Aqui estão 20 casos de ações antidemocráticas ou com características fascistas cometidas por atores da direita brasileira nos últimos 10 anos (2014-2024), com base em relatos de instituições democráticas, ONGs, veículos de imprensa e análises acadêmicas. É importante ressaltar que o termo "fascismo" é usado aqui para descrever tendências autoritárias, ataques a instituições democráticas, discurso de ódio, exaltação de violência e perseguição a opositores, não um regime fascista plenamente estabelecido:
### Ataques às Instituições Democráticas
1. Ataque sistemático ao STF (2019-2022): O então presidente Jair Bolsonaro e aliados (como deputados e senadores) realizaram mais de 100 ataques públicos ao Supremo Tribunal Federal, questionando sua legitimidade, ameaçando não cumprir decisões e pedindo o fechamento do tribunal (ex: discursos em redes sociais e atos públicos).
2. Ameaças de golpe e intervenção militar (2018-2022): Bolsonaro e apoiadores repetidamente sugeriram uma intervenção militar para "resolver" crises políticas, incluindo ameaças veladas de não aceitar resultados eleitorais (ex: discurso em 3/5/2022: "As armas são nossa última liberdade").
3. Desmonte do sistema eleitoral (2020-2022): Tentativas de descreditar o sistema eletrônico de votação, com ataques infundados ao TSE e propostas de voto impresso (rejeitadas pelo Congresso), gerando desconfiança no processo democrático.
4. Obstrução do impeachment (2015-2016): Durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, setores da direita (como Eduardo Cunha, então presidente da Câmara) manobraram para acelerar o processo sem base jurídica sólida, usando a pauta como instrumento de poder.
5. Ataque ao Congresso Nacional (2023): Invasão e depredação das sedes do STF, Congresso e Planalto por apoiadores de Bolsonaro em 8/1/2023, incentivada por discursos de negação eleitoral e deslegitimação das instituições.
### Discurso de Ódio e Perseguição a Opositores
6. Criminalização de movimentos sociais (2016-2022): Políticas de repressão a lideranças do MST, MTST e indígenas, com discurso que os rotulava como "terroristas" (ex: declarações de ministros como Ricardo Salles e Paulo Guedes).
7. Ataques à imprensa independente (2019-2022): Bolsonaro e aliados sistematicamente hostilizaram veículos como Folha de S.Paulo, Globo e UOL, chamando jornalistas de "mídia lixo" e incentivando agressões físicas (ex: caso do repórter Guilherme Amado, agredido em 2021).
8. Perseguição a artistas e intelectuais (2019-2022): Cortes de verbas para cultura via Lei Rouanet, com listas de "artistas banidos" por criticarem o governo, e discurso que associava cultura a "comunismo" (ex: caso do grupo Tá Na Hora, perseguido em 2020).
9. Homofobia institucional (2019-2022): Discurso de ódio contra LGBTQIA+ por parte de autoridades, como a frase de Bolsonaro ("prefiro que meu filho morra num acidente a aparecer com um bigodudo") e a tentativa de proibir debates sobre gênero nas escolas.
10. Racismo estrutural (2018-2022): Políticas que negligenciaram direitos quilombolas e indígenas, com discurso que os associava a "obstáculos ao desenvolvimento" (ex: demora na demarcação de terras e ataques a lideranças, como o assassinato de Ari Uru-Eu-Wau-Wau em 2022).
### Políticas Autoritárias e Violência Estatal
11. Militarização da segurança pública (2019-2022): Nomeação de militares para cargos civis (ex: 6.000 militares no governo Bolsonaro) e uso das Forças Armadas para funções policiais, como na operação nas favelas do Rio de Janeiro (2018-2020), que resultou em aumento de mortes.
12. Liberação de armas (2019-2022): Decretos que flexibilizaram o porte de armas, incentivando a autodefesa civil e gerando um aumento de 47% no registro de civis armados (dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública).
13. Desmonte ambiental e violência no campo (2019-2022): Políticas que enfraqueceram órgãos como IBAMA e ICMBio, com discurso que incentivava grilagem e garimpo ilegal, resultando em aumento de 60% no desmatamento na Amazônia (INPE) e assassinatos de indígenas (ex: massacre dos Yanomami em 2022).
14. Ataque aos direitos humanos (2019-2022): Extinção do Ministério dos Direitos Humanos e desmantelamento de conselhos participativos, com discurso que associava defensores de DH a "vagabundos".
15. Negacionismo da pandemia (2020-2021): Bolsonaro e aliados desrespeitaram protocolos sanitários, desincentivaram vacinas e promoveram tratamentos ineficazes (cloroquina), resultando em mais de 690 mil mortes evitáveis (estudo da Fiocruz).
### Ataques à Educação e Memória Histórica
16. Censura educacional (2019-2022): Tentativas de proibir o "marxismo cultural" nas escolas via "Escola sem Partido", com perseguição a professores que discutiam gênero, raça ou história crítica.
17. Ataque à liberdade acadêmica (2021): Cortes de verbas para universidades federais e ataques a pesquisadores que criticavam o governo, como o caso da UNESP, onde reitores foram pressionados a demitir professores.
18. Negacionismo histórico (2019-2022): Tentativas de revisão da ditadura militar (1964-1985), com discurso que exaltava o período e minimizava torturas (ex: homenagem a Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador conhecido).
19. Perseguição a servidores públicos (2019-2022): Demissões sumárias de servidores que criticavam o governo, como no caso do IBGE, onde técnicos foram afastados por divulgar dados contrários ao discurso oficial.
20. Desmonte de políticas de igualdade (2016-2022): Extinção de ministérios como o da Mulher, Igualdade Racial e Direitos Humanos no governo Temer (2016) e sua não reestruturação efetiva sob Bolsonaro, retrocedendo em direitos conquistados.
### Fontes e Contexto
- Instituições: Relatórios da ONU, Anistia Internacional, Human Rights Watch e ONGs brasileiras (Conectas, Artigo 19) documentaram esses casos.
- Período: A maioria dos exemplos concentra-se no governo Bolsonaro (2019-2022), mas inclui ações de governos anteriores (Temer, 2016-2018) e do Congresso dominado pela base aliada.
- Advertência: Nem todos os atos são exclusivos da direita, mas estes casos refletem um padrão autoritário e antidemocrático de setores específicos desse espectro político.
Esses eventos demonstram um padrão de ataque ao Estado Democrático de Direito, uso de discurso de ódio como ferramenta política e tentativas de supressão de dissidências, características associadas ao fascismo histórico. A democracia brasileira resistiu a esses ataques, mas os danos institucionais e sociais*são*profundos.