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Tópico: Proposta: complete os contos!

  1. #1
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    Padrão Proposta: complete os contos!

    "O Ernest Hemingway dizia que um conto deve ser como a ponta de um iceberg. O iceberg é o que não está escrito, é o que o leitor infere do que está escrito. Da ponta que aparece. Na verdade, quem escreve o conto é o leitor, induzido pelo contista. O contista induz, o leitor deduz. Hemingway escreveu o melhor exemplo da sua própria teoria, o conto Os Assassinos, sobre um homem à espera dos pistoleiros que irão matá-lo. O homem sabe que seus assassinos estão chegando mas não foge nem faz nada para evitá-los. O conto é isso. Não se fica sabendo por que o homem será executado ou o motivo da sua resignação. Isso está no iceberg. Quando fizeram o filme da história do Hemingway, filmaram o iceberg.



    Como a moda na era da linguagem digital dos computadores, que é quase uma volta aos hieróglifos, é a concisão, as pontas dos icebergs literários ficam cada vez menores e o trabalho dos leitores cada vez maior. Proponho ao leitor disposto a trabalhar a coautoria dos contos que seguem, todos eles com a parte que me cabe – ou a ponta que aparece – completa, só faltando a parte submersa. Que pode ser do tamanho que você quiser, leitor. São todos variações do conto do Hemingway."

    -Luis Fernando Verissimo

    Enfim, a proposta é essa daí. Seguem abaixo as opções de contos:


    A Babi

    Alguém sentou ao seu lado no bar. Ele não olhou para o lado. Sabia quem era. Ouviu a voz conhecida dizer:
    – Você não é fácil de encontrar...
    – O que você quer?
    – A Babi mandou entregar isso. Disse que está pronta para voltar, se você a aceitar. Que está disposta a esquecer tudo.
    E o homem colocou uma aliança no topo do bar.
    Ele olhou a aliança, depois levantou a mão esquerda e mostrou que tinha cortado fora o dedo anular.
    – Diga à Babi que nunca mais.
    Depois ouviu o ruído inconfundível de uma arma sendo engatilhada. E a voz do outro:
    – Então eu tenho outro recado da Babi.

    Destino

    Através do alambrado, ela viu a velha Noca se aproximando com a faca na mão. Não sabia se ela seria a escolhida, desta vez. Já vira a velha Noca em ação, sabia o que a esperava. Pensou em se refugiar no fundo do galinheiro, em se esconder da velha Noca, mas desistiu. Não adiantaria. Se era para ser a sua vez, que fosse. Ela não filosofava, mas em algum lugar do seu pequeno cérebro se formou um pensamento: espécie é destino.

    Matuba

    – Pô, Matuba. Você pegou todas. Até o pênalti.
    – É. Tava numa tarde boa, né?
    – E o que nós combinamos com o Trombinha?
    – O quê?
    - Era pra amolecer. Deixar passar umas três. E você pegou até o pênalti que eu fiz.
    – Pera aí. Acho que essa reunião eu perdi. Era pra amolecer?
    – Estava todo mundo combinado. Nós atrasando bola envenenada a tarde inteira e você pegando todas. Até o meu pênalti! O que é que nos vamos dizer pro Trombinha?
    – Vamos dizer a verdade. Que eu sou surdo e não entendi a combinação.
    – E você é surdo, Matuba?
    – Hein?
    – Quer um conselho? Foge do país.
    – Pra onde?
    – Uma das Guianas.
    Como eu sei que quaseninguém vai realmente se dar ao trabalho de confeccionar um texto, eu vou apresentar o meu. Avaliem, postem os seus, a casa é de vocês :rolleyes:

    (Foi meio que feito às pressas, olhem o horário que estou postando, então, não precisam de algo realmente concreto. O meu foi piração pura.)


    Destino

    Através do alambrado, ela viu a velha Noca se aproximando com a faca na mão. Não sabia se ela seria a escolhida, desta vez. Já vira a velha Noca em ação, sabia o que a esperava. Pensou em se refugiar no fundo do galinheiro, em se esconder da velha Noca, mas desistiu. Não adiantaria. Se era para ser a sua vez, que fosse. Ela não filosofava, mas em algum lugar do seu pequeno cérebro se formou um pensamento: espécie é destino.

