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Tópico: O Arauto do Expurgo

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  1. #1
    Avatar de Emanoel
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    O Arauto do Expurgo

    Capítulo II
    Ataque

    Ao meio dia, Vincent ainda estava desacordado. Aos olhos dos poucos transeuntes – a maioria deles com mochilas nas costas – que passavam e não conseguiam reconhece-lo, parecia um mendigo, sujo e jogado no meio da rua.

    Acordou de supetão, com uma leve dor na nuca, e se levantou com incrível velocidade. Levando a mão esquerda ao cabo da espada em suas costas, rosto severo e dentes a mostra, parecia um touro feroz prestes a atacar. Quando percebeu o que se passava, já era tarde demais, uma pequena menina fugia dele em disparada, gritando a plenos pulmões.

    “Acho que assustei a garota”, pensou vagarosamente, enquanto observava ela correr de forma desajeitada, com o longo cabelo rabo-de-cavalo balançando freneticamente as suas costas. Sumiu em uma esquina próxima, sem olhar para trás.

    Vincent observou o chão e encontrou um galho de árvore, provavelmente o objeto usado para lhe cutucar a cabeça. Lamentou-se por ter espantado o único ser humano que fez questão de lhe acordar.

    Andando pelas ruas quase desertas, lembrou-se dos acontecimentos da madrugada anterior e do seu número de azar: sete. Poucas pessoas saíram de suas casas, tornando o lugar um vilarejo fantasma. Muitos ainda se escondiam, aterrorizados com a possível volta do Arauto e seus subordinados das sombras, ou algum outro acontecimento macabro.

    Enquanto se encontrava em aparente devaneio e vagava pelas ruas como alma penada, tentando lembrar-se dos sonhos que tivera em seu repouso nada confortável, Vincent foi surpreendido por uma mão ágil em seu ombro e uma voz penetrante.

    – O seu espírito guerreiro está fraco, meu amigo. Sempre alerta! Já esqueceu? Se estivéssemos em uma batalha real, você já teria sido morto sem sequer vislumbrar o rosto do seu assassino.

    O homem misterioso estava atrás dele e mantinha a mão direita apoiada em seu ombro. Vincent nada disse. Reconheceu a voz e abriu um largo sorriso.

    ***

    – Você tem a minha gratidão eterna – disse Vincent, muito sorridente e brincalhão, depois de limpar o prato. – Não faz idéia de quanto tempo eu fiquei sem uma refeição decente. Você sim tem uma vida que valha a pena!

    Sirius, mais conhecido como Garra Negra, tinha abordado o velho amigo na rua para convidá-lo a um almoço digno de um herói. Era um homem poderoso e influente, que conservava uma aparência séria e intelectual.

    – Falando sério – continuou Vincent, de forma mais gentil. – Fico feliz em encontrar alguém que não me chame de “herói” o tempo todo. Obrigado pelo convite, sua nova casa é bem bonita.

    Vincent se deteve a observar a bela construção rústica. A simplicidade da casa tornava-a um lugar agradável. Estavam sentados, um de frente para o outro, em uma mesa pequena e redonda, totalmente feita de madeira.

    Nas paredes, só havia um quadro, que fora um presente de Vincent dado há pelo menos cinco anos atrás. Ele tinha comprado em uma de suas viagens, quando ainda era um adolescente rebelde que pretendia conhecer toda a extensão do mundo. Na pintura, encontrava-se um jovem guerreiro lutando eternamente contra três demônios, em uma bela imagem estática. O guerreiro do quadro empunhava sua espada e mostrava confiança. Vincent reparou como aqueles demônios pareciam O Arauto e seus seguidores, esboçou um sorriso amarelo ao se deparar com ele mesmo tentando derrota-los.

    – Por onde andou? – perguntou Sirius, transparecendo preocupação e interrompendo os pensamentos de Vincent. – O que andou fazendo nesses dois anos em que passou fora de Doria? Depois da Grande Guerra, trouxeram noticias de que você estava vivo, ficamos esperando o seu retorno... Mas você nunca reapareceu!

