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Tópico: A odisséia de Taura

Visão do Encadeamento

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  1. #19
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    Capítulo 9

    Após a experiência com as vespas, a vida dos gêmeos seguia bastante agitada, até mesmo para guerreiros. Um ano já havia se passado, exatamente. Eles exploraram toda a porção norte da ilha, desvendando segredos e enfrentando criaturas bizarras. Além das vespas, trolls e orcs, havia cobras, besouros e aranhas venenosas. Todos esses num tamanho não muito normal. Porém, o que causou mais interesse e temor nos dois fora o orc atirador – a população de rookgaard chamava-o assim por conta de suas aguçadas habilidades com tiro à distância – a criatura vivia na parte leste da ilha cujo território só é explorado pelos aventureiros mais destemidos. A maioria deles vestia uma camisa azul turquesa que, segundo As criaturas de Tibia e seus mistérios, era a cor imposta pelo rei de todos os orcs, Krackulus. Este nunca fora visto em parte alguma do continente, portanto, muitos afirmavam ser apenas uma lenda. Além dos acontecimentos que rodeavam os irmãos, seu décimo sexto aniversário se aproximava cada dia mais, juntamente com o mundo de descobertas que os esperava...

    ******

    -Atenção, atenção! Barco partindo para a Ilha do Destino amanhã, ás seis horas!! Bilhetes mais baratos, apenas amanhã!!
    O pregão do menino invadia todas as ruas e alamedas de Rookgaard. Era cedo da manhã e acordar àquela hora não fazia parte dos planos de Taura.
    Contrariada, a menina levantou-se da cama, a visão ainda turvada pelo sono. Finalmente dando atenção às palavras do pregão, ela se perguntou o que seria a Ilha do Destino. Anotou mentalmente a pergunta, que seria feita em breve para os pais.
    Iluminista continuava imerso num profundo sono. Sabendo que não conseguiria adormecer novamente, Taura desceu os degraus de madeira de sua casa para tomar café.
    Estes, já bem gastos pelo tempo, cederam sob o peso da jovem, fazendo-a cair escada abaixo. Fora uma queda considerável. Reclamando, a menina entrou na cozinha, onde estavam seus pais. Vendo-a mancar, Herman disse, bem-humorado:
    -Levou uma surra da escada?
    A garota, que não se encontrava no mesmo estado de ânimo que o pai, disse:
    -Pois é. A propósito, o que é a Ilha do Destino?
    Ao ouvir a pergunta da filha, a expressão dos pais mudou, deixando transparecer a seriedade do assunto.
    -Taura, todos os guerreiros um dia devem seguir sua própria vocação, como já deve saber. A Ilha do Destino é onde os aventureiros escolhem, como o próprio nome já diz, o futuro. Infelizmente, quem para lá viaja, não mais pode voltar a Rookgaard.
    Nesse momento Iluminista chegou, impressionado com o buraco na escada. O pai continuou a conversa:
    -Meus filhos, dois anos já se passaram desde que o treinamento de vocês teve início. Estamos muito felizes com o seu desenvolvimento. Como já devem saber, a aventura não se resume a esta ilha. Há muito mais a ver e aprender, no continente principal. O que acham? Estão preparados para iniciar uma nova fase na jornada?
    Os gêmeos, chorando, abraçaram fortemente os pais. Iluminista disse, a voz embargada:
    -Mesmo nos dando um aperto no coração, não podemos negar que estamos prontos.
    Nesse instante Herman lhes mostrou duas gordas sacolas. Elas tilintavam com o volume de ouro que havia ali. A mãe continuou:
    -Em cada bolsa há quinhentas moedas de ouro. A quantia irá ajudá-los, espero. Tomem esse é seu presente de aniversário.
    Após isso, todos comeram rapidamente, sem nada proferir. Aquele dia, sendo o aniversário dos gêmeos, seria apenas dedicado à diversão.
    Eles poderiam vagar pela cidade o dia todo, sem se importar com as regras rotineiras, como a de chegar sempre antes do almoço. Ambos optaram por ir à biblioteca e desfrutar dos muito tesouros que lá havia. Era um local grandioso, e abrigava obras interessantíssimas, como lendas,contos e relatórios.
    Passados alguns longos minutos sem nada envolvente encontrar, Taura finalmente pôs suas mão delicadas sobre um livreto antigo, capa escura e levemente desbotada. Aparentava ser uma das mais velhas aquisições da biblioteca. Intitulava-se Profecias antigas do universo tibiano. Lançando uma rápida olhada ao irmão, que parecia já estar preso à leitura de Paladinos, a linhagem guerreira; Taura pegou o simples livro e começou a folheá-lo. Alguns trechos estavam escritos em alguma língua ou dialeto pela menina desconhecido. Parando para ler o título de cada profecia, ela deteve-se finalmente numa: O surgimento do mal. Começou a ler.

