Bem, pessoal, dessa vez estou sendo apenas um instrumento.
Esse texto não é meu, é um pequeno conto de um grande amigo. Ele escreveu essa história como um trabalho para a faculdade, e por ter gostado, pedi permissão para divulgar para vocês.
Espero que gostem.
[DESABAFO]Ah, e não custa comentar... Tanto nesse tópico quanto no da minha história, "A Décima Porta". Tou ficando chateado com vocês, na boa. Ja faz dois dias que eu postei a minha história lá, cheio de entusiasmo, e só o Wakka teve a boa vontade de postar. Pô pessoal, tou começando a achar que vocês têm alguma coisa pessoal contra mim, e eu acho injusto isso. Eu não comento nas histórias de tibia geralmente, então até entendo se o pessoal que gosta mais de escrever história de tibia tenha alguma coisa contra mim.
Mas eu acompanho boa parte dos tópicos de vocês, e acho que vocês não podem dizer que eu não tento ajudar.
Então eu fico imaginando se vocês têm alguma coisa contra o meu jeito de ser, comentar ou escrever... Se têm, digam logo que eu dou o fora dessa seção pra nunca mais voltar.[DESABAFO/]
Bem, aí está o texto do meu amigo:
O dia em que enfrentei o maior guerreiro da Ciméria
Fui treinado para ser um mestre das sombras e da morte: a matar em um piscar de olhos e desaparecer no seguinte. Em diferentes reinos, chamaram-me de serpente e de morcego, mas sem nome servi a reis, poderosos e cruéis, que precisaram da mão rápida e do coração impetuoso de um hábil assassino para estender e manter seu poder. Meu cajado esmagou mais crânios, minha adaga cortou mais gargantas – com minhas armas lancei mais sangue e causei mais dor do que exércitos inteiros. Meu dardos envenenados mandaram guerreiros de todos os continentes aos braços de seus deuses, em meus serviços centenas de almas foram separadas de seus corpos. Contudo não estava preparado à batalha por vir - a única vez que uma emoção, que não o prazer de matar abateu-se sobre mim, única vez que o medo saturou meu coração.
Além das riquezas que já haviam me dado, prometida estava grande recompensa. Frutos do crescente desespero de um tirano, que descobre, emergindo dentre suas vítimas, inigüalável inimigo. Mas o prêmio maior seria a chance de matar tão afamado guerreiro. Já deitei por terra homens de poder, mestres das armas, e queria pôr mais esse na minha coleção.
Era uma floresta, mais precisamente próximo de um pequeno povoado, clima frio, neve cobria o chão. Mal podia-se ver a trilha, mesmo durante o dia era um lugar escuro, com grossos galhos de altas árvores sobravam apenas pequenas fendas para os raios de sol. Eu, quinto assassino enviado por um mago cujo nome não devo registrar, seguindo por vários dias traços da passagem de meu alvo, finalmente o avistei...
Ouvi um grito de pavor adiante, subi na árvore mais próxima e escondi-me em sua copa, já preparando mentalmente a emboscada.
Em toda minha vida tive por certeza a inutilidade do árduo treinamento de um guerreiro diante do ataque furtivo de um assassino. Escudos não se firmam contra a ameaça que não se sente, lâminas afiadas e braços fortes não são nada contra o inimigo que não se pode ver. Mas naquele dia muitas de minhas certezas se mostrariam vãs: tinha certeza de ser eu um homem sem medo, tinha certeza de que teria sucesso onde outros falharam, tinha certeza que seria um trabalho fácil...
Um homem, que julguei ser um soldado por seus trajes, apareceu correndo, naquele momento era desespero encarnado, banhado em sangue, já havia sofrido alguns cortes profundos. Sons de cascos, logo a seguir, de estrondosa besta, a montaria do guerreiro que eu procurava era um cavalo negro enorme. Nos apelos do soldado por sua vida, não refreou-se o galope. O guerreiro com sua espada em punho passou, o movimento foi como o de um aldeão ceifando trigo, mas muito mais suave - a cabeça pareceu simplesmente deslizar para além do pescoço, caindo no chão com a mesma expressão de pavor com que o pobre coitado se despedira da vida.
O que posso dizer daquele momento é que meus tremores não eram causados pelo frio, a visão de tão violenta cena, causada por mãos que não as minhas, fez meu sangue gelar. Mas eu sabia que minha melhor chance de cumprir minha missão estava prestes a se mostrar. Tão frio quanto a neve que faz do verde da floresta um branco mortiço, me prepararia para mais um assassinato. Preparei um de meus dardos, esperei que reembanhiasse sua espada, baixando a guarda O momento em que se retomasse seu caminho seria perfeito, logo daria as costas para mim e me daria o alvo perfeito.