    – Eu não queria voltar – respondeu Vincent, ficando inesperadamente sério.

    – Eu estou preocupado com você... Olha, sei que não tem muito tempo de vida.

    – Como tem tanta certeza?

    – Todos os que se encontram com O Arauto acabam loucos! Vivem seus últimos dias envoltos em desgosto e miséria, geralmente se suicidam da maneira mais desonrosa possível! Eu estou impressionado em te ver assim, fisicamente inteiro, depois de tanto tempo! Vincent... Até ontem, eu realmente acreditei que você já tivesse morrido.

    Vincent revirou os olhos. Um turbilhão de idéias e memórias desconexas embaralharam sua mente em um rodopio convulso. Acordo. Arauto. Morte. Estava sem chão, a sensação era de uma arma apontada para sua cabeça. Teve um arrepio repentino, seguido de um gemido quase inaudível.

    Ele não estava em boa situação, era inegável e não adiantava mais disfarçar. Sirius era esperto, fingir alegria ou despreocupação não iria convencê-lo. Estava diante de um velho amigo, alguém realmente interessado no seu bem estar. Desarmou-se, resolveu contar tudo.

    ***

    Lá fora, tudo ainda estava anormalmente calmo. Não existia criatura entre o céu e a terra que tinha a ousadia de quebrar a quietude daquele ambiente cálido e nostálgico. Um grande furor era pressionado – pelo insólito pavor que as criaturas das sombras conseguiam causar – no coração de cada habitante da região. Todos sentiam a necessidade de fazer ou dizer algo, mas poucos tinham a coragem de sair de suas casas, e os que faziam isso, corriam para muito longe, levando tudo que podiam carregar.

    Pouca gente naquele mundo sabia algo de concreto sobre O Arauto. Era fato, para a maioria das pessoas, que ele era vil, cruel e sanguinolento. Acreditava-se que existia apenas para trazer desgraças, e matava ao seu bel prazer, sem se importar com as vidas humanas. Naquele dia ensolarado e triste, Sirius “Garra Negra” se tornou um dos poucos felizardos a descobrir alguns segredos que aquela entidade possuía.

    – O Arauto, e os outros demônios que o seguem, não podem matar – decretou Vincent.

    – Como? – perguntou Sirius, com uma sincera reação de espanto.

    – Ele não mata... Eu não sei por que, mas não mata! É irônico, mas é verdade. Aquela criatura pestilenta não é capaz de derramar uma gota de sangue humano.

    – Explique melhor... Como descobriu isso, e afinal, porque ele veio atrás de você? Qual a relação entre vocês dois? Vocês fizeram algum acordo? Eu ouvi falar que ele não é confiável, vai sugar sua alma e...

    – Chega de suposições, Garra Negra! Deixe-me contar tudo primeiro!

    Sirius parou de falar imediatamente. Estava surpreso, não apenas pelo tom ríspido que o amigo usou para lhe interromper, mas também por ter ouvido, depois de muito tempo, o seu “nome de guerra” ser pronunciado. É verdade que todos o conheciam como “Garra Negra”, mas ninguém o chamava assim há alguns anos.

    – Eu era jovem e tolo... Deixei-me levar por uma oportunidade incerta... Fiquei sabendo sobre a existência de um acordo, que eu poderia fazer com O Arauto.

    – Quem te informou sobre isso? – perguntou Sirius, sem conseguir se conter.

    – Existe gente muito sábia em outras terras, além de Doria – Vincent respondia de maneira quase serena, querendo se desculpar pelo tom arrogante de poucos segundos atrás. – Eu aprendi muito nesses dois anos em que vaguei por aí, tentando me esconder daquele demônio maldito. Conheci gente interessante e coisas que arrepiariam os poucos cabelos que restam em sua cabeça.

