Crendeuspai! Faz dez dias que eu não apareço aqui!

Desculpa, galera, eu pretendia postar o capítulo 9 no dia 11 deste mês, mas acabei me entretendo muito com o título do Palmeiras pela Copa do Brasil. Estive no estádio, assisti ao jogo na torcida visitante e depois fui ao hotel acompanhar os jogadores campeões! Dio mio! Somos os maiores campeões nacionais! Scoppia!

Bom, vamos adiante. Tive pouca popularidade pelo capítulo 8, talvez por tê-lo postado muito rápido, mas vá lá. Já ultrapassamos mais da metade do conto e eu agradeço a quem o tem acompanhado.

Capítulo 9!

CAPÍTULO 9 - A filha de Zeus

Os três agradeceram muito a hospitalidade muito qualificada dos espíritos da montanha, que responderam amigavelmente, atarefados com seus afazeres diários. O que, pensou Jacob, espíritos poderiam ter como afazeres, ele não gostaria de saber; entretanto, parecia englobar coisas simples, como cortar o tronco de espíritos de árvores e construir fogueiras fictícias, além de abater a alma de animais para assá-la.

- Precisamos chegar lá embaixo depressa – Jake parecia bastante preocupado, e algo o incomodava, embora ele não soubesse exatamente o quê. – Acho que Dreader está nos seguindo. Ele é o diabo em pessoa.
- Sim, é filho de Hades – observou Selena, os olhos grandes e serenos.

Jacob fez uma careta para Jack por trás da garota, e o amigo riu.

- Não, esperem – disse ela, olhando, levemente curiosa, para a depressão da montanha. – Vocês não esperam chegar lá andando, não é? Até chegarem, Dreader já nos terá capturado.
- Como assim nos? Você não vai, Selena. É muito arriscado.
- Mas evidentemente que vou – ela fechou a cara para Jack. – Arriscado ou não, é a subsistência da minha tribo que está em jogo. Vou com vocês.
- Poxa vida, é uma pena que eu tenha perdido o último pterodáctilo – observou Jake, ironicamente. – Mas não há como descer, exceto pela montanha.

Selena balançou a cabeça, incrédula e desgostosa.

- Por Zeus, só nos mandam semideuses limitados. Por favor, segurem-se em mim.

Jack e o amigo trocaram um olhar divertido, mas resolveram obedecer.

- Quando digo para segurar, é para segurar mesmo. Não apenas tocar.

Eles apertaram, cada um, um braço de Selena e, então, tudo girou.

Dois segundos depois, os dois rapazes arquejavam e tinham ânsia de vômito, forçando-se contra o chão de um lodo que, dois segundos atrás, não existia sob seus pés. O rosto de Jacob estava atolado na lama. Jack, por sua vez, levantou-se devagar, tossindo muito e encarando a figura tranquila de Selena.

- Que diabo...
- Sou filha de Zeus, protetora-mor do Acampamento dos Celestes – disse ela, e não parecia estar brincando. – Zeus nos colocou ali para guardar a passagem da montanha até que alguém com alguma sensatez aparecesse para tomar as Relíquias. Parece que o Olimpo confia em vocês, semideuses, ou, de outra forma, eu jamais os ajudaria. Acho que os mataria.

Jacob levantou-se e cuspiu um punhado de grama com lama.

- Engenhoso. Agora conte a verdade.

Selena balançou a cabeça, desgostosa.

- Não seja limitado.
- Sabe, você não é a primeira pessoa que me acusa de limitações, hoje.
- Talvez porque você seja mesmo.

Jack resolveu intervir.

- Onde estamos?
- Ghostland – anunciou ela, apresentando o lugar com um movimento pouco preciso com os braços. – Bem vindos ao berço da morte.

* * *

No castelo, Dreader encarou seu vasto contingente.

- Soldado Yumi – ordenou, ao que um rapaz alto e ruivo deu um passo à frente. – Você conhecia os foragidos?

Ao seu lado, Josh estremeceu.

- Sim, senhor – disse. – Como bem sabe.
- Como pode ajudar Travers?
- Como o senhor já bem sabe, Imperador.
- Vá – disse ele, e, em seguida, olhou para Josh. – Siga-o, Josh. Você nos tem sido muito útil. Como está a família?

Josh levantou a cabeça.

- Bem – respondeu, engolindo em seco.
- É bom que esteja jogando para o nosso lado, ou todos eles perderão a vida. Você entre eles. Vão.

Os dois bateram continência e deixaram o castelo, Josh sentindo-se muito mal. Estava pronto para demonstrar, verdadeiramente, qual era seu lado, mas temia que tudo desse errado.

* * *

Travers limpou o fio da espada, que segundos antes estivera coberto de muito sangue. Havia cumprido seu propósito. O cacique da tribo precisou ser assassinado para que ela entregasse a posição ou o paradeiro da dupla que havia passado por ali.

- Miseráveis – gritou uma jovem, debruçando-se, soluçando, sobre o corpo inerte de Pajé. – Desgraçados! Demônios.

Travers sorriu.

- Crave-lhe uma flecha na testa para que se cale, Locke.

E o arqueiro obedeceu, ao que o corpo frágil da mulher despencou sobre o do cacique. Os índios emitiram exclamações e se retesaram, assustadíssimos.

