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Tópico: CRISE DE ÁGUA EM SÃO PAULO - CONSUMO, REALIDADE E OMISSÃO

  1. #11
    Avatar de Venosa
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    Citação Postado originalmente por Amell Ver Post
    Desestatizar =/ Privatizar. Defendo o modelo defendido pelo Friedman (o rapaz simpático do meu avatar), que foi colocado em prática, por exemplo, na Inglaterra(no que se refere à abertura para concorrência) e em países do antigo bloco comunista (no que se refere à distribuição de ações para a população). Adiciono que não adianta tirar a empresa da administração do Estado, mas também abrir o mercado e diminuir a burocracia, permitindo a existência de concorrência.

    Sim, se a SABESP fosse uma empresa de interesses privados, em um mercado saudável e não monopolizado (que é o que normalmente acontece após "privatizações" no Brasil), e não de interesses políticos, ela teria a liberdade de investir a longo-prazo (para se manter competitiva e continuar economicamente saudável) em vez de investir a curto-prazo (focando no próximo ciclo eleitoral).

    Ah, e não sei para você, mas não me parece bom, como acionista, ter a empresa da qual sou dono exposta como exemplo de incompetência, perdendo por isso boa parte de seu valor.

    Mas sim, mesmo se fizessem uma privatização à brasileira e tirassem apenas o poder de controle do Estado, a situação já seria melhor do que a atual.
    Primeiro: quem vc acha que vai investir em um mercado monopolizado e em crise? Segundo: quem vai investir em um mercado muito competitivo quando se pode obter um monopólio em algum outro mercado? É questão de lógica. O lucro não serve aos interesses duradouros, e sim aos mais consumistas e lucrativos possíveis. Então os atuais acionistas não pensam "puxa a SABESP precisa manter o abastecimento da população" mas sim "como eu tiro lucro dessa empresa". Depois, quando ela entra em crise, eles pulam do barco pra outro mercado e pau no cu de quem se fudeu. E é claro o governo está na jogada como acionista majoritário. Se ele não garantir altos lucros, ninguém investe. É ridículo mas todo mundo aplaude.

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  2. #12
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    Citação Postado originalmente por Venosa Ver Post
    Primeiro: quem vc acha que vai investir em um mercado monopolizado e em crise? Segundo: quem vai investir em um mercado muito competitivo quando se pode obter um monopólio em algum outro mercado? É questão de lógica. O lucro não serve aos interesses duradouros, e sim aos mais consumistas e lucrativos possíveis. Então os atuais acionistas não pensam "puxa a SABESP precisa manter o abastecimento da população" mas sim "como eu tiro lucro dessa empresa". Depois, quando ela entra em crise, eles pulam do barco pra outro mercado e pau no cu de quem se fudeu. E é claro o governo está na jogada como acionista majoritário. Se ele não garantir altos lucros, ninguém investe. É ridículo mas todo mundo aplaude.
    Cara, eu juro que não entendi completamente seu post, mas vou responder conforme minha interpretação.

    Quem vai investir em um mercado monopolizado e em crise?
    Não entendi, sério mesmo.

    O mercado é monopolizado hoje, há uma proteção estatal que impede novos concorrentes de chegarem (em verdade, distribuição de água, de energia, etc, normalmente tem apenas um player por mercado grande, mas um mercado aberto ainda permite a competição). Não é exatamente isso que eu sou contra?

    "Quem vai investir em um mercado muito competitivo se pode ter um monopólio seguro em outro mercado"

    Os maiores investimentos do mundo hoje estão acontecendo em um mercado extremamente competitivo, qual seja, o da informática. Empresas gigantes estão em constante queda e ascensão, têm valores enormes e são algumas das principais escolhas de investidores.

    Por outro lado, a SABESP, só para dar um exemplo, tem um monopólio na distribuição de água, tem ações negociadas na bolsa, e tem um desempenho ruim.

    O lucro não serve aos interesses duradouros, mas sim aos mais consumistas e lucrativos possíveis
    Eu realmente não sei o que tu quiseste dizer, mas imagino que seja algo como "o interesse por lucro é de curto prazo".

    É exatamente o contrário. O ser humano se direciona por incentivos, e o fato de o ciclo político ser de curto prazo, e do político ter de se orientar por ele - caso contrário pagando com seu próprio emprego -, faz com que ações governamentais tenham um pensamento extremamente focado no curto prazo. Um clássico exemplo: a dificuldade crônica de governos, em todo o mundo, de cortar gastos com previdência social (já que os contribuintes de hoje pagam pelos aposentados atuais, e a conta por benefícios exagerados ou desperdício de recursos só chega algumas gerações mais tardes).

