Capítulo 1 - A Ladra Lwuida
Na populosa e agitada cidade de Asemorfät, o comerciante de grande massa corpórea gritava com raiva pros outros.
- Ladrão!!!!
A menina corria como o vento. Seus cabelos lisos eram jogados para trás revelando seu belo rosto pálido. Com comida e pequenas pedras preciosas em mãos, ela corria para se salvar do homem que gritava.
Todos olhavam para ela e, por onde passava, pessoas corriam atrás.
Seu nome? Katarine Louret, mas não era assim que a chamavam. Por todas as ruas de Asemorfät era apelidada de Lwuida.
Mas como num passe de mágica, ou esperteza, ela sumiu como se fosse fumaça.
Lwuida tinha uma pequena fama na cidade mas apesar disso, poucas pessoas viam seu rosto.
Chegando na gruta em que habitava, ela tira seu casaco de pele de urso pois fazia frio na cidade à noite, ainda mais por ser uma cidade desértica, e a gruta era quente. Por trás do casaco, suas belas e grandes pernas podiam ser notadas. Um perfeito corpo também. Seus lábios eram rosados e finos, olhos verdes e um rosto estupidamente simétrico.
Lwuida se preparava para dormir na cama dentro da gruta. Era um lugar muito diferente, situava-se perto de Asemorfät numa montanha e sua entrada era totalmente escondida e camuflada.
Ela sentou na confortável cama, que comprou com o dinheiro do roubo, e se despiu. Ela gostava de dormir nua, depois de tanto dia de roubo e cansaço ela merecia uma bela noite de descanso.
Mas não foi assim que aconteceu.
- Levante os braços! - gritava alguém do lado de fora.
Lwuida estava assustada. Não entedeu como a milícia de Asemorfät conseguira chegar ali.
- Vamos, saia! É uma ordem.
Asemorfät era uma cidade muito avançada e parada no tempo ao mesmo tempo. Suas leis e tecnologia eram de ponta, mas a população era tão grande que existia até uma palavra para resumir a cidade "Pouco para muitos".
Poderia ser algum inimigo seu. Mas Quem?
- Saia logo, ou invadiremos! - se levantava a voz mas uma vez.
Lwuida estava sem saída. em sua gruta, não havia outra entrada.
- Saia logo! - E toda a milícia quebrou a falsa pedra que cobria a entrada da gruta.
- Ei como podem invadir assim! Estou nua! - dizia ela, com os cabelos lisos negros sobre o rosto rosto.
Lwuida logo pensou que eles podiam estuprá-la. Pensou em fugir.
Usando suas habilidades, a ladra correu como o vento, mas logo cansou, ela havia gastado muita energia durante o dia. Então corria mas lentamente, quase parando a cada metro.
Ela corria para o deserto. Olhou para cima, viu uma grande pedra redonda. Olhou um pouco abaixo, uma corda. Ela viu que a corda estava sendo segurada na pedra. Pensou em puxá-la, e puxou. A pedra estava rolando e pegava mais velocidade conforme rolava.
Lwuida bufava de cansaço. A pedra roalava e soltava poeira.
Ela voltava a correr, só que dessa vez, bem mais lentamente. Ela olhou para trás e viu que pedra acertou o homens que foram "esmagados" pela mesma.
Veio uma sensação de alívio, mas a pedra continuava a rolar porém agora, em sua direção. Ela tentava correr mais rápido mas tinha muitas fadigas e andava cada vez mais lentamente.
A pedra estava descendo a montanha e indo para o deserto asemorfateano. Seu raciocínio que a salvou nesse momento... por enquanto. Havia uma pequena entrada na montanha que dava para se esconder do caminho da pedra então, ela entrou.
A pedra vinha só passando e passando pelo caminho para o deserto. Ela se segurou na pequena entrada. Mas algo inesperado aconteceu. O grande bloco de pedra passou por cima de uma bem menor, uma pequenina pedra voou no ar, que acertou a cabeça de Lwuida deixando-a desmaiada. Ela caiu e também começou a rolar montanha abaixo.
Ela se machucava ao rolar. Rolou até parar na parte do começo da divisa do deserto com a floresta, lugar que nunca tinha pisado antes, desacordada.
- Ai minha cabeça! - dizia a menina acordando.
- Vejo que acordou. - vinha uma voz detrás dela.
Ela olhou para onde estava. Viu plantações, um lago cristalino, tudo isso cercado por uma interminável e linda floresta. Olhou para trás e viu um homem. Ele vestia roupas simples e largas. Sua pele, pálida como a dela, olhos castanho-claros e cabelos da mesma cor e um pouco longos. Sua sombrancelha era grossa e ele era magro. Logo se assustou.
- Quem é você?
- O homem que te achou machucada no fim da floresta. Mas agora você já está bem... suas feridas cicatrizaram e eu te coloquei umas roupas. Não sei se ficou confortável, mas eram as únicas que podia lhe arranjar.
