Terceiro capítulo
Sentado em seu trono, o Rei Tibianus lia e relia a carta que recebera a um pouco mais de dois meses de Arial d´Thaitis, o sábio mais respeitado em todo o reino.
“ É com grande urgência que lhe escrevo esta carta, oh, meu rei. Como é de conhecimento da família real, o raímus, o conselho dos sábio no reino dos francos, se reunira há duas semana no monte Esternum.
Após dois dias de debates, o Raímus decidiu que um dos maiores segredos guardados por nós deverá ser revelado.
Há trezentos anos o Papa Erguncio IV recebera dos deuses um anel. Esse anel fora dado ao Papa para que os deuses não interferissem mais no curso da história do mundo quem criaram. Este anel guarda grande poderes.
Quando usado por aqueles dignos e cheios de fé, o anel trará a paz ao mundo.
Após rumores de que um anel dos deuses estava em mãos de um mortal, ladrões, reis e mercenários passaram a buscá-lo, ameaçando assim a vida do Papa e a existência do anel.
Mais uma vez o Papa pedira ajuda aos deuses para que escondessem o anel no céu, junto aos anjos. Porém os deuses recusaram seu pedido, eles agora não interfeririam mais na vida de suas criações. Desta maneira o Papa Ergunciu IV teria que achar um solução por conta própria.
De fé reunida o Papa passou 3 anos a procura do lugar perfeito para esconder o anel, um lugar onde somente os mais corajosos e puros pudessem encontrá -lo, um lugar extremamente perigoso para que somente os mais fortes se aventurassem, um lugar perto do inferno para que somente os que realmente tivessem fé entrassem!
Este lugar minha majestade é a caverna mais sombria da qual o Raímus tem conhecimento! Essa caverna se encontra nas terras mais distantes onde o homem pode chegar, sim! O fim do mundo. Perto das ruínas da cidade de Edron devastada pela guerra, ao norte se encontra uma caverna onde um dos maiores segredos deste mundo permanece adormecido!”
Ao acabar de ler a carta o Rei Tibianus encostou sua cabeça no estofado de couro vermelho do seu trono, fechou os olhos e falou para si mesmo:
- Que haja paz finalmente!
Mal sabia ele que ao norte, perto do limite entre o homem e os deuses os ventos passaram o soprar para lado oposto. Porém nem tudo estava perdido, ainda havia um elo da corrente que não se perdera.
Ao lado de fora do quarto do rei, três guardas reais faziam vigília em frente a porta , do outro lado do corredor luxuoso da torre do castelo estava Aleccssandrus, um servo do Rei Tibianus, estava ali somente para atender aos caprichos e vontade da majestade.
Alecssandrus estava assentado em uma cadeira rústica de madeira, contemplava o corredor iluminado por vários castiçais com quatro velas cada um, que pendiam a parede até onde os olhos alcançavam. Ao chão se estendia um tapete vermelho, com detalhes de anjos de flores bordadas com fios de ouro. Os quadros iluminados pela luz das velas apresentavam os mais respeitáveis reis que Thais possuíra.
Mais uma vez Alecssabdrus tivera que mudar de posição, suas costas estavam doloridas, passara o dia inteiro assentado na pequena cadeira de madeira.
- Aleccssandrus. Uma voz abafada pela porta de carvalho ecoava pelo corredor imenso.
O servo se levantou calmamente e se dirigiu em direção ao quarto, aproximou sua cabeça da porta e falou:
- Sim, majestade.
- Traga-me uma taça de vinho e um pouco de queijo. Disse o Rei Tibianus.
...............
O rei estava na varanda de seu quarto, comera o queijo e bebera a taça de vinho que ordenara a Alecssandrus que trouxesse , quando repentinamente um homem adentrou no recinto. Trajava um manto preto, com um capuz do qual encobria sua cabeça por inteira, suas mãos estavam por debaixo das longas mangas do traje. Na cintura usava uma espécie de corda presa em sua cintura, que prendia o manto ao seu corpo. O Rei Tibianus virou-se e disse:
- Que bom que veio Arial d´Thaitis, venha até mim, vamos aproveitar o dia fresco de hoje. Eu estava querendo conversar com o senhor.