    No entanto, ela reparava como sua mãe, a Natureza, era engraçada: mesmo a mudança de espécies não permitia uma mudança no destino. Ela sabia, inconscientemente, qual era seu destino; preferia adiá-lo, como todos no universo, mas conhecia-o; a velha Noca também conhecia o seu e se aproximava cada vez mais do dia em que encararia a cara sarcástica e torta do destino. É como um ciclo vicioso que repetia por gerações e gerações; traços eram mudados, mas a essência permanecia a mesma e permaneceria até que as duas espécies fossem extintas.

    Não antes, porém, de que um sujeito, com pinta de intelectual, encarasse uma folha de papel em branco; sua mente, todavia, era como a 25 de março em horário de pico: as ideias eram como o ir e vir do povão.
    Pensava numa história que iria mudar para sempre a visão do mundo a respeito das galinhas; era como se aqueles minutos de reflexão concentrassem as peças-chave que chocariam seus leitores, que confundiriam crítica literária e que tomariam as rédeas da humanidade para novos horizontes.

    As tortas linhas do destino eram claras para esse paulista arrogante e escroto: “escreva sobre galinhas”.

    Em dias como esse, o cheiro do medo das galinhas era, talvez, o odor mais forte presente no galinheiro, mais forte até do que o cheiro de titica de galinha. O olfato do escritor sentiu esse cheiro.

    Tal medo era provocado pela faca da velha Noca; ou pela velha em si, já que a faca era mero instrumento da necessidade e, por que não, perversão humanas. Se preciso fosse, mataria sem faca nem pranto. Sublimes momentos de decisão da velha Noca silenciaram o local temporariamente.
    A sortuda escolhida não fora ela, felizmente: cacarecos aliviados tomavam conta do galinheiro.

    Num átimo, o escritor se vê diante de sua obra-prima; uma lágrima rola pelo seu rosto suado e, naquele momento, ele entra em um momento de êxtase indecifrável e absoluto. Nada poderia alcançá-lo, nem mesmo as possíveis falhas do seu texto.

    Nossa sobrevivente estava numa felicidade equivalente à do escritor: êxtase, júbilo, nirvana, são todas palavras que descrevem bem o tão-logo momento de amor à vida. Ela havia sobrevivido por mais algum tempo, mesmo que indeterminado; ele havia escrito a história que salvaria sua pele, por tempo indeterminado.

    Passado a breve apoteose, ela vai cumprimentar as amigas, timidamente. Mal tem tempo de olhar para alguma delas quando, de súbito, uma bicada simplesmente a leva para as entranhas da ex-colega. Seu corpo roliço é triturado e deglutido, enquanto seu destino é selado.

    Ele, contudo, é mais sortudo; percebe que seu destino fora selado e salta, do décimo quinto andar de um prédio, rumo às nuvens; afinal, ele mesmo já havia lido: “asas são dádivas”. Suas asas tinham sido usadas para produzir, com muito esforço, a obra que mudaria a concepção de toda a humanidade. Estava, enfim, livre para voar.

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    Última edição por Ldm; 14-12-2010 às 04:17.


    "Este tem sido o problema dos místicos. Alcançam o Definitivo, mas não podem relatar aos que lhes vêm após. Não podem relatá-lo a outros, que gostariam de ter essa compreensão intelectual. Tornaram-se um com o Definitivo. Todo o seu ser o relata, mas a comunicação intelectual é impossível. Poderão dá-lo a ti, se estiveres pronto para recebê-lo, poderão permitir que o alcances, se também o permitires, se fores receptivo e aberto. Mas as palavras não farão isso, os símbolos não ajudarão, teorias e doutrinas não serão de uso algum."

  2. #2
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    Padrão Olá, amigo. =]

    A Babi
    Calor do Momento


    - Cê ta tomando todas, hein?Não é melhor ir com calma, amigo?

    Em reposta a esta pergunta, um gole tragado para sufocar uma vontade já incrustada na mascara da face . Aquilo era uma simbiose . Náuseas se apoderavam daquele homem a cada pensamento forjado, num rebuliço de imagens e odores adocicados - de certo perfume, outrora lembrança agradável . Tudo isto é demais, e move-se pela superfície da pele, um traje nascido da vergonha e da sensação da perda da virilidade – Era isso!Como se roubassem o seu falo!

