Bah, apesar de ninguem ter comentado, vou postar esse capitulo msm assim...

CAPITULO 1: MORTOS NÃO CHORAM

Minha casa, 09:00 AM
Corri pra cama, me enfiei debaixo das cobertas, e esperei o pior chegar. Mas ele não chegou, e eu acabei caindo no sono.Dormir foi a melhor coisa que tinha me acontecido em todos aqueles dias, esqueci completamente de tudo. Acordei com um barulho insuportavel de sirenes. Olhei pela janela e vi que lá fora, no nosso jardim coberto de neve, estava estacionada uma viatura da polícia. Pensando no que devia ter acontecido,sai do meu quarto e fui em direção da escada. No corredor, tive a nítida impressão de que uma sombra cruzou por mim, mas não dei muita importância no momento. Porém, na medida em que descia a escada circular, sentia o ar ficar mais pesado. Quando entrei na cozinha, vi um rastro de sangue sair da pia e ir em direção a sala. Mesmo aterrorizado, segui o rastro, e quando cheguei na sala, vi um policial fazendo anotações diante do corpo dos meus pais, enforcados. Não existem palavras nesse mundo pra descrever o que eu senti no momento: um misto de tristeza, raiva, nojo. Eles estavam pendurados por correntes no ventilador de teto, havia muito sangue em toda a sala, e escrito na parede com letras guturais, havia um sinistro "Venha me pegar". O policial falou, sem olhar diretamente pra mim:
-Você é Daniel Medeiros, certo?
-Sim, sou eu - disse, ainda me situando a aquele ambiente tenebroso
-O que tem a dizer sobre isso, Daniel? - ele continuava fazendo anotações.
-Na-nada, eu estou surpreso - disse, quase gaguejando - Estava dormindo até agora, e quando acordei, vi isso.
-Não é possível que você tenha dormido esse tempo todo. Há claros sinais de reação a agressão nos corpos, e até um tiro foi disparado - Ele finalmente olhou para mim - Você vem na delegacia comigo,certo?
-Tudo bem - eu disse, ainda não conseguindo pensar direito...

Departamento de Policia, 10:30 AM
Eu havia sido levado a uma sala nos fundos do escritório do Delegado. O guarda (cujo nome descobri ser Ricardo) me fez algumas perguntas por algum tempo, até finalmente se dar por vencido:
-Olha, eu vou ali na sala de datilografia computar isso que você me respondeu... Fique esperando aqui, e não tente sair, lembre-se, quem não deve não teme, e a suspeita em você não foi descartada- ele disse.
-Pode deixar, não vou sair daqui - respondi, distraído.
Ricardo saiu e eu olhei melhor ao meu redor. Do lado do sofá em que eu estava sentado haviam duas prateleiras cheias de romances policiais e relatórios inacabados. Uma mesinha velha e em péssimo estado de conservação estava encostada em um lado da parede, e pela porta meio aberta eu conseguia ver um bebedouro no corredor. Esperei pacientemente por 20 minutos, mas já estava começando a ficar cansado. Um vento frio estava soprando, e as luzes começaram a fraquejar por um instante.. Eu estava ficando inquieto,e isso só me deixava com sede. Então eu levantei lentamente e fui até o bebedouro, no corredor. Olhei para os lados e não ouvi nem vi nada, apenas o zumbido do silêncio absoluto me fazia companha. Peguei o copo e apertei o botão de "Agua Natural", mas nada aconteceu. Apertei mais uma vez, vi uma bolha dentro da garrafa d'agua, mas nada de agua no copo. Impaciente, segurei o botão. Um barulho estranho, como se fosse um grito bem abafado, soou bem fraquinho, e começou a gotejar sangue dentro do meu copo. Larguei o copo ali mesmo e olhei para os lados: Segundo os meus calculos deveriam ser mais ou menos 12:00 horas, mas estava absurdamente escuro ali dentro. Começei a me apavorar e decidi que não ia esperar o Oficial Ricardo voltar, segui na direção do corredor que ia para a saída...