CAPÍTULO 1 – ISSO É UM AVISO


Com um pouco de esforço, Michael levantou-se. Não sabia onde estava e nem por quanto tempo, mas não entendeu a atmosfera quente que o envolvia. Com certeza, não estava mais no atlântico norte. O ambiente onde estava era vagamente aquecido por uma lareira a oeste na sala quadrangular pequena. Havia uma cama, um criado-mudo, e a lareira. Só. Jogadas no chão estavam algumas anotações. Michael sentou-se na cama, tentando se lembrar o que acontecera. Foi quando um bipe soou, próximo da porta trancada do cubo. Michael levantou-se e acionou o sistema. A voz que ouvia era gélida, sem vida, metálica.

- Olá, Michael. Durante todos esses anos, você e seu pai viveram em pró de apenas uma coisa: destruir nossas raízes. Você está agora em uma base militar. Onde, não interessa. Há um uniforme na gaveta do criado-mudo. Sugiro que o vista. Você receberá uma visita em breve – um clique determinou o final da mensagem.

Trêmulo, Michael caminhou vagarosamente até o criado-mudo citado pela voz. Quando abriu, sentiu uma repulsa e uma grande revirada no estômago. O símbolo da suástica brilhava intermitente, num círculo branco dentro de um quadrado vermelho, num uniforme acinzentado.

* * *

O helicóptero sobrevoava um campo desértico da Alemanha. O mais moreno dos agentes não entendeu o porquê do Führer ter exigido uma mudança de planos tão drasticamente. Com dificuldade, Clark, o agente caucasiano, rolou o corpo até a base da porta. Estavam a aproximadamente mil e duzentos pés de altitude. O rádio do helicóptero só transmitia estática, o que preocupava Johnson, o outro agente, que o pilotava.

- Bote logo essa maldita porcaria para fora, Clark! Que inferno!
- Eu... eu estou pronto, Johnson. Posso jogá-lo?

Johnson deu uma rápida olhada por cima do ombro, incrédulo na emoção que Clark demonstrava.

- Ande logo! Parece uma garota, veja só!

Com uma expressão indescritível, Clark rolou o corpo de George para fora do helicóptero. O professor, morto, sumiu no meio das nuvens que pairavam sob a aeronave.

* * *

Relutantemente, Michael estava fardado como um nazista. Não tinha opção. Era jovem, aproximadamente 25 anos, não mais que isso. O rosto levemente queimado, devido a diversos experimentos no laboratório. Era o mais jovem cientista da Analítica, uma empresa forte e de grande relevância na Europa. Era alto, cabelos ruivos, sardas no rosto. Atraente, diga-se de passagem. Aguardava atentamente. Você receberá uma visita em breve, as palavras do bipe ainda soavam em sua mente. Foi quando um estrondo inexplicável irrompeu do telhado. Michael lançou as mãos sobre a cabeça, tentando proteger-se das telhas e do forro de madeira que rompera ao meio e estava cedendo. Não sabia o que havia feito aquilo, mas começou a vasculhar entre os escombros, preocupado com uma possível bomba ou qualquer coisa do tipo.

- MAS QUE INFERNO!

Remexeu durante poucos minutos quando sentiu um pedaço de madeira mais maleável. Era um braço, na verdade. Puxou-o de leve, e o que viu causou-lhe náusea inexplicável. Era um homem. Era um cientista. George Jeric.

- P... Pai! PAI! O QUE FOI QUE... – antes que pudesse terminar, o bipe soou novamente. Michael levantou-se com velocidade e enfiou o dedo no botão.
- Olá novamente, Michael. Espero que goste do presente que lhe reservei. Eu não sabia que cientistas voavam, mas, ultimamente, eu ando revendo minhas crenças. É complicado pensar que seres humanos caem assim do céu.
- CANALHA – o rosto de Michael encheu-se de fúria diante do sarcasmo da voz -, COMO PÔDE?
- Ah, meu jovem – o homem divertia-se, rindo -, não se exalte. A sua hora chegará em breve. Eu apenas quis mostrar-lhe um pouco do sofrimento antes de matá-lo.
- POR QUE? MALDITO, EXPLIQUE-ME O PORQUÊ!
- Michael, Michael – o homem estava agora sério -, você sabe que os seus experimentos estão revirando a cabeça do mundo todo, meu jovem. Sugiro que examine o abdômen de seu pai. Pode ser a última vez que o vê – o clique conhecido assentiu com o final da transmissão.

Trêmulo, novamente, Michael chegou ao corpo. Em meio aos escombros, e fardado de nazista, ele retirou a roupa pesada do pai. Sentiu a cabeça tontear quando viu a inscrição marcada a fogo no homem.

- HAIL HITLER

Do telhado, um homem, com uma máquina fotográfica, registrou o momento. O Führer é inteligente demais. Pelo amor dos deuses!