    Havia alguns minutos recebera o telefonema revelador, e agora, todos aqueles qüiproquós, todos os eventos embaçados e sem sentido, brandiam tão forte quanto o gemido das mulheres que antes torturara - Cada peça encaixava-se em seu devido lugar . À luz das verdades, cada certeza latejava fazendo saltar a fronte.

    Precipitou-se do banco; sob os pés o chão, sobre os pés a lascívia e o riso teutônico de Baco, e acima de Baco pairava nebulosamente uma ira cega.

    - Cê já vai, colega? – Pergunta o companheirismo que se forma entre estes bêbados de mesmo bar.

    A resposta vem na forma de um soco; rápido e eficiente – ele já estava habituado com brigas.

    Onde ela estaria mesmo?Sim, na casa da mãe . Era o mais provável. O trajado na roupa simbiótica entra no carro e acelera para seu destino inadiável – havia de ser agora a hora da razão.

    - A Bárbara está? – a boca abre e fecha-se esperançosa, ela anseia digerir uma alma, o barqueiro agita-se insanamente no hades.

    - Ela saiu, meu filho, mas a Minezinha ta aqui, você quer vê-la?

    A ira, antes canalizada, toma diferentes caminhos . Numa agonia única, fita novos alvos; depois do nome dito, ela é então catalisada.

    Uma pistola com as cordas vocais amputadas, ceifa a alma da velha; num tiro seco, como a garganta do homem que desfere o golpe.

    Avança do portão à casa.Aquele lugar conhecido, santuário de momentos felizes, agora, já via uma sombra peçonhenta deitar calidamente e profanar o solo.

    - André, veio atrás da Bárbara?

    Não!Ele veio atrás de saciar a própria fome!Não reconheces por acaso neste homem a mesma antipatia cadavérica que habita o rosto dos ghouls!?

    A irmã de Bárbara, vai de encontro ao chão. O piso tinge-se de rubro, escrevendo minuciosamente partes de uma história forense.

    Todo o mover detém-se . Retrocede lentamente tracionado pelo arrasto atmosférico das manhãs de domingo; uma face insurgia nas fendas do medo da perda.

    Abre silenciosamente a porta . É saudado com uma pergunta comum, e que agora imprime a dor com ferro-em-brasa.

    - Papai?!
    - Não... (lagrimas despencam e destroem o piso, como anjos caídos do cume celeste) .. não é seu pai!

    O que faria agora?A pergunta permanece indefinida; sob o traje repugnante, traços humanos palpitam no calor do momento . O monstro curva-se em hipérbole, é tudo.
    Desde que vi seu post, já percebi logo de cara o conto que queria completar, e desde lá tenho pensado nele.Vou faze-lo em duas partes essa daqui é a primeira e antecede o conto-proposta, escrita as pressas mas pensada com carinho. =]
    Última edição por Ace of Manaus; 17-12-2010 às 15:45.
    :2gunsfiri Cowboys From Hell Society

    Pillage the village, trash the scene
    But better not take it out on me
    'Cause a ghost town is found
    Where your city used to be
    So out of the darkness and into the light
    Sparks fly everywhere in sight
    From my double barrel, 12 gauge,
    Can't lock me in your cage

    :moon: Step aside for the cowboys from hell! :moon:

  3. #3
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    Nossa, depois de ler os textos de vocês tenho até vergonha de escrever.

    Ldm, você escreve muito bem. Achei incrivel, uma obra prima de um profissional. Faz o que da vida? Escreve a muito tempo? Virei seu fãn.

    Gostaria que me desse "dicas" para escrever melhor. Livros para ler que irão ajudar na escrita.

    Gostei muito de você. Parabéns !
    André D. Melo

    "Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida: (1) quero?; (2) devo?; (3) posso?
    Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve..."
    Mario Sergio Cortella

  4. #4
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    Olha, falando sinceramente, me surpreendi com a escassez de comentários (perdão aos que postaram). Eu esperei pra postar esse tópico num momento oportuno para angariar bons comentários, já que a seção anda "movimentada" (detalhe nas aspas; creio que a seção jamais será realmente movimentada). O problema é que vejo pouca disposição em postar.