O homem parecia ser bondoso apesar de simples. Mas ainda passou por sua cabeça que ele pudesse ter feito alguma maldade.
- Você não...
- Não, não fiz nada do que pensas. Apenas te achei quando caçava algumas galinhas e bois pela florestas.
- Por quanto tempo estive aqui?
- Dois dias e três horas. Você tem uma cicatrização bastante rápida, poderia te garantir que se você não tivesse essa cicatrização, ainda estaria toda ferida e tomando meus cuidados
Quem seria aquele homem? E qual seria aquele lugar?
- Qual o teu nome?
- Meu nome? Meu nome é Alca... Alca Patrön.
- Onde estou?
- Na baixa floresta de Barmstrad
- Barmstrad??? Eu estou em Barmstrad?
- Sim... te encontrei toda machucada perto do deserto de Asemorfät, na parte que fazia divisa com a floresta, acho que a uns cinqüenta quilômetros daqui, ou mais...
- E você veio me trazendo de lá até aqui?
- Sim.
- E eu pelada?
- Sim. Mas fique despreocupada, nunca iria fazer isso com ninguém.
Ela estava envergonhada e com raiva. Havia sido achada por um homem e ainda mais, o lugar era totalmente calmo e silencioso, perfeito para qualquer crime. Ela olhou para cara do homem. Sua cara de bom homem fazia ela esquecer de tudo que ela poderia pensar. Logo, quis saber mais sobre Alca.
- E o que você faz aqui?
- Vivo. - dizia ele lavando a alface que pegava de sua plantação.
- Vive sozinho?
- Sim... há tempos não recebo uma visita, para passar o tempo, às vezes falo com os animais?
- Druida?
- Não posso dizer que sim. Sei algumas coisas do druidismo, mas apenas para sobrevivência própria.
- Então como fala com animais?
- Eu apenas falo com eles, mas não sei se eles me ouvem.
- E o que fala com eles?
- Da minha vida, das peste que as vezes vem na minha plantação, dos meus remédios, das minhas descobertas químicas, etc.
- Mmmm... e o que come aqui?
- Carne de boi e de galinha, frutas do meu pomar e vegetais da horta.
- E a água de onde vem?
- Tiro mais água do lago, mas eu fiz um poço por onde vem água bem limpa.
E assim a conversa foi seguindo. Ele era um homem bem calmo, elegante e introvertido, mas simpático ao mesmo tempo.
- E você? Qual teu nome que também não sei?
- Katarine.
- Katarine? Só Katarine? - falou o homem, brincando.
- Katarine Louret... - dizia ela rindo.
- Mmmmm.
- Mas sou mais conhecida como Lwuida.
- Então é uma pessoa de muitos amigos?
- Infelizmente não. Você pode se assustar, mas sou bem conhecida por ser uma ladra.
O homem deixou escapar sua face de espanto.
- Ladra?!
- Eu sabia que iria se assustar... Ai! O que tive na cabeça?
- Uma pancada forte! Abriu um corte mas, eu costurei. Daqui a uma semana isso deve estar bom.
- Uma semana?! - Falou ela assustada.
- Sim, a pancada foi muito forte e, sem querer me intrometer, como você conseguiu ficar tão ferida desse jeito? arranhões, machucados, pancadas que levaram a cortes na cabeça... por onde andou?
Ela ficou meio receosa em contar.
- Ei, me fale, eu juro que não conto a ninguém! - dizia ele.
- Perseguição...
- Se não quer contar não sou eu que vou lhe obrigar. Vai querer entrar na casa ou vai ficar aí sentada? Estou preparando o jantar, daqui a pouco anoitece.
- É verdade, eu preciso de comida, tô com muita fome!
- Então vamos, entre.
Era um casa bem simples. Feita de uma madeira que tinha um odor bom, bem cuidada, aparentemente sem presença de cupins. Haviam muitas estantes com vários livros, de praticamente todos os tipos, estavam todos arrumados, sem um fora do lugar. Havia uma entrada que dava para a cozinha. O aroma do que ele cozinhava era bom, temperos dos mais variados tipos. Além de uma coisa bem avançada para a época: Um recipiente que deixava as coisas geladas.
Lwuida olhou para uma porta aberta. Era o quarto do homem, muito bem arrumado e de bom gosto, bem caseiro. Olhou para outra porta aberta: um outro quarto. Mas para que um outro quarto para um homem que mora sozinho? Lwuida olhou para a porta e viu escrito "Salid Patrön". Ficou pensando por alguns segundo mas olhou para uma porta fechada. Era uma porta comum mas havia uma inscrição: "A sala da arte da junção de substâncias". Só poderia ser seu laboratório.
Ela olhou para o lado de fora e viu que já estava de noite. O homem saiu da cozinha e chegou perto dela. A mesa se encontra na cozinha e tinha apenas duas cadeiras
- A comida está pronta. Pode se servir!
