Capítulos anteriores remasterizados e corrigidos. Acho q não há mais erros de coesão e etc.
Cap novo postado. Divirtam-se
Cap. 8 – Wicked World.
A lâmpada queimada há dois dias fez com que as pupilas de Extreme Danger se dilatassem a um ponto de possibilita-lo a enxergar a escuridão do pequeno cubículo de 2m², sua cela. Esta, é revestida de paredes de concreto, não possui janelas, tem uma cama de ferro parafusada a parede e uma privada com a descarga quebrada, espalhando o odor de fezes e urina pelo ambiente.
Igual a um cego, sua audição e tato aguçam mas, não é necessário ter os sentidos melhorados para perceber a guerra que ocorre do lado de fora de sua cela. A cada explosão, o chão treme, e a cada grito, uma onda de conforto, seguida de um sorriso psicótico, surge em seu corpo. Sua vida corre perigo mas, isso não o assusta.
Dois minutos de silêncio seguido de disparos e discussões do outro lado da porta de metal foi o suficiente para ele concluir que sua hora finalmente chegou. Não havia motivos para viver, ele já tinha o amor de sua garotinha... “Ele chegou.”. Os pensamentos de Extreme acabam quando a porta é destrancada e o fraco feixe de luz penetra na cela 71-B sem prejudicar a sua visão. A voz grossa com um tom de piada penetra e ecoa no lugar:
- Posso entrar?
- Fique a vontade. – responde com um sorriso simpático à figura grande que aparece.
- Parece que não terei trabalho... – fala num tom ainda mais zombeteiro quando vislumbra Extreme dominado pelas sombras, sentado no chão, suado, fedido, com as duas pernas totalmente imobilizadas e grandes manchas de sangue em seu gesso na altura dos joelhos.
- Red Dragon certo?
- Você cometeu erros... – começa a falar o homem, ignorando a pergunta de sua vítima.
- Faça seu trabalho.
- ... E será julgado por isso... Porém... – a pausa e o tom de voz diferente indicam alguma coisa fora do normal naquela conversa. Extreme Danger sabia como os assassinos Red Dragons matavam e aquilo estava longe de ser o trabalho padrão. - ...você precisa me contar umas coisinhas antes.
- Qual é o problema? Porque você está fazendo diferente?! As regras são claras: Identificar, matar e mostrar o trabalho feito. Nada além disso... - pergunta Extreme surpreso com a atitude de seu assassino.
Ele não consegue visualizar o semblante do homem ao fazer as perguntas devido à escuridão mas, as palavras secas que este pronuncia denunciam sua reação:
- Ex-Red Dragon? E ainda vive? – a pequena risada é abafada. – Admiro você... Nem nosso sistema sabe da sua existência.
- Faz muito tempo. Quando era eu fazendo o seu trabalho. Só que não te diz respeito, você só tem que me matar.
- Sim, eu vou te matar. – fala de forma confortante mas, nada eficaz. – Só que não agora... Não antes de você me dizer o que eu quero.
Não há tempo para Extreme Danger indagar alguma coisa. A grande mão do homem aperta sua testa, encostando sua nuca a parede e levantando o seu queixo. O frio do cano da pistola é prensado em seu pescoço e o brilho azul dos olhos do assassino cola-se aos seus. O calor de sua respiração é sentido a cada palavra e o cheiro de seu suor impregna suas narinas, deixando-o desconfortado.
- Com quem conseguiu o Red Eye?! Quem te vendeu?!
- Não sei do que você está falando...
- Ora, não me faça de bobo! Você sabe até mais do que eu sobre o que estou falando!!
- Eu já fal... – as palavras de Extreme Danger são interrompidas quando o pequeno tubo de vidro quebrado surge diante de seus olhos.
- O que você vai fazer com tanto poder de fogo, amigo? – perguntou o vendedor barrigudo, de roupas surradas e com um charuto velho na boca.
- Conquistar a minha rainha, Regis. – respondeu Extreme com um sorriso malicioso na face, admirando todo aquele arsenal no porta-malas de um carro sedâ vermelho.
- Tome. Leve isso também. Aceite como um brinde. – mostra com um sorriso amigável, uma taurus prateada.
- Obrigado... – a pausa forçada e o olhar fundo dele revelam o desejo de mais alguma coisa.
- O que está faltando? – pergunta pacientemente Regis, ao ver a expressão do amigo.
- ...Red Eye.
A resposta seca e direta surge como uma facada. Ele sabia que a droga era perigosa para ser vendida daquele jeito mas, o desejo de manter seu amigo vivo e ileso daquela missão suicida é maior que seu bom senso.
Após um movimento de cabeça mostrando afirmação e com um rápido remexer nos bolsos, um pequeno tubo de ensaio com um mecanismo de spray surge em suas mãos. Dentro dele, um líquido vermelho e brilhante dança suavemente, mostrando toda a graça e beleza daquele narcótico.
- Cuidado com isso... E cuidado com meu nome. – alerta Regis amigavelmente com um grande sorriso no rosto.
- Ei! O que há com você?! – os gritos de impaciência acordam Extreme Danger do pequeno flashback.
- Desculpa... – fala um pouco assustado e continua vagarosamente - Suas intenções podem ser as melhores mas, eu não posso dizer.
As palavras calmas não são agradáveis ao ouvido do assassino. Os olhos azuis se mostram ameaçadores e perigosos um pouco antes dele levantar do chão, largando a cabeça de Extreme e mantendo a pistola apontada.
- Já que você não diz... Sua amiguinha irá dizer.
- Amiguinha? ...NÃO! – grita em desespero ao processar em sua cabeça as palavras ditas.
Os corpos de seus pais ensangüentados no chão da cozinha, todas as mulheres que ele matou, o rosto de Faye assustada, o líquido vermelho sendo borrifado em seus olhos, os homicídios no Hall do hotel, o sorriso amigável de Regis, a aparição do assassino em sua cela... A feição de agradecimento do amor de sua vida... Tudo. Sua vida inteira passa diante de seus olhos do momento que o som abafado da pistola ressoa até a penetração do projétil em sua testa.
O ambiente escuro se torna totalmente negro. O tato vai ficando dormente e o paladar, banhado em sangue, se perde. O cheiro de pólvora, urina e fezes, que dominam a cela, dissipam-se junto com seu olfato. A consciência se perde e a morte chega avassaladora, ceifando sua vida para sempre.
“Droga, esqueci de me apresentar...”, pensa o homem musculoso e ruivo ao retirar a câmera fotográfica descartável do bolso de sua calça, capturando uma foto do corpo.
- Prazer, Juan. – diz indiferente antes de fechar a pesada porta de metal, trancando o defunto de olhos arregalados de medo e cabeça banhada em sangue.







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