@Gold Hamlet
Meu guri, você não tem ideia da nostalgia que me acometeu agora, pontuando minha visão com expurgações lacrimosas! Fico feliz que tenha aparecido por aqui, é muito empolgante ver cidadãos da velha guarda ainda visitando este canto do fórum.
Tamo junto!
@Zebrinho Matador
Faz um favor, então, ardiloso amigo? Continua acompanhando, por mim!
@Topic
Pessoal, já terminei esta história e já comecei a escrever a segunda, que será toda narrada na visão do personagem principal. Vou compartilhar com vocês o capítulo 8, agora, certo?
E amanhã todos torcendo para o Boca Juniors e, na quinta, pelo Palmeiras! Avante, esquadra!
CAPÍTULO 8 - O Acampamento Fantasma
Jacob e Jack caminharam em marcha atlética, deixando para trás a escuridão da caverna e saindo num desfiladeiro, à beira do precipício. Parecia vazio. Porém, conforme caminharam, magicamente tendas e mais tendas muito bem estruturadas foram surgindo à sua visão, revelando, também, um grupo de moradores que ficavam na beira do penhasco.
Ao fim, era possível ver o vale da cadeia montanhosa que caracterizava as Planícies Fantasma.
- Com cautela – alertou Jack, que achou por bem embainhar sua espada e orientar o amigo a fazer o mesmo.
Um jovem, que não devia ter mais do que a idade deles, aproximou-se, usando roupas simples de camponês.
- Boa noite – disse, a voz cordial mas estranhamente andrógina, como se fosse reproduzida por algum eco de caverna. – O que os senhores desejam?
- Desculpe, somos Jack e Jacob – Jacob apontou para o amigo e para ele próprio, na sequência. – Somos viajantes de Jarrah, com o objetivo de chegar às Planícies Fantasma.
- Planícies Fantasma? Denominamos as planícies como Ghostland, A Ilha dos Zumbis.
Jack revirou os olhos.
- Como quiserem chamar. Precisamos de um lugar para repousar, pode ser ao relento.
- Não tratamos mal nossos visitantes – ele sorriu, e seu sorriso era sincero. – Se vocês se levantam contra o mal que aflige o continente, estamos com vocês.
- Dreader vai matá-los.
- Não se pode matar o que já está morto.
Eles caminharam ao longo da campina, e Jack achou que era válido aceitá-los. Pareciam cordiais. Muito mais estranhos do que os índios que eles haviam acabado de deixar para trás, mas igualmente bem hospitaleiros.
- Somos mortos-vivos, como os que vocês querem destruir, lá embaixo – o rapaz apontou para o fim do desfiladeiro. – Sou Michael O’Connel, ou apenas Mike. Somos zumbis rebelados, mas apenas em astral.
Jack olhou para Jacob, que disse “Astral?” sem emitir som.
- Quero dizer que estamos presentes apenas de alma – esclareceu Mike, como se tivesse apreendido a confusão dos rapazes. – Nossos corpos descansam no fundo do Tártaro. Somos crias de Hades.
- Hades – repetiu Jake. – É razoável.
Ele sorriu.
- Você tem bom coração para um semideus, Jacob Kniss.
Jake olhou para Jack, assustado, e o amigo devolveu-lhe o olhar. Semideus? Que história era aquela?
- Somos crias de Hades, mas temos aqui, no acampamento, filhos de Hefesto, Ares, Atena e até mesmo Afrodite. Nosso patrono é Hades, certamente, e não seremos hostis, mesmo que o de vocês seja Zeus.
Os dois assentiram, sentindo-se cada vez mais confusos.
- Pernoitem – disse ele, enquanto as duas últimas almas, duas mulheres muito sensuais, acenaram e desapareceram dentro de uma cabana. – Pode ser um pouco frio, mas temos cabanas materiais, assim como cobertores, no final do desfiladeiro. Estejam à vontade.
Com um último sorriso, Mike desapareceu, também, dentro de uma tenda.
- Podemos confiar? – perguntou Jack, num sussurro.
- Podem – disse Mike, aparentando ter um sorriso na voz, de dentro de sua tenda.
Jacob riu, um som anasalado, e acompanhou o amigo até o final da campina. Encontraram a tenda de pano e paus muito resistentes, e cobertores dentro dela.
- Dia engraçado – disse Jacob, feliz, depois de lavar-se em um córrego abundante que desembocava numa cachoeira no fim do penhasco, logo após o amigo, e deitar-se num acolchoado suave de algodão.
- Dia engraçado – repetiu o amigo, mais apreensivo.
Sem conseguir pensar muito, Jacob adormeceu segundos depois, dormindo profundamente, num sono sem sonhos.
* * *
No dia seguinte, a barraca foi sacudida de forma brutal. Jacob piscou duas, três vezes até desanuviar a visão, levantando-se em sincronia com Jack.
- Saiam, viajantes – disse uma voz hostil, do lado de fora, e parecia muito humana.
Jacob empunhou sua espada, ainda com o coração acelerado devido ao susto, e saiu. O sol brilhava a pino sobre eles, um pouco mais à nascente, e o rapaz fez um cálculo rápido – seis da manhã. Dormira muito pouco.
Dois brutamontes quase nus seguravam uma garota pelo cangote, morena, de olhos verdes como as armaduras díspares que usava, rosto muito bonito.