    A iniciativa privada, por outro lado, orienta-se pelo lucro, e não pela próxima eleição. Isto é, as empresas privadas, diferente das públicas, buscam maximizar seus lucros, em vez de maximizar as chances dos seus controladores serem eleitos nas próximas eleições. É exatamente essa busca por maximizar o lucro que, em um ambiente competitivo, gera a concorrência que propicia investimentos necessários a longo prazo. Existem múltiplos exemplos: em primeiro lugar, retomo o caso de um dos mais competitivos setores da economia mundial, o da tecnologia, em que as empresas, todas desejando maximizar seus lucros, nem por isso tem uma mentalidade de curto prazo, muito pelo contrário, as empresas atualmente se engajam em projetos de longuíssimo prazo, na tentativa de chegar a marcos tecnológicos que só serão utilizados talvez em décadas, em segundo lugar, posso citar os casos dos fundos de private equity, que fornecem crédito a empresas emergentes que só virão a dar lucros em prazos longos (algumas startups promissoras, por exemplo, chegam a demorar quase uma década para realmente valerem o investimento).

    Então os atuais acionistas não pensam "puxa a SABESP precisa manter o abastecimento da população" mas sim "como eu tiro lucro dessa empresa".
    Cara, vamos esclarecer uma coisa: acionistas são donos de ações, isto é, têm participação no capital da empresa (são proprietários de parte dela). Isto NÃO quer dizer que eles participam da administração da empresa, em verdade, no caso da SABESP por exemplo, o único acionista que influi na administração da empresa (o controlador) é o Governo do Estado de SP. Os atuais acionistas não pensam em manter ou não manter o abastecimento da população, eles têm literalmente influência zero nisso.

    Depois, quando ela entra em crise, eles pulam do barco pra outro mercado e pau no cu de quem se fudeu.
    Além da população, por óbvio, quem mais perde com a crise de uma empresa são os acionistas, sobretudo os minoritários (nesse caso, todos, com a exceção do Governo de SP), que suportam as perdas em seus investimentos. Os investidores podem até pular para outro barco, mas devido a essa crise, eles perderam boa parte do valor que investiram na empresa.

    E é claro o governo está na jogada como acionista majoritário. Se ele não garantir altos lucros, ninguém investe.
    Mas cara, tudo o que NÃO FOI GARANTIDO foram altos lucros. O valor da companhia derreteu devido à crise, ela está sem crédito no mercado, e quem investiu nela perdeu dinheiro. O que aconteceu não beneficia nem os investidores e nem a população. Só beneficia aos gestores políticos (que, no final das contas, administram a empresa estatal) que, direcionando dinheiro de investimento para áreas que apresentam retorno político mais rápido, conseguiram muitas e muitas eleições.

    É ridículo mas todo mundo aplaude.
    oO



    Por fim, ao meu ver, você tem uma ideia equivocada de que quem defende que a iniciativa privada é superior à pública acha que isso se dá porque os agentes privados teriam boas intenções, ou pensariam no bem coletivo, em vez de em si próprios.

    Apenas para deixar claro que essa visão não condiz com a realidade, deixo uma citação de Adam Smith, bastante elucidativa:

    "não é da bondade do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm pelo seu próprio interesse."

    Os investidores em uma empresa estão sim preocupados com seu lucro, e não com o bem-estar da população. Nada obstante, ao permitir que essas pessoas empreendam em um ambiente competitivo, chega-se a um ambiente que amplia o bem-estar de todos, isto é, apesar da felicidade coletiva não ser o objetivo do empresário, ela é um resultado que acaba sendo alcançado, desde que se permita isso, garantindo ambiente competitivo, proteção à propriedade privada e uma estrutura jurídica segura.
    Última edição por Amell; 15-01-2015 às 16:12.

  3. #13
    Avatar de Pata do Leão
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    Citação Postado originalmente por Amell Ver Post
    C

    Os maiores investimentos do m.....
    Não sou contra e nem a favor, pois ainda vejo alguns pontos que dependem de resultados. Mas e quanto a legislação de tudo isso? Lembro de ter lido em algum lugar que serviços essenciais para a população seguem regras e normas, por exemplo, de que não pode faltar abastecimento, e nem ter greve. Neste caso para se falar de mais de uma, não precisaria modificar a legislação tmb?