    Sirius tentou sorrir, o maximo que conseguiu foi algo semelhante a uma careta. Reparou que Vincent vestia roupas estranhas, diferente de tudo que era produzido no vilarejo de Doria. Ele era um homem pouco viajado, e apesar de ser um guerreiro mais hábil que seu jovem amigo, respeitava os conhecimentos que Vincent tinha adquirido em suas inúmeras viagens. Mesmo antes da Grande Guerra, o “herói” já tinha percorrido os quatro cantos do mundo.

    – Bem, acontece que eu procurei O Arauto – continuou Vincent, ficando mais nervoso a cada palavra. – Depois de encontrá-lo em seu covil, e conversar com ele, eu aceitei o acordo...

    – Que acordo?

    – Ele me daria uma segunda vida, e eu seria seu servo eternamente... – Vincent hesitou alguns segundos e depois continuou a falar, tentando se explicar da melhor forma possível. – Eu ia para a Grande Guerra, e temia que não pudesse voltar! Entenda, eu ainda tenho muito para fazer em vida. Todos nessa cidade me tratam como um grande herói, mas eu não sou imortal, Sirius!

    Sirius pareceu congelar. Tentou falar algo e não produziu som. O silêncio que se seguiu foi sufocante. Vincent estava cansado, mesmo tendo dormido tanto, não se sentia regenerado. Esperou impacientemente, o que lhe pareceram horas, que o amigo dissesse algo. Quando não suportou mais a invisível pressão daquela situação, resolveu encerrar o assunto de uma vez por todas.

    – Eu morri, Sirius. Essa é a verdade, eu morri e renasci. No final da Grande Guerra eu fui abatido pelos soldados de elite de Janour, na tentativa de adentrar no palácio imperial com as tropas principais. Uma punhalada para cada dedo de minhas mãos e pelo menos meia dúzia de flechas cravadas em meu tórax. Lutei bravamente e levei vários inimigos para o inferno... Lutei como nunca haverei de lutar novamente. Naquela época eu era outra pessoa, eu tinha honra...

    – Não se deprecie. Vamos, continue – depois do susto inicial, Sirius pareceu capaz de falar novamente. Mas não parecia ser a voz dele, era diferente, uma voz debochada e seca.

    – Eu renasci alguns dias depois de minha morte, não sei ao certo quanto tempo... Meu corpo estava um pouco distante do campo de batalha e O Arauto estava ao meu lado. Eu parecia inteiro, não havia sangue e nem cortes. Era um corpo novo, eu até me sentia mais jovem e mais forte...

    – E desde aquele dia, você tem sido escravo dessa criatura vil! – Sirius interrompeu, gritando subitamente. – É para isso que ele lhe procura, para lhe designar tarefas, não é? Você esta compactuando com o mensageiro da morte e destruição que apavora o nosso mundo, não é mesmo?!

    Sirius parecia explodir em ira. Vincent se sentiu um coelho enjaulado, não imaginava essa reação vinda do amigo.

    – Sirius, preste atenção... Eu já te disse que O Arauto não pode matar seres humanos, mas ainda não lhe contei tudo... Têm os dados, nós estamos em um jogo...

    Sirius era frio e analítico. De certa forma, estava feliz em rever o amigo, mas o que realmente queria era a confirmação de que existia um acordo entre Vincent e O Arauto. Agora, só estava esperando a hora certa de atacar. Vincent não parecia mais aquele herói imponente, estava em um momento de fraqueza e impotência. A hora tinha chegado, e não poderia ser desperdiçada.

    Sirius “Garra Negra” fez jus ao seu apelido. Em uma velocidade sobre-humana, como quem já tivesse feito isso muitas vezes antes, levou a mão direita ao bolso largo de suas vestes e retirou uma pequena caixa marrom. Dentro do compartimento, estavam dois objetos parecidos com soqueiras, cada um com quatro navalhas extremamente afiadas. Sirius acoplou as armas em suas mãos – com incrível habilidade e agilidade – e elas ficaram semelhantes às garras de um felino. Vincent se sentia um animal morto, só conseguiu piscar e observar.

