Cordel
Wu Cheng
Cara de Coco tava meio injuriado
e abraçado com a garrafa não queria amolação
Cobra Coral, que não era fala pouco
cutucou Cara de Coco e começou a confusão
"Tu me respeita seu cabrito sem vergonha
Minha mãe, Maria Antonha, na peixeira eu sou o cão"
"Reco-reco, Tico-tico, Mafuá
Me chamam filho do vento, hoje a cobra vai fumar"
Mas a Lozinha, moça delicada e pura
que partiu nessa aventura de noivar Cobra Coral
Tava encolhida, passarinho no xaxim
Acuada, reprimida, branca que nem aipim
Brilhou a faca, punhalada traiçoeira
Cobra não marca bobeira, salta longe e cai de pé
Ficou Lozinha esperando o Deus dará
Recebeu risco certeiro, só deu tempo de assustar
O sanfoneiro vendo a situação
resolveu tomar partido e gritou para o salão:
"Guenta o andor, que a Lozinha se danou
Traz o padre e a benzedera, a hora dela já chegou"
E foi na reza, no unguento e patuá
que os briguentos se picaram, pr'acabar de se matar
Mas só um talho é coisa pouca pra aflição
A moça logo tava boa, o padre largou extrema unção
O sanfoneiro vendo a situação
resolveu tomar partido e gritou para o salão:
"Esquenta o forró, que a Lozinha tá mió
foi doença passageira não carece de abricó"
Baile na roça voltou logo a se animar
o sanfoneiro satisfeito terminou de recitar:
"O barco vira, virou
quem tem padrinho bonito garantiu lugar no céu"
"Dessa vida só se leva o pensamento
É melhor andar direito do que se entortar pelo sustento"







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