ESTA É UMA HISTÓRIA DE TERROR, E LIDA COM TEMAS CONSIDERADOS INAPROPRIADOS PARA PESSOAS IMATURAS. SE DESEJA PROSSEGUIR COM A LEITURA, SAIBA QUE ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO E NÃO FAZ APOLOGIA A QUALQUER UM DOS FATOS AQUI NARRADOS, NEM POSSUI APROXIMAÇÕES COM OS PERSONAGENS EM SUAS APARIÇÕES ORIGINAIS. O AUTOR PEDE DESCULPAS SE ALGUM LEITOR OFENDEU-SE COM O CONTEÚDO, QUE PRETENDE APENAS UMA ABORDAGEM ORIGINAL - E NÃO APELATIVA - DO MATERIAL CONTIDO NO JOGO ORIGINAL.
MODERADORES, SINTAM-SE À VONTADE PARA FECHAR, OU ATÉ EXCLUIR ESTE TÓPICO, SE O MESMO DESPRESTIGIAR DE ALGUMA FORMA O NOSSO PREZADO FÓRUM.
E MAIS UMA VEZ, OBRIGADO ÀQUELES QUE PREOCUPARAM-SE COM ESTES ASPECTOS.
O AUTOR.
PRÓLOGO
Os gritos de dor eram entrecortados pelo choro e pelos soluços. O gosto de sangue impregnava a garganta de Aruda, e seus olhos vermelhos de lágrimas não conseguiam se fixar em um único ponto. O desespero obrigava-a a gritar cada vez mais alto, mas o sangue era expelido copiosamente de sua boca. Ela iria morrer, e de uma forma terrível.
Sem conseguir raciocinar direito, a jovem fixou seus olhos em suas mãos decepadas. Ela implorara a todos os deuses para morrer, ou ao menos perder os sentidos enquanto seu algoz arrancava suas falanges, uma por uma, com ajuda de uma pequena faca. Sem as mãos, ela nem podia tentar se defender, ou segurar suas entranhas, que se espalhavam lentamente pelo chão, conforme ela se movia. O sangue já tinha tingido todo o chão da torre e agora escorria pelas frestas do piso. O assassino continuava observando, despreocupado com fato de que a ladra gritava com todas as suas forças.
Ele apagou cuidadosamente a tocha fixada em uma das paredes, e observou, interessado, o formato que a madeira ainda em brasa tinha tomado. Quando Aruda tentou arrastar-se até o alçapão que levava ao nível das ruas, o homem observou-a de bruços, a roupa completamente suja de sangue, a saia revelando as coxas de uma mulher na mais tenra idade.
Num rápido movimento, a faca penetrou uma das pernas de sua vítima, atravessando-a de modo a cravar-se no chão. Os gritos, que já amainavam conforme a vida se esvaia da jovem, voltaram a se intensificar, e seus espasmos faziam com que a lâmina cortasse ainda mais a parte interna de sua perna. Ele pegou a perna que ficara livre, e forçou-a contra sua posição natural, até que os ossos fragmentados rasgassem a pele, causando ainda mais dor à moribunda.
Levantando completamente sua saia, ele pôde ver que tanta dor acabou por fazê-la expelir tudo que se encontrava em seus intestinos – agora completamente espalhados pelo chão – e em sua bexiga, e o repúdio o demoveu de seu objetivo. Embora tivesse estuprado-a anteriormente, decidiu satisfazer seus desejos mórbidos penetrando-a com a tocha em brasa, que emitiu o ruído e o cheiro característico de carne sendo queimada.
Quando os gemidos finalmente cessaram, e o lugar completamente sujo de sangue e carne retalhada é que o homem corpulento abandonou o corpo torturado de Aruda, numa das torres que circundavam Thais, que dormia tranquilamente.
LIVRO I: O INQUISIDOR
I
Os pelos de sua nuca se eriçaram quando ele encarou a expressão aterrorizada dos guardas. Ele teve de fazer valer sua autoridade para que a dupla respirasse fundo e revelassem o que os perturbava. Embora tenha sido alertado previamente, Chester Kahs não pôde conter o assombro ao aproximar-se da torre sudoeste de Thais. A rua estava tingida de sangue, atraindo dezenas de curiosos, que eram afastados por outros guardas. Ele escorria lentamente por pequenas frestas no teto, o que deixou o chefe da guarda ainda mais apreensivo pelo que viria. Próximo dali, Lynda tentava confortar dois jovens, os que provavelmente teriam encontrado o que quer que estivesse sangrando lá em cima.