    – Você é um verme! Deixe-me dar-lhe uma morte honrosa, na mão de um verdadeiro herói de Doria.

    Vincent estava aturdido, nunca tinha visto o seu amigo pronto para o combate, daquele jeito feroz e violento. Finalmente entendeu o porquê do apelido, quando Sirius já tinha saltado sobre ele em um ímpeto admirável, com as quatro garras de sua mão direita indo em direção ao seu coração.

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    Última edição por Emanoel; 22-03-2008 às 01:17.

  2. #2
    Avatar de Antonio E. Ribas
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    lgl o segundo cap, vai demora pra posta o 3?:confused:

  3. #3
    Banido Avatar de Favaru
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    História interessante.

    O uso de um léxico mais culto, além de muita descrição e detalhes, aliado a um enredo que não está muito preso ao clichê deu um gostinho a mais ao ler sua história.

    O Arauto do Expurgo.. Ele é o mensageiro da morte?

    Bem, vamos ver como se desenrola sua história a partir daqui para analisar melhor da próxima vez. Parabéns e continue assim. Capítulos enxutos, porém explicativos. Vamos ver se sua história realmente terá um fim, diferente das muitas que temos aqui, com várias temporadas, séries, episódios, etc.

  4. #4
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    Não tenho nada a dizer, a não ser elogios. Tá muito boa a história, parabéns!

    Esperando o próximo capítulo.

  5. #5

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    Sei lá, em alguns pontos os personagens ficaram bem reais (no momento de descrição das expressões faciais, por exemplo), mas ao mesmo tempo ainda fica a impressão de artificialidade...

    Na parte em que o Vincent se atribui valores, dizendo que lutou bravamente e tal, parece discurso forçado. É o tipo de expressão que uma pessoa usaria para caracterizar uma ação de uma segunda, não o que uma pessoa fala de si mesma, entende? Se ela fala, parece que está se auto-glorificando, agindo como um narcisista, e acho que não é o caso.

    Já o nome Sirius, me lembrou Harry Potter. Se tu não quer que cada vez que o nome do personagem aparecer no texto a primeira imagem a aparecer na mente do leitor seja um outro personagem famoso sem nada a ver com a sua história (que, ao menos no meu caso, foi o que aconteceu), evite usar de nomes que no momento estejam muito "famosos".

    E a ação final retomou o estilo anime, com o personagem dotado de "velocidade sobre-humana", que pega a caixa, abre, veste as soqueiras e ataca com incrível agilidade (o que não impede o narrador de ver toda a cena nos mínimos detalhes, por sinal, como se ela ocorresse lentamente) e ainda por cima antes de atacar solta o característico ultimato feroz (que geralmente nos desenhos, filmes e etc, é fala comum de vilões ou personagens valentes com pouco cérebro, e que precede um ataque que: ou será frustrado, ou será fulminante e destruidor, sendo mais provável a primeira alternativa.)

    Se o tal "garra negra" (um apelido meio forçado, por sinal, que dá um aspecto de vilão de desenho do Super-homem ou do Batman ao personagem) tivesse ao menos atacado com as soqueiras já em mãos, o problema não teria saltado tanto aos olhos, mas não me convenceu a fala do narrador que diz que ele fez todas aquelas ações, tendo inclusive que vestir o acessório, e tudo isso ocorreu de modo tão rápido que ainda conseguiu surpreender o Vincent (que se mostrou bem passivo, por sinal. Não acredito que uma pessoa em sã consciência ficaria olhando um provável inimigo se preparando para matá-la e se limitaria a "piscar e observar".)


    E caso você esteja se perguntando o porquê do baixo número de respostas ao segundo capítulo, acho que é o tamanho dele. Um texto grande é bom, mas nem todo mundo se presta a ler...

    Se essa falta te incomoda, se for do teu interesse tornar o texto mais acessível aos que tiveram um pouco de preguiça, saiba que esse capítulo poderia facilmente ter sido dividido em dois. Se não, continue como está. Não é realmente um problema, pode até ser bom.

