Olá, amigos. Este é um tópico de aquecimento para outro, mais elaborado, que escreverei baseado em textos do livro "Complicações", de um cirurgião nova-iorquino chamado Atul Gawande. Assim sendo, todas as ideias aqui abordadas foram retiradas eprecipitadas pelas discussões feitas pelo mesmo autor - créditos a ele!
O tópico será bem simplório, de fácil leitura e sem grandes enrolações. Também, não vou me ater a detalhes numéricos, como exatidões de porcentagens ou coisas do tipo - os dados aqui contidos são aproximações e não devem ser tomados como verdades absolutas.
TODOS os nomes aqui contidos são fictícios.
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Uma breve história a ser lida como introdução...
Carlos Wipple era um ortopedista de cerca de 55 anos, com grande experiência profissional. Era extremamente respeitado e trabalhava em um hospital muito renomado, de modo que toda a equipe de sua especialidade (e, também, de outras) respeitavam-no. Sem dúvida, fora, durante os vinte e cinco anos que exerceu a arte de lidar com ossos, um exemplo a ser seguido.
Nos últimos quatro anos, entretanto, Wipple mostrou problemas a tornarem-se motivo de preocupação. Por exemplo, em certa ocasião atendeu a um telefonema de sua secretária que o informara que uma de suas pacientes, Srta. K., uma moça de trinta anos, estava com sinais que sugeriam fortemente uma infecção em uma cirurgia que ele realizara em seu ombro esquerdo há uma semana atrás. Wipple sabia exatamente o que deveria ser feito: deveria largar todos seus afazeres e ir ver a paciente em questão; porém, sabe-se lá por qual motivos, orientou a secretária a narcar uma consulta para a paciente no dia seguinte, pois ele estava "muito ocupado"com seu ambulatório. O desfecho foi trágico e erros deste e de outros tipos repetiram-se diversas vezes.
Dr. Carlos foi afastado anos depois de seu serviço, após ser diagnosticado com depressão maior. Foi impedido de exercer a profissão e atualmente trata-se em um serviço de psiquiatria voltado à reabilitação profissional. No caminho até conheçer seu psiquiatra, porém, deparou-se com outros tantos colegas médicos também em tratamento, todos com histórias parecidas com a sua. O que os levou a este fim, entretanto, não ficou bem esclarecido...
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A história foi adulterada, mas ela é parcialmente verídica. O médico em questão não se chama Carlos, mas ele de fato existiu. O intrigante, todavida, é o número de profissionais que seguem o mau exemplo do nosso protagonista, mesmo que involuntariamente. E aqui entra o inuito do tópico.
Cerca de 5-10% da população sofre de algum transtorno mental - de depressão a esquizofrenia. Ao adentrar na faculdade de medicina, ciência dos cuidados da saúde alheia, de amparo ao sofrimento e de acolhimento à vida, era mínimo a realização de um exame de sanidade mental durante o ingresso na graduação e ciclicamente após formado, durante o período de exercício da profissão. Não? Assustador é o grande data de doutores que desvirtuam-se e, sabe-se lá por que diabos, acabam indo, após um tempo, de um extremo para o outro - passam a ser médicos ruins, que causam danos aos pacientes, muitas vezes irreparáveis. Tal observação independe de como atuavam antes do agravante - médicos excelentes podem virar horríveis depois de um tempo, desde que estejam "psiquicamente precipitados" para tal.
Como se não bastasse tamanha injúria, o tempo médio para o diagnóstico e tomada de conduta (afastamento do profissional que está causando males do cargo) é, nada mais, nada menos, que SEIS anos. Tal absurdo tempo, mesmo sem perdão, pode ser explicado pelos seguintes fatos: (1) aqueles que mais notam os agravos pelo médico causados são os por ele mais submissos (residentes, acadêmicos, enfermeiros e técnicos); (2) as mudanças nos comportamentos do afetado são cíclicas e graduais, o que acabam por mascarar o desvio de conduta, criando crenças de que "é só uma fase", ou "no fundo ele é bom médico", ou "ele vai consertar o erro", e, até mesmo, apesar de pisadas na bola visíveis até para leigos, "ele deve saber o que está fazendo, afinal, tem muita experiência".
Quem sabe um check-up regular, por parte de órgãos responsáveis, não evitaria que doutores como Wipple ficassem a solta por aí, já que as denúncias demoram tanto para serem feitas (média de 6 anos, como vimos)?
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Enfim, o tópico é filosófico e de cunho dissertativo. Penso que o intuito seria a leitura e debate sobre o assunto. O que acham sobre o fato de profissionais da saúde estarem sujeitos a sofrerem uma "reviravolta" na vida e, seja lá po qual motivo, tornarem-se maus médicos (por exemplo, por começarem a sofrer de depressão)? Não deveria haver algum modo de rastreio para tal perigo?
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