Capítulo 14
Taura tentou mover-se, mas era como estar com os pés fortemente pregados ao chão.
Apesar de ter notado o olhar de repulsa da jovem, Ferumbras aproximou-se mais e continuou:
-É uma pena que você tenha de acabar assim... Uma moça tão bonita não merece tal fim. – seus dedos gélidos foram deslizando pelo braço de Taura suavemente, até chegarem na mão fina e delicada da jovem. Segurando-a por um ínfimo segundo, falou, provavelmente para Greg e Gran:
-Já podemos começar.
No momento seguinte os convocados estavam sobre o palco de madeira. Ao ver punhais em suas mãos, Taura teve a terrível certeza: morreria ali, naquela gruta, de forma dolorosa e insensível. Ela podia sentir a respiração sem ritmo de Iluminista, a tensão aumentando.
Uma repentina e agonizante dor tomou conta do braço da garota. Ao virar-se, viu o líquido vermelho escorrer por sua mão e regar o tablado. Sentiu fio da navalha percorrer-lhe lentamente as costas. Não mais agüentando, ela gritou, acompanhando o irmão, cuja roupa já enrubescia.
Ferumbras assistia a tortura atentamente, em transe. Havia centelhas em seus olhos diabólicos. Em êxtase delirante, tomou a arma das mãos de Greg e assumiu a vil mutilação da garota.
-Espero que não se importe- sussurrou ele, ao pé de seu ouvido. Aproximou o punhal da jugular de Taura, provocando-lhe um sangramento considerável.
A partir daí tudo aconteceu rapidamente: o pequeno esquilo saiu do bolso da garota e escalou seu corpo numa velocidade incrível; Ferumbras saltou para longe, gritando de forma ensurdecedora, seu olhar marejado de temor. Ele fitava Jim, cujo pêlo eriçava-se ameaçadoramente.
Olhando com ansiedade para o mago, a moça viu seu antebraço, um sangue negro e pegajoso dele jorrando. Porque uma simples mordida de esquilo teria causado tamanho estrago? De repente, um clique em sua mente; um trecho de seu livro sobre criatura tibianas surgiu em sua memória:
O esquilo mágico é uma das criaturas mais especuladas atualmente. Ele consegue sentir a presença de males em indivíduos ou objetos. Assim, sua defesa é feita por meio de uma mordida, letal para algo ou alguém que esteja possuído pelo mal.
-Cerberus, ataque-os!!
A voz de Ferumbras estava trêmula, porém ainda bastante audível.
O imenso dragão esquelético pairando na direção dos gêmeos foi a última visão totalmente nítida que Taura teve. Com o impacto da cabeçorra sobre seu corpo, ela tombou, batendo a nuca fortemente no chão.
Agora Cerberus levava seu mestre nas costas, cuspindo labaredas de um fogo verde esmeralda. Ele voltava na direção de Taura, voraz. Sua boca escancarando-se mais e mais . Então, esse era o fim, não é? Restavam-lhe poucos segundos. Supôs pesarosamente que seu querido irmão se encontrasse em situação semelhante. E os outros?
Ela fechou os olhos para não ver o pior. Mas, para quê, se a morte seria inevitavelmente encarada? A jornada, sua vida heróica dissolvia-se ali, para depois ser esquecida por entre as rochas cheias de musgo. Afinal, não havia saída, não agora.
Um forte peso projetou-se sobre ela, arrebatando-a violentamente. Sua cabeça bateu em algo duro, enquanto ela parecia flutuar. Com os olhos fechados, ela mergulhou no profundo vácuo, o terrível vazio da inconsciência.
*****A claridade irrompia pelo meio de suas pálpebras, pesadas como rocha. Algo gelado tocava-lhe as costas, dando-lhe uma ótima sensação. Como seus olhos doessem, Taura abriu-os lentamente.
Para seu espanto, discerniu de forma embaçada as lindas feições de Nevan, iluminadas pelos raios solares.
-Acho que mereço um agradecimento por tê-la impedido de virar jantar de dragão...
-Obrigada – foi sua resposta, um tanto fraca, pois parecia haver pedras em sua garganta – Onde está... Ferumbras?
-Não se preocupe, ele não estará nesse plano pelos próximos trilhões e trilhões de anos. Graças a seu amiguinho Jim.
Aquele rosto maravilhoso estava se aproximando mais. Um sorriso de incerteza e insegurança o emoldurou. No segundo seguinte seus lábios cálidos tocavam os de Taura Minus, enquanto a água do mar batia suavemente em seu corpo.
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Bem, é isso, galera, meu roleplay chegou ao fim. Mas e a Odisséia? Ah, a Odisséia está apenas começando, podem crer... Enfim, espero que tenham apreciado a primeira (de muitas outras, espero) grandes aventuras de Taura Minus...
PS: Peço desculpas por ter demorado TANTO pra postar, além de ter tirado do ar a história por várias e várias semanas. Mas estava fazendo uma grande revisão geral, e achei melhor retirar por enquanto. Por favor, não me perguntem o porquê (nem eu sei xD)
PS 2: Nesse tempo de revisão melhorei (espero), alguns trechos, como na parte em que ela segue a luz até o templo. Fiz algo mais detalhado. Claro que há muitas outras partes em que fiz uma modelagem a fim de melhorar a leitura. Além de ter acrescentado um novo capítulo, ou seja; o capítulo 8 é totalmente inédito, vale conferir ;D
Belaau
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) grandes aventuras de Taura Minus...
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