    E por favor, não dê trailers do próximo capítulo, isso só funciona na televisão. No âmbito dos livros, estraga a surpresa para o leitor.


    Próximo Capítulo?


    A.E. Melgraon I




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    Última edição por Melgraon I; 25-10-2007 às 18:25.

  6. #6
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    Agradeço os elogios, valeu pessoal! :thumb:

    Citação Postado originalmente por Antonio E. Ribas Ver Post
    lgl o segundo cap, vai demora pra posta o 3?:confused:
    Pelo fato do texto ser consideravelmente grande, e por eu não ter muito tempo para escrever na santa paz, estarei postando de duas em duas semanas cada capítulo. Ou seja, provavelmente o próximo só saí no dia 3 de novembro.

    Citação Postado originalmente por Favaru Ver Post
    O Arauto do Expurgo.. Ele é o mensageiro da morte?
    Sabe que eu pensei muito antes de decidir o título da história e do personagem? Eu queria algo que fosse sonoro, diferente e pouco utilizado. Ao mesmo tempo, são palavras que podem ser interpretadas de várias maneiras... Em respeito há integridade da história, não irei responder a sua pergunta.

    Quanto ao fim... Não se preocupe, não vou parar de escrever até que acabe. Também, eu duvido que fique muito extensa.

    -----

    Melgraon I: Admito ter estado esperando o seu comentário, pois já notei que você gosta de criticar tudo nos mínimos detalhes. Isso é bom, me faz mais forte. Irei comentar cada parágrafo da sua critica, na ordem:

    • Eu acredito que a "impressão de artificialidade" vai ser eterna. Afinal, a história é uma fantasia, e muitos outros acontecimentos irreais estão por vir.
    • Vincent, Sirius, e alguns outros personagens da história, se consideram verdadeiros heróis. No sentido literal da palavra, mesmo! Eu tento fazer o leitor entender que nesse mundo fantasioso, muitas ideologias foram criadas em diferentes partes do continente. Ao decorrer da história, outros personagens com personalidades inusitadas irão aparecer, e isso será tratado como comum no "meu mundo".
    • Utilizar o nome Sirius foi realmente uma mancada minha. Só depois que o personagem já estava idealizado, eu me liguei o quanto remetia a lembrança do finado Sirius Black.
    • Bem, a ação, vamos lá... Isso é característica da historia. Eu realmente tento fugir do "estilo anime", mas não vejo mal nenhum em criar algo que tenha os mesmos elementos. Se Sirius pulasse sem gritar, ou já estivesse com a garra, iria acabar se parecendo com outra coisa... Tudo pode ser comparado há algo, essa é a grande verdade.
    • Quanto ao apelido: nem eu mesmo fiquei satisfeito com ele. Entretanto, não me importo com o que pareça, seja Teletubbies ou Spawn, não irá diminuir o caráter da história. Quanto ao Vincent, ele estava perplexo... Acho que isso vai ficar mais claro no próximo episódio.



    Número de respostas: Também já percebi que tópicos criados recentemente conquistam mais comentários em muito menos tempo. Irei continuar com o mesmo tamanho dos capítulos, pois acho mais adequado para o meu estilo. Quem realmente quiser ler, vai estar aqui criticando e/ou prestigiando o meu trabalho. Não me importo com a quantidade de posts, e sim com a qualidade deles.

    Quanto aos "trailers", eu acho interessante. Algo que nunca vi ninguém usar e que não estraga surpresas se for bem utilizado (pelo contrário). Vou pensar se irei evitar eles ou não.

    -----

    Lembre-se: nada é totalmente artificial. Uma obra não precisa parecer realista.

    Palavras do mestre do terror, Stephen King:

    "Crianças, ficção é a verdade dentro da mentira,
    e a verdade desta ficção é bastante
    simples: a magia existe".


    Ficção é apenas ficção, e isso é incrível. Diverte, ensina e explora o mundo de uma maneira sem igual.

