E ai galera! Ai vai o segundo capitulo, estou mega ansioso para os próximos capítulos, acho que a historia esta com um grande potencial de desenvolvimento... enfim, postem com criticas, dicas e opiniões! Abraços!
O Domador de Ursos
Capítulo II – Da terra a terra
Durante alguns segundos, ouvia-se apenas o leve sopro do vento gelado e o baixo e triste som do choro de Baltazar. Até que o silêncio foi bruscamente quebrado: — vamos Baltazar, vamos dar alguma dignidade a esse pobre ser. — disse Norberto com uma voz seria e firme. Então nesse momento, o homem que trajava um enorme e pesado casaco azul escuro, calça marrom (costumava ser marrom, mas devido ao desgaste do passar dos anos, ela estava mais bege do que marrom), e um velho par de botas de couro, ordenou que o jovem carregasse o corpo do animal morto até o jardim ao lado da pequena casa de Norberto. O menino obedeceu sem hesitar, e o homem foi logo atrás carregando uma pá enferrujada quase que por inteira.
O clima pesado e fúnebre que tomara o coração dos dois criava certo contraste com o cenário atual, pois aquele jardim, não muito amplo, ao lado da casa de Norberto, e também de sua posse, era tomado por flores-da-lua. Poucos eram capazes de fazer brotar essas lindas flores árticas, com grandes pétalas brancas, mas não qualquer branco, e sim um que quase possuía uma luz própria de tão brilhante (por isso “flores-da-lua”), um pistilo (miolo da flor) em um tom levemente amarelado, e as folhas do caule eram grandes, esmeraldinas e cheias de vida.
Se Norberto tinha uma paixão, posso afirmar com certeza de que era pela natureza, e apesar de não ter muita técnica, parece que ele tinha nascido com o dom de fazer brotar vida, até no solo mais difícil. Afinal, não é fácil plantar algo tão lindo em um solo tomado por neve e em temperaturas tão frias que são capazes de queimar qualquer planta mais frágil como tais flores. Ele acreditava que mesmo após a morte, devia-se compensar a terra de alguma maneira, por toda a vida que ela fornece. Por isso ele tomou a decisão de enterrar o corpo do Husky no jardim, para que os restos daquele pobre animal ainda pudessem viver em cada uma daquelas flores dando-as mais força e vitalidade.
Em um momento melancólico e silencioso, bem no meio do jardim, em meio à fina neve que passava a cair do céu, Norberto começou a cavar. Não era necessário um buraco muito extenso ou profundo, pois o cão era apenas um filhote, e devido a isso, logo o homem, com a barba castanha tomada por pequenos flocos de neve, terminou de cavar e disse: — Vamos menino, deixe o animal descansar em paz. — e Baltazar, mais uma vez sem hesitar, colocou cuidadosamente o pequeno corpo no buraco e disse, quase sussurrando: — Adeus. — Mesmo que por um efêmero momento juntos, o menino tinha criado um enorme carinho pelo animal. Foi ai que Baltazar e Norberto ficaram lado a lado, o homem apoiou levemente a grande mão direita sobre o ombro do parrudo menino, e olhando para o animal morto, que incrivelmente parecia esboçar um sorriso de agradecimento, ambos começaram a sussurrar uma melodia triste. Era um canto de despedida, que era conhecido por todos os poucos habitantes de Senja, não havia letra, era apenas um murmúrio grave, que era capaz de fazer chorar o mais alegre dos corações.
Norberto então apanhou a pá e começou a cobrir o corpo do cãozinho com a terra, e rapidamente não se via mais o animalzinho. Neste momento um vento gelado e mais forte começou a soprar, e junto com o vento, vieram flocos de neve mais pesados. Então os dois caminharam até a porta da casa de Norberto. Foi ai que o homem, provavelmente mais aliviado por ter devolvido aquele ser a terra, disse ao jovem menino: — Já esta ficando tarde, e creio que hoje não possamos fazer mais nada por esse animalzinho... — Baltazar então balançou levemente a cabeça, afirmando que concordava, e o homem terminou: — Vá para sua casa, descanse o máximo que puder, pois amanhã irei floresta adentro atrás do ser cruel que fez isso, e sei que assim como eu, você também quer honrar a vida do pequeno cão. — O menino despediu-se brevemente e se dirigiu ate sua casa, no fim da estradinha de terra, não muito distante dali (nada era muito distante naquele pequeno vilarejo).
Norberto entrou em sua pequena casa, encostou a porta de madeira, deu uns passos e sentou-se em sua poltrona verde. Rapidamente apanhou o cachimbo de carvalho e acendeu-o com um pequeno fosforo cuja caixinha estava logo acima do mesmo criado-mudo onde o cachimbo se encontrava. E pensativo, começou a fumar.
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