Gosto Musical e Suas Vertentes
Não é necessário nem um ouvido aguçado, muito menos denominar-se alguém culto e entendido sobre determinado assunto, no caso um em específico: Música.
Como podemos classificar, ou melhor, dizendo, impor uma hierarquia em que envolve o entendimento pessoal sobre este tema? Julgar alguém como um desentendido sobre uma escolha, uma sensação única sobre esta arte que expõe a combinação de sons junto com a composição, uma poesia? A pergunta é simples: O que é o gosto musical?
Somos divididos não só pela classe, pela etnia. Julgamos-nos únicos a partir de que temos escolha e opções sobre as diversidades em nosso ambiente. Costumamos não acreditar que somos influenciados sobre nossas escolhas, mas isso tem um erro. Convivemos com inúmeras pessoas, amigos, locais diferenciados, ou seja, tudo fica interligado. Essas decisões entram a partir de que juntamos toda essa convivência e vivenciando todo esse trajeto que percorremos, acabamos tomando nossas decisões adotando-as como próprias, opções escolhidas que na verdade nem notamos que foi necessário absorver todo esse tempo vagando para que elas penetrassem na mente e influenciasse diretamente na escolha.
Na música, notamos a rejeição das diferenças em um simples debate com um amigo sobre sua banda preferida, no gosto do tio barrigudo na frente do bar ouvindo um sucesso de tempos, e que não diferencia na sensação que ambos sentem, porém apenas estilos diferenciados. A nostalgia, ou emoção que a melodia passará para ambos, tanto para o tio com seus sertanejos, quanto para o jovem gótico com seus “trash metal” será as mesmas. Mesmo assim, rejeitamos a opção de ambos. Rotulando cada um como se fossemos dotados de sabedoria por não ser ‘aquele’ sujeito. Isso não cabe só a música, se enquadra levemente no desejo absoluto do ser humano querer ser ‘diferente’.
O gosto musical visado de outra forma retrata a situação socioeconômica de cada cidadão também. Podem ser separadas essas opções pela vida que ambas as partes levam, citando diretamente as classes: Um sujeito que vem de uma família de baixa-renda, onde seu lar, seus amigos, todo ambiente em que convive retrata o cenário rejeitado, um lado ‘esquecido’ do país, onde seu ensino, suas fontes de informações e suas influências são de um modo, visto de uma forma negativa. Esse sujeito aprenderá a gostar de um estilo de música de acordo com seu ambiente. A baixa-renda que seus colegas, sua vizinhança possui, os levam a gostar de um determinado tipo de música, envolvendo instrumentos populares, hits conhecidos e marcantes, propriamente notados com as condições de local. Podemos citar como ritmos o pagode, samba, axé, sertanejo, em que esses próprios ritmos citados, retratam em suas músicas esse cenário pobre e parte de uma história, o cotidiano.
Já pessoas de classe-alta, tomam suas decisões diferenciando do pobre em seu ambiente também. Suas condições financeiras fornecem uma diversidade de escolhas, cabendo ao sujeito absorver do que mais lhe agradar.
Até na questão histórica, podemos citar o Samba e o Jazz. Ritmos que vieram dos negros, dos africanos, na época, escravos. O mercado de escravos separando famílias de seu lar, indo trabalhar para senhores em outros continentes, logo ai, envolvendo já a questão econômica. As condições na América do norte, melhores do que na América do sul pode ser vista como influência para a divulgação de um estilo, um ritmo de acordo com o capital do país. Assim, surge um movimento cultural em uma parte do mundo, como a ‘umbigada’ por exemplo, mais conhecido como o samba. No samba, após os serviços prestados para seus senhores, os negros tinham seus momentos de lazer, a diversão era no batuque de corpos, objetos criados como tambores de madeira oca e pele de animais. As opções não eram muitas, mas envolve o improviso assim como o Jazz também. No Jazz, utilizados instrumentos sofisticados, tendo como base desses instrumentos os próprios tambores e sobras de ossadas de animais, e deles mesmos, a aproximação ao som dos animais. Assim surge a partir da batucada dos escravos, o desenvolvimento de instrumentos como a bateria, o trompete que vem do som dos elefantes, a flauta que emite um assovio como de um pássaro, entre muitos outros. A riqueza do país influenciando na cultura, florescendo a criatividade do homem para inventar peças genuínas e não só utilizá-las para si, mas comercializá-las também. Formado por violonistas, pianistas, trompetistas, saxofonistas e baterista, necessário apenas soar a nota base e seguir as escalas em um acorde, ou em um solo esplêndido, juntamente com o improviso é o ingrediente de um bom som de Jazz.
Agora se fosse o contrário em relação as economia de cada país? Se ambos tivessem riquezas igualadas seria possível crer que o surgimento e um movimento artístico em ambos locais seriam os mesmos? Longe de se aceitar uma teoria assim, mas não deixa de ser uma hipótese.
E o gosto musical fica interligado a isso, onde surge até as fusões que pode ser analisada como uma forma de enriquecer as decisões futuras de cada grupo social. O surgimento da Bossa Nova, já ligando o swing do samba com a suavidade do jazz, gera um imperceptível impacto nas junções das classes também. Um apreciador de jazz, que gosta de bossa nova não pode negar o samba. Até pode, claro, mas parcialmente ele o aprecia. Assim como o apreciador de samba, um folião admirador da batucada, apreciando a Bossa Nova ele tem uma leve noção do som do jazz. Ainda assim, os gostos são discutidos.
Conversas longas sobre nosso estilo, o som que gostamos, influenciando numa roupa que usamos no penteado e na forma de falar. Julgamos um amigo pelo seu estilo, não admitimos ser julgados por achar ‘melhor’ em algo que não é verdade. A música aplica essa dose de emoção, juntamente com um desejo vago que entra em nosso sentimento com uma sensação boa, ruim, nos afeta e aceitamos a mesma como um time de futebol que defendemos com unhas e dentes.
Música simplesmente se relaciona com as nossas decisões e escolhas gerando essa divisão de ‘igualdade’. Somos diferentes nas opções, nos conceitos, nos ideais, rejeitando de uma forma notável, mas absorvendo toda essa união e “igualdade subliminar” a partir da junção dessas culturas, ligando os povos. Não existe música melhor, melodia ruim. A partir de que um acorde emitido gera uma sensação boa em quem aprecia, essa pessoa tem o direito de defender e adotar para si o quão bem a música entrou em sua vida, e com essa música, o conflito dos gostos diferenciados ficará visível assim que as discussões forem sobre a mesma. Mas sempre estaremos concordando que aquela mistura de ritmos com uma batida que um gostou, e um solo que o outro delira, assim apreciando junto à diferença e se igualando nas decisões tomadas. Enfim, por mais que sejamos diferentes, nosso mundo nos liga através de nossas próprias invenções e não podemos discordar de tudo como se fossemos únicos, nos dividindo por classe, cor. Somos conectados por outros meios, e a música tem seu papel nessa união. Só cabe a nós conviver com a diferença e compartilhar do mesmo gosto.
Hugo Cesar
Qual a sua opinião sobre seu gosto musical? Como você defende o som que escuta? Porque sua banda é 'melhor' do que outras em algo? Diga ai!
Fonte: www.conteudoaberto.com
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mas o gosto musical de outros é diferente...