Ignorando as palavras dos outros investigadores, ele praticamente saltou alçapão acima, sujando os degraus da escada com o sangue que pisara. A saleta estava vazia – ninguém se aproximaria do local por motivos óbvios –, e escura – as tochas tinham sido utilizadas naquele ato bárbaro. Pronunciando as palavras mágicas, uma tênue luz projetou-se de seu corpo, tornando clara a visão de um corpo completamente violado à sua frente. Após um sonoro palavrão, ele levou uma das mãos ao rosto, protegendo o nariz e a boca, e andou cuidadosamente em volta do cadáver. Momentos depois, uma sombra chega à porta, revelando-se como Grof, um dos guardas da cidade. Após uma expressão dolorosa, o militar dirigiu-se ao seu comandante, tentando manter a calma.
- Mandou me chamar, Senhor?
- Sim. Ordene a evacuação e a limpeza imediata da via; não precisamos de mais publicidade. Contate Parker e procure o Marvik para ajudá-lo com a necropsia. Ele é um filósofo natural, deve entender dessas coisas. O sentinela que vigiava a área já foi interrogado?
- Alega não ter visto nem ouvido nada, está em custódia na sede da guarda. As testemunhas colocaram-se à disposição da justiça.
- Ótimo. Não podemos perder tempo.
- Peço permissão para me retirar, senhor.
Chester fez uma segunda vistoria na cena do crime antes de deixá-la. Contudo, a brutalidade com que a vítima fora assassinada, e o cheiro que impregnava o local impediram sua concentração. Na verdade, ele não tinha uma noite de sono decente desde que assumira a chefia do departamento. Era uma função de extrema responsabilidade.
Decidiu orientar Lynda e Quentin para que acalmassem a inquieta população; pegou uma garrafa de Whisper* – Frodo, o estalajadeiro, sempre encomendava algumas garrafas de Carlin, para seus clientes mais ilustres – e rumou para a base, onde passaria o resto da noite reunindo informações. Acabou bebendo toda a garrafa e dormiu com a cabeça apoiada em sua mesa, despertando com a chegada da comissão designada para investigar o crime: Grof, seu braço direito; o druida Marvik, que fazia as vezes de legista neste caso; Trimegis, conselheiro do Rei Tibianus III, cuja sabedoria se faria útil naquele momento crítico; e finalmente Parker, um talentoso jovem, treinado por Kahs para sucedê-lo.
- O que temos, senhores? – O capitão não disfarçou sua ressaca.
- Conseguimos identificar a vítima graças a um pequeno prendedor de cabelos encontrado quando a removemos da torre. Seu nome é Aruda, costumava perambular pela cidade em busca de sua próxima refeição.
- Também sabemos que era uma ladra de pouca relevância, o que caracterizaria o crime como uma retaliação. – Parker adiantou-se ao perceber o ceticismo de seu mestre. – Isto se o crime não fosse tão brutal. Como os senhores Marvik e Grof podem confirmar, a vítima fora estuprada diversas vezes antes de ser morta, como demonstram as grandes quantidades de sêmen no local do assassinato. Em seguida...
- Ela se prostituía? – Chester Kahs estava impaciente.
- Ela era uma sem-teto, seria natural que fizesse de tudo que estivesse ao seu alcance para sobreviver. Além do mais, ela era atraente, ainda que maltrapilha.
- O que eu não entendo – continuou o chefe das investigações – é como uma pessoa é torturada por tanto tempo sem chamar a atenção com seus gritos. Ainda mais por estar próxima de um posto de guarda!
- E o pior, a quantidade de sangue em sua boca mostra que não havia a possibilidade da vítima estar amordaçada. Tudo isso é muito estranho, Capitão.
- Antes de prosseguirmos – foi a vez de Trimegis se intrometer nas discussões – é mister lidar com o assunto com a maior descrição possível, para evitar perturbar ainda mais a população... e principalmente, o rei.
- Creio que um assassino que banha de sangue uma das principais vias da cidade não tem a mesma preocupação, senhor Trimegis – Parker estava pensativo – Mas se ele realmente quisesse chamar atenção, poderia ter atacado alguém mais ilustre... A vítima vivia perambulando pelas ruas, podendo estar no lugar errado e na hora errada... Contudo...