    Desde o último alinhamento dos planetas tenho observado minuciosamente os astros. Com minha experiência necromante percebi que havia algo errado logo após de confeccionar alguns mapas astrais e conversar com espíritos antigos.
    A instabilidade no plano terrestre estava seriamente abalada. Atentando-me a esse detalhe, comecei a pesquisar. Relatórios, folhas avulsas e livros entulharam minha pequena cabana.
    Mas, finalmente consegui decifrar totalmente o que os astros queriam avisar. Por isso, escrevi a profecia a seguir, para perpetuar minhas palavras e alertar as gerações futuras do mal que as rodeia.


    Os astros afirmam
    e reafirmam
    Um grande mal
    do povo se aproxima
    Passados os oito séculos
    Correspondentes aos
    planetas que se alinharam
    um grande mal surgirá
    devastando o mundo
    e seus moradores
    No entanto
    as metades da flor do campo
    a muito separadas
    pelas obras do botânico
    poderão afugentar esse mal
    da face da terra
    Todos os outros que tentarem
    serão mal sucedidos
    E ressalto
    as metades da flor do campo
    podem vir de qualquer
    plantação

    Relato de Batilda Vonswolf– data indisponível


    Após ler e reler a profecia várias vezes até gravá-la, Taura fechou o pequeno livro, voltando novamente seu olhar para o irmão. Este, com os olhos distantes, também fechava o livro que lia, com um leve, quase imperceptível, sorriso no rosto.
    A essa altura a rua estava movimentada com o alvoroço de sempre: vendedores gritando, pessoas transitando incessantemente sobre o chão pavimentado. Em instantes lá estavam os gêmeos, dois pontinhos indistinguíveis em meio à multidão.
    Andando lentamente, com a cabeça baixa e o cenho franzido, Taura ia caminhando ao lado do irmão, dando atenção alguma ao povo à sua volta. Aquela profecia a havia perturbado...
    -Taura, que tal caçarmos nosso almoço na floresta?
    O chamado do irmão não fora suficiente para tirá-la de seu transe. Porém, após de um toque não muito leve, ela despertou de seu devaneio. Falou rapidamente, desconsertada:
    -Ah, sim, claro.
    Em poucos minutos lá estavam os dois, sozinhos, sem fazer ruído algum. Silêncio total, nem mesmo o farfalhar das árvores era ouvido. Repentinamente, uma flecha poderosa cortou o ar, e Iluminista foi recolher sua caça.
    Minutos depois, enquanto comia o saboroso coelho assado, a menina massageava o couro cabeludo displicentemente. Iluminista, percebendo a inquietude da irmã, perguntou-lhe:
    -O que houve? Algo errado?
    -É que... na biblioteca. Li uma profecia que falava sobre o mal, que surgirá em breve, suponho.
    Ao ouvir a resposta de Taura, o garoto falou, indiferente:
    -Baboseiras. Não dê atenção a essas coisas. Quando eu morava na rua havia uma cigana que vivia falando nisso.
    -Mas Iluminista, a profecia foi escrita por uma mulher da tribo dos necromantes, uma das mais respeitadas!
    Mesmo assim, ele não deu maior importância às palavras da irmã. Apenas fez menção de se levantar e ir embora. Ao chegar em casa, foram recebidos com alegria pelos pais. Fazia sol naquela belíssima tarde de final de verão. Aproveitando o momento, os jovens foram banhar-se nas águas claras do rio, onde ficaram até o anoitecer, como no dia em que se reencontraram.
    Apesar de reconhecer que teria de se despedir de seus pais na manhã seguinte, Taura – e seu irmão, talvez – sentiram-se felizes por poder descobrir novos mundos. A noite começava a cair, e, cansados, os dois foram deitar-se. Observando as estrelas, os gêmeos adormeceram, viajando para terras distantes e desconhecidas.
    Última edição por Bela~; 18-01-2009 às 21:59.



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