    Até entendo (e já esperava essa reação) que muitos não iriam seguir com a proposta, mas poderiam pelo menos se dar ao trabalho de avaliar o material que foi postado por outros usuários.

    Mas, enfim, era só um desabafo...

    Ace of Manaus: Sempre surpreendendo... Novamente, se dispôs a preparar um textículo, muito belo, por sinal. Ah, ratificando o seu comentário: foi feito às pressas, mas foi pensado com carinho :wub:

    Você parece ser um grande preguiçoso, já que seus textos vêm carregados de boas ideias e comparações; no entanto, também apresentam erros simples, que poderiam ter sido corrigidos com o próprio Word, por exemplo; a formatação também não é das melhores. Eu acho levemente desagradável, mas não a ponto de realmente atrapalhar.

    Engraçado você ter escolhido esse conto; achei difícil de trabalhar em cima dele, já que tudo parece acontecer muito rápido. A ideia de trabalhar em um "capítulo" anterior ao conto-proposta foi boa, mas pecou no sentido de contradizer a proposta inicial do Verissimo; esse capítulo que você criou "do nada" seria, em teoria, o iceberg, aquilo que o leitor deveria deduzir. Avaliando friamente, você deveria ter induzido o leitor a pensar que ocorreu desta forma, mas não criar algo totalmente novo.

    Não reclamo, porque pude ler uma excelente peça literária; estranho que a sequência original a ser lida seria: o capítulo criado por você, o conto-proposta e o desfecho que você irá criar, ou seja, li as partes completamente embaralhadas.

    Incrível a forma como você dispõe os sentimentos dos personagens ao longo do texto; são colocações, comparações e metáforas extremamente bem montadas, que possuem um alto nível de beleza e um tom único, especial. Num texto como esse, acho praticamente um crime selecionar um ou alguns trechos do texto; só posso dizer que você transmite sensações diversas durante a escrita e que simplesmente acho sensacional o modo como você conduz o leitor a uma escrita refinada, bela e única.

    Me senti tão ligado ao texto que a última cena me fez dar um súbito "não!" aqui em casa; totalmente bizarro, risos.

    Ah, aproveitando o tema, gostei e desgostei, ao mesmo tempo, do artifício usado para encerrar o capítulo. Não posso dar uma opinião concreta, porque acho que não compreendi bem tudo que a última frase do texto poderia me oferecer, então, deixo apenas o meu solitário "continue, está realmente bom".

    Acho que até caberia mais um capítulo aí antes do conto-proposta, não? :o

    Phienix: Opa, colega, obrigado pelos elogios! Realmente incentivam o escritor de uma forma surpreendente.

    Olha, vou tomar o "vergonha de escrever" como um elogio, mas que fique o aviso: bons textos não devem nunca inibirem ninguém de escreverem algo, muito pelo contrário.

    Ah, acho que posso me considerar um desocupado temporário. Sou estudante.

    Comecei a escrever por prazer nesse fórum mesmo, na seção "Histórias", que foi restrita ao público tibiano; aí, essa seção foi criada para os textos "off" e acabei parando aqui; já faz um ano, acredito. Na verdade, esse meu usuário foi criado apenas com o intuito de ler e escrever nesse fórum :o

    Dicas? Eu tenho duas muito boas:

    • Leia.

    • Escreva.

    Leia muito, sobre qualquer coisa; não tem um livro específico, só depende de você. Se você gosta de poesias, leia poesia; se gosta de romances, leia romances; e por aí vai; ter o contato com diversos gêneros literários também é interessante. Aumente seu vocabulário, torne sua escrita o mais perfeita possível e comece escrevendo sobre o que você gosta; pode ser um conto, uma poesia, uma resenha sobre um filme que você gostou ou odiou; enfim, eu realmente não tenho "dicas" para dar. Ah, não se esqueça de postar aqui no fórum qualquer coisa que você escrever. Creio que todos (ou quase todos) se esforçam para dar boas dicas aos usuários, pequenos conselhos que você pode seguir ou não e que podem te ajudar (ou não).

    Abraços.