    Desculpem-me pelo post enorme, senti necessidade de comentar sobre tudo um pouco. Valeu Melgraon pelas criticas afiadas (espero que você não interprete as minhas respostas como “justificativas”), valeu pessoal pelos elogios agradáveis.

  7. #7

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    Você não entendeu o que eu quis dizer.

    O problema não é, e nunca foi a ficção, o irreal. Eu dou todo meu apoio à loucura, ao extraordinário e ao estranho. Desde que seja bem bolado.

    Não confunda realidade com realismo, nem verdade com verossimilhança. O que eu espero da tua história não é algo real, mas um fantasioso lógico, que seja verossímil. Que pareça real. (Nem que o teu mundo tenha uma lógica própria, mas ele precisa ter uma lógica bem determinada, e essa lógica precisa ser racional, ou então não é lógica.)

    E sim, uma obra séria precisa parecer realista. Se a proposta da história não for deliberadamente causar confusão ou for inclinada à loucura, dar a impressão de realidade é a chave.
    É através desse recurso que tu passa emoções pro leitor (Ou tu espera que o teu leitor consiga "entrar no clima" emotivo se o ambiente causar estranheza, se parecer ser exatamente o que ele é, uma criação sem vida nenhuma feita de letras posicionadas ao bel prazer do autor? O texto não vai deixar de ser um mero texto se não "vender" ao leitor o seu caráter verdadeiro. Por mais que todos saibamos que é falso.)

    Personagens não verossímeis não conseguem passar emoção. São meros bonecos plásticos.


    Não me leve a mal, não quero que tu evite a fantasia. Se tu quer fazer um personagem que voa, que solta raio dos olhos e tudo mais, sem problemas. Mas não faça de um jeito tal que fique mirabolante, sem explicação, sem um fio racional ligando todas as coisas. Se não parecer real, vai ser só mais uma historinha pra crianças, que não demandou inteligência nem esforço do autor.

    Convenhamos, é barbada fazer personagens sobre-humanos. É fácil usar "elementais" como demônios, anjos e robôs que podem ter uma personalidade, ideais e habilidades que não necessitam de uma base bem pensada. É fácil explicar tudo pela "mágica", criar artefatos que possibilitam coisas inimagináveis e dizer que tudo é assim porque é.
    Porém, usando recursos baratos assim, tu subestimaria tanto a tua inteligência e criatividade quanto a do teu leitor.

    Entenda que uma coisa é tu fazer um personagem como o "garra" executar várias ações numa fração de segundos e ainda ter tempo pra falar com o inimigo antes de atacar, e outra é tu elaborar uma seqüência de acontecimentos bem planejados em que ele realmente surpreenderia o Vincent sem precisar de "super-habilidades", organizando uma armadilha, enganando, manipulando ou fazendo qualquer outra coisa que fosse pedir um mínimo de cérebro da personagem. Até se ele tivesse colocado um veneno na comida planejando para que o mesmo só chegasse à boca do outro no momento em que ele desejasse, oferecendo uma porção envenenada no momento oportuno, o resultado seria outro. Se ele tivesse armado as mãos com a soqueira afiada discretamente embaixo da mesa durante a conversa, para só depois atacar furtivamente, pareceria mais real. Mesmo se, ainda sim, ele falhasse.

    Acima de tudo, se ele não tivesse soltado o ultimato, aquelas famosas frases de efeito que estragam todo o ataque surpresa, seria bem mais verossímil (na prática, falar antes de agir, revelando os teus objetivos dando eles por alcançados antes mesmo de atacar, é uma tremenda falta de inteligência.)


