Curtir Curtir:  0
Resultados 1 a 10 de 51

Tópico: A odisséia de Taura

Hybrid View

Post Anterior Post Anterior   Próximo Post Próximo Post
  1. #1
    Avatar de Bela~
    Registro
    16-10-2007
    Localização
    Rio de Janeiro
    Idade
    30
    Posts
    3.196
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Capítulo 10

    Taura acordou cedo, o sol ainda nem nascera. Suspirando, levantou-se da cama para recolher seus poucos pertences: dinheiro, equipamentos, e roupas, além de seu livro. Pôs tudo numa mochila de couro um pouco velha. Iluminista acordava nesse mesmo instante. Com os olhos incompletamente abertos, ele se dirigiu para onde estava a irmã e começou a fazer o mesmo que ela.
    Após terem arrumado tudo, o que não demorou muito, eles desceram para o andar de baixo. Os dois foram para o jardim de casa, pois os pais ainda dormiam. Sentaram-se na grama e ficaram longos minutos observando-a.
    -É difícil, não é? Eu sempre quis me aventurar e conhecer novos horizontes, mas...
    Ao ver que Iluminista não conseguiria completar a frase, Taura segurou a mão do irmão, a fim de consolá-lo. Não sabia o que dizer. Tampouco desejava fazê-lo. A dor seria maior ainda. Assim eles permaneceram, juntos, quase abraçados.
    Com uma sutileza divina, o sol raiou, aquecendo tudo. Porém, era um calor agradável, confortante. A porta rangeu, indicando que os pais haviam acordado. Olga, com os olhos avermelhados, falou:
    -Queridos, peguem suas coisas. O navio partirá daqui à uma hora.
    O pai acrescentou:
    -Não se preocupem com a comida. Haverá um lanche durante viagem.
    Alguns minutos depois havia quatro vultos abraçados na entrada da casa. Lentamente, todos começaram a andar. O porto situava-se na porção sudeste da ilha, lugar onde Taura nunca estivera. Apenas alguns mendigos vagavam pelas ruas, ninguém mais.
    Em pouco tempo, eles chegaram ao local. Era um lugar grandioso, onde inúmeras pessoas andavam, até mesmo àquela hora. Várias caixas eram carregadas de um lado para outro por homens altos e musculosos enquanto um outro gritava em alto e bom som:
    -Ilha do Destino aqui! Mostrem seus bilhetes!
    Herman voltou-se para os filhos e disse, tocando-lhes o ombro:
    -Aqui estão as passagens. Acompanharemos vocês até o embarque. – e, rapidamente, ele retirou do bolso algo peludo, que cabia perfeitamente na palma de sua mão – este é Jim, um esquilo mágico. Tratem-no bem e ele mostrará seus poderes.
    Com uma piscadela, ele olhou para o homem que se esgoelava:
    -Chamada final: viajantes para a Ilha do Destino aqui!!
    O chamado do capitão indicava que chegara a hora da despedida. Dirigindo-se para a fila dos bilhetes e dando um último beijo nos pais, os irmãos entraram na imponente navio. Eles soluçavam alto e ouviam os pais gritarem:
    -Nós sempre amaremos vocês! Adeus...
    Essa última palavra funcionou como uma flecha para o coração de Taura. A menina, emocionada, não conseguiu fazer mais nada, além de acenar, a mão visivelmente trêmula.
    O navio começava e se movimentar. Os pais rapidamente transformaram-se em pontinhos embaçados. Taura continuou observando a ilha, que cada vez mais se distanciava. Engoliu em seco, sua garganta tinha um nó.
    Ela queria, ainda que pela última vez, ver Rookgaard, lugar em que nunca mais voltaria. Aos poucos a brisa fresca da manhã logo se transformou num vento frio e salgado , que adentrava os cabelos da jovem e despenteava-os.
    Uma lágrima gélida deslizou pelo seu rosto, indo misturar-se com o mar infinito.
    -Taura, venha comer!
    A voz de Iluminista a sobressaltou. A menina respondeu-lhe:
    Não estou com fome, prefiro ficar aqui.
    O irmão, que parecia já ter feito novas amizades, saiu conversando com outros rapazes de sua idade. Taura continuou ali por mais um incontáveis minutos, ou até horas. Afinal, o tempo não importava mais... Ela supunha que o almoço já estivesse sendo servido, pelo doce aroma que entrava por suas narinas. Até esse momento Jim, a criaturinha peluda, roçava seu pescoço, enquanto guinchava. Taura observou-a melhor. Era idêntica a um esquilo, porém menor e mais gorda, além de seu pescoço ser menos comprido. Rindo sombriamente para o novo mascote, Taura se dirigiu sem entusiasmo para as mesinhas redondas dispostas ali perto.
    O almoço estava delicioso, digno de deuses. Ela sentara-se na mesma mesa do irmão, onde um grupo de jovens falava e ria alto, como se a dor da separação não os afetasse. Um deles, aquele que parecia ser o líder, talvez por seu carisma; cantava alegremente uma canção de infância. Agitando os braços de forma a encorajar os outros a cantar, ele animava o ambiente agradavelmente. Seus cabelos escuros caíam por sobre os olhos claros elegantemente. Dando-se conta de estar fitando perdidamente o rapaz, Taura mudou rapidamente seu foco de visão.
    Mas como poderia distrair-se, se aquele jovem despertava nela uma curiosidade estranha, misteriosa. Varrendo tais pensamentos da cabeça, percebeu que Iluminista, apesar de não estar tão á vontade quanto os outros, não mais tinha seus olhos avermelhados e ria das piadas contadas.
    Aos poucos, após observar a algazarra e a alegria provocada por eles, ela acabou sendo contagiada, como o irmão. Ao final do saboroso almoço a descontração era total. Passaram a tarde inteira passeando pelo navio. Visitaram o depósito, apinhado de alimentos, água e armas, a cozinha, sempre com um aroma todo cheio de vida e até mesmo a cabine do capitão Kurt, homem misterioso, porém simpático.
    A noite caiu rapidamente, cobrindo o céu com seu manto negro. As estrelas eram ainda mais belas quando vistas do mar. Taura e Iluminista observavam-nas tranquilamente. Já passava da meia noite, e muitos no navio dormiam. Inclusive Nevan, o rapaz de olhos claros e penetrantes.
    Porém os irmãos não tinham sono, nem ao menos uma ponta de cansaço. Uma luz foi avistada ao longe. O que seria? Ela foi aumentando á medida que o navio deslizava pelas águas. Era um farol, avisando que a viagem havia chegado ao final.
    O capitão Kurt, saindo de sua cabine, gritou:
    -Bem vindos à Ilha do Destino!

