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makumbado: azarado. mas enfim está curado
Antes de começar, uma breve descrição das ervas maravilhosas medicinais catadas com carinho pela assustadora Binikiba:
1- Ortigão (urtigonis malavitae sp): planta abuntante nas florestas locais. Comestível, tem um gosto amargo. Quando tocada de mal jeito, espeta por ter uns pelos irritantes nas folhas.
2- Chifre-dos-Diabos (pimentus capetus): belíssima planta que cresce em clareiras da floresta. Ao longo do ano, ela dá frutinhas, sob a forma de pimentas cor de vinho, bifurcadas como a língua de uma cobra, para duplicar a ardência. Daí o seu nome.
3- Cacto Cabeludo (cactus rastafaris): Um cacto com espinhos enrolados. Parece uma ovelhinha fofa. Mas espeta que é uma miséria.
4- Ferrão-de-Marimbondo (nigris nigris nigris): um arbusto raro, com poucas pequenas folhas, troncos e galhos de uma coloração negra pra chuchú e aparência e textura oleosas. O óleo extraído da planta, apesar de extremamente urticante, é um potente antibiótico.
5- Mata-Lagarta (largartae trolladae sp): As lagartas adoram as folhas e flores dessa estranha planta retorcida. É um petisco dos Deuses. Três minutos após o quitute, caem mortas. Problema?
6- Acende-Fogaréu (titanium volcanae ativus): Uma árvore que cresce perto de terras vulcânicas e áridas. Cheira a enxofre. Suas frutas amareladas têm um toque quente e brilham no escuro. Às vezes, caem e provocam incêndios.
Sa... ra... vá, ô mo Diário,
Por donde começá? Essa, eu tenho de contar pá suncê. E mais... Num desejo isso nem pá torcedô do Fuminence. A Binikiba voltou naquele dia maldito. Pelo menos ô tô curado e livre de tratamentos da bruxa, que provavomente seriam ainda piores. Quê quela ia fazê dipois?? Metê uma brasa lá atrás? Metê um funil e despejá ólio dísel fervente nas minha entranha? Só pode ser; num posso pensar em coisa pior.
Bom, mô Diário, Binikiba entrou na chupana véia dela e eu já tive um mal pressentimento. Ela trazia com ela merma uma cesta CHEIA de ingrediente feio. Cada coisa medonha lá dentro... Ela me oiou nos óio. eu oiei nos óio dela. Ela continuô oiando nos meu zóio. Eu continuei oiando de volta. Tava uma rotina, sabe? Ante que rolasse um crima, eu olhei pros peito dela. Voltei a oiar pro zôio. Enfim... Ela disse: "Voltei, Makumbinha". Me deu vontade de responder
"Séru??? Achei que suncê inda tava tretano co capeta lá nos quinto dos inférnu" mas estava muito pavorado pá isso. Ela disse que tinha achado os ingrediente tudo pra curar mo dodói. Tava coçano demáis o tal dodói. Eu num sabia se fugia dali; virar um fungo já estava até me pareceno bom; ou se mandava andar logo com esse tratamento. Ela me disse "Olha, Makumba... Vou entrar no meu laboratório e lhe preparar a
SALADA BINIKIBA, o remédio que vai te curar com toda certeza. Só tenho que achar o azeite..." Fiquei intrigado com essa tal salada. A Binikiba ficou umas duas hora lá no laboratório fazeno o meu rango vegetariano e, quano saiu, trazia com ela vários chumaços de aparênça apetitosa. Até fiquei filiz. Mas ela estava cuma cara istranhamente apreensiva. Me oiou séria e falou... "Não vou mentir pra você e não quero assustar mas... Vai doer."
- Ih Madame Binikiba... É ardido é?
- É... Bastante ardido. Uma ardência que você nunca sentiu na vida.
- Tá... cheu comer isso logo então.
- Comer? Abre as bandas...
- NÃO!!! NUM PODE SÊ, MIZINFÍA!!!
(quer dizer... num minfía nada!!!) QUÊ COCÊ TEM COM METER COISA ALI ATRÁS?? QUÊ CÔ TE FIZ??????
- Deixa de besteira, Makumba... Vai doer pra cacête mas você vai ficar bom, oras!!
Nesse momento, antes cô corresse pa liberdade e virasse um verdejante fungo, a Bruxa me agarrou e me imobilizou no colo dela. Nunca pensei c'aquela coisa fosse tão forte. Num consiguia mi mexê, MIZINFA!!!!! 0_0 Tava totalmente à mercê da Bruxa; o que ela quinzesse ela pudia me fazê... E eu notei co tratamento seria "de choque".
Perguntei pra que era o azeite? "Pra deslizar melhor", ela disse. Nesse momento, me dei conta duma coisa: num tinha inventado supusitóro nessa época!!!! MI-FU!!!
Nisso a Bruxa gritou:
Te prepara, Makumba... 1... 2... 3...
ATÓOOOOOOOOOOOOOOOCHA!!!!
E a coisa foi "ATÓCHADA". Várias vez. Dizem co meus grito foro ouvido até nas profundeza de Kazordoon (ovi na cidade, depois). Meu ânus tava arrombado, cheio de pranta ardida e espinhuda saino pá fora. Num conseguia nem fechar as perna. Ardia, coçava, espetava... Tava recheado cum pranta feito perú de natal. E fiquei assim uns 2 dia. Aí bruxa me disse cô podia me livrar da salada em algum buraco qualquer. Eu tava curado.
Nunca pensei cô sentiria falta do exame do fura-bôlo...
A Bênça.