Finalmente terminei o capítulo 1. Vou colocar aqui.
Capítulo 1
O cerco de Washington e o início de uma jornada
-Washington foi sitiada! Washington foi sitiada! – Gritava, desesperado, o mensageiro do xamã Umbath, líder de Montreal.
Apesar de longe do pequeno vilarejo, era um perigo. A capital humana estava prestes a sofrer a investida final ou simplesmente sucumbir perante a fome e a sede, pois era impossível enviar suprimentos. Após Washington seria apenas uma questão de tempo até que os orcs dominassem os humanos.
O reino preparava um exército na cidade de Windshield, a cidade que seria a última barreira contra os invasores. Os vilarejos restantes seriam fáceis.
Montreal, apesar de ser apenas uma pequena cidade na floresta, tinha uma importância estratégica imensurável. Estava perto da divisa com elfos e anões. E isso trazia medo para os habitantes, que colocaram suas ultimas esperanças no maligno feiticeiro que habitava a torre de pedra nas imediações do vilarejo.
E lá se reuniam três aventureiros, que a serviço do dono da torre, discutiam sobre um mapa, no qual havia um local marcado. Este lugar guardava um poderoso cajado que o feiticeiro precisava.
Os aventureiros eram três: Homac, um feiticeiro, Illidan e Kcarlitus, que eram dois guerreiros. Homac não sabia ao certo qual seria a utilidade do cajado para o habitante daquela estranha torre, já que um feiticeiro habilidoso o é com ou sem um cajado perdido. Tudo o que sabia é que devia valer muito dinheiro, e se realmente fosse de tal poder, poderia se tornar um grande nessa arte que é a magia.
E reunidos na torre discutiam sobre qual o caminho a seguir. A distância a percorrer era longa e dispunham de um tempo curto. Deveriam conseguir aquele cajado, não importasse os perigos que viessem a barrá-los. Não contavam com um curandeiro em meio a si, mas acreditavam que de alguma maneira os orcs seriam barrados. Talvez pela mão do feiticeiro da torre. Talvez pelas próprias.
Os aventureiros não se conheciam. Foram escolhidos por serem considerados os melhores de Montreal, apesar de fracos e inábeis. Talvez prodígios, que durante o caminho aprenderiam o suficiente para libertar a capital, ou apenas trazer o cajado com segurança.
Homac demonstrava desconfiança em relação aos seus parceiros. Kcarlitus fazia o mesmo, mas Illidan parecia confortável. O único que estava feliz e doido para “arrancar umas cabeças”.
Apesar da desconfiança de Homac, ao passar que falava e demonstrava suas idéias, Illidan ficava cada vez mais impressionado. “Idéias que eu nunca teria” pensava. O guerreiro não queria saber muito de planos, apesar de ter reparado que eram essenciais. Para ele uma jornada se baseia em combate. Um guerreiro sanguinário e feliz, vindo de família rica, nunca precisou estudar ou fazer a vida de alguma maneira. Apenas combater, pois era o que gostava de fazer.
Após definido um plano eles saiam da torre. Kcarlitus se assustou quando Homac se pos em pé. Tinha quase dois metros de altura e era muito magro. Com seu rosto os dois já estavam acostumados, um rosto totalmente preto e etéreo, com olhos amarelos e brilhantes. Usava uma luva de couro para esconder essa aparência nas mãos, e assim se sentia mais seguro ao empunhar uma lança ou um arco.
***
Assim que saíram da torre viram a floresta densa em que estavam. Apesar de o céu estar claro a visibilidade na floresta era baixa. Mas o vilarejo estava a apenas uma hora de viagem, e até lá foram.
Chegando no vilarejo precisavam comprar cantis e comida. Como eles foram os escolhidos para essa aventura longa e perigosa, Umbath rapidamente os forneceu os suprimentos necessários para quatro dias de viagem – tempo que os separava de Cardiff, cidade grande mais próxima – e um jumento que carregaria parte da carga.
Agradeceram o líder local e saíram em sua busca. Logo na saída da cidade encontraram uma menina, que ia até eles saltitando:
-Esperem! – gritava a menina – Esperem! É verdade que vocês são os aventureiros de Montreal?