    Publicidade:


    Jogue Tibia sem mensalidades!
    Taleon Online - Otserv apoiado pelo TibiaBR.
    https://taleon.online
    Última edição por Bela~; 18-01-2009 às 21:39.

  2. #2
    Avatar de Claudio Di Martino
    Registro
    13-08-2006
    Localização
    Americana
    Idade
    36
    Posts
    288
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    esse capítulo 10 ficou bem interessante, confesso que a principio eu não saquei que era um sonho de Taura, o que me fez reler, mas depois no final com a conclusão do amigo cutucando a menina eu comprovei, achei muito boa essa parte.
    Creio que haja um errinhona penúltima linha do seu capítulo, onde você escreve "erra" ao invés de "era".

    Quanto a falta de vontade, talvez seja normal. Eu não senti falta de vontade ainda, meu problema mesmo é achar tempo pra digitar, porque quando eu pego pra escrever viajo demais... O que posso pedir é que você não pare, seria até chato desistir nesse ponto, você já escreveu tanto, seria perda de tempo parar né?
    continue assim
    RPG Tibia, onde TUDO é possível!

    Imagem meramente ilustrativa

  3. #3
    Avatar de Dark Heru
    Registro
    09-09-2008
    Idade
    33
    Posts
    491
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    poxa nem para naum!!!
    historia show!!!
    muito boa msm!!!

  4. #4
    Avatar de Bela~
    Registro
    16-10-2007
    Localização
    Rio de Janeiro
    Idade
    30
    Posts
    3.196
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Capítulo 11