  4. #14
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    Citação Postado originalmente por Pata do Leão Ver Post
    Não sou contra e nem a favor, pois ainda vejo alguns pontos que dependem de resultados. Mas e quanto a legislação de tudo isso? Lembro de ter lido em algum lugar que serviços essenciais para a população seguem regras e normas, por exemplo, de que não pode faltar abastecimento, e nem ter greve. Neste caso para se falar de mais de uma, não precisaria modificar a legislação tmb?
    Você estaria falando do fato de que em caso de greves de serviços essenciais, é necessário se garantir um percentual mínimo para não deixar a população sem esse serviço?

    Não compreendi muito bem o paralelo com este caso.

  5. #15
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    Citação Postado originalmente por Amell Ver Post
    Você estaria falando do fato de que em caso de greves de serviços essenciais, é necessário se garantir um percentual mínimo para não deixar a população sem esse serviço?

    Não compreendi muito bem o paralelo com este caso.
    Essa.
    A busca pelo conceito de serviço público essencial não é tarefa fácil, de maneira que muito tem se discutido o que vem a ser um serviço de natureza essencial.
    Quando o artigo 21 da Constituição Federal expressa que "compete à União explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água", ela está prevendo uma atividade que, dada sua importância na oportunidade da elaboração da Constituição, foi tida como uma atividade primordial, necessária ao desenvolvimento da sociedade, imprescindível à manutenção da dignidade da pessoa humana e, por isso, foi retirada do domínio dos particulares e foi entregue ao Estado, estando, o mesmo, obrigado a desempenhar esta atividade.
    Nesta senda, o único suporte normativo reside na lei de greve, n° 7.783/89, Art. 10, a qual complementa o que preceitua a Carta Constitucional em se u art. 9°, §1°, a saber, "São necessidades inadiáveis, da comunidade aquelas que, não atendidas, coloquem em perigo iminente a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população."
    Portanto, o art. 10 da lei de greve preleciona categoricamente o que são serviços considerados essenciais, de modo que tal dispositivo normativo ilustra um rol dos serviços cuja necessidade tornou-se imprescindível a normal vivencia da sociedade. É o que se depreende do Art. 10 da Lei 7783/89:

    "São considerados serviços ou atividades essenciais:
    I - tratamento e abastecimento de água; produção e distribuição de energia
    elétrica, gás e combustíveis;
    II - assistência médica e hospitalar;
    III - distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos;
    IV - funerários;
    V - transporte coletivo;
    VI - captação e tratamento de esgoto e lixo;
    VII - telecomunicações;
    VIII - guarda, uso e controle de substâncias radioativas, equipamentos e
    materiais nucleares;
    IX - processamento de dados ligados a serviços essenciais;
    X - controle de tráfego aéreo;
    XI - compensação bancária."

    Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/se...#ixzz3OvQ8JFsg
    Eu estou em dúvida nesta parte da constituição. Acho q para retirar este serviço do Estado, e deixar na competição de 2 empresas, teria que tmb fazer algumas mudanças na legislação brasileira. E ai é uma longa história para os parlamentares.




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    Última edição por Pata do Leão; 15-01-2015 às 17:51.

  6. #16
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    Você se confundiu, penso eu.

    Primeiramente:

    "compete à União explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água"

    Primeiro, a União não necessariamente irá fazer essa exploração diretamente, ela poderá o fazer por meio de autorização, concessão ou permissão, nos termos da lei.

    Em segundo lugar, o inciso que você citou não diz respeito ao assunto aqui debatido, como você pode ver na parte que eu grifei.


    Por fim, dentre os serviços essenciais enumerados na lei em questão, estão alguns que já são desempenhados pela iniciativa privada, como as telecomunicações. Além disso, a parte que você grifou nos concede uma argumentação bem fraca, com uma interpretação totalmente equivocada do dispositivo logo depois colocado. Enfim, mesmo de um aluno de graduação, como o autor, seria esperado bem mais.


    Qualquer ponto em que eu não tenha sido claro, só falar, rs.




    Ah, e no caso, já que você tocou no aspecto prático da questão, lembre-se que o que se fala não é de tirar do Estado (nesse caso, de posse do estado, ente federado) a posse das reservas de água (assim como não se retirou da União a produção energética, mas só sua distribuição), mas sim a concessão dos serviços de distribuição dessa água. As reservas de água continuariam sendo do Estado, mas o serviço de distribuição dessa água seriam repassados para a iniciativa privada.

