Assisti a CPI na sexta enquanto montava aula. Rinha de político de qualidade, ótimo entretenimento pra quem gosta de ver a degeneração humana. Melhor ainda foi o pós-CPI, com revelações dignas de novela mexicana.
Resumindo bem resumido: o irmão pau mole do deputado Luis Miranda, que é servidor concursado do Ministério da Saúde, diz ter recebido pressões internas no Ministério da Saúde para agilizar um contrato para a compra da vacina indiana. Ele recusa acelerar porque as primeiras versões do documento de importação continham erros grotescos (do tipo "quantidade contratada", "valores", "pagamento antecipado", que poderiam indicar algum tipo de esquema), que foram corrigidos em versões posteriores. Mas as pressões continuaram e o cara relatou para o irmão que era deputado próximo ao presidente. Nesse ponto eu me perdi na cronologia, não sei se quem abriu processo no MPF foi o deputado, se foi o irmão que denunciou.
Só sei que o Luis Miranda diz ter levado o "problema" ao presidente e, de acordo com ele, o presidente teria citado que era coisa do Ricardo Barros (nome revelado só no final, quando eu já não estava assistindo mas vi trechos), líder do governo na Câmara, e que ia tomar providências. Mesmo com a denúncia ao presidente, aparentemente nada foi feito (o que poderia configurar um suposto crime de prevaricação) e aí os irmãos resolveram expor tudo na CPI. É o que eles dizem.
O pós-depoimento foi o melhor. O Luis Miranda deu entrevista ao Antagonista deixando a entender que o irmão gravou a tal reunião com o presidente. Se gravou ou se está blefando, só Deus sabe. Também vasculharam o Ricardo Barros, que já foi investigado pela Lava-Jato e que é do PP, o partido mais indiciado na operação, e descobriram relações dele a empresa que intermediaria a importação da vacina, bem como expuseram o fato de que a mulher do deputado foi indicada a um cargo de comissão no Ministério da Saúde com um salário de 27k. Hoje de manhã ainda rolou a fofoca que a ex-mulher do Pazuello quer depor por saber uns podres (ex-mulher é bicho ruim mesmo) e o Luis Miranda disse a pouco que o Pazuello sabe de "coisas".
Enfim, crimes de corrupção são sempre difíceis de investigar, porque é óbvio que o corrupto não vai ficar criando evidência documental e soltando por aí. O tal do "superfaturamento" que a mídia tradicional divulgou ficou meio obscuro pra mim, não entendi de onde saiu essa informação, nas notícias que li, dizem que seria tirado de um documento enviado à comissão pelas Relações Exteriores mas a narrativa governista é que confundiram "doses" com "frascos" (um frasco tem mais de uma dose). No fim, ficou muita conversa e poucos fatos concretos. Mas a necessidade de se investigar mais existe de fato, até porque é estranho um deputado governista ferrenho do nada querer denunciar o próprio presidente (e só vai perder e se fuder por isso).
Aguardando agora o depoimento da ex-mulher do Pazuello (se é que vai acontecer), já que ex-mulher quando quer ferrar o cara é capaz de pegar bem pesado. Só acho que precisam exigir prova documental, porque aí o circo fica completo com a CPI virando palco pra vingança de ex-cônjuge.

