- Nada, nada, não há nada para olhar aqui. Volte para o lugar de onde veio e esqueça qualquer coisa que tenha visto nessas terras.
Surpreso, segurei filme meu escudo, olhei para os olhos da tal moça e vi que ali havia uma alma boa, porém assustada, necessitando minha ajuda mas, que recusaria qualquer tipo de contato.
Com muita força e confiança, disse para aquela donzela trêmula:
- Não me peça para voltar; de onde vim não sei, para onde vou, nem imagino... Meu destino é caminhar e ajudar os que necessitam.
Aquela que para mim, já não era mais uma exploradora, não sorriu e nem gesticulou nada de diferente. Com as mesmas expressões, continuou:
- Não há nada à se fazer aqui, não há a quem ajudar, esses monstros não tem fim e minha sina é matá-los, um à um.
Visto que aquela conversa não adiantaria de nada, olhei fundo nos olhos da moça e segui em frente; ela exitou, tentou me dizer o que não fazer, mas já era tarde, havia caído num buraco escuro e apavorante para alguns, não par a mim.
Com minha tocha acesa, caminhei por aquele local matando aranhas que ousavam cruzar meu caminho. Eis que ouço barulhos, risos, vozes que nenhuma aranha seria capaz de fazer.
Eu já não estava mais sozinho naquela caverna, alguém estava lá, se não em corpo, em alma.
'A cidade está logo ao lado, aquela brava mulher derruba todos os monstros que desta caverna saem por alguma razão, por alguém.' - Pensei eu naquele momento.
Segui à diante e me deparo com esqueletos e vampiros, algo que em mim não traziam medo, mas para uma cidade indefesa, poderia ser uma maldição terrível.
Com minha fiel espada, cortei os pescoços desses demônios e limpei o local.
Mais a fundo daquela caverna havia mais e mais deles. Derrubei um à um, e tentei voltar para explicar à aquela moça que eu havia entendido o que se passava por ali.
Ao recuar, me deparei com monstros vivos (para ser mais exato, mortos), no mesmo lugar em que eu havia derrotado dezenas de outros. E os corpos, onde estavam? Não havia vestígios do estrago feito pela minha espada naquele local.
Minha idéia do que acontecia no local acabara de mudar. Como disse a moça de olhos assustados, não há fim, eles estariam sempre lá, e alguém precisa evitar que se espalhem.
Em meu coração não saia a dor de ver uma moça tão bela, sem família, isolada ao redor de uma cidade, convivendo com vivos-mortos e enfrentando-os dia-à-dia, sem pregar os olhos, sem descanso algum.
Mas estava orgulhoso de ver que no meio de tantos outros exploradores, defensores e guardiões do nosso mundo, existem mulheres, valentes e guerreiras lutando pela mesma razão que todos, fazendo sua diferença!!!
Após voltar, derrotando mais dezenas de mortos-vivos, olhei fundo para aquela mulher, e sem querer, novamente, questionar motivos, razões ou curiosidades, tentei tocá-la, como um gesto de cumprimento.
Subitamente não senti-la, minha mãe atravessara seu corpo sem conseguir obter contato algum.
Toquei-me em direção à saída e fui explorar novas terras, tudo estava explicado ali naquele local, ou talvez, nada. Ao menos estava explicado à mim que pessoas como eu, exploradores, podem descobrir o mundo, podem desvendar mistérios, segredos, maldições, mas muitas vezes não podemos mudar o mundo, por mais que saibamos que ele seria melhor se conseguíssemos.