    Não que isso seja desejável, mas são limitações impostas pela CF 88 (não constituem cláusulas pétreas, contudo).
    Última edição por Amell; 15-01-2015 às 18:17.

  7. #17
    Tchau queridos Avatar de Pap's
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    O grande problema do Brasil, não só no que diz respeito a água, é que aqui não se tomam medidas preventivas para situações que já estão previstas para acontecer.

    Esse caso da água é algo que já era sabido há algum tempo, porém como sempre, espera-se a situação apertar para começar a tentar tomar algumas medidas, que na maioria das vezes são desesperadas e que de fato não resolvem o problema. Isso vale não só para a crise hídrica, mas também na área da educação, saúde, segurança, etc.

    Na minha cidade também estamos com problema de água devido a total incompetência do órgão responsável pelo abastecimento da cidade. Temos 4 represas e um rio da onde é captada a água que abastece o município. Quando o rio estava cheio, ao invés da captação ser feita exclusivamente dele para que as represas pudessem ser mantidas como reserva em caso emergencial, afinal a chuva já estava escassa nessa época, o digníssimo presidente da entidade juntamente com os diretores, pararam a captação do rio e começaram a pegar água apenas das represas já que estavam apenas um pouco abaixo da capacidade normal. Como a chuva não veio, o rio abaixou tanto seu nível que chegou um ponto que não era mais permitida a captação de água e nessa altura, o nível das represas já estava lá embaixo.

    Como resultado, hoje somos a única cidade da região que está enfrentando racionamento, aonde ficamos 12 horas com água e 36 horas sem. E só não ficamos sem água pois por sorte choveu na cabeceira do rio e hoje ele se encontra em vazão normal, permitindo novamente a captação somente dele enquanto as represas em situação crítica se encontram com as comportas fechadas apenas enchendo.

    Mesmo com o rodízio, estão tendo muitos problemas pois vários bairros estão dizendo que ficam vários dias sem água enquanto em outros a água não é cortada. Aqui aonde moro mesmo, pelo que percebi eles apenas reduziram a pressão da água, enquanto em bairros afastados e carentes eles cortam e tem gente reclamando que fica de 3 a 4 dias sem água.

    E vocês vão ver esse ano ainda, pois agora é época de chuva e da para manter as represas com o racionamento, porém depois de março vem a estiagem e aí não tem mais da onde tirar água. Quero ver aonde o Alckimin e o Haddad vão tirar água pra abastecer 10 milhões de pessoas. Ainda bem que fazem 6 meses que não moro mais aí.

  8. #18
    Avatar de Venosa
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    Citação Postado originalmente por Amell Ver Post
    Cara, eu juro que não entendi completamente seu post, mas vou responder conforme minha interpretação.



    Não entendi, sério mesmo.

    O mercado é monopolizado hoje, há uma proteção estatal que impede novos concorrentes de chegarem (em verdade, distribuição de água, de energia, etc, normalmente tem apenas um player por mercado grande, mas um mercado aberto ainda permite a competição). Não é exatamente isso que eu sou contra?

    "Quem vai investir em um mercado muito competitivo se pode ter um monopólio seguro em outro mercado"

    Os maiores investimentos do mundo hoje estão acontecendo em um mercado extremamente competitivo, qual seja, o da informática. Empresas gigantes estão em constante queda e ascensão, têm valores enormes e são algumas das principais escolhas de investidores.

    Por outro lado, a SABESP, só para dar um exemplo, tem um monopólio na distribuição de água, tem ações negociadas na bolsa, e tem um desempenho ruim.



    Eu realmente não sei o que tu quiseste dizer, mas imagino que seja algo como "o interesse por lucro é de curto prazo".

    É exatamente o contrário. O ser humano se direciona por incentivos, e o fato de o ciclo político ser de curto prazo, e do político ter de se orientar por ele - caso contrário pagando com seu próprio emprego -, faz com que ações governamentais tenham um pensamento extremamente focado no curto prazo. Um clássico exemplo: a dificuldade crônica de governos, em todo o mundo, de cortar gastos com previdência social (já que os contribuintes de hoje pagam pelos aposentados atuais, e a conta por benefícios exagerados ou desperdício de recursos só chega algumas gerações mais tardes).

