Primeiramente, desculpe-me pelo grande atraso. Tive vários problemas (como falta de tempo, laptop com a história quebrado e problemas com a conexão).
Espero que gostem do capítulo...
Obs: querem uma trilha sonora em quanto lêem? Escutem "Bella Natura" e "Land of Youth" da banda mineira "Tuatha de Dannan". Elas se assemelham muito as músicas imaginadas por mim para os elfos.
Capitulo 6 - Dançando com Elfos
Há diversas lendas sobre os elfos. Muitas falam que estas estranhas criaturas são grandes, maiores que os homens e mais fortes que minotauros. Outras falam que eles são menores que anões, gordos e gostam de comer. Os anões dizem que são criaturas altas, fracas e tolas. Muitos consideravam os elfos seres mágicos e divinos. Os sétimos filhos de Crunor, um dos seus variados nomes, sempre aparecem em qualquer narrativa que seja realmente boa. Então não poderiam deixar de aparecer nesta.
Era nestas histórias que Ralf pensava enquanto andava pela pequena trilha. Os sóis estavam quase se pondo e o barulho na floresta começara a diminuir, mas os três caminhavam dispostos. O contador de histórias estava com diversos hematomas, onde o pedaço de madeira do anão tinha acertado com mais força. Mas andava rápido, freqüentemente olhando ao redor da trilha, como que esperando que saltassem elfos dos galhos das árvores em volta.
Hyacinth liderava o grupo, pelo caminho verde. Isso até seria fácil, se não fosse pelo fato que não havia nada que demarcasse os limites da estrada. Parecia que a trilha fora feita por animais da floresta, pois evitava qualquer clareira ou local descoberto, como que se os construtores não desejassem que os caminhantes fosse vistos.
Helidan ia atrás de Ralf, fechando o grupo. O anão, apesar de ter derrubado Greenwood inúmeras vezes no chão, estava carrancudo. Resmungava muito, mas baixo. Então o rapaz só conseguiu discernir poucas palavras como “bichinhos de arco e flecha”, “covardes sem honra”, “amantes de água”, entre outros “elogios”. Obviamente estava falando dos elfos. Ou podia estar reclamando também das curvas que a estrada criava.
E, realmente, a trilha dava voltas e voltas, passando por pequenas depressões e contornando montes que ocasionalmente apareciam por entre as parcas folhagens das árvores. Os animais ainda faziam barulho e de vez em quando, cervos passavam, longe, correndo pela mata. O céu estava coberto com poucas nuvens, mas do leste os dedos escuros da noite já agarravam a fragilidade da luz do dia.
Caminhavam em direção ao poente, voltando pela trilha que Hyacinth e Helidan tinham tomado para chegar à colônia das aranhas. Ralf repassou todos os momentos da aventura que vivera até o momento e sorriu. Já via o contorno de uma boa história. Mas ao mesmo tempo, uma ruga se formou em sua testa. Não via um final pronto. E não sabia qual seria o próximo passo.
- Hyacinth, o que vamos fazer agora? – perguntou, evitando uma raiz que se projetava do chão. O velho estava olhando para o caminho, tentando achar a trilha, por isso não escutou. Ralf repetiu a pergunta.
- Vamos ver os elfos, eles podem nos dar notícias de Ethoin. Depois de o acharmos, temos de atravessar o rio e prosseguir a Oeste. Talvez o Vale dos Ventos não esteja tão perigoso e possamos atravessa-lo. Se aquela estrada estiver fechada para nós, temos que pegar o caminho pantanoso do sul ou a aridez das montanhas do norte. – respondeu o velho, calmamente, como quem dissesse o menu do jantar.
- Va..vale dos v..ventos? – perguntou Greenwood, estremecendo. Os perigos do vale eram conhecidos por todos os habitantes da ilha. Orcs infestavam o local, além de alcatéias sinistras de lobos maus e inteligentes. – Temos mesmo que passar por lá?
- Medo dos orcs? – perguntou Helidan, sentado numa pedra ao lado do caminho. – Não precisa. Eles não conseguiram recuperar a antiga glória que tinham antes da guerra com os lobos. Agora, se formos para o norte, vamos ter problemas com eles. A Montanha da Bruma fica logo ali. E todo mundo sabe que nela fica a maior cidade orc de toda a ilha. Contudo, se formos para os pântanos, teremos que enfrentar não só as criaturas peçonhentas de lá, como a guarnição da Torre de Vigia.
Ralf ponderou sobre o assunto. Como sua antes segura e confortável ilha agora parecia grande e terrível! Ao pensar nas histórias sobre o Vale, seu estômago deu um salto. Mas Helidan estava certo. O pântano era muito pior que o Vale, além do que era certo que os orcs não tinham abandonado seu antigo posto de vigia no começo do terreno lamacento. Balançou a cabeça. Entre ser envenenado, engolido por um lobo ou morto por um machado sanguinário orc, preferia morrer para o lobo.
