Lol...

Pequeno conto, me digam o que acham. E onde posso melhorar.

Pequeno Herói

Como um paladino, o garoto de silhueta redonda pulou de forma desajeitada no caminho entre os agressores e a jovem donzela. O rosto redondo de pele clara estava decorado com um óculos de lentes grossas e cantos remendados com fita adesiva. Através de suas expressões era possível perceber que o menino estava em um estado de fúria, embora o resultado final fosse mais engraçado do que ameaçador.

Um herói não escolhe o local muito menos o momento em que precisam de sua ajuda. Mas naquela ocasião o destino havia conspirado ao seu favor. O desprezível bando de malfeitores havia encurralado uma pobre donzela justamente no pátio principal, no centro da escola, e justamente durante o recreio. Assim, quando a vitória fosse alcançada, ele seria alçado a uma posição social de respeito naquela nobre instituição escolar.

O contraste estava presente naquela cena: o medo no rosto da vítima, a raiva no rosto do herói e o deboche no rosto dos vilões. Vilões. Os três, ameaçaram. Avançaram, recuaram e avançaram. Ele então fechou os olhos, fez uma prece silenciosa a todos os deuses benignos, fechou o punho e com toda forço de seu corpo, atingiu o líder dos malfeitores no meio do peito. Um movimento bonito, sem dúvida, porém, não muito eficaz. O ar de deboche continuava. E continuo quando os dois capangas atiraram-no ao chão e juntamente com seu chefe o espancaram impiedosamente.

O reforço chegou. Um adulto, um inspetor de pátio. O livrou da desvantajosa posição e prendeu seus agressores.

- Parem com isso agora! Vou levar vocês três para a diretoria. Você também Celso. – Disse o inspetor apontando para o garoto que se encontrava em posição fetal no chão.

O sino tocou. Lentamente a multidão ao seu redor se desfazia. Sentou-se no chão com a cabeça baixa. Embora a donzela estivesse ilesa, ele havia falhado em sua missão. Uma mão tocou seu ombro, delicada, suave, cheirosa.

- Obrigada. Sabe, por me ajudar. – A voz era delicada, praticamente angelical.
- Mas eu não fiz nada. – Disse com a voz trêmula.
- Pelo menos você tentou. Eu me chamo Ana. Qual o seu nome?
- Celso, prazer.

Levantou-se. Seguiram para suas salas, juntos até onde puderam. Despediram-se, com a promessa de se verem novamente.
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Jotinha