Ele não dispunha de escudo, nem usava qualquer tipo de armadura metálica. Uma pele de um animal qualquer cobria sua cintura, e botas da mesma completavam toda sua vestimenta. Mesmo assim, em sua seminudez, se fazia mais volumoso que eu, devia ter quase o dobro de meu peso.
O primeiro tiro é sempre o mais fácil, pega-se o alvo desprotegido e desprevenido, de movimentos lentos. Bem, mas contra ele não funcionou, o silvo produzido pelo dardo foi todo o necessário para avisá-lo. Para minha inquietação, eu estive errado quanto ao momento de atacar, ou de fato, aquele guerreiro estava sempre alerta. Num movimento rápido deixou-se cair, pondo-se de pé ao flanco de seu animal e virando-se a procurar-me. O cavalo havia sido atingido na proteção de seu dono, pôs-se a correr à disparada com o susto do ataque, tombando logo a seguir e morrendo após contorcer-se por breve momento, vítima do veneno combinado de vários animais e plantas.
Estava preparando o meu segundo dardo, quando o guerreiro bradou um desafio.
- Desça aqui, lute como homem.
Mesmo alguém como eu estima o orgulho, e o medo eu escondia de mim mesmo dissimulando um arremedo inescrupuloso de honra.
Mas era como se ele tivesse um tipo de aura, sempre a meter medo em quem quer que dele estivesse próximo. Meu coração estava como que a querer sair pela boca, mas preparei-me para atacar. Impulsionei-me pelo galho em que estava, atirei-me, adaga em punho
- Dos que mataste quantos viram tuas faces? Saíram deste mundo, sem conhecer seu executor, sabendo apenas se tratar de um rato escaramuçador.
Não que eu tenha sentido medo alguma vez antes disso, mas em minhas andanças aprendi que nunca se mostra medo a um oponente.
- O cajado foi feito para derrotar a espada. - Disse eu, tentando aparentar confiança.
- Não a minha.- Sua confiança, claramente, suplantaria qualquer coisa que eu tentasse simular.
Começou a atacar-me, logo eu estava só me defendendo. Levou ao alto sua espada, em planos de desferir um golpe de misericórdia. Mas essa foi a minha chance, preparei-me para usar um de meus golpes mais simples. Quando a espada desceu, defendi-me com o cajado enclinado, desviando o golpe, então girei minha arma à frente, acertando suas mãos e arremessando a espada à distância. A risada que estava se preparando em minha boca foi freada, punho maciço venho de encontro a mim e, bem, não posso mais me vangloriar de ter todos os dentes na boca... Fiquei mais atento, mas ele estava muito próximo para que eu pudesse atacá-lo e o cajado, inútil na hora, acabei deixando cair. Estava avançando em direção a mim, socos que derrubariam paredes, com olhos mais ameaçadores que aqueles de um leão.
Em cada esquiva senti a proximidade da morte, muito sangue escorrendo de meu semblante, subitamente eu não pensava mais em como derrotá-lo, mas sim em como sobreviver. Consegui distanciar-me um pouco, ele virou e moveu-se bruscamente em direção a espada. Era minha chance, minha única e última chance: corri, as mãos sobre meus ferimentos na tentativa de não deixar uma trilha sangue, pela qual a morte poderia vir a me seguir.
Aliviei o desgosto da derrota tirando a vida de seis homens naquele povoado. O mais robusto, de feições mais rígidas, provavelmente um lenhador, serviu-me com sua cabeça, que levei até meu cliente. Vendi falsa esperança, um tempo de sossego a alguém que provavelmente terá seu fim pelo mesmo guerreiro que quase trouxe o meu, não que eu me importe.
Recebi minha recompensa e fui procurar trabalhos em outras terras, mas nunca me esqueci daquele dia.
Naquele dia renasci. O homem que promoveu mortes em todos os caminhos que percorreu, quase teve a sua própria. Um amante da morte esteve a temê-la. O aterrorizador experimentou o medo.
Quase ampliei a minha perspectiva da morte,
“Conan da Ciméria, formidável guerreiro que, com olhos sombrios e mãos sempre prontas a empunhar uma espada, humilhou sob seus pés os tronos da terra, sobre quem as tribos Kushitas cantaram inúmeras lendas.”
(Texto baseado nas “Crônicas da Nemédia” e nos filmes “Conan, O Bárbaro” e “Conan, O Destruidor”. )
Escrito por Jorge Jonas Jankus
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