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Última edição por Zombie Milk; 02-08-2010 às 18:56.




Zombie Milk... Li sua história e pensei em muitas coisas pra te dizer, mas acho que o mais importante e urgente é: Calma, tu precisa ter calma.
As ações ocorrem como relâmpagos, sentimentos profundos são resumidos a uma breve cena onde se vê uma lágrima e acontecimentos, capítulos, cenas - não se interligam.
Veja bem, uma história não pode ser feita só por ação atrás de ação, emoção atrás e de emoção e morte atrás de morte. Isso cansa, e em centro ponto da história tudo isso se tornará banal. É como passar de ônibus pelo mesmo lugar todo dia, com o mesmo cenário, as mesmas árvores - chega um ponto onde tu nem vê mais nada, e tudo se torna banal. Por incrível que pareça, o mesmo acontece com a violência.
Se em todos os capítulos alguém morre, ou fica ferido, ou há a ameaça iminente de morte, isso vai cansar. (E acredito que ja está cansando.)
Como agravante, tem o fato de que tu não descreve o ambiente nem faz cenas de transição (os teus personagens não passam de uma cena pra outra, eles aparecem nas cenas). Isso é um problema crucial da tua história, que merece toda a tua atenção e paciência. Entre um capítulo e outro não tem uma continuidade, parecem fragmentos de história, e isso confunde o leitor. No que toca às descrições, aliás, tu perdeu muitas oportunidades de fazer cenas verdadeiramente emocionantes, desperdiçando essas cenas quando simplesmente escreve "escorreu uma lágrima dos seus olhos" ou "com lágrimas nos olhos". Isso simplesmente não é suficiente pra demonstrar uma emoção profunda. Precisa descrever a expressão facial, linguagem corporal, o som do choro, lábios trêmulos, etc etc etc e tudo o mais que acompanha a emoção humana. E isso vale pra tudo na tua história. Repito: Tudo.
Não me leve a mal, o que eu quero dizer com tudo isso não é que tu é um péssimo escritor sem futuro, nem que as tuas histórias não prestam. Não, longe disso. Só quero que tu tenha muita calma de agora em diante, ou a tua história vai arriscar cair na banalidade. Um personagem que morre vai ser só mais um entre tantos outros, uma lágrima vai ser só uma lágrima.
Nota-se que tu não escreve tudo o que se passa na tua cabeça. Eu entendo que, pra ti, as cenas aparecem vivas na cabeça, e quando tu lê teu próprio texto consegue ver todas as ações e emoções com profundidade. Mas o leitor não tem acesso aos teus pensamentos, só ao que tu põe no papel. E o que tu põe no papel é apenas um pedaço muito, mas muito pequeno do que tu imaginou pro capítulo (e por isso teus capítulos são tão curtos. Isso não é uma vantagem.)
De vez em quando tu tem que desacelerar o ritmo, fazer capítulos calmos, com poucas ações, onde tudo parece estar bem. Aí, quando vier o capítulo onde alguém morre, vai contrastar com o anterior e aí sim vai ter algum impacto no leitor. Imagine que a tua história é uma pintura. Do que adianta pintar um traço preto em cima de outro traço preto? É quando tu pinta um traço preto em cima de um fundo branco que o preto salta aos olhos, chama a atenção, não é? Isso é o contraste. E vale tanto pra pinturas quanto pra histórias. Já ouviu a expressão "nada é mais silencioso que um canhão antes do tiro"? É exatamente disso que se trata.
Então, em um capítulo, como tu espera que o leitor receba várias ações de uma vez só? Tem romance, assassinato, pesadelo, suspense, perseguição, bangue-bangue, tudo num espaço de duas ou três páginas? É uma confusão só. As ações vão embora tão rápido como vieram, e personagens também. E assim nada marca o leitor.
Tente colocar tudo o que passa na tua cabeça no capítulo. Cada idéia não colocada no papel é uma oportunidade que tu perde. Não trate teus personagens como robôs, dê vida a eles. Faça trechos introduzindo cenas, e finalizando-as ao mesmo tempo que prepara para a próxima. Enfim, resumindo novamente, o que tu precisa é Calma. Muita calma.
(Mas não vai pensando que é só isso. Esse é o problema principal. Existem muitos outros, como a artificialidade e irracionalidade das ações dos personagens. Mas isso fica pra próxima, senão meu post fica muito grande)
Próximo Capítulo?
A.E. Melgraon I
Última edição por Melgraon I; 06-12-2008 às 14:40.
Eu li metade agora e simplesmente não consegui prosseguir. Achei surreal demais, rápido demais, sem graça demais. Emoções são coisas que não existem, ações são tão rápidos que antes de entendermos uma, outra já terminou logo em seugida. E é tudo MUITO surreal! A loca perde o pai e 16 dias depois está saltitando feito um pirilampo indo se envolver em umainvestigação sobre o assassino de seu pai e não sente nada a respeito?
Olha, tem muito a melhorar. Desenvolver a escrita, as descrições (cenários não existem na história mel dels) e sobretudo as ações. Não estamos vemos um filme, precisamos que tudo seja minunciosamente explicado pra entender. Ok, exagero, nem tudo. Coisas como beber água não precisam ser descritas, mas outras precisma e muito, como assassinatos.
Bom, eu realmente espero que você pegue essas dicas que estão sendo dadas e as aproveite.
Manteiga.
Dezesseis anos depois, estamos em paz.