    Com braços e mãos trêmulos, todos desembarcaram. Inclusive os gêmeos, ainda mais tensos. Ao invés de um grande porto, havia apenas um píer, nada mais. A ilha parecia ser um pouco ultrapassada, pois as construções pertenciam a tempos passados. As casas enfileiravam-se de um lado e de outro, formando um largo e imenso corredor. No centro deste havia um chafariz, de onde jorrava um filete de água brilhante. Os gêmeos, paralisados pela surpresa e pelo nervosismo, de repente escutaram uma voz feminina, vinda de não muito longe:
    -Aqueles que já souberem qual vocação seguir, agrupem-se à direita. Os indecisos, por favor acompanhem-me.
    Taura e Iluminista já sabiam perfeitamente sua vocação. Por isso ficaram à direita. A mulher que gritara saiu pela escuridão, segurando um candeeiro e sendo acompanhada por rapazes e moças, enquanto os outros, a minoria, ficaram lá, esperando por algo.
    -Guerreiros, por aqui!
    -Feiticeiros, sigam-me!
    -Paladinos, venham comigo!
    -Os druidas aproximem-se.
    O lugar encheu-se dos gritos dos possíveis anfitriões. Aos poucos, foi tornando-se possível ver os donos das vozes. Taura, que sempre se sentira atraída pelo manuseio de armas, foi em direção ao homem alto e imponente. Seus músculos brilhavam sob a luz do luar. Iluminista dirigiu-se para a fila dos paladinos, desaparecendo em poucos segundos.
    -Sejam muitíssimo bem-vindos à Ilha do Destino. Fico feliz ao ver tantos jovens interessados na honrada arte dos guerreiros. Amanhã nós iniciaremos as palestras, onde conhecerão melhor a vocação. Por hora, precisam descansar. Apesar de terem dormido durante a viagem, ela deve ter sido desgastante. Sigam-me.
    E com um aceno de mão, o homem, cujo nome era Gran, começou a caminhar pelo chão arenoso da ilha. Atravessaram algumas ruas, chegando assim a uma casa amarela com detalhes brancos.
    Gran fez menção de entrar na humilde construção. Após se acomodarem nas muitas camas enfileiradas no cômodo único, todos dormiram, até mesmo Taura. Respirando leve e suavemente, ela fechou os olhos.
    Seus passos eram a única fonte sonora naquele imenso corredor escuro. Havia uma porta, entreaberta e convidativa. Com os dedos trêmulos, Taura empurrou-a, banhando-se de luz e vida. Agora estava numa ampla colina, onde árvores frondosas predominavam. Repentinamente, uma explosão. Fagulhas voaram para seu rosto assustado. E, do meio das chamas, surgiu imponente e inatingível: manto vermelho, cajado nas mãos. Seu olhar fuzilava todo o local.
    -Sim, eu quero... os escolhidos!
    Com um rápido movimento, o estranho desapareceu, deixando Taura só, naquela colina em chamas.
    -Taura?
    Nevan sacudia seu ombro levemente.
    Com o rosto molhado de suor, a jovem levantou-se, ainda atordoada.
    -Vamos, Taura. A palestra já deve estar começando.
    Os dois cruzaram o corredor de camas enfileiradas chegando até uma pequena porta. Do outro lado havia uma cerca, onde todos faziam uma roda em volta de Gran, que falava sem parar de gesticular. Taura sentou-se um pouco distante da formação circular pois não havia mais espaço. Durante todo o discurso, ela refletiu sobre seu sonho, sem atentar-se ao que era dito na palestra. Quem seria aquele homem com vestes vermelhas?
    -Taura, você está bem?
    A voz aveludada de Nevam retirou-a de seu devaneio – Taura, você está pálida. Que ir se deitar?
    -N-não, tudo bem. Eu só estava sonhando acordada...
    Nesse momento Gran falou, com a voz retumbante:
    -Agora quero que conheçam Greg, meu irmão. Ele irá ajudá-los no treinamento.
    Greg, o homem de quem Gran falava, surgiu de dentro da casa, indo se juntar ao irmão. Era alto, gordo e seu olhar farejava todos, como um cão selvagem à procura de carne fresca. Ele não aparentava ser muito amistoso, o que foi comprovado logo quando falou, numa voz dura e seca:
    - Meu nome é Greg, como já devem saber. Duvido que metade de vocês tenha sucesso na vocação, porém, estar aprendendo comigo já é um privilégio.
    Ao dizer isso, abriu um grande sorriso , mostrando seus muitos dentes amarelos. A palestra estava encerrada naquele momento. Gran e Greg saíram do cercado seguidos pelo grupo inteiro. A rua, que agora era um mar que irrompia em pessoas, estava lotada de jovens, homens e mulheres que se moviam freneticamente. Todos passaram a andar mais rápido à medida que a multidão ia se dispersando.
    Aos poucos os passos de Taura tornaram-se pesados e sua visão foi ficando vacilante. Todos se dirigiam para o campo de treinamento numa rápida caminhada, mas cada minuto era uma década para a moça. De repente, ela pisou em falso, tombou e perdeu os sentidos. Silêncio. Nada mais havia.
    Última edição por Bela~; 18-01-2009 às 21:39.

