogo, perda de alianças. É perda. Seu pai lutou bravamente, morrendo com a unica coisa que se leva da existência mundana, a honra. Erga a cabeça rapaz, você tem o que chorar sim, mas são por causa de homens como seu pai que nos dá o motivo de comemorar. Não jogue fora essa comemoração pelo que seu pai lutou.

Assim foi a primeira conversa dos dois."


Era por isso que Erklin sempre teve admiração por Karter. Erklin nunca viu Karter como seu suposto pai, mas sim como um amigo. Essa lembrança faz Karter correr mais e mais. "Não vou perder outra pessoa... Não vou deixar outra pessoa morrer por minha causa." Karter, então, vê a aldeia minotauriana. Ele avista Erklin amarrado em um tronco, amordaçado. Karter pega o escudo de sua costa e o coloca no braço esquerdo. Deixa a tocha cravada no chão. Pega a adaga e, ao começar a correr, fura o saco de pólvora, fazendo um rastro do pó preto atrás dele. Karter corre na primeira barraca, pula em direção a costa do primeiro minotauro, encravando a adaga em sua nuca. Pega o machado de duas lâminas em seguida. Abaixa-se quando um machado vem pela horizontal, e Karter passa como foice nas patas da outra criatura. Eram cinco barracas ao todo. Cada uma com dois minotauros. Logo vem os outros oito minotauros mais outros três que estavam espancando Erklin. Karter joga fora o machado e decide enfrentar onze minos com apenas eu escudo de madeira. Os minotauros formam uma espécie de circulo em volta de Karter. O primeiro vem com duas clavas de espinhos de ferro na mão. O minotauro tenta acertar a cabeça de Karter, mas Karter desvia abaixando, olha para o lado e vê a outra clava vindo em direção ao seu pé, tendo que pular e se esticar de horizontal, para não ter a outra clava em sua cabeça. Ainda no ar, golpeia o estômago da criatura com um soco. A criatura recua. Um outro minotauro vem por trás com um machado. Karter pula de costa para o minotauro, que tentara cortar seu pé. Karter dá uma braçada com o escudo no rosto do monstro. O outro vem, ainda conseguindo lutar, e Karter dá um chute de dois pés no peito do minotauro. Pega uma clava para si. O outro vem... E outro... E outro... Quando Erklin acorda (desmaiado com tanta tortura) vê Karter desamarrando suas mãos e tirando sua mordaça.

- Karter?
- Espere, depois nós conversamos. - Diz Karter, pegando Erklin pelos braços e apoiando em seu ombro.

Erklin olha a redondeza e tudo o que vê são minotauros feridos no chão. Karter vai até onde deixou a sua tocha, sinalizando o caminho de volta. Karter abaixa-se e pega a tocha, que joga na direção do começo do rastro de pólvora. Erklin olha para as barracas onde vê barris vermelhos, que indicava explosivos (naquele tempo eram apenas barris cheios de pólvora). A chama começa a seguir o rastro.

- Vamos indo. Isso tudo vai pelos ares. - Diz Karter, confirmando o resgate de Erklin.

No meio do caminho de volta, se vê um clarão iluminando Femor Hills, e o som de uma explosão em seguida. Ou melhor, várias explosões seguidas uma das outras. Depois de um caminho relativamente longo, os dois chegam até a barraca, onde Karter deita Erklin num tipo de cama improvisada. Karter deixa Erklin descansando. Por sorte, seu amigo não sofreu nenhum ferimento grave, mas precisa descansar. Karter senta-se na beira da fogueira que acaba de fazer. A garota vem e se senta do lado.

- Você está bem? - Pergunta a jovem.
- Sim estou. A propósito, qual seu nome?
- É Lirian. - Responde a garota, demonstrando confiança em Karter.
- Bem , Lirian, estamos nos atrasando muito.
- É. Mas chegaremos lá. - Diz Lirian, se levantando e indo dormir.

Karter olha os céus. A estrelas são lindas. A lua não apareceu para embelezar a noite. Mas Karter, cansado com o resgate, sabia que iria olhar muitas vezes o céus a noite em sua jornada longa, que agora já estava mais longa do que ele imaginava.

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Em Breve, Capítulo 6.

Obrigado a todos os postes que elogiaram essa história. São esses postes que me fazem fazer mais e mais a história desse grande guerreiro. ;]