Em busca dos títulos perdidos
Alexandre Simões e Pedro Artur
REPÓRTERES
O início de 2009 pode ser marcado por uma mudança radical no futebol brasileiro. Liderados pelo Santos, Cruzeiro, Palmeiras, Bahia, Fluminense e Botafogo buscam junto à CBF a equiparação da Taça Brasil (1959 a 1968) e do Robertão (1967 a 1970) ao Campeonato Brasileiro.
A ambição não é nova, mas nunca esteve tão forte como agora. Em 20 de janeiro do ano que vem, os presidentes dos seis clubes vão se reunir na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF) para a assinatura do documento que pede à CBF o reconhecimento dos títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Robertão) ao Campeonato Brasileiro.
Após a assinatura do documento, os dirigentes dos seis clubes vão pessoalmente entregá-lo ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que inclusive deve estar presente à sede da FPF no dia da reunião.
A iniciativa, que partiu do Santos, tem como articulador José Carlos Peres, que é o supervisor do escritório regional do clube da Vila Belmiro em São Paulo.
“A melhor fase do futebol brasileiro foi entre 1958 e 1970, quando ganhamos três Copas (1958, 1962 e 1970) em quatro disputadas. Não podemos simplesmente jogar pela janela essa época. O que faltava era os clubes se unirem, o que está acontecendo agora”, defende Peres.
Pesquisa levanta história das competições
Para que a argumentação dos clubes seja convincente, um minucioso trabalho de pesquisa está sendo feito, com a coordenação do jornalista Odir Cunha.
“Estão sendo pesquisados jornais e revistas para se comprovar que a Taça Brasil e o Robertão eram o Campeonato Brasileiro da época. No final, todo o material será transformado num book, que será entregue junto com o documento assinado pelos clubes, à CBF”.
Além da pesquisa, para que possa ser comprovada a importância que a Taça Brasil e o Robertão tiveram no futebol nacional, Peres recorre ao próprio Campeonato Brasileiro para defender a sua tese.
“O Brasileiro, que nasceu como Campeonato Nacional, já teve vários nomes. Além disso, em 1987 (Copa União) e 2000 (Copa João Havelange) nem organizado pela CBF foi. Por isso não vejo motivo para não se reconhecer a Taça Brasil e o Robertão”, afirma o dirigente santista.
Outro argumento apresentado pelos clubes que buscam o reconhecimento da Taça Brasil e do Robertão é em relação à distribuição de vagas na Copa Libertadores.
“A Taça Brasil não foi criada em 1959 por acaso. A Confederação Sul-Americana tinha criado a Copa Libertadores, que passaria a ser disputada em 1960, e o Brasil precisava arrumar uma maneira de indicar os seus representantes. Foi assim que nasceu a Taça Brasil”, explica o dirigente do Peixe.
A temporada de 1968 pode gerar discussão
Segundo Peres, a única questão que precisa ser discutida é em relação ao ano de 1968, quando o Santos venceu o Robertão e o Botafogo a Taça de Prata.
“Por direito, acho que os dois devem ser considerados campeões brasileiros, assim como fazem com 1987. Mas a questão pode ser discutida”, revela.
O Robertão, que era o antigo Torneio Rio-São Paulo, ganhou clubes de outros estados em 1967. E isso se deve principalmente ao fato de o Cruzeiro ter vencido o Santos, de Pelé, na decisão da Taça Brasil de 1966.
“Sem dúvida o Cruzeiro teve um papel importante na democratização do futebol brasileiro. O domínio era do Santos, mas aquele fantástico time de Tostão e Dirceu Lopes mostrou que a realidade era diferente”, afirma José Carlos Peres.
Em 1967, primeiro dos dois anos em que a Taça Brasil e o Robertão foram disputados, não há problema a ser resolvido, pois o Palmeiras conquistou as duas competições.
Se o pedido dos seis clubes for aceito pela CBF, o Santos passará a ser o clube com o maior número de conquistas. O Peixe, que já ganhou o Brasileiro em 2002 e 2004, passaria a ser octocampeão, pois teria somados os títulos da Taça Brasil (1961 a 1965) e do Robertão (1968).
O Palmeiras também daria um grande salto, pois passaria a ser heptacampeão brasileiro. O time do Palestra Itália, que venceu o Campeonato Brasileiro de 1972, 1973, 1993 e 1994, teria adicionados os títulos da Taça Brasil de 1960 e do Robertão de 1967 e 1969.