    P.S.: Ainda aguardo mais continuações de contos.

    Pra quem quer a fonte da proposta: http://www.estadao.com.br/estadaodeh...mp608586,0.php


    "Este tem sido o problema dos místicos. Alcançam o Definitivo, mas não podem relatar aos que lhes vêm após. Não podem relatá-lo a outros, que gostariam de ter essa compreensão intelectual. Tornaram-se um com o Definitivo. Todo o seu ser o relata, mas a comunicação intelectual é impossível. Poderão dá-lo a ti, se estiveres pronto para recebê-lo, poderão permitir que o alcances, se também o permitires, se fores receptivo e aberto. Mas as palavras não farão isso, os símbolos não ajudarão, teorias e doutrinas não serão de uso algum."

  5. #5
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    Destino


    Através do alambrado, ela viu a velha Noca se aproximando com a faca na mão. Não sabia se ela seria a escolhida, desta vez. Já vira a velha Noca em ação, sabia o que a esperava. Pensou em se refugiar no fundo do galinheiro, em se esconder da velha Noca, mas desistiu. Não adiantaria. Se for para ser a sua vez, que fosse. Ela não filosofava, mas em algum lugar do seu pequeno cérebro se formou um pensamento: espécie é destino.

    A pobre galinha ficou ali, estática apenas aguardando que a velha viesse para consumar o seu plano. Pensou com si mesma: "Não posso fugir deste lugar, muito menos do destino que me espreita, não ha razão para correr de um lado para o outro". As demais galinhas começaram a correr desesperadas na tentativa de escapar por mais uns dias da morte. Penas voavam para todos os lados, enquanto ela continuava à espera de sua morte.

    Um Gavião que por ali passava, observou tudo o que aconteceu e resolveu intervir. Pousou sobre um palanque e disse:

    - O que você esta fazendo? Por que não corre e tenta escapar como as outras?

    A galinha com uma fisionomia fechada pensou por alguns instantes e respondeu:

    - Ora, esse é o meu destino. Eu nasci para isso. Minha espécie existe para satisfazer os desejos e as vontades dela. Não tem por que fugir, destino é destino.

    - Tola, desde o seu nascimento já sabia do seu destino, passou anos observando a atitude da velha e mesmo assim não faz nada para mudar isto?

    A galinha muito perturbada com as palavras do Gavião olhou fixamente para ele e disse:

    - Você não sabe o que é ser uma galinha. Você é forte e livre, quando esta em perigo você apenas levanta vôo e escapa ileso. E eu? Sou apenas uma galinha, não posso fazer nada a não ser aceitar meu destino. Se escapar hoje, amanha morrerei. Se sobreviver ao amanhã, haverá outros dias, até que enfim chegue a minha vez.

    O Gavião, comovido pela ignorância da galinha, disse:

    - Observe a sua volta, todas possuem o mesmo destino que você, entretanto lutam contra ele. Estão apenas nadando contra a maré. Não raciocinam, fazem isso sem um propósito com fundamento. Ficar parada aguardando a morte, aceitando o destino sem fazer nada é ignorância e preguiça da sua parte. Desistiu sem ao menos lutar, por isso será a primeira a morrer.

    O Gavião começou a bater as azas parado no palanque de uma maneira imponente, com um sorriso no rosto levantou vôo e disse:

    - Tente o novo. Seu destino é você quem faz.

    A galinha ficou observando perplexa enquanto o Gavião voava para longe. Aproximou-se da pequena cerca de proteção, saltou batendo as azas sobre a cerca e fugiu dali. Então a velha Noca escolheu uma das galinhas que ali estavam e a levou.
    Esta ai. Bem simples pois ainda sou um iniciante e muito limitado de palavras e conhecimento. Tentei fazer de uma maneira diferente de todas (as duas) que foram escritas aqui. Não sei se posso classifica-la como Fábula mas... Gostei muito de escrever ela, espero que mais pessoas façam o mesmo. E obrigado pelos seus conselhos, vou continuar a escrever e mandar algumas coisas para você avaliar.




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    Última edição por Phienix; 22-12-2010 às 09:17. Razão: correção
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    "Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida: (1) quero?; (2) devo?; (3) posso?
    Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve..."
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