Isso é um assunto que me interessa um bocado, por isso vou transcorrer mais um daqueles Wall of Text que costumava postar. Também vou postar muitas fontes e deixar o mais elaborado que conseguir, com o mais completo e útil conteúdo que haver. Aproveitem e leiam, principalmente agora que é época de festa!
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Álcool engorda?
O álcool causa hipoglicemia e, uma coisa que quase ninguém sabe -ou que ninguém nota- é que aquela fome imensa que você sente depois de beber um pouco se deve ao fato de que seu sangue está pobre em glicose e, quando você para pra comer (envia sinal de que há alimento disponível para o cérebro), acaba comendo muito, dificilmente ficando saciado. Não sei se é o caso de vocês, mas isso acontece muito, sobretudo naquele churrasco de família que tem cerveja depois do almoço. Ah, é daí também que saiu o ditado de que "álcool abre o apetite".
Agora, vamos aprofundar um pouco mais e beirar a teoria da conspiração; álcool não engorda muito, o que engorda são os "petiscos" e a gula pós-hipoglicêmica (como falei acima). Vou dissecar, literalmente, um artigo de um site que nem sempre costumo confiar, mas que nesse quesito de "álcool engordar" acabou lapidando solidamente uma opinião em mim; é um texto realmente muito bom e repleto de fontes científicas. Vamos lá...
O link para o texto completo é esse aqui. É em inglês, mas dá pra se obter uma boa ideia do que é tratado usando o tradutor do Google ou aventurando-se com o conhecimento provindo das aulas de língua estrangeira do ensino médio. As fontes científicas que usarei aqui no tópico estarão nos links embutidos no meio do texto.
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Particularmente, o tópico do artigo chamado "Alcohol and thermogenesis" é o que me interessa; ele fala do álcool e de suas calorias, bem como da formação de gordura pelo mesmo. Lendo o que escreverei abaixo é o suficiente para se ter plena ideia do assunto, não sendo necessário ler o texto original.
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Aqui é falado que indivíduos que bebem cronicamente ou demasiadamente costumam ter um peso menor do que aqueles que não o fazem. Alguns defendem que isso se deve ao fato de que alcoólatras se alimentam menos do que pessoas normais, mas particularmente não concordo com a afirmativa quando se trata de pessoas que bebem bastante, mas não chegam ao nível de alcoolismo propriamente dito.There's been an ongoing debate for years whether alcohol calories "count" or not. This debate has been spurred on by the fact that drinkers weigh less than non-drinkers and studies showing accelerated weight loss when fat and carbs are exchanged for an equivalent amount of calories from alcohol. The connection between a lower body weight and moderate alcohol consumption is particularly strong among women. In men it's either neutral or weak, but it's there.
How can this be explained, considering that alcohol is a close second to dietary fat in terms of energy density per gram? Not to mention the fact that alcohol is consumed via liquids, which doesn't do much for satiety?
Prestem atenção nesse trecho de um trabalho científico: Isocaloric substitution of carbohydrates by ethanol results in weight loss, and addition of ethanol to an otherwise normal diet does not produce the expected weight gain. Ele fala, nada mais nada menos, que foi demonstrado que as calorias do álcool não se equivalem a outras calorias; ou seja, 1000 calorias em vodca não são a mesma coisa que 1000 calorias em brigadeiro ou churrasco. Ora, isso só já bastaria, mas vamos transcorrer mais...
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Álcool não tem 7 calorias a cada grama, como costuma-se achar. Mas sim 5.7, pois precisa-se descontar as calorias que o corpo gasta para processar o etanol, ou "TEF", como o autor chama. No caso das proteínas, com 4kcal por grama, e demais macronutrientes, esse "TEF" já é descontado.Alcohol is labeled as 7.1 calories per gram, but the real value is more along the lines of 5.7 calories due to the thermic effect of food (TEF) which is 20% of the ingested calories. This makes the TEF of alcohol a close second to protein (20-35% depending on amino acid composition). The heightened thermogenesis resulting from alcohol intake is partly mediated by catecholamines.
O artigo que coloquei como fonte acima traz claramente que: "(...)the thermogenic response induced by ethanol ingestion in humans has not been extensively studied."; ou seja, que o efeito calórico do álcool não está bem elucidado, simplesmente porque não é bem estudado. Então, não s]ao totalmente confiáveis os rótulos nutricionais de cervejas e outras bebidas alcoólicas. Isso pode ser bem visto na prática ao se analisar o fato de que não é obrigatório ter tabela nutricional nas bebidas que contenham etanol; você nunca vai achar o "valor calórico" de um copo de vodca no verso de uma garrafa de Absolut! Não é algo que a comunidade científica tem se prestado a esclarecer!
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Aqui é o ponto por onde comecei a elaborar o post; fala dos impulsos alimentares gerados pelo álcool. O autor traz que os impulsos ocorrem pelo fato de que o álcool causa "desinibição" dos reflexos de "inibição de comportamentos compulsivos (p.ex. comer demasiadamente)". Isso é verdade, mas também existe o fato da hipoglicemia, como falei no início.Is higher TEF a reasonable explanation for lower body fat percentage in regular drinkers? We need to consider that alcohol does not affect satiety like other nutrients. The disinhibition of impulse control that follows intoxication may also encourage overeating. Ever come home from a party in the middle of the night and downed a box of cereals? That's what I mean.
Ele também diz que o álcool não gera saciedade, como faz a comida. Tal feito também contribuiria para o aumento da ingestão alimentar.
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Por fim, vamos transcorrer um pouco sobre a capacidade que o álcool tem de virar gordura no corpo.
O autor, sabiamente, relata que o acetato, o metabólito do etanol (álcool das bebidas), é extremamente difícil de ser transformado em gordura, sendo que esse processo ocorre muito pouco no corpo humano. Não há uma cascata metabólica que leve, diretamente, o álcool ser transformado em gordura, simplesmente porque não fomos feitos para consumir álcool. É mais ou menos como comer isopor; ele tá lá, mas não vai ser processado pelo organismo.Acetate in itself is an extremely poor precursor for fat synthesis. There's simply no metabolic pathway that can make fat out of alcohol with any meaningful efficiency. Studies on fat synthesis after substantial alcohol intakes are non-existent in humans, but Hellerstein(from quotation) estimated de novo lipogenesis after alcohol consumption to ~3%. Out of the 24 g alcohol consumed in this study, a measly 0.8 g fat was synthesized in the liver.
Aqui vai um trecho de um artigo que fala justamente isso: "Ethanol (alcohol) is converted in the liver to acetate; an unknown portion is then activated to acetyl-CoA, but only a small portion is converted to fatty acids.
Most of the acetate is released into the circulation, where it affects peripheral tissue metabolism; adipocyte release of nonesterified fatty acids is decreased and acetate replaces lipid in the fuel mixture."
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Pra finalizar, aqui há a explicação de como que o álcool engorda: ele não vira gordura por si só, mas suprime a oxidação (degradação) de gordura já acumulada e facilita o acúmulo nos adipócitos da gordura da dieta. Ou seja, se você beber sem se empanturrar de comida, jamais engordará.The effect of alcohol on fat storage is very similar to that of carbs: by suppressing fat oxidation, it enables dietary fats to be stored with ease. However, while conversion of carbs to fat may occur once glycogen stores are saturated, DNL via alcohol consumption seems less likely.
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"Aproveitar-te-ei, ó tempo do fim dos anos; data tão esbelta e almejada jamais passará em vão! Bebei, fiel de Cristo, pois ele mesmo vos entregou o próprio sangue na purissíssima ânfora do vinhedo tinto. Bebei!"
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