Citação:
Era um lindo começo de manhã na cidade de Cina. O sol lançava timidamente a sua luz pelas pacatas ruas, acordando os animais para um novo dia.
- Bom dia, Bravak.
- Dia, Jan. Como está o Rob?
- Muito bem. Se o senhor não tivesse nos ajudado, não sei como conseguiríamos ficar com a casa. A propósito... A sua irmã pediu para lhe lembrar de um compromisso em um restaurante.
- Então está dado o recado - e sorrindo, Bravak deu as costas recomeçando sua caminhada diária.
Bravak era um cidadão da pacata cidade de Cina. Alto, cabelos castanhos e dotado de um olhar marcante, difícil de esquecer. No auge de seus vinte e cinco anos, parecia um homem despreocupado e sem problemas. Era querido por muitos e bastante popular por aquelas bandas. Seu maior defeito era a sua timidez excessiva, que algumas vezes o privava de grandes contatos sociais, por isso preferia ficar a maior parte do tempo em sua confortável residência na Rua da Madeira Verde.
Mas nem sempre foi assim. Enquanto esteve empregado por um nobre influente de Cina, Bravak era obrigado a aparecer constantemente na mídia. Seu rosto também ajudou. Era o típico galã de televisão. Mas Bravak não era obrigado a disfarçar a timidez, pois seu emprego não envolvia esse tipo de regra.
- Mas que droga... Esqueci as chaves de novo - Girando no pé, Bravak calmamente refez o caminho de volta até a sua casa. Andava muito distraído, pensando em tudo o que havia lhe ocorrido nas últimas três semanas. Aconteceu tudo tão de repente, fazendo com que os problemas lhe caíssem nos ombros feito uma avalanche. Mesmo assim sorria para as pessoas fingindo que nada estivesse acontecendo.
Resolver apressar o passo ao olhar para o moderno relógio digital em seu pulso. Passou por duas ruas até finalmente parar diante da placa que sinalizava a Rua da Madeira Verde.
Parou, pois havia alguém observando a sua casa. Bravak achou que seria perfeitamente normal que alguém parasse para olhar a casa de alguém que estava tão em destaque na mídia, como ele no momento. Seria normal se pudesse ser qualquer pessoa. Seria bom se fosse apenas um curioso. Mas não era.
Parado diante da soleira da porta, estava um homem de estatura média. Longos cabelos loiros caíam-lhe até a cintura. Trajava um grosso casaco de couro, apesar do calor. Bravak o chamou pelo nome - Edgar.
- Tive medo de não o encontrar em casa, Bravak - disse Edgar, cumprimentando Bravak com um breve aceno.
- Pois teve sorte - respondeu ele - Que faz aqui? Veio tentar livrar a culpa de seu irmão?
- Não. As coisas não são tão simples.
- Claro que são. Seu irmão se entrega e livra a cara dos outros que traiu.
- Ele não traiu ninguém!
- Claro que traiu! - gritou Bravak.
- Acalme-se - pediu Edgar olhando para os lados - seja discreto, por favor.
Bravak levantou as mãos impacientemente - Certo, o que veio fazer aqui?
- Acreditamos que Narrant esteja morto.
Bravak sentiu um arrepio na nuca ao ouvir a última palavra - Como?
Edgar suspirou e calmamente continuou - Podemos ir andando enquanto conversamos? - Bravak assentiu e juntos, começaram a caminhar pela extensa rua.
- Narrant não estava em Costa Nova? - perguntou.
- Quando o encontramos, ele carregava um objeto com iniciais bem familiares a você.
Bravak se mecheu desconfortável quando Edgar ignorou sua pergunta, porém a simples menção das iniciais fez ele esquecer essa desagradável sensação.
Edgar havia colocado a mão no bolso e retirado uma foto - Não pude trazer ele, mas quero que observe isso. Perdoe a qualidade da imagem.
Bravak apurou a vista para tentar visualizar diante daquela imagem distorcida. Conseguiu distinguir um saco marrom com duas letras caprichadas bordadas na frente.
- R. O - falou.
- Exato - parando em frente à uma vitrine de uma loja de eletrodomésticos, Edgar olhou para Bravak e colocou a mão em seus ombros - Você sabe onde está Richard?
- Não - respondeu Bravak imediatamente.
- Tem certeza? Não podemos deixar que a morte de Narrant seja em vão.
- Já lhe disse que não - insistiu Bravak - E o que faz achar que Richard está envolvido nisso? Seu irmão poderia muito bem ser o culpado.
- Não... Eza não seria capaz disso - Edgar olhou para o relógio de Bravak e deu um suspiro - espero que não o tenha atrasado tanto.
- Para onde você vai?
- Hotel Granito. Quarto 802. Se souber de algo, por favor me comunique - Edgar acenou com um sorriso forçado - Tenha um bom dia.
Bravak ficou olhando enquanto Edgar dobrava a esquina para a Rua dos Buquês. Olhou para uma das televisões da vitrine. Na tela, uma mulher, bem vestida, apresentava o telejornal diário de Cina.
"... Em entrevista à Gazeta de Cina, o detetive Storm confirmou ter novas pistas sobre o caso Loonta, confira a entrevista que foi feita com ele, agora a pouco:
- Detetive, por favor, a polícia tem novas informações sobre o Caso Loonta?
- Estamos fazendo o melhor trabalho possível. Nossos homens estão levantando informações há três semanas e conseguiram localizar também o senhor Ezachs que estava foragido. Neste exato momento ele está sob observação. Acreditamos que em breve resolveremos todo este caso.
- Obrigado, senhor, agora com os nossos estúdios.
- O Caso Loonta começou quando o poderoso Duque de Loonta foi encontrado morto em sua residência há exatamente três semanas. Após uma intensa investigação, o detetive Storm levou a crer que o assassino seria um dos homens que fazia a sua guarda pessoal. A famosa Guarda dos Oito, como ficou conhecida. Dentre eles, estavam foragidos três suspeitos: Ezachs, Richard e Narrant. Agora que Ezachs reapareceu, a polícia concentra as buscas pelos outros dois ao mesmo tempo que tenta desvendar esse crime que chocou a cidade. Não percam hoje à noite um especial com tudo sobre a Guarda dos Oito. Conheça o passado de cada um. O talento de Richard, a genialidade de Ezachs, o carisma de Bravak, a infância conturbada de Joel..."
_______________________________________