No caso do Cruzeiro, o clube passaria a ser bicampeão brasileiro, pois ganhou o Brasileiro em 2003 e a Taça Brasil em 1966.
+ http://www.hojeemdia.com.br/v2/index...1¬icia=7287
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Eai a cbf deve esquecer tudo antes de 71 ou considerar os titulos?
Na taça brasil alguns times entravam na semi-finais,mais eram os campeões de cada estado ou seja tinha toda uma trajetoria para ser campeão, o santos de pelé sempre entrava nas semis porque ganhava o paulista que tinha palmeiras,corinthians,são paulo etc.
Eu axo que a cbf devia considerar tudo ou separar tudo, mata-mata dos pontos corridos etc ja que ouve uma mudança na forma que é praticado.
fora aqueles campeonatos zuados que a cbf fez tipo aquele que deu rolo do FLAMENGO X SPORT cheio de modulo e a copa joão havelange etc
/Prevejo choro bambi /
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Citação:
Postado originalmente por
Locke Cole
Concordo que os torneios têm importância diferente.
Por outro lado, os campeonatos brasileiros também tiveram dezenas de fórmulas distintas. Tem gente que jogou 15 jogos pra ser campeão. Outros jogaram 50. Tinha time que entrava na segunda fase, e outros passaram por clubes da segunda divisão antes de encarar os maiorais.
Não seria hipocrisia dizer que todos os brasileiros têm a mesma importância?
Como a definição do que é mais e menos importante é absolutamente subjetiva, sou favorável à planificação total. Para mim, a CBF deveria criar um parâmetro objetivo e seguí-lo. Exemplo: são considerados campeonatos nacionais todos os torneios de futebol profissional realizados de 1970 para trás com a presença de clubes de pelo menos cinco estados. Caso haja registro de dois ou mais torneios em um ano, será considerado o que reuniu o maior número de clubes.
Antes de falar, é bom saber. Então, algumas informações sobre a Taça Brasil:
1 - Foi criada em 1959, pela CBD (atual CBF) para definir um campeão brasileiro para participar da primeira Taça Libertadores, em 1960. Só saía um time brasileiro para a Libertadores. Parece, mas não tem nada a ver com a Copa do Brasil, que dá apenas um das cinco vagas para a Libertadores e não é o torneio nacional mais importante, já que os times não dão prioridade a ela e nem é preciso ser campeão estadual para jogar a Copa do Brasil.
2 - O mínimo de Estados representados na Taça Brasil foi 16, em 1959, e o máximo, 22, nos anos de 1963, 64 e 65. A média de Estados representados foi superior a 20, em uma época em que o país tinha 21 Estados e o Distrito Federal (hoje a Série A do Brasileiro, que dá o título de campeão brasileiro, tem times de nove estados).
3 - Times de São Paulo e Rio entraram nas semifinais em muitas das dez edições da Taça Brasil, ms esse é um recurso válido nas competições. É o que se chama handicap. Tanto é válido, que quase 50 anos depois é o que a Fifa usa no seu Mundial de Clubes, no qual times da América e da Europa entram nas semifinais. E como vimos neste ano, realmente os campeões europeus e sul-americanos fazem por merecer essa vantagem, assim como os times cariocas e paulistas no final dos anos 1950, começo dos anos 1960.
4 - O Campeonato Brasileiro só foi chamado assim a partir de 1989. No início era "Campeonato Nacional", depois passou para "Taça de Prata", "Copa de Ouro"... Enfim, teve muitas denominações. Sem contar s Copas União e João Havelange, que nem foram organizadas pela CBF.
5 - Se o fato de o campeão fazer poucas partidas tirasse o mérito de uma competição, então os Mundiais Interclubes e as Copas do Mundo teriam de ser anuladas. Sabem quantos jogos fez o País campeão das Copas do Mundo de 1930, 1934, 1938 e 1950? Apenas quatro. E durante mais de 20 anos o campeão mundial de clubes só fez uma partida, no Jaoão, contra o campeão europeu.
6 - A fórma de disputa - pontos corridos ou mata-mata - não define a importância de uma competição. Os campeonatos de futebol mais importantes são no sistema mata-mata: Copa do Mundo, Eurocopa, Copa América, Liga dos Campeões, Libertadores da América e Copa do Mundo de Clubes da Fifa. E o nosso Brasileiro só passou a pontos corridos em 2003. Todos os anos anteriores devem ser anulados por isso?