Neste instante o homem levantou suas mãos e tirou o capuz de sua cabeça, revelando desta forma sua pele branca e envelhecida pelo tempo. Seu cabelo era raspado em cima formando um circulo ao redor da cabeça. Esse corte era típico entre os sábios, significava sabedoria.
Desde que recebera a carta do sábios a vida do rei mudara completamente.
Todos os dias ele lia e relia a carta, como ele próprio dizia “ A carta de Deus”, após o “ritual” ele bebia um pouco de vinho e comia queijo carliense.
Há muito tempo também que ele não conversava com Arial d´ Thaitis.
- A vida é como um flor bonita e simples. Disse o Rei Tibianus iniciando a conversa na varanda.
- Tão simples as coisa não são. Disse Arial d´Thaitis, que como de costume,
dissera em um tom de mistério.
- Você me surpreende a cada dia Arial, se assim posso lhe chamar. Indagou o Rei Tibianus.
- Prefiro a simplicidade que os ventos carregam! Disse Arial d´Thaitis.
Arial d´Thaitis desviou o olhar do jardim do castelo e fitou o rei.
- Tenho notícias das quais somente nos três saberemos. Disse o sábio em um tom misterioso.
- Me desculpe, você poderia ser mais claro? Disse o rei.
- Momentos como esse são momentos dos quais mais precisamos de nossa fé , o que vou lhe contar só o Raímus você e Deus saberão!
Arial d´Thaitis sempre fora enigmático, nunca dava um passo sequer sem saber onde pisava. Ele era o líder do consselho, devido a esse fato ele era quem falava pelo Raímus como se fosse ele o própio Raímus.
O Rei Tibianus passou a contemplar a próspera cidade de Thais que ficava além dos muros do castelo.
- O silencio no diz muitas coisas. Disse Arial d´Thaitis.
- É no silêncio que comunicamos com nós mesmo. Disse o rei em um tom sério.
- Há três noites seguidas que tenho o mesmo sonho, na primeira noite vi em meus sonhos o exército do Oriente marchando a Thais, logo após terem deixado em ruínas a cidade de Carlin. Eu decidira que não deveria comentar nada com ninguém pois sei que quando os sonhos são mal interpretados, passam a ser como armadilhas mortais. Porém na segunda noite tive o mesmo sonho , mas neste sonho o exército inimigo vinha da cidade de Edron. Nesta mesma noite me reuni com alguns sábios para discutirmos a situação. Chegamos a conclusão de que era apenas um artifício de Zaroth para me confundir. Nesta noite, o mesmo sonho, só que neste sonho a cidade de Thais estava em chamas. Disse Arial d´Thaitis.
O velho sábio fez uma pequena pausa, sua voz estava cansada e ele estava sem folêgo.
- Na terceira noite meu rei, percebi que Deus se comunicara através de meus sonhos comigo. O Raímus se reunira sob o chamado de fogo. No qual o senhor deve saber que todos os sábios do reino deveriam se encontra o mais rápido possível. Continuou o velho homem.
O rei continuava imóvel como um estatua, sua expressão era de medo.
- Senhor, nossa expedição fracassou. Finalizou Arrial d´Thaitis.
...............
Alecssandrus despertou de seu sono assim que ouviu o som metálico da fechadura da porta a sua frente se abrindo. A porta rangiu um pouco até que o espaço para um pessoa passar se abriu e de dentro saíra um homem de estatura normal, trajando um manto preto cobrindo-o da cabeça aos pés, saíra a passos largos quase correndo.
- Que estranho, nunca vi esse sujeito em Thais. Alecssandrus disse em voz baixa para os guardas e voltou a cochilar.
Dentro do quarto o rei estava novamente sentado em seu trono, a última frase que o sábio disse ainda estava em sua cabeça borbulhando como as poções mágica que os druidas preparavam em suas caldeiras.
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