  5. #5
    Avatar de Claudio Di Martino
    Registro
    13-08-2006
    Localização
    Americana
    Idade
    36
    Posts
    288
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Nossa! curti muito esse capítulo!
    (melhor porque eu tava ouvindo um metal gótico que combinou com as cenas de horror perfeitamente)
    achei realmente muito bom, você mostrou que até as mulhres tem o direito de serem brutalmente violentadas, até sangrar, coisa que poucos imaginam. Só acho que você deveria reler seu texto e conferir algumas palavras mal grafadas, talvez por descuido =)

    é bom saber que você não parou... fico muito feliz mesmo
    continue que eu estou aqui acompanhando!




    Publicidade:


    Jogue Tibia sem mensalidades!
    Taleon Online - Otserv apoiado pelo TibiaBR.
    https://taleon.online
    Última edição por Claudio Di Martino; 12-10-2008 às 09:44.
    RPG Tibia, onde TUDO é possível!

    Imagem meramente ilustrativa

  6. #6
    Avatar de Bela~
    Registro
    16-10-2007
    Localização
    Rio de Janeiro
    Idade
    30
    Posts
    3.196
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Vlw aí, Claudio. Já fiz a revisão e consertei oa errinhos, é que eu digitei com um pouco de pressa.
    Flw, continuo escrevendo ;D

  7. #7
    Avatar de Dark Heru
    Registro
    09-09-2008
    Idade
    33
    Posts
    491
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    muito bom mesmo, espero ver em breve o capitulo 12, qero ver o desfeixo dessa historia!!!
    dá uma passadinha la na minha RP, A Saga de Dark Heru, de deixa sua opnião lá, flow

  8. #8
    Avatar de Bela~
    Registro
    16-10-2007
    Localização
    Rio de Janeiro
    Idade
    30
    Posts
    3.196
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Capítulo 12

    Seu corpo inteiro estava mole, dormente. Com as pernas formigando horrivelmente, Taura sentia um balanço familiar. Quanto tempo passara sem os sentidos? Talvez ela não mais estivesse viva...
    Em sua visão havia o mesmo estranho de manto vermelho. Desta vez ele deslizava por entre as nuvens, como se alguma força invisível o impulsionasse para cima. Tinha em seu olhar faíscas de fogo e seu semblante estava marejado de ira. Havia mar por baixo de seus pés e ele começava a se aproximar da praia, lenta e suavemente.