Com um pouco de relutância, o comandante dirigiu seu olhar para o corpo morto de Rangel, em cuja volta as folhas da grama haviam morrido. O animal enorme fedia demais, e Travers sentiu uma pontada de suscinto desespero ao vê-lo entregue. Se aqueles dois o haviam abatido, suas chances eram um pouco mais reduzidas de os capturarem.

- Vai pagar por isso, Travers – murmurou um índio forte e muito musculoso, os olhos injetados de ódio. – Não esqueceremos da morte dos filhos de Zeus.
- Zeus – debochou Travers, achando muita graça. – Onde está Zeus, que não os protege, nativos inúteis?

O índio olhou para ele, raivoso.

- Quer que crave uma flecha na testa dele também, comandante?

Travers sorriu.

- Não, não é necessário. Deixe-o aí. A dor da perda vai ser recompensada pelo sofrimento.

Os cinco homens iam passando pela fenda na rocha quando foram abordados por outra pessoa, que entrava pelo outro lado da campina. O homem era alto, esguio e forte, e usava a armadura com o distintivo da Red Sky.

- Ah, senhor informante – disse o comandante, com o maior desprezo que pode. – Veio se juntar a nós?
- Será interessante vê-los morrer – disse.
- Traidor – gritou um dos índios. – Traindo a Coroa! Como pode fazê-lo?
- Ahm... Locke? – chamou ele, suavemente. – Flecha na testa, por favor.

O arqueiro tombou o último índio, antes de se juntar aos outros cinco homens que atravessaram a fenda.

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Jacob tinha feito sua vida se tornar um borrão inexplicável nos últimos minutos. Selena, que dizia-se ser descendente – filha – de Zeus, os havia mostrado muito mais do que a magia básica que se aprendia nas escolas de Jarrah. Era magia avançada, muito poderosa, e, agora, seu aviso de que ele e o amigo eram filhos de Ares ressoava, retumbante, em seu ouvido.

Jack, por sua vez, parecia mais relaxado, como se estivesse conformado com seu potencial destino.

- Creio que a entrada da tumba seja naquela direção – Selena apontou para noroeste, e Jacob resolveu não contestar. Levantou a cabeça e tentou olhar através do cemitério de ossos ressecados e gigantescos, a névoa baixa que impedia ainda mais a visão, e a vegetação rasteira em estado terminal. – Fica a poucos minutos de caminhada.

- O que poderemos encontrar, Selena?
- Nos primeiros andares, creio que nada, Jack. Nada além de lebres e alguns ratos gigantes. Entretanto, os dois últimos andares revelam tudo que há de horroroso na planície.
- Como o mago Teronus – observou Jacob.
- Arrisco-me a dizer que Teronus não é nosso maior problema – sentenciou Selena, misteriosa. – Toda sorte de mortos-vivos e esqueletos pode nos atacar, precisamos estar preparados.
- Temos sua magia – Jack observou.
- Teronus não é tolo – Selena estava muito séria. – Provavelmente, minha magia será anulada em seu reduto mágico. Espero que vocês possam aflorar seus poderes logo, visto que o mago já me conhece e deve ter se preparado avidamente para a oportunidade.

Jacob e Jack ficaram quietos.

- Vamos andando – disse ela, empunhando seu arco e liderando o grupo.

Os dois caminharam atrás dela, silenciosos e muito cautelosos, as espadas em punho. Repentinamente, entretanto, uma pomba desceu dos céus, descrevendo um arco sobre o grupo.

- Uma mensagem – disse Selena, admirada.

Jacob tomou-a, o coração aos saltos.

- Leia em voz alta – disse Jack, aflito.
- “Ele sabe da morte da besta. Mandou um batalhão de elite. O traidor vai estar entre eles. Estejam atentos.”

Jack e Jacob entreolharam-se, mas Selena não pareceu se impressionar.

- Quem é o traidor?
- Josh tem nos dito que há um traidor no exército, mas não fazemos ideia de quem é – explicou Jacob. – Pelo que nosso amigo nos tem relatado, existe apenas uma pessoa que conhece nossas habilidades e que se enquadra no medo que eventualmente venhamos a sentir.
- Yumi – Jack cuspiu, na hora.
- Yumi – concordou Jacob, sentencioso. – Ele é muito habilidoso. Melhor irmos andando.

O grupo fechou os flancos, caminhando com cuidado, o barulho de trituração inevitável enquanto pisavam nos restos de muitos pequenos animais mortos. Chegaram, entretanto, facilmente à entrada da tumba: uma rocha gigantesca no coração de Ghostland, com uma entrada estreita, cuja passagem permitia apenas um homem por vez.

- Vou primeiro – disse Jacob, ao que, sem delongas, alçou-se para dentro, os pés atingindo o chão muito antes do que imaginava.

Jack e Selena vieram na sequência, mas não havia luz alguma. O teto era muito baixo, de modo que Jack e Jacob precisaram se agachar para poder caber ali dentro.

- Pode nos dar um último suspiro, Selena?

A garota abaixou-se, tateou até achar um pedaço grande de pau e, com muita habilidade, estourou sua ponta com um raio certeiro, gerando fogo na sequência. Ao que tudo indicava, sua magia estava intacta.

A antecâmara era pequena. Juntos, com o coração aos saltos, os aventureiros dirigiram-se ao longo do labirinto.