    A iniciativa privada, por outro lado, orienta-se pelo lucro, e não pela próxima eleição. Isto é, as empresas privadas, diferente das públicas, buscam maximizar seus lucros, em vez de maximizar as chances dos seus controladores serem eleitos nas próximas eleições. É exatamente essa busca por maximizar o lucro que, em um ambiente competitivo, gera a concorrência que propicia investimentos necessários a longo prazo. Existem múltiplos exemplos: em primeiro lugar, retomo o caso de um dos mais competitivos setores da economia mundial, o da tecnologia, em que as empresas, todas desejando maximizar seus lucros, nem por isso tem uma mentalidade de curto prazo, muito pelo contrário, as empresas atualmente se engajam em projetos de longuíssimo prazo, na tentativa de chegar a marcos tecnológicos que só serão utilizados talvez em décadas, em segundo lugar, posso citar os casos dos fundos de private equity, que fornecem crédito a empresas emergentes que só virão a dar lucros em prazos longos (algumas startups promissoras, por exemplo, chegam a demorar quase uma década para realmente valerem o investimento).



    Cara, vamos esclarecer uma coisa: acionistas são donos de ações, isto é, têm participação no capital da empresa (são proprietários de parte dela). Isto NÃO quer dizer que eles participam da administração da empresa, em verdade, no caso da SABESP por exemplo, o único acionista que influi na administração da empresa (o controlador) é o Governo do Estado de SP. Os atuais acionistas não pensam em manter ou não manter o abastecimento da população, eles têm literalmente influência zero nisso.



    Além da população, por óbvio, quem mais perde com a crise de uma empresa são os acionistas, sobretudo os minoritários (nesse caso, todos, com a exceção do Governo de SP), que suportam as perdas em seus investimentos. Os investidores podem até pular para outro barco, mas devido a essa crise, eles perderam boa parte do valor que investiram na empresa.



    Mas cara, tudo o que NÃO FOI GARANTIDO foram altos lucros. O valor da companhia derreteu devido à crise, ela está sem crédito no mercado, e quem investiu nela perdeu dinheiro. O que aconteceu não beneficia nem os investidores e nem a população. Só beneficia aos gestores políticos (que, no final das contas, administram a empresa estatal) que, direcionando dinheiro de investimento para áreas que apresentam retorno político mais rápido, conseguiram muitas e muitas eleições.



    oO



    Por fim, ao meu ver, você tem uma ideia equivocada de que quem defende que a iniciativa privada é superior à pública acha que isso se dá porque os agentes privados teriam boas intenções, ou pensariam no bem coletivo, em vez de em si próprios.

    Apenas para deixar claro que essa visão não condiz com a realidade, deixo uma citação de Adam Smith, bastante elucidativa:

    "não é da bondade do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm pelo seu próprio interesse."

    Os investidores em uma empresa estão sim preocupados com seu lucro, e não com o bem-estar da população. Nada obstante, ao permitir que essas pessoas empreendam em um ambiente competitivo, chega-se a um ambiente que amplia o bem-estar de todos, isto é, apesar da felicidade coletiva não ser o objetivo do empresário, ela é um resultado que acaba sendo alcançado, desde que se permita isso, garantindo ambiente competitivo, proteção à propriedade privada e uma estrutura jurídica segura.
    Cara... você fala como se o mercado fosse sólido. Ele não é. O que acontece são investimentos, quando o mercado deixa de ser lucrativo, os investimentos migram de lugar! É isso que acontece quando as barreiras são afrouxadas e por isso nenhum país deixa suas barreiras alfandegárias ou intervencionistas baixas em setores menos competitivos de graça. Não só no sentido do capital financeiro, isso acontece em qualquer esfera, por isso que a China hoje é o que é... E a SABESP lucrou 1.8B de reais nos últimos anos, se isso não é lucro... Pra completar a tarifa vai explodir esse ano pra compensar o prejuízo de quem? Dos acionistas claro! Quem ta bancando as obras pra infraestrutura do sistema? Dinheiro público! No final quem se fudeu mesmo foi o governo que vai bancar o prejú no dinheiro e na eleição... Em um relacionamento líquido e com crises periódicas não há como o lucro satisfazer ao mesmo tempo um interesse individual e um coletivo... E de forma alguma eu acho que todas as empresas deviam ser estatais e mimimi, a questão é que elas também não deveriam ser regidas absolutamente pelo poder privado...

