A honra perdida
Aquele havia sido um dia trágico em Ulderek's Rock, também conhecida como Fortaleza dos Orcs pelos humanos. Os mesmos humanos que desferiram um golpe brutal na honra dos verdes: o general Ruzad havia tombado diante das espadas e magias usadas pelos "Klamuk" (pele branca na língua dos orcs). O enterro ocorria na famosa torre onde Ruzad admirava seu povo, e também onde foi derrotado. O caixão passou por todas as partes da fortaleza, mas apenas os orcs de eliteestavam presentes naquela última etapa do ritual.
-Ulderek futgyr humak! Buta klamuk da ui ta! (Ulderek deve derrotar os humanos! Os malditos de pele branca pagarão por isso!) - gritou um deles.
-Mok! Krak Ork! (Sim! Hail os orcs!) - responderam os outros.
Um warlord observava a cerimônia do alto de outra torre. Tinha suas razões para odiar Ruzad, principalmente quando foi espancado violentamente pelo falecido general, por dizer que aprender a antiga linguagem nativa dos orcs era besteira, pois a maioria dos orcs havia se esquecido e começado a se comunicar fazendo o uso de uma mistura de fragmentos da linguagem orc e da humana depois de tanto tempo em contato com tal raça.
-Charac, Maktar. Maruk nok tefar ir ao enterro? - perguntou seu amigo.
-Nok. Buta Ruzad, não entendia que os tempos mudaram. Ikem estou comemorando por dentro.
-Agora que aquele buta está morto, karak ork vai precisar de um novo general. Se maruk se tornar ta, finalmente ouk poder karek ulderek e realizar o nosso sonho de recuperar o anel do poderoso Ulderek...
-Mok... Ulderek é o único ork que ikem venero, e ele foi lendário em conseguir aquele anel. Lendário em tudo o que fez.Vou fazer kiskesh para me tornar o novo general.
-Maruk já é muito amigo do karak ork.
-Aquele defiler vai ser muito útil no meu plano.
-Mok... Ikem esperei muito esse dia.
Passados alguns dias, a vida dos verdes foi voltando ao normal, e as questões políticas para decidir quem seria o novo general vieram a tona. Maktar era ambicioso e estava decidido a conseguir tal posto, para isso tramou planos com seus amigos para assassinar possíveis candidatos, fortaleceu seus contatos e sua interesseira amizade com o rei orc. Deu certo. O jovem warlord tornou-se o novo general de Ulderek's Rock, tendo o total controle sobre as tropas, o que gerava uma certa preocupação, pois os planos de Maktar iam muito além de somente defender a fortaleza, como Ruzad fazia. Na torre mais alta, o orc observava o local quando seu amigo Kranor apareceu para começarem a tratar de tais planos.
-Charac, Maktar. A nossa seita, Ranat Ulderek está muito satisfeita com maruk sucesso.
-Ikem já imaginava isso. Pretendo organizar os ork hoje e realizar o plano amanhã.
-Mok. Finalmente poderemos recuperar o anel de Ulderek.
-Aquelas mulheres de klamuk e cabelo vermelho irão pagar por terem tomado nossas terras do sul e se apropriado do tesouro de Ulderek! Invadiremos o local, mataremos todas e pegaremos o que é nosso desde os tempos da guerra dos deuses! A costa sul de Ulderek's Rock.
-Isso aconteceu a muitos anos, porém mostraremos a elas que ork não esquece!
-Mok. Ork buta bana!
Maktar apresentou a proposta de ataque ao rei orc que após uma longa lavagem cerebral feita pelos membros da seita de Ulderek, concordou. O warlord então começou a organizar as tropas, ordenar aos trabalhadores para que fizessem mais armas e alimentassem os lobos de guerra. Os humanos não poderiam ser subestimados em nenhum momento, afinal, derrotaram o lendário Ulderek, tomando as terras sulistas, assim como seu rico tesouro.
No dia seguinte tudo estava pronto, Maktar viu que era hora de iniciar o ataque.
-Kranor, maruk irá comandar a linha de frente.
-Claro, Maktar. Com kiskesh honra. Maruk arash ideia do local exato do tesouro?
-Mok. No campo das humak de cabelo vermelho. Alguns andares abaixo da terra. O anel da força é a prioridade. Com ele os ork irão recuperar seu orgulho perdido, quando os buta de klumak colocaram seus pés impuros em ouk terras.
-Ikem mandarei os guerreiros agora mesmo para o campo das humak. Futchi, Maktar.
-Futchi, Kranor. Vejo maruk na guerra.
No campo das amazonas próximo a Venore, as lindas guerreiras guardavam a entrada para evitar intrusos. Haviam reforçado a segurança pois estavam cansadas de todo dia terem amigas mortas por humanos que vinham das cidades em busca de dinheiro.
