CAPÍTULO 10 - TEMA O PODEROSO INCUBO, CAPITÃO!
Melchior e Tibianus III se encaravam, olho a olho, sem deixar na batalha escapar um detalhe sequer, sabendo que seria nestas condições que ela iria ser decidida. Melchior mantinha uma expressão branda, tranqüila, apesar da batalha épica e envolvente, a qual estava lutando. Do lado oposto, Tibianus III não sabia onde pôr a própria cara. Naquele instante, caía por terra tudo que o elegera o maior mago do continente. Nunca imaginou que alguém pudesse o alcançar, ou pior, o ultrapassar em termos de poder e técnica. Ele sabia que Melchior estava muito mais forte, porque ele mesmo tinha conhecimento das regras do Incubo. Cada minuto corresponde a um ano para uma alma, quando ela está no poder do Incubo! Eu deveria ter pensado nisso! Melchior estava sendo o mais inteligente possível. Utilizava as regras do Incubo como sua própria fonte de energia, tornando-o ainda mais poderoso que o Rei.
- Lamentável, não é, Tibianus? Eu estou utilizando de uma técnica rara. Tão rara que levei mil quatrocentos e quarenta anos para aprendê-la.
- Eu não pude imaginar que aquele desgraçado o daria novamente sua alma.
- E eu, não podia imaginar que você colocaria toda Tibia em cheque, por causa de uma Feira de Décadas, Tibianus.
Enquanto conversavam, ambos lançavam fracas magias um no outro, tentando esgotar de seu adversário cada vez mais energia. Melchior estava alcançando seu objetivo, mas TIbianus estava longe disso. O Rei não aguentava mais o embate, e com seu Castelo destruído, e sua última esperança de trazer sua esposa de volta dentre os mortos abalada, o Rei perdera totalmente sua vontade de lutar. Melchior era o maior inimigo de Tibianus nas terras do continente, e seu maior inimigo o havia superado através de sua própria invocação, o Incubo.
- Não se preocupe, Tibianus - Melchior lançava uma nova magia sobre o Rei, subindo graduadamente sua força a cada novo lançamento -, neste momento, Svan já deve estar destruindo o Incubo. Não há mais um porquê de continuarmos lutando, velho. Todos os motivos pelos quais nós nos envolvemos nesse embate caíram por terra há um bom tempo desta noite, Rei.
Perdoe-me, Cecillia. Eu falhei.
Mas, mostrando-se novamente um covarde, Tibianus usou de uma das magias proibidas do continente. Sussurrou algo realmente baixo e lançou contra Melchior, que desacordou.
***
- Tema o poderoso Incubo, Capitão!
- Jamais. Sua aparência fantasmagórica não me ameaça, desgraçado. E onde está a minha luta? Estou esperando.
Svan estava em pé, de frente para os quatro braços abertos do demônio. Com a espada empunhada na mão direita, e o escudo em modo defensivo na esquerda, o Capitão permanecia ileso, e já havia desviado de muitos dos possíveis golpes letais do Incubo. Não estava mais tão preocupado com o combate. Só se preocupava no modo de destruir um demônio imortal. Tinha de encontrar depressa um modo de fazê-lo, sem que sofresse qualquer dano e sem dar ao Incubo uma nova chance de reação. Com um golpe rápido, Svan concretizou uma tentativa frustrada: a espada penetrou no peito do adversário, mas não foi o suficiente para inflingí-lo qualquer dano. Numa segunda tentativa, Svan o fez na cabeça. Nada aconteceu. Mas que merda é essa?
- Ah, cavaleiro. Certamente, utilizando da força você não me vencerá, seu fraco.
- Eu vou utilizar mais do que a força aqui hoje, seu verme - Svan golpeou num dos braços, frustrada e decepcionantemente, mais uma vez.
- Já lhe disse, Capitão. Não adianta tentar usar a força.
Então, um dos golpes do Incubo surtiu efeito. Svan foi golpeado com violência no rosto, e sentiu seu corpo ser carregado pelo ar. Sem poder reagir, ele acertou violentamente com as costas numa das paredes da gruta, caindo no chão com muitas dores. O Incubo já estava de pé à sua frente, e chutava-lhe suavemente o estômago, como quem quisesse apenas causar um desconforto e não morte.
- Onde está toda sua bravura, Svan?
- Está aqui.
Svan cravou a espada exatamente entre as pernas do Incubo, que contorceu as mesmas. Percebendo que havia causado-lhe dor, Svan retirou a espada e cravou-na no mesmo lugar, com mais violência. O Incubo caiu no chão e passou a contorcer-se de dor, enquanto o Capitão correu para o lado oposto na gruta tentando ganhar tempo. Havia uma enorme esfera de energia no fundo da gruta, que crescia vagarosamente. Era avermelhada, e tinha cerca de quatro metros de altura e alguns tantos outros de comprimento. Avermelhada, como sangue. Aterrorizante, como o Incubo.
