Já estava previsto que tal acontecimento chegaria, mas não tão cedo. Já era tarde da noite quando Gune terminava de escrever um pergaminho. Ele percebeu que a noite estava muito tranquila. Os anões, por mais ranzinzas e grosseiros que sejam, são bastante pacientes, e esperam algum tipo de sinal para agir. Mas Gune sabia que algo estava acontecendo. Enrolou o pergaminho e o guardou em um recipiente de pergaminho de madeira mogno, ao quais os anões chamam de escondeiro. Juntou o escondeiro aos outros que jazia em uma bolsa grande de pele de urso e apanhou a adaga. Entrou dentro do armário e se escondeu, esperando algo que, em seu intuito, estava se aproximando.
Do lado de fora, os dois guardas anões estavam de armadura e segurando cada qual seu machado, que de tão grande e pesado, tinha que ser manejado com as duas mãos.
- Ei, Dom? Essa noite vou pedir minha mulher em casamento.
- Hum. Fico feliz por isso.
Aquela conversa foi abalada por um som que vinha de dentro do bosque. Ambos os guardas ficaram em posição de defesa, mas nada veio de imediato. De repente, dois olhos esverdeados brotam da escuridão. Ao se aproximar da luz, os dois anãos ficaram surpresos. Era outro anão, mas de aparência jovial. Aproximou-se dos dois guardas.
- Olá, caros amigos. – Tentou dialogar o estranho anão.
- Como devo tratá-lo?
- Não possuo nomes, nem apelidos. Possuo apenas números.
- Não entendi. – Perguntou o outro guarda.
- Número. Mas não importa... Ele vai mudar mesmo...
Dito isso, aquele anão abriu um sorriso, mostrando seus dentes afiados. Um dos guardas tentou atacar, mas foi arremessado contra a porta da casa. O outro foi para cima, tentar liquidá-lo.
De dentro do armário, Gune ficou assustado. Ouvia gritos e barulho de lâminas, e o pior, tudo isso acabou rápido demais. Ouviu a porta da frente se abrir, rangendo, e um som sinistro de assovio. Pela fresta do armário ele viu um anão ensanguentado (provavelmente não era dele o sangue), com uma enorme boca, munida de dentes como um demônio. Aquele “anão” começou a falar.
- Ora, ora, ora. Não me faça perder a paciência. Sinto seu cheiro repugnante de barba mal lavada. Você sabe o que quero, e não é aumentar meu numero. Basta sair de onde está, e dá-lo para mim.
Gune não levou a sério a proposta. Quis ficar onde está. Infelizmente, não havia mesmo lavado a barba, e o cheio o denunciava. Ele sabia que tinha que sair daquele armário. Esperou o anão chegar mais perto do armário, até que, quando se aproximou, o anão sentiu o cheiro e chegou perto de mais do armário. Com rapidez, Gune abriu a porta com brutalidade, acertando o anão. Com o anão atordoado pelo golpe, Gune pegou a adaga e espetou logo abaixo do queixo daquela criatura e saiu correndo. Saiu pra fora da casa e assoviou. Logo viu um cachorro marrom, grande porte, de cara enrugada, se aproximar em alta velocidade. Gune logo saltou pra cima do grande cão.
- Avante, Lung. O mais rápido que puder.
Quando o anão se recuperou, arrancou a adaga como se fosse um espinho qualquer. Apenas observou já do lado de fora da casa o velho anão se afastar em cima de um cachorro. A criatura começou a rir. Um riso melancólico, que veio acompanhado de uns gemidos.
- Ainda nos veremos, escritor.
✍ O ESCRITOR DE PERGAMINHOS
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☞ PERGAMINHO 1
• Capítulo 1
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