-Alguém das cidades apareceu por aqui? - perguntou uma valquíria para uma amazona.
-Não... felizmente não. Hoje o dia está bem tranquilo, tomara que continue assim! - deu um sorriso cintilante.
As mulheres começaram a ouvir sons tremidos ao longe.
-O que é isso?
-Estranho. Conheço este barulho de algum lugar. São tambores!
-Tambores?
-Sim, isso mesmo. São tambores usados pelos orcs! Ouço muito eles ao norte quando fico um tempo admirando o mar na costa.
-Mas eles estão vindo do oeste. O que orcs iriam querer lá? Espere...o barulho está aumentando!
-Olhe! Um orc! E ele está vindo na nossa direção!
A massa verde foi aumentando.
-Não é só um. É uma força de invasão. Avisem as outras, o campo vai ser atacado! - gritou.
Não havia mais tempo para se preparar. Os orcs já estavam na porta e entraram no campo das amazonas sem piedade, com seus lobos, lanças e espadas. Uma multidão verde enorme, incontrolável e brutal que não permitia a mínima chance à aquelas mulheres, que matavam um ou outro com suas facas, mas logo tinham a cabeça separada do pescoço.
Os verdes conseguiram atravessar com facilidade o pântano onde as guerreiras haviam montado pontos estratégicos que mostraram toda sua inutilidade, conseguindo avançar cada vez mais campo a dentro.
Maktar, montado em seu lobo de guerra, passava direto pela batalha, focado em seu objetivo de recuperar o anel de Ulderek que prometia proteção contra qualquer perigo, quando seu animal foi atingido por uma lança na lateral na barriga e caiu, levando o warlord junto. Maktar observou uma valquíria vindo na sua direção, com uma espada tão grossa quanto a sua, e a expressão furiosa. A mulher tentou atingir o orc caído, que se defendeu com sua espada bloqueando o ataque, logo após tomando impulso para se levantar.
-Buta com cabelo de fogo! Pagará hoje por ter roubado ouk terras!
-Não faço a mínima ideia do que está querendo dizer! Por que nos ataca? Não fizemos nada para vocês, estamos juntos contra os humanos das cidades! - a guerreira era jovem, e nunca se interessou pela história. Assim, desconhecia os motivos de Maktar.
-Buta humak sem honra! Se esquecem com facilidade dos estragos que fazem! Maruk pagarão!!! KRAK ORRRRRRRK!
Maktar levantou sua espada, desmoronando o peso do aço contra a valquíria que parecia ter algo especial devido as cores de sua armadura. A mulher deu um pulo para trás, contra atacando com um golpe rotativo, porém o orc desviou habilidosamente dobrando sua coluna para trás. Vendo que sua inimiga se recuperava do esforço, o general logo acertou um chute com força extrema na espada da mulher, desarmando-a. Sem muitas escolhas, ela sacou duas facas que estavam amarradas em sua cintura, as cruzando para se defender do segundo movimento brutal de cima para baixo que Maktar fez. Num duelo de forças, a valquíria usou todo o seu vigor de guerreira para empurrar o orc, que se equilibrando não pode evitar a facada dupla que tomou nos ombros. Ao contrário do que ela esperava, Maktar não ficou atordoado, mas sim soltou um urro de dor, e atravessou sua poderosa espada na coxa da valquíria, subjugando a inimiga.
-Agora, maruk me dará exatamente o que ikem quero!
-Por favor - disse com dificuldade devido a imensa dor que sentia - eu não tenho nada o que pode querer!
-Não minta para ikem! Todas vocês sabem onde está o anel da força com o qual Ulderek dominou essas terras por anos! Até ter sido derrotado por vocês! - encostou a espada no pescoço da guerreira.
-Vo-você quer o tesouro?!? Mas nem eu sei como abrir aqueles portões!
-Ikem sei. Tive de me mancomunar com humaks impuros para ajudar no assassinato do antigo general e obter a chave. Tire suas guerreiras do caminho de meus guerreiros, saia dessas terras, e nunca mais retorne! Hoje foi o último dia em que os klamuk pisaram na Ulderek’s Rock do sul!
- Nunca nos renderemos diante de criaturas como vocês!
-Maruk teima em me desafiar?!? Sofrerá as consequências! Meus ork irão exterminar seu povo, e ouk conseguiremos o tesouro, de um jeito ou de outro. O anel da força de Ulderek, é dos ork por direito.
Maktar deu um chute no rosto da mulher derrubando-a de costas ao chão. Levantou sua espada, e verticalmente desceu a lâmina atravessando o coração da inimiga, que tossiu, regurgitou um pouco de sangue, mas logo virou os olhos abraçando a morte.
Enquanto isso, os guerreiros da Fortaleza terminaram de eliminar os alvos presentes no pântano, com poucos orcs caídos. Kranor, o comandante das linhas de frente, gritou :
-Ouk devemos continuar! Vamos retomar as terras do sul! Krak Ulderek! Krak Ork!