Estava pensando nas dificuldades da viagem quando Hyacinth soltou uma exclamação de alegria, assustando tanto o rapaz como o anão, que caiu da pedra cara de no chão. Ralf virou-se rapidamente para ver o que tinha acontecido com o velho, e surpreendeu-se.
Hyacinth estava conversando com três elfos. E eles não pareciam o que Greenwood pensara deles. Eram um pouco mais baixos que ele mesmo e que o velho. Suas faces magras eram pálidas. O corpo inteiro era meio esquelético, como que subnutrido. As orelhas pontudas sobressaiam-se dos cabelos longos e loiros. Falavam rapidamente com uma voz doce, gesticulando muito. Quem mais falava era o do meio, que parecia comandar os outros dois.
Ele tinha uma tiara de couro na testa branca. A tiara era adornada de uma pedra roxa linda, que mudava de tonalidade quando o elfo agitava a cabeça. Suas roupas verdes pareciam ser feitas de um material leve. À tira colo, um arco longo. Amarradas ao cinto de couro haviam uma algibeira e uma pequena faca de metal polido. Parecia estar apressado, e repetidamente gesticulava para o oeste. Os outros dois elfos estavam vestidos como o primeiro, só que sem a tiara com diadema. O elfo da esquerda era mais alto e carregava uma bolsa com extremo cuidado. Já o último tinha o cabelo de um louro mais claro, beirando ao prateado, mas ficou o tempo inteiro em silêncio.
Hyacinth fez um gesto afirmativo com a cabeça para os elfos e virou-se, chamando os Ralf e Helidan com a mão. A face do velho estava preocupada, mas ele não quis dizer a razão. Antes que Ralf pudesse dizer algo, Hyacinth cortou:
- Yamathar me contou que os elfos estão celebrando o fim do outono, numa grande clareira, poucos quilômetros daqui. Mas ele está numa missão para seu povo, por isso não vai poder nos levar até lá. Contudo, Azrtra e Threzir poderão nos acompanhar. – ao ouvir os seus nomes, o elfo alto e o de cabelo prateado fizeram um estranho cumprimento, meneando a cabeça e levantando a palma da mão direita para os três amigos, com o cotovelo junto ao corpo.
- Asha Trazi – disse Yamathar, fazendo uma reverência diferente, abaixando a cabeça e tocando com os dedos da mão esquerda a testa. Deveria ser uma despedida, pois, depois de trocar rápidas palavras com os dois companheiros virou-se para o noroeste e entrou na mata fechada, correndo.
- Meu nome é Threzir, que Crunor abençoe vocês – disse o elfo alto, num thaisense perfeito. O outro não disse nada, apenas acenou com a cabeça, com ar entediado. Logo estavam andando rapidamente por entre as árvores, em direção oeste. Threzir confabulava baixinho com Hyacinth em élfico. Logo depois vinha Ralf, prestando atenção nas palavras ditas à frente. Helidan caminhava rápido ao lado de Azrtra, ambos se ignorando e fechando a comitiva.
Os sóis já tinham se deitado, caçando-se no submundo e deixando Tibia na escuridão e eles continuavam andando. De repente, Ralf ouviu o som de muitos gritos jubilosos e muitas risadas. A trilha deu uma última curva para o norte e, contornando um imenso carvalho, abriu-se numa grande clareira.
Havia uma enorme fogueira no centro, e em volta dela estavam muitos elfos, dançando de uma forma estranha e cantando juntos. A clareira estava atapetada uma grama fofa e um pouco úmida, as folhas do outono pareciam terem sido varridas da li. As estrelas brilhavam e a fogueira iluminava o local, soltando um cheiro doce.
Quando viram Threzir e Azrtra, chegando com os forasteiros, os elfos pararam de cantar e vieram junto aos cinco, correndo. Fez se um enorme silêncio, Ralf remexia-se, desconfortável, sob olhar das estranhas criaturas. Segundos depois, todos os elfos falaram numa só voz.
- Asha – e fizeram o mesmo cumprimento que Threzir e Azrtra fizeram aos três anteriormente. Ralf já ia repetir o gesto quando Hyacinth lhe deu um cutucão, fazendo-o parar. O velho falou algo em élfico que fez todos os filhos de Crunor rirem. Os elfos então voltaram para a fogueira, acompanhados por Threzir e Azrtra, deixando os três amigos sozinhos com um outro elfo.