- Parker, se não vai solucionar o caso, guarde suas teorias com você, por enquanto. As testemunhas?
- Como falei, senhor, mal entraram na cena do crime. Notaram o sangue e subiram juntos na torre, pedindo ajuda quase que imediatamente. O sentinela alega não ter identificado o sangue devido a pouca visibilidade do local. Entretanto, Kulag é conhecido por seus problemas com a bebida – Grof olhava fixamente a garrafa de Whisper vazia sobre a mesa.
- Mais alguma coisa? Nenhum vizinho ouviu nada?
- A área é ainda pouco habitada, Capitão. Eu mesmo verifiquei casa por casa.
- Eu sei. Há tempos que requisito maior atenção àquela área. Mas sempre recebi a mesma resposta – Chester Kahs encarava o conselheiro do rei enquanto falava – “Falta de verba, prioridades, você sabe...”. Gostaria de saber quantos precisarão morrer antes que uma providência seja tomada!
- Sugiro que contenha sua língua, meu caro. Não vou tolerar este tipo de crítica à administração real. Não queira transferir para os burocratas a responsabilidade de manter o reino seguro!
- Você ouviu o homem, Grof, é nossa responsabilidade! – O comandante estava mais debochado do que nunca – Vamos alterar as escalas e dobrar os postos de vigilância. Eu mesmo procurarei os membros do Exército Vermelho que estão na cidade e os colocarei de prontidão. Parker, faça uma nova vistoria na área do crime antes de se recolher.
- Sim, senhor.
- Marvik, se não for problema para você, gostaria que tomasse as providências quanto ao sepultamento da jovem. Leve o imprestável do Kulag para auxiliá-lo.
- Tudo bem, Kahs.
- Senhores, se não há mais o que discutir, dou a reunião por encerrada. Voltemos aos nossos afazeres e rezemos para que não haja mais vítimas. Sinceramente, preciso de uma boa noite de sono para raciocinar direito.
- Se é disto que precisa, é melhor não dar atenção aos sussurros noturnos**... – Trimegis sorriu sarcasticamente.
- Kahs, poderíamos falar alguns minutos? – adiantou-se o druida, numa tentativa de quebrar a tensão entre ambos.
- Todos já foram, Marvik. O que queria falar comigo?
O druida abriu um pequeno saco que pendia de um dos cintos e retirou um papel dobrado. Abriu-o sobre a mesa, revelando o que parecia um brasão, toscamente desenhado.
- Reconhece este símbolo?
Os músculos do diretor do Departamento de Investigações Tibiano contraíram-se levemente ao reconhecer o brasão. Era óbvio que ele reconhecia o brasão. E ainda mais óbvio que o outro também o conhecia. Era uma pergunta retórica.
- Onde encontrou este símbolo? – Perguntou, disfarçando sua tensão.
- Deu-me muito trabalho reconhecê-lo como tal. Graças à percepção fora do comum do jovem Parker é que percebemos que a marca encontrada no rosto da jovem era proveniente de um anel. Um anel de assinaturas, precisamente.
- Então?
- Então julgamos que uma informação como esta não precisaria ser conhecida por todos, apenas pelas autoridades.
- Há mais alguma coisa que deseje dividir comigo, Marvik? – O nível de estresse era notável em sua voz.
- Isso é tudo. Deixarei que descanse agora, Kahs. Boa noite.
Finalmente sozinho, Chester examinou o desenho por longos minutos, encostando-o em seguida à chama da vela que iluminava sua mesa. Enquanto o papel queimava sobre esta, ele sentou-se sobre sua cama, e após alguns segundos de hesitação, retira um anel de seu anelar esquerdo, e tranca-o na gaveta de seu criado mudo. Aquela seria uma longa noite...
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* Não consegui uma tradução razoável para a Whisper Beer, então preferi tomar o primeiro nome como o de uma "marca" de cerveja (beer).
** Sussuro é a tradução da palavra inglesa Whisper (v. nota anterior). O trocadilho é possível, uma vez que o inglês é a língua oficial do Tibia.
Quanto às modificações de cunho estilístico, serão feitas assim que o próximo capítulo for disponibilizado, para um maior prazo de análise.
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