  9. #19
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    Mas os países deixam as barreiras alfandegárias e de entrada no mercado (que não tem nada a ver com essa discussão, BTW, ) exatamente por pressão e no benefício das grandes corporações, e não da população. Um mercado mais livre é ruim para os empresários estabelecidos (mais concorrência) e ótimo para a população (menores preços, inovação e melhores produtos). Basta ver que, quanto mais internacionalmente livre um mercado, maiores são as inovações nele e mais rápido diminuem os preços.

    Enfim, acho que você não compreendeu uma coisa: mesmo que a sabesp tenha lucrado no passado, agora o investimento dos acionistas perdeu boa parte de seu valor. É PÉSSIMO para um investidor que uma empresa tenha lucro por alguns anos e depois entre entrem em uma enorme crise, pois a desvalorização da empresa representa enormes perdas.

    Quem está bancando as obras no sistema é o dinheiro público e o dinheiro privado dos investidores captado pelas ações da empresa, ué.

    E existem mercados tão importantes quanto e tão sujeitos a crises, mais até, que são bem geridos pela iniciativa privada. Agropecuária, para dar só um exemplo. Ninguém defende a criação de uma estatal para isso, e a iniciativa privada se adequa perfeitamente à tarefa.

    Por fim, quem se deu bem foram os políticos que atrasaram as reformas e passaram anos sem tocar no problema. A política só concede incentivos a curto prazo, e isso que torna qualquer empresa controlada pelo Estado, que é controlado por políticos, muito mais ineficiente que uma empresa privada, que, direcionada pelo lucro, pode realizar investimentos a longo prazo, por desejar que esse lucro seja duradouro, o que beneficia sobretudo a população.


    Qualquer dúvida, só perguntar. Já que a discussão estão girando em torno dos mesmos argumentos, vou concordar que discordamos.

    Abraços.

  10. #20
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    Citação Postado originalmente por Pap's Ver Post
    O grande problema do Brasil, não só no que diz respeito a água, é que aqui não se tomam medidas preventivas para situações que já estão previstas para acontecer.

    Esse caso da água é algo que já era sabido há algum tempo, porém como sempre, espera-se a situação apertar para começar a tentar tomar algumas medidas, que na maioria das vezes são desesperadas e que de fato não resolvem o problema. Isso vale não só para a crise hídrica, mas também na área da educação, saúde, segurança, etc.

    Na minha cidade também estamos com problema de água devido a total incompetência do órgão responsável pelo abastecimento da cidade. Temos 4 represas e um rio da onde é captada a água que abastece o município. Quando o rio estava cheio, ao invés da captação ser feita exclusivamente dele para que as represas pudessem ser mantidas como reserva em caso emergencial, afinal a chuva já estava escassa nessa época, o digníssimo presidente da entidade juntamente com os diretores, pararam a captação do rio e começaram a pegar água apenas das represas já que estavam apenas um pouco abaixo da capacidade normal. Como a chuva não veio, o rio abaixou tanto seu nível que chegou um ponto que não era mais permitida a captação de água e nessa altura, o nível das represas já estava lá embaixo.

    Como resultado, hoje somos a única cidade da região que está enfrentando racionamento, aonde ficamos 12 horas com água e 36 horas sem. E só não ficamos sem água pois por sorte choveu na cabeceira do rio e hoje ele se encontra em vazão normal, permitindo novamente a captação somente dele enquanto as represas em situação crítica se encontram com as comportas fechadas apenas enchendo.

    Mesmo com o rodízio, estão tendo muitos problemas pois vários bairros estão dizendo que ficam vários dias sem água enquanto em outros a água não é cortada. Aqui aonde moro mesmo, pelo que percebi eles apenas reduziram a pressão da água, enquanto em bairros afastados e carentes eles cortam e tem gente reclamando que fica de 3 a 4 dias sem água.

    E vocês vão ver esse ano ainda, pois agora é época de chuva e da para manter as represas com o racionamento, porém depois de março vem a estiagem e aí não tem mais da onde tirar água. Quero ver aonde o Alckimin e o Haddad vão tirar água pra abastecer 10 milhões de pessoas. Ainda bem que fazem 6 meses que não moro mais aí.
    Exatamento isso. ''O grande problema do Brasil, não só no que diz respeito a água, é que aqui não se tomam medidas preventivas para situações que já estão previstas para acontecer.''

    Como eu disse no meu primeiro post, medidas como essa de transposição do Rio Paraíba do Sul, racionamentos, medidas preventivas, etc deveriam ter sido pensadas em meados de 2012, quando tudo já apontava que a situação ficaria crítica. Mas não, aqui tudo é festa, país tropical e crise é coisa de Europeu.

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