Ele parecia mais velho, pois sua face tinha algumas rugas e seus olhos transpareciam sabedoria. Todo seu cabelo era prateado e refletia tanto a luz da fogueira quanto das estrelas. Na testa tinha uma tiara de prata, com um grande rubi esculpido em forma octogonal afixado no centro. Suas vestes eram vermelhas e amarelas, feitas do mesmo material leve das vestes dos outros.
- Asha – disse aos forasteiros, cumprimentando os três com o jeito peculiar dos elfos. Quando levantou a palma direita, deixou a mostra um anel de ouro, com uma pequena safira incrustada nele. Hyacinth respondeu o cumprimento, sem porém fazer nenhuma reverência.
- Olá, Hyacinth, o sábio, Ralf Greenwood, o contador de histórias e Helidan, barba-de-folha. – Ralf olhou para Helidan, que realmente tinhas diversas folhas entrelaçadas na barba desde que caíra anteriormente. O anão bufou e fechou a cara, fazendo cair algumas folhas penduradas na barba. – Venham, hoje de noite vamos cantar e dançar, sob a última lua de outono.
Virou se para os outros elfos, que estavam fazendo uma barulheira dos infernos. Todos estavam em pé e gritavam uns com os outros. Mas riam enquanto discutiam e, momentos depois, se calaram. Threzir tinha desembrulhado o objeto que carregara com tanto cuidado. Eram sinos, pequenos sinos de ouro. Havia vinte, cada cinco em cada fileira. O suporte era feito de prata, que refletia o luar. Todos os elfos olharam para o instrumento e suspiraram alto.
Logo em seguida, Azrtra mergulhou as mãos nas vestes e tirou uma pequena flauta de madeira, cheia de entalhes. Outros dois elfos correram para as árvores e voltaram com alaúdes. Um terceiro elfo pegou um tambor de couro de veado e juntou-se aos músicos. Por último veio um elfo pequeno, com um violino de madeira escura. Eles cochicharam entre si por um tempo, enquanto todos os outros elfos aguardavam em silêncio.
Uma expectativa crescente tomou conta da clareira. Ralf podia sentir a tensão, como se fosse uma névoa, pairando no ar. O elfo mais velho, calado e ansioso como os outros, estava parado ao lado do contador de histórias, olhando fixamente para os músicos. De repente um som maravilhoso preencheu o ar e os elfos gritaram de alegria, começando a pular em volta da fogueira. Pareciam estar tomados de uma loucura estranha, batiam as palmas no ritmo da música, cantavam e davam piruetas, sempre rindo. Greenwood começou a sentir uma euforia dentro de si. E, pela expressão extasiada de Hyacinth, não só ele. Até Helidan desmanchou a carranca e esboçou um sorriso.
De repente, Ralf sentiu uma mão quente apertar a sua. Um intenso odor de terra molhada preencheu o espaço, enquanto o rapaz se virava para ver quem tinha pegado na sua mão. Deparou-se com uma linda elfa. Usava um vestido vinho, que se mesclava ao marrom em algumas partes, e as bordas prateadas pendiam pelos braços. Seus cabelos, negros como as penas de um corvo, eram compridos e lisos. Sua face pálida estava rosada nas bochechas. Mas o que mais atraiu o olhar do jovem foram os olhos dela. Eles eram de um castanho amarelado, se assemelhando a um falcão. E estavam risonhos.
Greenwood abriu a boca, espantado, enquanto era puxado para perto da dança louca dos elfos. De repente, sentiu uma onda de energia percorrer seu corpo. A elfa riu e começou a pular, graciosamente. Foi imitada por Ralf, que toda hora esbarrava num elfo. Mas eles não ligavam, apenas riam e continuavam a pular e a rodar no ar. O rapaz seguia sua companheira de dança, que cantava a melodia alegre da flauta.
Subitamente, toda a euforia pareceu fazer sentido para Greenwood. A vibração da música ecoava e era repetida pelos elfos. Cada pirueta, cada grito de felicidade completava uma melodia mágica que incitava felicidade em todos os presentes. Fios imaginários movimentavam os elfos. Ralf se deixou levar pelos fios.
Logo, estava rodopiando também, feliz.Ainda não soltara a mão da elfa, que lançava ocasionalmente olhares risonhos para o humano. Toda vez que isso acontecia, Greenwood sentia um estremecimento, um formigamento bizarro na face e seu estômago dava saltos.
E a alegria durou a noite toda. Ralf não sentiu nenhum cansaço e, duas vezes, parou de dançar para comer pão branco e beber vinho de bétulas, que estavam sendo servidos perto dos músicos. Dançou todo o tempo com a elfa, que acompanhou o homem nas duas vezes em que ele parou. Mas, quando o primeiro sinal de Fafnar despontou do céu, a música cessou, a alegria terminou e todos foram dormir.
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