-KRAK ORRRRRRK!!!
O general observava seu exército adentrando na parte mais perigosa do campo, enquanto desgarrava sua espada ensanguentada do corpo de sua vítima. Ele percebeu que muitos de seus orcs estavam tomando flechadas na cabeça, até que notou amazonas no alto de torres de vigília usando seus arcos com precisão cirúrgica.
-Kranor! - gritou forte.
O comandante olhou para seu general, apontando para o alto das torres. Assim, o orc deu a ordem para que seus riders e spearmans atirassem suas lanças para solucionar o “problema”. Os corpos caíram do alto das torres, levantando poeira e gerando barulho de ossos se quebrando quando encontraram o chão. Com as amazonas, exímias em combate a distância, na terra, e não podendo competir contra a velocidade insana dos lobos de guerra, os verdes derramaram sangue humano com um sorriso psicótico no rosto.
Maktar andou calmamente até o local da vitória, e depois de passar por alguns corredores pisando sobre corpos, entrou na caverna que dava para o local do tesouro, acompanhado de warlords e seu amigo Kranor. O sonho havia custado muito sangue de ambas as raças, mas estava prestes a ser realizado, os orcs finalmente recuperariam suas terras e sua honra. Porém, na frente dos portões demadeira que guardavam o tesouro, havia uma bruxa.
-Saia da minha frente buta! Se maruk nok quiser se juntar a sua gente...
-O tesouro nunca deve ser violado! Você deveria voltar agora mesmo!
-O tesouro pertence a Ulderek. Pertence aos ork, assim como nossas terras.
-Você não sabe da verdadeira história, warlord. Foi o próprio Ulderek que trancafiou esse tesouro aqui, foi ele quem abandonou essas terras. A história de que Ulderek foi derrotado é mentira, pura mentira dos próprios humanos, e você está caindo nisso!
-Maruk está tentando me enrolar! Por que Ulderek deixaria suas próprias terras? Por que ele largaria seu próprio tesouro? O anel da força!
-Exato! O anel da força foi roubado de um demônio, do próprio Morgaroth. O anel só trará desgraça para o seu povo se você levá-lo para o norte consigo!
-MARUK MENTE! Saia da minha frente ou ikem corto sua cabeça.
A bruxa não teve escolha a não ser deixar que o orc completasse seu objetivo.
-A espada dos generais, é a chave! - disse ele, acoplando a lâmina na fechadura. A tombou alguns centímetros para o lado e logo os misteriosos portões se abriram, rangendo, depois de vários séculos.
Maktar e Kranor entraram na sala, maravilhados diante daquela visão. Equipamentos raríssimos e poderosos, como um capacete feito totalmente com as escamas de um dragão, um outro com chifres enormes, itens de valor, muito ouro, e em cima de uma mesa, pequeno, dourado, pedindo para ser usado, o anel da força de Ulderek.
-Finalmente... consegui!
O general se aproximou da jóia, trêmulo, a colocou lentamente em seu dedo indicador, imediatamente sentindo o poder... juntamente com a dor, como se algo queimasse seu corpo por dentro.
-Arrrrrgh! Mas o que está havendo?
-O anel é amaldiçoado, warlord! Ulderek não foi derrotado por nós, mas sim por ele mesmo. O anel faz com que toda a sede de poder que possuir, volte contra você mesmo. - falou a bruxa.
-Ta nok pode estar acontecendo! Ulderek usou este anel para dominar o continente, Arrrrgh! - seu corpo queimava cada vez mais.
-Quem dominou o continente foi o anel. Todos aqueles que o possuíram foram consumidos, até parar aqui. Os equipamentos que vê nessa sala, um dia foram de líderes ambiciosos como você!
-NOK! TA NOK É VERDADE! ARRRRRRGH!!!
-Infelizmente para você e seus guerreiros... é.
-GROAAAARRR!
Maktar viu seu próprio corpo sendo tomado por chamas, igualmente a Kranor e os outros warlords próximos do anel. Os orcs se debatiam tentando se livrar do fogo infernal, que carbonizava seus corpos violentamente, consumindo a pele, o sangue, os órgãos, até chegar aos ossos. A espada de Maktar caiu ao chão, tornando-se parte do tesouro.
No campo, um medo imenso e inexplicável tomou conta dos corações dos guerreiros verdes, que apenas sentiram uma vontade incontrolável de voltar para casa. No subsolo, a bruxa guardiã momentânea da sala, pegou o anel e o devolveu para seu devido lugar, saiu do local e fechou os portões, mesmo sabendo que haveriam outras chaves Tibia a fora. Mas os portões permaneceriam fechados, até que outro guerreiro sedento por poder, decidisse enriquecer o tesouro com seu melhor equipamento.