- VOLTE AQUI, DESGRAÇADO!
- Você vai precisar muito mais do que força, desgraçado - Svan caçoava.
Um golpe forte do Incubo fez com que o mesmo interrasse o braço direito na parede, devido à ágil esquiva do Capitão. Svan fez novamente a espada penetrar por entre as pernas do demônio, causando-lhe dor inexplicável. Mas recebeu um soco de um dos quatro braços como contra-ataque, fazendo com que batesse novamente violentamente contra a parede. Este segundo golpe fez com que ele oscilasse um pouco, na tentativa de levantar-se. O outro estava visivelmente furioso, pensando numa forma de acabar completamente com aquilo, antes que fosse tarde. O Capitão estava ganhando vantagem rapidamente.
- Acabou, Capitão. Esse negócio acaba por aqui, tá certo?
- Ainda não, verme.
***
Eloise corria freneticamente pelo centro de Thais. Tenho que chegar naquele castelo! Depois de fazer algumas curvas pela sinuosa cidade, chegou até a entrada do mesmo. Não havia mais pedra sobre pedra, ali. Entrou rapidamente entre os escombros e viu Tibianus pronto para matar Melchior, de frente para o velho, com as mãos estendidas. Não pensou duas vezes, estendeu suas mãos em direção do próprio irmão, com plena consciência do que faria.
- Mors omnia solvit*.
O corpo de Tibianus foi atingido por um feixe de luz negro, que o atravessou completamente. Enfim, a luta chegava ao fim. Ele estava morto. Com um pouco de dificuldade, o corpo delicado e provocante da Rainha carregava Melchior nas costas, na tentativa de o tirar dos escombros. Rapidamente, a Rainha já estava na avenida principal novamente, sendo vista com um pouco de desconfiança pelos cidadãos da cidade. Estes estranharam, Melchior estava sendo removido por ela, e o festival de luzes vindos do Castelo havia cessado. Entrou na embarcação para Carlin, acompanhada de Melchior, desacordado. O barco então partiu.
Svan, meu querido... volte logo!
***
- Do que é que você está falando, miserável?
Svan sorria suavemente, como quem já esperasse sua própria morte, mesmo sabendo que faria algo de útil para a humanidade.
- Eu encontrei, enfim, um modo de te destruir.
O demônio estava sorrindo, como quem encarasse aquilo como um blefe apenas.
- Essa esfera mágica... tudo que você tem recebido é através dela, Incubo. Logo, se ela for destruída, você irá para as profundezas junto a ela.
- Como é que é? - arregalou os olhos, observando com espanto para o Capitão. Sorrateiramente, agarrou-lhe pela gola da armadura e o arremessou contra a escadaria da sala, mantendo-o longe da tal esfera.
- Não vai adiantar. Vamos acabar logo com isso.
Svan, sereno, sabia que aquilo significaria sua própria morte. Mas era um risco que ele estava disposto a correr pelo continente. Sacou sua espada, e levantou-se com dificuldade. Estava de pé, a cabeça zonza, mas não deixava de manter-se de frente para seu alvo, o Incubo. Eloise... me perdoe. Não poderei voltar, dessa vez. Pelo menos, farei com que você continue vivendo neste continente, minha Rainha linda.
- O que vai fazer?
Levou o braço suavemente para trás, tentando dar propulsão à espada. O Incubo correu violentamente contra ele, para tentar evitar o inevitável. Svan arremessou a espada, o que fez com que o Incubo, voando, desse meia volta e a tentasse parar. Mas não houve como. A lâmina mágica e de brilho impecável da espada do cavaleiro penetrou bruscamente na esfera avermelhada, fazendo com que o demônio sangrasse, agora de verdade.
- Eu não... não acredito nisso! MALDITO CAPITÃO!
- Vitória limpa - Svan fez o sinal da Armada Inversa. O Incubo ficou perplexo com aquilo, e era este sentimento que o dava a sensação de morte, de destruição. Um demônio sentimental. Apenas um pensamento passava pela cabeça da aterrorizante criatura, no momento. Como pode ser tão frio?
O demônio começou a encher-se de ar, e Svan sabia que ele explodiria. Não há tempo para escapar. Sentou-se na escada, e aguardou pacientemente.
***
Em Darashia, Olk virou-se com tristeza para Mercy, que estava sentado à beira do rio.
- Mercy...
- Sim, Olk?
- O Incubo foi destruído.
Mercy levantou-se rapidamente e começou a festejar, mas o que ouviu em seguida o fez fraquejar.
- Svan foi junto.
***
Mors omnia solvit significa "A morte soluciona tudo", em latim. Língua morta, mas eu me interesso por ela. (:
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