Era para o capítulo ser mais longo. Mas no decorrer da escrita eu gostei de deixar o final da história de Fnegoth pro próx(previsão-quarta-feira, segunda tem trecho)
A sacada do final parece novela...
Do Passado
Subsolo de Kazordoon.
Eldred observava a caverna ao seu redor. Era perfeitamente arredondada, exceto à sua direita, onde havia uma grande porta de carvalho, que estava fechada. Eram muitos os anões renegados que andavam pelos túneis a procura da morte, e os soldados não queriam acabar com a garganta cortada. O mármore polido cintilava, atingido pelas chamas, revelando detalhes que diziam claramente quem havia os esculpido. Anões. Os detalhes pequenos, mas perfeitos, mostravam, segundo Koril, um dos magos do grupo, as grandes conquistas da história anã. A forja do Martelo do Trovão, as guerra contra os orcs e minotauros, coroações de reis do passado, heróis matando bestas lendárias...
"Será que um dia iremos aparecer nestas pedra?" Pensava. "Seremos dignos de entrar na história anã?"
Um dos homens perto da fogueira soltou uma gargalhada e distraiu Eldred de seus pensamentos.
- Como pode ser tão burro, Oreil? - disse Fengoth, se dirigindo a um dos homens ao lado da fogueira. - Já lhe disse que esta é um das cavernas de repouso dos mineradores, que trabalham por aqui. Ainda estamos à dois dias de viagem dos corredores de Kazordoon!
Eldred baixou o olhar até a sua tigela e pegou um cogumelo de cor branca. Colocou-o inteiro na boca e mastigou. Gemeu ao sentir o sabor amargo e perguntou ao seu pai:
- Pai, conte-nos uma história dos velhos tempos da 7ª Armada! - múrmurios de concordância encheram o salão. Todos ali, exceto Fengoth, não estavam a mais que 5 anos na divisão. O pai de Eldred já contava com vinte e três anos em serviço, e seu filho, somente dois.
Fengoth sorriu e encarou os vinte e tantos homens sobrevivente da batalha contra o basilisco. Então começou:
- Dezoito anos atrás, um ano antes de você nascer, Eldred, a nossa divisão ainda estava em crescimento e não contava com mais de trinta guerreiros. Nessa época eu já era líder. Bom, como eu ia dizendo, o número de guerreiros era muito menos que o de hoje, que é de duzentos e tantos. Como vocês devem saber, essa armada foi criada por Formora, antecessora de Eloise. O intuito dela era criar uma divisão para o combate à elite de todos os seres que espalhavam o caos pelos arredores de Carlin e regiões aliadas. Tomem como por exemplo o basilisco que matamos ontem. Fizemos isso por causa da amizade entre Carlin e Kazordoon.
Fengoth tomou um gole de vinho e continuou:
- Nessa época o clima era de muita paz em toda Main. Até Carlin e Thais estavam se aproximando. - Fengoth suspirou. - Então surgiram os Sete Cruéis.
Todos os homens estavam tensos. Alguns ainda sentiam o terror do passado:
- Os Sete Cruéis eram, na minha opinião, humanos com almas de demônios. Eles passavam por vilas e cidades, matando todos em seu caminho. Homens, mulheres, velhos e crianças. Todos eram aniquilados. Dizem que uma cidade inteira foi destruida no deserto de Darashia. Os Sete logo juntaram um exército imenso sob seu poder. Ele era formado por ogros, morto-vivos e qualquer outra coisa que você associe ao mal. Em alguns meses dominaram todas as cidades, exceto Carlin, conhecidas. Refugiados de todo continente pediam abrigo à nossa cidade.
Fengoth agora estava com um olhar vidrado, como todos os outros homens:
- Então chegou o dia derradeiro. O Exército das Sombras estava postado na frente de nossa cidade. Era dez vezes mais numeroso que o nosso. Muitos de nós estavámos rezando pelas nossas vidas, sabendo que seria o nosso fim. Então ele apareceu.
Como que Fengoth não aparentasse ter vontade de continuar. Eldred perguntou:
- Quem?
Fengoth virou-se para seu filho e disse, num tom de voz muito baixo:
- Muitos de nós até hoje não acreditam no que viram. Era Ferumbras.
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