    *****
    Abrindo os olhos doloridos, Taura viu estrelas, pontilhando um céu azul escuro. Um aroma fresco e salgado adentrou suas narinas. Mar. Por todos os lados. Sim, ela estava novamente em um navio no meio do oceano.
    -Shhh! Ela está se mexendo! - a voz de Iluminista vinha de algum lugar, ali por perto.
    -Ah, me desculpe. - Nevan falou logo em seguida, sua fala produzindo uma corrente elétrica na jovem, confortando-a. Finalmente ela virou-se e avistou os dois observando-a, preocupados.
    -Eu estou melhor – tranquilizou-os – onde estamos?
    Uma pausa. Nevan falou, pacientemente:
    -Estamos finalmente indo para Tibia. Nós estávamos treinando desde que você desmaiou e embarcamos há pouco tempo.
    Contrariada por ter perdido a parte prática inteira, Taura levantou-se, ainda um pouco tonta.
    -Venha jantar, Taura. O pudim de creme já deve estar acabando.
    Recusando o chamado do irmão, Taura recostou seu corpo delicado na grade de segurança do navio e debruçou-se para observar o mar revolto. Por alguns milésimos de segundo ela viu um lampejo bruxuleante e avermelhado. Num relance, havia um rosto disforme, encarando-a. Assustada, a moça afastou-se da grade.
    Estava se preparando para correr para o salão de jantar quando foi surpreendida por vozes:
    -O que você tem na cabeça?!
    -Calma, estava apenas dando uma sugestão...
    -Se formos descobertos agora, nosso plano estará correndo um grande risco. Além disso o mestre virá em busca de explicações. E você sabe como ele é, certo?
    O som de saliva sendo engolida pôde ser ouvido. Quem seriam os donos daquelas vozes? Elas eram familiares para Taura. Ocultando-se ainda mais nas sombras, ela continuou a escutar a conversa atentamente:
    -Espero que nossa recompensa seja boa. Pois não há trabalho pior do que ensinar criancinhas remelentas como segurar uma espada do lado certo.
    Sim. Aqueles eram Gran e Greg tendo um diálogo muito duvidoso.
    -Então estamos acertados. Entraremos em ação à meia noite e logo em seguida enviaremos o sinal ao mestre.
    Taura, a tensão crescendo cada vez mais em seu peito, pressionou-se contra as escotilhas, tentando esconder-se o máximo possível.
    -Fshhhh!!
    Um guincho agudo foi emitido, assustando a todos. Era Jim, o esquilo mágico, que fora esmagado no bolso da dona. Àquela altura ela o havia esquecido completamente.
    Não havia saída. Ela seria descoberta logo, logo. O pior poderia acontecer. Olhando atentamente para todos os cantos, Gran e Greg buscavam a fonte do som. Taura fechou os olhos. Sentiu ser agarrada violentamente pela gola da blusa.
    -Ah, aqui está a ratinha intrometida que procurávamos!
    O hálito fétido de Greg invadiu suas narinas, nauseando-a. Abriu os olhos. Encarou abertamente os dentes sujos do homenzarrão, cuja mão foi ao encontro do rosto da jovem num fortíssimo soco.
    Ela conseguiu gritar, porém engoliu grande quantidade do sangue que caía de seus lábios incessantemente. Numa tentativa mal sucedida de fugir, recebeu um golpe nas costelas, perdendo o equilíbrio. Cuspindo e com lágrimas brotando dos olhos, levantou-se tontamente, à procura de algum auxílio.
    Taura desmaiaria, tinha certeza disso. Quedou-se, deixou-se entregar ao desespero. Essa atitude não a agradava, porém, ela sabia que não havia saída. No mínimo ficaria inconsciente novamente e seria jogada ao mar.
    -Taura!
    O que era aquilo? Um vulto se aproximava mais e mais. Nevan! Ele fora salvá-la, numa nobilíssima atitude. Desferindo um forte soco contra Gran e driblando os chutes de Greg, agarrou Taura e carregou-a nos braços, revelando uma força oculta em si.
    Enquanto o rapazinho corria, um grito alto foi ouvido:
    -Código vermelho, atacar agora!!
    Em poucos segundos o caos fui instalado no navio: som de luta em todos os lugares. O tilintar da lâmina de inúmeras espadas ecoava em vários cantos. Repentinamente formara-se um motim, onde os revoltosos eram poucos, mas estavam levando vantagem pela força de seus homens.
    Agora Taura já via tudo claramente, andava com os próprios pés. Nevan e ela corriam pelo convés às cegas, talvez para salvar os amigos, talvez para salvar a si próprios. Viram Iluminista e os outros companheiros correndo e se defendendo, ainda que inutilmente. Logo desapareceram em meio à algazarra. Um tiro de canhão seguido por um grito. Agora havia apenas relances na visão de Taura. Algo ou alguém caíra na água.
    -Homens, o navio é nosso! – exclamou Greg triunfante.
    Por alguns instantes a vista de Taura foi bloqueada e sua boca tapada. Ela foi jogada violentamente. Seu corpo bateu com força numa superfície uniforme. Minutos depois, ela estava a um canto do sombrio porão do navio. Alguns choravam e outros se mantinham calados. O ambiente estava mergulhado em trevas, sendo apenas possível ver o semblante horrorizado de todos.
    Onde estariam seus amigos? E o irmão? E... Nevan? O cômodo era imenso e não possuía janelas, somente uma pequena porta elevada, tornando uma fuga impraticável. Esta se abriu com um impacto brusco, seguido pela voz estridente de Gran:
    -Tratem de se comportar aí. Em algumas horas chegaremos ao nosso destino.
    Última edição por Bela~; 18-01-2009 às 22:01.



Tópicos Similares

  1. Taverna | Marcos da Tecnologia(topico longo)
    Por user1221 no fórum Fora do Tibia - Off Topic
    Respostas: 14
    Último Post: 20-05-2009, 19:21
  2. Historia do tibia :D
    Por Grandparents no fórum Tibia Geral
    Respostas: 18
    Último Post: 28-01-2009, 21:49
  3. Tibia e sua evolução
    Por fagundinho no fórum Tibia Geral
    Respostas: 25
    Último Post: 27-07-2008, 05:58
  4. [Música] Origem do nome de bandas e artistas! [+Curiosidade]
    Por Rodrigo_beirao no fórum Fora do Tibia - Off Topic
    Respostas: 14
    Último Post: 02-01-2008, 08:58

Permissões de Postagem

  • Você não pode iniciar novos tópicos
  • Você não pode enviar respostas
  • Você não pode enviar anexos
  • Você não pode editar suas mensagens
  •