Sabendo que agora isso não deveria mais ser de conhecimento alheio, Homac foi o mais rápido dos três e respondeu, em tom amigável:
-Não, o que te faz pensar que seríamos? Somos apenas comerciantes, e levamos nossa mercadoria nesse jumento. Precisamos chegar rapidamente a Cardiff para vender nossa comida, ou ela estragará antes que as pessoas possam desfrutá-la.
-Mas você é um feiticeiro. Olhe só para suas roupas! Sua cara! Nunca vi uma pessoa normal com essa aparência. Nem com olhos brilhantes! Eu sei que vocês são os aventureiros, eu sei, eu sei, eu sei!! – Gritava a menina, atraindo alguns olhares curiosos.
-Mas feiticeiros são comuns por aqui, e qual o problema em um feiticeiro ser um comerciante. Feiticeiros também precisam comer para viver! – Dizia Homac, já alterando o tom, assustando a garotinha.
-Sinto dizer-lhe Homac, mas feiticeiros não são tão comuns por esses vilarejos do oeste, são comuns apenas nas grandes cidades – Dizia Kcarlitus, contrariando o feiticeiro e o deixando irritado.
-Mas porque diz isso? – Homac já gritava, brigando, levando a pequena menina a prantos.
-Parem os dois! – Illidan falou – Menina, pegue essa moeda aqui, e vá comprar algo para você. Mas apenas te digo uma coisa. Não somos os aventureiros, apenas viajamos para sobreviver. Viajamos, caçamos e vendemos. É isso que fazemos. – Termina o guerreiro em tom amigável, surpreso com si mesmo pela idéia que acabava de ter.
E a menina volta feliz para dentro da alta cerca de madeira que delimitava o território do pacato vilarejo, único local da floresta que não era coberto por árvores. Era um simples círculo completamente desmatado, com pequenas casas de madeira, uma taverna e uma capela. Possuía uma casa um pouco maior, que era a casa de Umbath, o líder do local.
***
Saindo do local, havia um pequeno espaço desmatado e uma trilha, que em poucos metros adentrava novamente a densa floresta. Mesmo durante o dia o local era escuro. Caminharam pela trilha até que a visibilidade se tornasse opaca, e caminharam algo em torno de uma hora para dentro da mata fechada. Lá amarraram o jumento em uma árvore e dormiram.
Durante a madrugada,Homac e Illidan escutam um barulho e acordam. Rapidamente, antes de qualquer coisa acordam Kcarlitus, que pergunta o que está acontecendo, mas um fato já o esclarece rapidamente. Uma flecha passa ao lado do pescoço de Homac, não o atingindo por pouco. Illidan, sem armadura, pega apenas seu escudo e sua espada, Homac, recuperado do susto, para ao lado de uma árvore, na qual Kcarlitus sobe para observar. Não vendo nada, desce, e mais uma flecha é atirada. Só é ouvido um grito de dor de Homac e o som de sua queda nas folhas. Estava aparentemente desmaiado. Illidan, de costas para o corpo do feiticeiro coloca o escudo em sua frente e Kcarlitus protege sua lateral.
E assim ficaram por alguns minutos, tempo em que não se podia escutar nada além do barulho do vento balançando algumas folhas. Então se escutaram alguns passos, e logo após Homac gritando:
- AQUII!
Quando viraram para Homac ele estava segurando o ladrão, que estava com um mapa na mão. O mapa do cajado.
Illidan correu até o assassino, enquanto Kcarlitus atirava sua besta e acertava o braço do estranho na região do cotovelo. Logo após Illidan o golpeia com sua grande espada bastarda o derrubando no chão. Homac, com a flecha ainda em seu braço levanta e Kcarlitus aplica o golpe final: Uma facada no peito do bandido.
“Se fingiu de morto hein? Ótimo ator” pensou Kcarlitus. E no mesmo instante Illidan perguntava:
-Como se recuperou tão rápido Homac? Como?
Homac fingiu que não escutou a pergunta e voltou a dormir, pois tinham mais oito horas para avançar no próximo dia.