Dando uma atualizada com o que li recentemente...
Macunaíma – O Herói sem Nenhum Caráter - Mário de Andrade
“Conheci” Mário de Andrade no último ano do colegial, num seminário que deveria fazer dele para a aula de Português. Na época li todos os seus contos e mais o romance “Amor, Verbo Intransitivo” – no fim, apenas eu de um grupo de cinco pessoas leu alguma coisa dele, e no seminário tive que passar cola aos demais para que não tirassem notas baixas. Anos depois, volto a ler outro livro seu, um que ouvi tantos falarem bem, e tantos falarem mal. Li, e concluo que quem falou mal é um idiota que não tem paciência ou imaginação.
Possui uma linguagem bizarra, no início incômoda, mas que vai atraindo aos poucos, chamando a atenção. O índio protagonista Macunaíma é um cafajeste, um inútil, vagabundo, aproveitador, mulherengo, preguiçoso, heróico. São histórias absurdas e surreais, apoiadas quase sempre no folclore indígena e seus mitos, usando-os para esclarecer e justificar vários acontecimentos. É torpe, engraçado, confuso, afiado, sujo, “nonsense”. Leitura pesada, que é difícil de digerir, por conta de muitas palavras de origem indígena. Ao mesmo tempo é ágil, de um estilo que na época era único e que hoje é muito usada, principalmente no cinema. Do que eu li no ano, só acho “Algumas Aventuras de Sílvia e Bruno”, de Lewis Carroll, mais atrativo – entretanto, mesmo com sua bizarrice se torna uma historinha normal, normal, perto de “Macunaíma”.
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Senhora - José de Alencar
De José de Alencar, só não li “A Pata da Gazela”; de resto, “Senhora” foi o segundo que mais gostei, perdendo somente para “O Guarani”. Eu admiro seu jeito tão minucioso quanto à construção dos personagens; xingo Fernando ou sinto raiva de Aurélia como se fossem conhecidos meus. Um conhecido que sabe das fraquezas e qualidades de cada um, como se com eles morasse em casa tão bela. A história, em uma frase, é sobre um homem que se casa com uma mulher por dinheiro, sem saber que ela é uma garota que anos antes ele dispensou por ser pobre; por conta disso, ela o “compra” somente para se vingar dele. O final, oras, é bem batido; mas depois de acompanhá-los em tantas desventuras, é o único final com o qual eu ficaria satisfeito.
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Morte na Mesopotâmia - Agatha Christie
Ih, tem um corpo. Ah, muitas pessoas estavam no local na hora da morte. Pois é, chamem Hercule Poirot para resolver isso.
O que mais me desagradou foi o vocabulário repetitivo e cheio de vícios de linguagem da narradora; uma enfermeira é quem narra o caso. Ela foi chamada para uma expedição arqueológica para cuidar da mulher que foi morta, porque essa estava se comportando de maneira estranha e dizia ver coisas que, ao menos parecia, eram frutos da sua imaginação. Diverte que nem os outros livros medianos dela; aquele negócio de tentar adivinhar quem é o culpado, e no final ver que é justamente aquele de quem você menos duvidaria. É quase sempre assim, mas Agatha escreve de tal modo que realmente lhe faz pensar que “não, não pode ser esse, é impossível e seria manjado demais”. Mas aí...
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O Arquivo Secreto de Sherlock Holmes - Arthur Conan Doyle
Não tem muito a dizer. São pequenos contos com casos cujo estilo narrativo não prende, como todo romance policial. Só interessa de verdade os fatos insólitos de cada história e suas conclusões que nunca são possíveis de prever. Diferente dos livros de Agatha Christie onde, com um estudo tremendo, pode acertar sem ser por chute quem é o verdadeiro criminoso, antes da antológica cena em que todos os personagens se reúnem numa sala para ouvirem a demorada explicação de Poirot a respeito de sua investigação.
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O Amor não Escolhe Sexo - Giselda Laporta Nicolelis
Ao ler esse, apesar de não pesquisar a respeito das obras de Giselda, certamente todos tem algum tema polêmico que abrange crianças e adolescentes. O primeiro que li falava sobre drogas. O segundo, trabalho infantil. Esse, homossexualidade. É como se fosse um “livro de encomenda”, pois discursa sobre diversas questões sexuais na adolescência de maneira bem instrutiva, às vezes deixando o texto muito artificial, e não se preocupa se a história é clichê ou previsível. Um rapaz extrovertido. Um amigo desse rapaz, tímido, loiro e de olhos azuis. Amigos, grandes amigos, desde a infância. O protagonista namora, mas percebe que, quando esse seu amigo passa também a namorar, começa a sentir algo estranho, ao ver que quase não passam mais tempos juntos. Além disso, nota que pode ter atração por garotas, ter ficado e transado com várias, porém uma hora deixa de se importar com elas, inexplicavelmente. Blá, blá, blá, não é preciso detalhar muita coisa.
Ao término desse livro fiquei com uma sensação de que, lá no fundo, escondido, tímido, havia a defesa da teoria de que uma pessoa não escolhe sua sexualidade; já nasce predisposta a sentir interesse em um ou outro – ou ambos, se for bissexual. É discutível, visto que é algo não provado até hoje. Enfim, o livro entretém um pouco, no que é possível para seu gênero.
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A Guerra de Platão - Domingos Pellegrini
Até agora o livro mais fraco que li de Domingos Pellegrini. Um professor que foi atropelado está internado em um hospital quando bandidos invadem seu quarto e matam a tiros seu companheiro de leito. Ele sobrevive por conseguir se esconder atrás de um móvel. Contudo logo é descoberto que há uma testemunha e esses mesmos bandidos vão até sua casa; ele foge, porém seu cachorro é morto. Em seguida percebe que está de posse de um disquete com informações valiosas que envolvem nomes de pessoas de diversas áreas, e a partir daí decide fazer vingança com as próprias mãos, não confiando sequer na polícia. Bem básico mesmo.
Esse não tem aquela linguagem tão atraente e divertida que nem vi em outros livros dele. É um juvenil comum, que nunca realmente empolga.
E, é engraçado ver um disquete no meio com tamanhas informações, algo que hoje não é mais usado =d. O livro é de 1997.
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História do Mundo para as Crianças - Monteiro Lobato
Volume quatro do Sítio do Pica Pau Amarelo. O título é auto explicativo. Dona Benta narra de um modo didático para seus netos, Emília e Visconde a história do mundo, desde as primeiras civilizações até a Segunda Guerra Mundial. Seria ótimo para uma criança ler e aprender, se não fosse excessivo o número de informações jogadas constantemente, mesmo que de forma simples. Dos que eu li do Sítio foi o mais chatinho.
Dard*