Ok... demorou "um pouco" mais do que eu pretendia para eu fazer o capítulo 2, mas ai está...
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Mihrain, o anjo amaldiçoado - capítulo II - Taigann
Ainda bastante fraco, o anjo se levantou, ele podia sentir suas pernas fraquejarem, mas seu semblante ainda parecia glorioso, Mihrain ainda segurava com bastante força a bainha da Gladium em sua mão direita que assim como muitas partes de seu corpo, sangrava.
Assim que conseguiu ver os arredores de onde estava, várias perguntas cruzaram sua mente,
onde ele estava? Como havia chegado lá? De onde tinha vindo?
A única coisa de que Mihrain tinha certeza era que tudo aquilo era culpa da espada que ele continuava a segurar com toda a força que lhe restava na mão, subitamente uma íncrivel raiva da espada surgiu no anjo caído, ele tentou a atirar para o meio da mata que o cercava, mas alguma coisa em seu subconciente o impedia de terminar essa ação, foi nessa hora que Mihrain lembrou-se do quanto aquela espada era importante e percebeu o tudo o que tinha jogado fora, apenas por aquilo e finalmente recuperou a calma, pensando que ela deveria ser algo que ele deveria manter consigo sempre.
A bainha da espada era bastante comum, feita de aço, exceto por um rubi polido escrustado na ponta dela que emanava um estranho brilho.
Mihrain a desembainhou para analizar a lâmina, novamente, parecia comum, apenas um pouco mais grossa do que uma espada comum.
O anjo começou a sentir seu cansaço pesar, ele sabia que não tinha forças para procurar um abrigo, então acabou dormindo ali mesmo.
Mihrain abriu os olhos, uma luz fraca vinha de uma tocha um pouco acima dele, ele se levantou rapidamente, estava num pequeno quarto, nele só haviam a cama onde estava e uma escrivaninha encostada abaixo de uma janela.
Suas mãos inconscientemente tatearam a cama em busca da Gladium, ela estava ao lado da cabeceira, o anjo caído se levantou pegando a espada e a colocando presa ao seu cinto, ele olhou mais uma vez em volta e então começou a se questionar onde estava.
Com os pensamentos em ordem, ele começou a ouvir o som que vinha da janela, Mihrain andou em direção a ela e olhou para o lado de fora, ele estava no segundo andar, a rua estava bastante escura, com exceção de algumas partes onde a luz dos lampiões no poste conseguia iluminar.
Embaixo de alguns desses postes haviam grupos de pessoas conversando ou algumas crianças brincando, no horizonte se erguia uma grande montanha, onde aparentemente ficavam os limites da cidade.
O vento batia de leve no rosto de Mihrain, e os latidos de alguns cães ecoaram em seu ouvido, juntamente com as vozes sussurrantes dos moradores da rua.
O anjo decidiu sair do quarto, a porta levava a um corredor com duas portas em cada lado, a escada ficava no fim dele, dela vinham vozes altas e alegres, assim como o tilintar de talheres e o som dos copos em brinde.
Ele finalmente percebeu o quanto estava com fome e decidiu descer para ver se conseguia alguma coisa com o dono do lugar.
Assim que desceu os primeiros degraus um senhor gordo, de cabelos negros e ostentando um bigode espesso o saudou:
- Ora, acordado, finalmente! - Soltou uma leve risada - Eu sou Oboir, o dono dessa taverna, sente-se ali no balcão que eu vou lhe preparar algo para comer.
- Eu não tenho dinheiro. - Disse Mihrain, sua voz estava rouca.
- Não se preocupe, não se preocupe! O senhor Taigann está pagando para você.
- Quem?
- Ali, ali. - O taverneiro apontou para um jovem de aproximadamente 20 anos, suas roupas eram negras o que fazia contraste com sua pele bastante branca, seus cabelos castanhos e ondulados lhe caíam aos olhos, os quais eram de um azul acizentado penetrante e que lembrava o gelo.
Os olhos de Mihrain e Taigann se encontraram e o segundo sorriu e acenou para que o primeiro se sentasse junto a ele.
- Olá - Disse o jovem ainda com um sorriso- Eu sou Taigann, fui eu que o encontrei na floresta ao leste.
- Olá - Respondeu o anjo caído com a voz fraca - Sou Mihrain, obrigado por me tirar de lá.
- Sem problema. - Ele sorriu novamente - Só tenha cuidado de não parar por lá novamente, pela sua aparência você estava vagando por aquela floresta já haviam alguns dias.
Mihrain não respondeu, não saberia dizer quanto tempo passou naquela floresta, pois sua última lembrança era de ter acordado naquela floresta segurando a espada que ele acreditava ser a causadora de tudo.
Ele olhou em volta, o salão não era grande, mas era aconchegante, quatro mesas estavam distribuídas em voltade uma menor com um lampião, que era a principal iluminação da sala, além das tochas penduradas nas paredes avermelhadas junto com diversos mapas, junto ao balcão haviam algumas banquetas onde quatro homens animadamente bebiam e cantavam.
O taverneiro saiu de uma porta junto ao balcão carregando dois pratos com o que parecia ser carne de alguma ave com alguns vegetais e os colocou na mesa onde estavam Mihrain e Taigann.
- Coma, você deve estar com fome depois de três dias dormindo. - Disse Taigann.
- Tem certeza? Você não está fazendo demais por um estranho? - Perguntou Mihain receoso.
- Claro que não, claro que não, nessa cidade nós temos o costume de sempre ajudar aqueles que precisam, não Oboir? - Disse ele se dirigindo ao taverneiro com um sorriso.
- Você é quem diz. - Diz o outro soltando uma risada.
O anjo caído agradeceu ao jovem e comeu de bom grado a comida a sua frente.
Assim que ele havia terminado um estrondo veio da porta.
Dois homens surgiram, ambos bastante fortes e portando grandes machados.
- Onde está o ilusionista? - Perguntou um deles, a voz deste era bastante grossa.
- Droga. - Disse Taigann abaixando a cabeça. - Todos, subam! Agora!
Mihrain colocou a mão na bainha de Gladium.
- Você também.
- Mas... - Mihrain foi interrompido.
- Esse é um problema meu. - Disse o jovem - E eu tenho a vantagem do terreno.
Ele se apressou para cima, tudo o que se pôde ouvir no andar de baixo foi o som de diversas correntes e então duas batidas.
Após isso Taigann apareceu no andar de cima com seu habitual sorriso.
- Pronto, tudo terminado,
Isso não durou mais do que um minuto.
Todos desceram, os dois homens esavam nocauteados ainda próximos á porta, apenas com calombos na nuca e não havia nenhum sina de luta em nenhum lugar da taverna.
O anjo se virou para o jovem com um olhar surpreso.
- O que é você?
Taigann se virou com seu sorriso no rosto e respondeu:
- Um ilusionista, assim como eles disseram, Taigann, o Ilusionista.
Continua...