in time, o que mais me preocupa nesse governo já começou a acontecer:
https://oglobo.globo.com/sociedade/e...AGR6AvTZPnlGgI
Belo novo diretor. O mesmo que escreveu uma matéria para a Gazeta do Povo cheia de anacronismos bizarros como, por exemplo:
"Em Crime e Castigo, Dostoievski apresenta-nos o drama de Raskólnikov, o típico estudante esquerdista que, de um quarto infecto, ameaça legislar sobre o universo e a humanidade. Influenciado pelos delírios de Nietzsche, Raskólnikov se crê um super-homem, aquele que irá construir a sociedade futura com a força titânica de um Napoleão". Maravilha, só esqueceu de mencionar que não somente Dostoiévski era conservador, como também a primeira obra do bigodudo alemão foi escrita alguns anos depois da publicação de Crime e Castigo o que torna, apesar de uma certa semelhança do enredo com o conceito do Super-homem, bastante improvável que um tenha influenciado o outro.
Mas claro que poderia ficar pior, logo depois ele escreve:
"Não esqueçamos que Aldous Huxley já notara que a elite globalista e tecnocrática da Grã-Bretanha da década de 40 tinha a sexualidade infantil como ponto central da engenharia social: em seu Admirável Mundo Novo, os personagens riem de um mundo passado em que não se permitia que as crianças tivessem suas diversões sexuais". Olha, fazem três anos desde a última vez que eu reli Brave New World, mas não me recordo de pedofilia ser citado em nenhum momento no livro. Aliás, qual o fetiche dessa galera com esse tema? Tem que ser muito imbecil pra acreditar que alguém quer legalizar a pedofilia
Depois do chanceler patético e do ministro da (des)educação, temos agora isso aí. Em suma, acredito que veremos uma melhora na economia e diminuição do desemprego nos próximos anos, o governo do sónorabo não vai ser de todo ruim. Mas o que me incomoda é esse imenso anti-intelectualismo, o crescimento da influência religiosa no Estado e essa ideia de que cultura, estudo e arte não servem para nada. Essa ideia perigosa de "minha lida de 10 minutos no Google vale mais do que os seus 10 anos de pesquisa sobre o tema". Essa história de escola sem partido, doutrinação e marxismo cultural são algumas das maiores estupidez que já vi. Uma falácia do espantalho elevada ao nível nacional, um país baseado em teorias conspiracionistas que quase ninguém no planeta leva a sério. Aliás, essa mania de enxergar comunismo em tudo é por si só um reflexo disso. Parece Don Quixote lutando contra moinhos de vento. Mas é de praxe: esse tipo de governo precisa inventar um inimigo, uma cortina de fumaça, alguém que condicione o ódio. É assim na Hungria, na Polônia e na própria Venezuela, da qual quanto mais a gente tenta se afastar mais acabamos parecidos. Foi assim na Alemanha de Hitler, foi assim na Itália de Mussolini, na Espanha de Franco, na Portugal de Salazar e, claro, na União Soviética de Stalin. A história mostra que o discurso de "nós x eles" costuma dar merda, seja de esquerda ou de direita. Assim como essa cultura de idolatrização e estetização política também dá merda. Mas ninguém liga pra história mesmo, afinal, ciências humanas é coisa de maconheiro esquerdista. Quase ninguém no mundo fala de comunismo em 2018, mesmo quem é de esquerda - se tiver um mínimo de cérebro - costuma falar de um capitalismo mais humano e digno. Mas o Brasil e a porra dos Estados Unidos continuam vivendo nessa guerra fria anacrônica.
Goebbels disse uma vez "quando ouço falar em cultura, pego logo a pistola”, mas isso poderia ter sido dito por qualquer brasileiro médio em 2019. O novo diretor citou Admirável Mundo Novo, mas parece que nos aproximamos é de 1984, com os seus inimigos invisíveis, a hora do ódio e a idolatrização de um político/partido.
Como o poncha disse, ainda viveremos pra ver Bolsonaro ser chamado de comunista. Até Fukuyama e a The economist o foram. E assim o ciclo se repete.
Odeio a mim mesmo por ter saído das piadinhas e ter escrito algo sério aqui. Sei que vou me arrepender tipo quando você transa com alguém feio e depois pensa "porra, podia ter ficado na punheta". Mas ser estoico é muito difícil puta que me pariu.