- Selena – reconheceu-a Jack. – O que está fazendo aqui?
- Vocês conhecem esta transgressora? – perguntou um dos brutamontes, irritado.
- O que você fez, Selena?
- Tentou esgueirar-se para dentro do acampamento na surdina – disse o outro gigante, mais irritado que o primeiro. – Pensam em nos saquear?
Jacob olhou em volta como se perguntasse “saquear o quê?”.
- Não banque o engraçadinho comigo, frangote – advertiu um deles.
- Não estou bancando. Está tudo bem, Selena é nossa amiga, e não sabia que viríamos até aqui. Seguia-nos para nos acompanhar em nossa missão.
Os dois gigantes se olharam, como se analisassem a veracidade do que havia sido dito. Depois, eles a largaram, deram de ombros e marcharam a passos rápidos até uma das demais cabanas materiais, desaparecendo na sequência.
- Por Zeus, Selena, entre, você está congelando.
A garota sentou-se, rancorosa, massageando o cocoruto, como se tivesse recebido vários cascudos que fizessem seus olhos lacrimejar. Contou aos dois sobre como fugira de Pajé e sua tribo, e ofereceu-se para auxiliar na missão.
Jacob observou atentamente seus lábios amendoados mexerem-se enquanto ela falava, de forma até a deixá-la ruborizada e constrangida. O próprio Jake desviou os olhos várias vezes, envergonhado.
- E isso é tudo – finalizou.
- Pajé está com medo de ser caçado por Dreader – disse Jack, chateado. – A culpa é nossa. Matamos Rangel em sua campina.
- Ei, cara, não tínhamos escolha.
- Não tinham mesmo – Selena argumentou. – Se o demônio nos tivesse localizado sozinhos, teria dizimado a tribo toda. O Arrebatador deve ter suas razões para escolhê-los, semideuses, de outra forma não poderiam se exibir daquela forma na campina.
Jacob pensou por um instante.
- Por que vocês nos chamam de semideuses?
Selena olhou para ele de forma desdenhosa, como se fosse óbvio.
- Ora, vocês não acham que Claude e Yuri sejam seus pais legítimos, não é? Olha como guerreiam, está no sangue e na aparência de vocês.
- O que quer dizer? – perguntou Jack, nervoso.
- Jack, por Zeus! Vocês são irmãos de sangue, ambos são filhos de Ares com mortais. Combatem de uma forma intangível, não é possível comparar com nada que já tenha sido visto.
Jacob tentou apreender a informação, sem sucesso.
- Selena, Roma e Grécia já caíram há muito tempo – argumentou ele, como se a chamasse para a razão. – Os deuses eram fictícios.
- É mesmo? E por que você ora a Zeus todos os dias?
Jacob abriu e fechou a boca várias vezes, possivelmente sem achar um argumento válido o bastante.
- O.k., você venceu. Suponhamos que sejamos filhos de Ares.
- Vocês são – ela insistiu.
Jack olhou para ele como quem diz “é melhor você não contrariar”.
Selena continuou, nos segundos seguintes, muito silenciosa, como se tivesse mais informações que quisesse compartilhar mas não conseguisse. Isso, entretanto, escapou aos olhos dos amigos, que continuaram fazendo planos.
- Acho que teremos melhores hipóteses se seguirmos por aquelas passagens que encontramos por dentro das rochas, Jacob – Jack argumentou. – Não sei se sobrevivo a novas tribos.
- Provavelmente é melhor – disse Jake, um pouco distraído com Selena. – Temo encontrarmos Teronus antes da hora, se quer saber.
- Acho que podemos lidar com ele – Jack deu-lhe uma piscadela. – Vamos conversar com o pessoal daqui. Preciso muito comer.
* * *
Dreader encarou os quatro homens que haviam sido selecionados por Travers, às oito da manhã. O comandante parecia muito cansado, mas estava disposto a seguir as ordens do Imperador, sem restrições.
- Estes são os melhores homens que temos no exército, senhor – dizia, parado em frente a eles e de frente para Dreader. – São combatentes fantásticos.
- São filhos divinos?
- Locke e Joe são filhos de Apolo – disse Travers, satisfeito com o evidente interesse de seu superior. – São arqueiros formidáveis.
- E quanto aos outros dois? – Dreader apontou-os com o queixo fino e de aparência instável.
- Ambos são filhos de Ares. São espadachins de qualidade.
Dreader assentiu, apreciando seu novo arsenal. Se fosse apropriado, empreenderia, ele mesmo, buscas incessantes pelos desertores.
- Não os ataquem até que estejam de posse das Relíquias do Olimpo – disse, mordaz. – É uma ordem.
- Será acatada, meu senhor.
- E traga as Relíquias para mim, Travers. Com sorte, dominaremos o que sobrou do exército romano e, posteriormente, usaremos os desertores como troféus na cidade.
Travers sorriu de forma maldosa.
- Vão. Quero os cinco empreendidos na busca. Não voltem sem o que lhes solicitei. E matem todos que tiveram contato com os dois.
Os cinco homens bateram continência e saíram, deixando atrás de si um Dreader cheio de dúvidas.
* * *
Josh desceu rapidamente da árvore do lado de fora, sentindo-se mais tenso do que já havia sentido em qualquer outro momento da vida. Desenrolou o pergaminho novamente e pôs-se a escrever febrilmente, na intenção de avisar os amigos.







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