Ela estava morrendo de fome, mas não queria passar vergonha. A comida parecia apetitosa.
- Sei que está com fome. Pegue o quanto for necessário.
- Alca.
- Fale.
- Quem é Salid Patrön?
O homem tosse. Ficou nervoso a ponto de se engasgar com a comida.
- Onde viu esse nome?
- Na porta de um dos quartos da casa.
- E-ele é meu irmão que sumiu há muito tempo.
Não parecia que o homem falava a verdade. Era a primeira coisa ruim que Lwuida notou nele. Parecia que o homem escondia algum segredo sobre Salid Patrön.
Eles comeram. O homem tinha um um hábito de lavar boca com uma pasta especial que ele dizia fazer com que os dentes ficassem mais fortes.
- Bom, Katarine, se quiser pode dormir no...
- Quarto do Salid?
- Sim...
Alca foi o primeiro a se deitar. Fechou a porta de seu quarto e se apagou. Lwuida ainda ficou pensando em quem seria Salid Patrön.
De madrugada, um vulto passaeva pela casa. Foi na cozinha, pegou alguma coisa no recipiente que chamava de gelador, cozinhou no fogo à lenha e começou a comer. Parecia ser uma galinha.
Lwuida somente cochilava e voltava a acordar, ela não conseguia pregar os olhos porque sempre vinha a mesma pergunta em sua cabeça. Como a casa não era dela, ela não ousava a levantar-se e andar pela casa. Mas porque não poderia? O dono estava dormindo mesmo. E assim ela abriu a porta do quarto.
Estava totalmente escuro mas ela percebeu que parecia vir uma luz de vela da cozinha. Subitamente, a luz se apagou, agora sim estava tudo escuro.
Ela andava com passos silenciosos, até que os dois gritam. Lwuida foi pega no flagra andando pela casa de madrugada.
O vulto parecia falar algo.
- Katarine?
- Alca?
- Sim. Ainda bem que é você. Já ia pensando que fosse um invasor de terras.
- Mmmm. - dizia ela sem graça por ser descoberta. Por sorte estava tudo escuro e sua cara não aparecia.
- Bom, estava comendo lá na cozinha quando a vela se apagou. Droga! Agora não tenho outra!
- Alca, no quarto há uma... Posso pegar?
- Ah, sim sim, claro.
Lwuida foi até o quarto de Salid, apalpando nas paredes de madeira. ela sabia onde a vela estava, a tinha visto mais cedo, só que no escuro tudo fica mais difícil. Ela chegou até a derrubar algumas coisas que estavam em cima de uma mesa. Foi apalpando e apalpando até encotrar a vela. Depois deu um grito para Alca.
- Achei!
- Traz pra mim!
Ela foi botando as mãos para frente até que achou o braço do homem. Ele pegou a vela e a acendeu com um esqueiro, coisa rara na época.
A luz se fez porém, era pouca. Alca olhou para Lwuida. Arriscou fazer um convite.
- Katarine...
- Oi?
- Gosta de química? Alquimia? Experiências científicas?
- Não muito, mas me interesso.
- Quer ir ao meu laboratório?
- Ótima idéia. Não tenho nada pra fazer mesmo. - disse ela brincando.
- Opa! Então vamos!
Alca então, segurando a vela, orientou Lwuida até a porta do laboratório. Ele pediu licença, pegou a vela e a colocou perto da massaneta da porta. Parecia ter um compartimento. O fazendeiro abriu e fez uma senha. A porta se abriu.
Com o pouco de luz da vela, podia se ver algumas tochas apagadas e uma escada, como se fosse para um porão. Alca foi andando na frente e acendendo as tochas, com o fogo da vela. Lwuida foi atrás, com um certo "frio na barriga". À medida que Alca acendia as tochas o local ia ficando mais claro e cada vez mais ofuscava o brilho da vela. Aluz chegou a ficar branca e pegava em todos os lugares. Parecia que o homem também conhecia óptica.
- Posso te fazer um pedido? - Disse Lwuida
- Claro!
- Me chame de Lwuida, por favor. Há tempos não me chamam de Katarine, fui mais acostumada e ser a "Lwuida" do que a "Katarine".
- Como quiser Kata... Ops, Lwuida. - Falou o homem brincando.
Ela aceitou a brincadeira com um sorriso
Descendo mais ainda, ela percebeu que chegou no final da escada, e ela era grande. Havia uma outra porta. Ele apertou a massaneta e porta se abriu. Um lugar iluminado foi revelado. Era cheio de tubos de ensaio, frascos e muitas otras coisas. Termômetros, provetas, inúmeros objetos. Por que aquele homem precisava daquilo, se ele morava sozinho e suas descobertas não seriam aplicadas e nem divulgadas em nenhum lugar?
Lwuida cada vez mais ficava mais interessada pelo homem. Mas ele era bem misterioso, ela não conseguia esquecer de Salid Patrön.
Quem será que foi, é ou será Salid Patrön?
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