7 - Poucas competições foram tão bagunçadas como o que chamam de "Brasileiro", a partir de 1971. De 1971 a 2002 o campeonato não repetiu as regras nenhuma vez. Em 1979 só Palmeiras e Guarani representaram São Paulo. Palmeiras e Guarani poderiam ter sido campeões depois de fazer apenas sete jogos. Houve edição em que um dos critérios de classificação era a renda. Então, clubes compravam ingressos de seus próprios jogos, para se classificar. Em outras inventaram regras, como dar três pontos para a vitória de dois gols de diferença (em uma época em que as vitórias só valiam dois pontos). O "Brasileiro" foi tão inchado e com tanto time ruim, que um time podia ser campeão pegando só moleza. Em 1980, por exemplo, havia 44 participantes, mas o Flamengo só enfrentou 20 - destes, apenas Palmeiras, Santos e Atlético/MG fariam depois parte do Clube dos 13. O resto era baba.
8 - O Roberto Gomes Pedrosa, disputado em 1967, 1968, 1969 e, com o nome de "Taça de Prata", em 1970, teve o melhor nível técnico de uma competição nacional já disputada no Brasil. Por exemplo: para ser campeão em 1968, o Santos enfrentou: Flamengo, Palmeiras, Fluminense, Vasco, Corinthians, Cruzeiro, São Paulo, Internacional, Atlético Mineiro, Grêmio, Botafogo, e na fase final jogou contra Internacional, Palmeiras e Vasco.
9 - A Taça Brasil e o Roberto Gomes Pedrosa correspondem ao período de ouro do futebol brasileiro. De 1958 a 1970, de quatro Copas do Mundo disputadas, o Brasil venceu três. Todos os jogadores da Seleção jogavam em times brasileiros. Olha só quem a gente podia ver indo ao estádios: Pelé, Garrincha, Gérson, Rivellino, Tostão, Jairzinho, Ademir da Guia, Clodoaldo, Zito, Mengálvio, Coutinho, Roberto Dias, Dirceu Lopes, Piazza, Mauro Ramos de Oliveira, Gylmar dos Santos Neves, Pepe, Zagallo, Dudu, Carlos Alçberto Torres, Paulo César Lima, Edu, Toninho Guerreiro, Ramos Delgado, Joel Camargo, Rildo, Quarentinha, Amarildo, Pagão, Dorval, Calvet, Bellini... Dá para comparar com os que jogam hoje no Brasil?
10 - Em uma final de Taça Brasil, a de 1962, entre Santos e Botafogo, estavam em campo sete titulares da Seleção Brasileira e mais quatro reservas. Ou seja, 11 bicampeões mundiais estavam em campo, no Maracanã, decidindo o título nacional. Os nomes das feras? Vamos lá: Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Zito, Amarildo, Mauro, Coutinho, Zagallo, Pepe, Gylmar e Mengálvio. Será que um dia teremos outra final de Brasileiro com tanto jogador deste nível? Não creio.
11 - A Taça Brasil e o Roberto Gomes Pedrosa não serão oficializados, pois já são oficiais. Apenas será anunciada a unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959. Súmulas da épóca provam que ao lado de Taça Brasil vinha a inscrição: Campeonato Brasileiro. Nada mais justo. Outros países, onde o futebol é mais organizado, consideram todas as suas competições nacionais. Antes do Campeonato Espanhol, havia a Copa da Espanha, um torneio mata-mata como a Taça Brasil. POis é só pesquisar para constatar que os espanhóis consideram os campeões da Copa da Espanha campeões espanhóis daqueles anos.
12 - Milhões de pessoas cresceram sabendo que a Taça Brasil e o Roberto Gomes Pedrosa eram as competições nacionais do Brasil. Essa afirmação está em jornais e revistas da época, como: O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Jornal dos Sports, Gazeta Esportiva, O Estado de Minas, revistas como O Cruzeiro e Fatos & Fotos. Quem quiser ter a confirmação, é só entrar no youtube e teclar "Santos Vasco Taça Brasil". Verá um filme com as finais da Taça Brasil de 1965. No segundo jogo, filmado pelo Canal 100, o locutor Cid Moreira dirá uma frase que não deixará dúvidas. Chequem. Um detalhe: o Canal 100 era transmitido em todos os cinemas brasileiros e atingia milhões de pessoas.
Ou seja: ninguém que viveu aquela época de ouro do futebol teve ou tem qualquer dúvida de que Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa valeram como títulos brasileiros. Na verdade, se uma competição valesse pelo nível dos participantes, elas deveriam valer muito mais do que as de hoje.
Abraços,
Carlos Virgilio, um amante e estudioso do futebol