Capitulo VIII – Das minhas poucas teorias de amor que enfim me esqueci.
Fomos afastando-nos devagar. Saboreando o doce beijo, e realmente estava um gosto de... Chocolate, sim, um doce gosto de chocolate. Ela olhou e me abraçou apertadamente acariciando minhas costas enquanto eu apertava com força sua cintura fazendo-a afastar.
- O que você quer de mim, Isaac?
- Como assim?
- O que você realmente quer ter comigo? – disse com aquele tom reprovador que sempre faz quando pergunta assuntos próximos a este.
Tive que engolir seco. E temi novamente sua reprovação, seu olhar questionador. Culpa sua, me colocaste este medo besta de sonhar, de me chamar de infantil.
- Vamos deixar como está. Namorar, agora? Não, melhor não. Quero algo, mas não pra agora, agora, agora...
Eu vi no rosto dela uma reprovação, na hora não prestei tanta atenção. Mas afinal, o que eu tinha feito de errado agora? Fiz tudo errado. Culpo-me por não dizer que enfim a amava, por sentir medo de me expressar um único momento, pelo que? Pelo medo! Hoje tenho sonhos contigo. Sonho com pequenos casamentos inglórios, com tuas mãos as minhas e um aperto longo e forte contra nosso peito. Sim, ele é teu também.
Levantamo-nos e fomos rever as nossas amigas escadas. Elas disseram que não seriam de todo mal se fizéssemos novamente o que havíamos feito da ultima vez. Diga-se de passagem: Os óculos não gostaram da idéia, ficaram embaçados. As escadas se divertiram com o pequeno movimento corriqueiro e a minha boca falou que gosta da tua.
(Minha mão disse o mesmo do teu corpo...)
Capitulo IX – O pesar do pensar
A chuva caía do lado de lá da janela. Eu a abri e com os olhos serenos só pude olhar mais uma vez o horizonte de casas, a chuva sobre o mundo que se mostrava através da fraca luz do poste e que agora era também encoberto pelas gotas. Madrugada sem sono. Minha velha insônia sem preocupações, sem motivo.
Tinha em mim um suspiro, um incomodo que me colocava prostrado. Bebi mais um gole de vinho da garrafa e perdi-me na chuva. O velho “First Impressions of Earth” tocando ao fundo, sonhei! Ela estava no meu quarto, com seu típico vestido negro. Segurei sua mão calmamente, o som de “You Only Live Once” subliminava um sentimento monocromático, as sombras. Misturávamos dançando por entre as penumbras que do quarto, das cortinas e da luz já quase escondido do poste. Não eram precisos sorrisos, mas por um momento sorrimos de lado. O passo apertou-se, fomos mais rápidos apoiados um sobre o outro e seguimos pisando certo, errado, certo, errado...
A chuva caiu mais forte, o barulho se misturava e as gotas já entravam pela janela. O céu iluminou-se e num suspiro ouvimos abraçados o som do trovão. O dedilhado decresceu e a musica foi acalmando-se, suavizando o compasso e por fim paramos. Ela sumiu...
Só pude fechar a janela, deitar-me na cama olhando o teto e esperar o amanhecer de mais um dia.