    Outra coisa é o aspecto de anime. O problema não é a sua história poder ser comparada com alguma coisa. Realmente é difícil ser original. Mas não fale que "Tudo pode ser comparado a algo, essa é a grande verdade." como se não houvesse diferença entre comparar o que tu escreveu com um anime ou comparar com uma obra do Homero. A segunda é igualmente ou até mais fantasiosa que o primeiro, mas tem uma lógica absurdamente inteligente e, inegavelmente, seus personagens parecem sentir respirar e viver, tendo uma essência. Coisa que, lamento, aparece muito raramente em animes de ação, onde muitas vezes o mais importante é causar o máximo de euforia no público usando a violência.


    Sobre parecer telettubies ou spawn, é a mesma questão do Sirius. Quando uma palavra em especial chama a atenção do leitor de uma maneira totalmente fora do contexto da história, lembrando um outro personagem de outra história ou então dando ares de vilão do Batman ao personagem, o fluxo de leitura quebra, e a atenção do leitor se volta pra essa sensação nova que surgiu. Sendo assim, a história perde o seu ritmo, que é essencial.
    Pode até me chamar de obsessivo, de exigente ou "sensível" demais, mas a cada vez que eu lia aquele apelido levemente "bobo", a minha concentração era direcionada para esse problema e eu me sentia incomodado.

    É assim que eu critico as histórias daqui, eu leio uma vez, duas, três. E depois falo sobre os pontos em que eu "senti" que algo estava errado, tentando explicar o porquê e dar sugestões.

    Se o teu leitor sente que o texto tem algo errado, por mais chato que ele seja, é um mau sinal. Aí entra a questão do tipo de público que tu deseja atingir: Se é o exigente ou o despreocupado (sim, existem outros tipos, foram exemplos simbólicos.).



    (E sim, em certos pontos a impressão foi de "justificativa". E negar isso no final só reforçou essa impressão, pois mostra que possivelmente até tu mesmo a sentiu nas próprias palavras.)




    Próximo Capítulo?



    A.E. Melgraon I

  8. #8
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    Li e entendi, Melgraon. Não vou comentar tudo, para o post não ficar enorme como o último.

    Compreendo a sua preocupação com a verossimilhança. Eu realmente estou (sempre) tentando melhorar a escrita, o jeito de contar histórias e de passar emoções de um modo realista. Nem sempre utilizo o melhor caminho para isso, é fato.

    Concordo com o fato de ser "barbada" criar personagens sobrenaturais e histórias com muita ação e pouca explicação. Não é isso que pretendo para O Arauto do Expurgo, estarei me desviando desse caminho.

    Sobre o "sentimento de algo errado", eu já o tive lendo ótimas histórias. É apenas uma questão de ponto de vista. O que parece bobo para uns, pode ser coisa séria para outros.

    Só para esclarecer: eu realmente não quis me justificar. Só tentei explicar o que pretendia para essa história, apenas não me toquei de que você já tinha entendido.

    Eu quero atingir o público que gosta de ler o que eu gosto de escrever... Apenas isso. O seu último post deixou tudo mais claro. Obrigado pela sinceridade.

  9. #9
    Banido Avatar de Hovelst
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    Bem...

    já era tarde de mais
    "de mais" é junto.

    à sensação era de uma arma apontada para sua cabeça.
    Esse "a" é sem o acento grave.

    Existe gente muito sábia em outras terras, além de Doria
    Não sei se está correto. Doria é onde eles vivem, não?

    Se for, " em outras terras," é desnecessário.

    Enfim, o capítulo em si está muito bom. Tirando duas partes.

    A conversa que eles tiveram foi muito forçada. Será que Vincent ainda confiaria em Garra Negra, ainda mais em tempos como aqueles?

    Se Vincent era companheiro de Garra Negra na guerra, como não sabia o motivo do apelido dele? Ou então, por que ele confiava nele?

    Por mim, isso são as únicas coisa surreais, tirando a velocidade sobre-humana que o Melgraon já falou.

    O resto está muito bom, mantendo o nível.

  10. #10
    Avatar de Amell
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    irá
    Erro de digitação, é ira.

    Gostei muito da história! Bem feita, boa descrição, envolvente. Adorei essa história ;x

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    Última edição por Amell; 27-10-2007 às 23:03.



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