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Tópico: O mago e o andarilho

Visão do Encadeamento

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    Avatar de Gabriellk~
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    Depois de alguma demora, aí está o sexto capítulo:



    Capítulo seis – A reunião dos execráveis




    Em uma clareira numa mata fechada, localizada perto da cidade de Gízena, a noite cobria todas as coisas com seu impenetrável negror. Qualquer um que ocorresse estar ali, se espiasse para os lados, veria apenas árvores e mais árvores a perderem-se na escuridão.

    E assim ela permaneceu, quieta e silenciosa, até que uma nuvem que encobria a lua se mexeu, revelando sua brilhante luz. Nesse instante, surgiu no céu uma magnífico pássaro, negro, distinguível apenas pelos detalhes verde e vermelho berrantes em sua penas da cauda e asas. Voou na direção da clareira e escolheu para pousar um galho de um pinheiro baixo, e parou, totalmente imóvel.

    Não era sua vontade estar ali, mas mesmo ele não podia deixar de cumprir um trato. Ficou olhando para um ponto fixo entre duas árvores. Passado pouco mais de meia hora uma luz vinda lá de longe na floresta começou a aproximar-se da clareira, indicando que sua espera chegou ao fim. Logo depois, barulhos de cascos de cavalo puderam ser ouvidos acompanhando a claridade misteriosa. Transcorrido mais um pequeno tempo, a silhueta de um ser de aparência humana adentrou a clareira, montado num corcel negro. Carregava numa mão um velho lampião de latão, e com a outra segurava as rédeas do cavalo. Na cintura ia uma fina espada embainhada. O homem avistou a ave fitando-o da escuridão com seus olhos brilhantes como os de um gato, da cor da esmeralda.

    Desmontou do cavalo e foi ter com ele. Já era velho, seus cabelos ruivos e rosto vítimas da idade avançada, mas sua postura era perfeitamente ereta. Depositou sua espada num toco velho, pois sabia que com aquela criatura não se devia brincar, e que se ofendia facilmente com a mera presença de qualquer arma. Aproximou-se e exclamou com uma meia reverência:
    - Ó Elfireon, O Sem-Rosto.
    O pássaro simplesmente eriçou as penas e voou para longe, batendo ruidosamente as asas. O velho olhou para o pássaro voando, surpreso.
    - Pássaro errado, Zellerion. – Disse uma voz divertida em suas costas. Virou-se e deu de cara com um pássaro idêntico ao que acabara de fugir, empoleirado numa árvore próxima. A ave piscou os olhos, e ao reabri-los, eles tinham mudado para a cor roxa. O velho simplesmente repetiu a saudação, sem fazer comentários sobre o fato da criatura ter-lhe pregado uma peça.
    - Peço que você... – Começou ele após o cumprimento, mas a voz chiada e sarcástica do pássaro interrompeu-o:
    - Não precisa me dizer o que fazer. Avisarei aos seus sanhosos amiguinhos que você está aqui. – Então abriu as enormes asas e voou para longe da mata. Zellerion acompanhou-o com o olhar, uma fisgada de raiva atravessou sua mente. Não se podia dizer que ele gostava da criatura, mas ele era útil.

    Em geral, podia-se confiar que Elfireon, embora traiçoeiro e misterioso, faria o que lhe foi pedido – se tivesse algum benefício em troca. Por isso, o velho sussurrou uma palavra indefinível aos ouvidos dos não-magos, como todas as usadas para se realizar atos desse tipo, mesmo os mais simples, e uma cadeira materializou-se à sua direita, sem ruído ou clarão. Sentou-se na desconfortável madeira dura, e pôs-se a esperar, com os braços cruzados. A noite estava quente e abafada, como era o comum naquela região.

    Já havia se passado mais de uma hora e meia, e Zellerion começou a achar que a sórdida criatura não cumpriria o trato. Ele era paciente, mas a demora já era demais. Levantou-se e começou a andar em círculos pela clareira. Mais meia hora se passou, e o mago pensou em montar o cavalo e ir embora dali. Eles provavelmente não viriam. Quando fez menção de fazer isso, ouviu passos aproximando-se. Rapidamente, surgiram dezenas de vultos humanos, que adentraram a clareira. Todos montavam belos cavalos baios. Zellerion contou-os mentalmente enquanto chegavam. Deveria haver 17, contando com ele, mas aparentemente faltavam dois.
    Um desses faltosos era de seu conhecimento, um jovem tolo e facilmente ludibriável cujo nome ele não lembrava agora. Esse o tinha abandonado algumas semanas atrás, e dificilmente era chamado para reuniões. O outro porém, deveria estar ali, por isso ele perguntou em voz alta para ninguém em particular:
    - Onde está Umeth?
    - Ó milorde, o último dos grandes magos. – Apresentou-se de modo cortês um homem careca de aparência brutal. – Nenhum de nós vê Umeth desde a última reunião, milorde, que ocorreu há mais de um mês.
    - O que pode ter acontecido? Já faz tempo que convoquei vocês todos aqui, ele não pode ter se atrasado tanto. – Nesse momento, as pessoas começaram a se apresentar. Zellerion conjurou cadeiras para somente alguns, e estes imediatamente sentaram-se formando um círculo incompleto, deixando espaço para os que ficaram de pé. Estes ficaram olhando para o velho, talvez se perguntando por que não receberam cadeiras.
    - E vocês ainda se dizem magos? – Perguntou Zellerion friamente, dirigindo-se aos que estavam de pé. – Usam sua magia para que? Conjurem vocês mesmos suas cadeiras, ou contentem-se em sentar na terra, como um cão de rua.
    Assustados e envergonhados, os magos imediatamente conjuraram cadeiras e sentaram-se sem dizer palavra, alguns resmungando baixinho insultos contra o líder. Não gostavam muito do velho, e nem Zellerion sentia simpatia por eles, mas estavam unidos no mesmo objetivo.
    - Todos sabem para que estamos aqui. – Começou ele após todos terem se acomodado, completando o círculo. – Ao menos uma parte do nosso plano está indo como deveria. Vocês talvez não saibam, mas o reino de Ardanos está quase que totalmente sob controle de pessoas simpatizantes a nós. Meus mercenários têm eliminado governadores de várias cidades importantes do sul, e estes, em sua maioria, foram substituídos por aliados. É questão de tempo até chegarem ao rei. O páís está um caos, e logo as pessoas verão que apelar para magia será sua melhor opção. Uthiel pode ser um rei tolo e medroso, como seus antecessores foram, que tentaram banir a magia de seu reino a qualquer custo, mas logo isso acabará. Breve, meus amigos, nossa arte será mais uma vez bem-vinda e apreciada por todos, como foi no meu tempo.
    Às palavras de Zellerion seguiu-se um silêncio onde todos sentiram-se um pouco mais animados e esperançosos, embore ninguém se atrevesse a dizer nada em voz alta. Em geral, só falavam quando eram chamados. Mas um dos magos quebrou o silêncio, pois levantou-se e gritou espantado:
    - Olhem aquilo! – Apontou para um ponto no céu, onde estava o motivo de seu espanto. Voando em direção ao grupo, vinha uma criatura descomunal. Do tipo que a maioria só ouve falar nas histórias de heróis, mas que a maioria duvida da existência. O corpo marrom escuro, como o de um lagarto gigante, era escamoso, e sustentava-se no ar por duas enormes asas negras, iguais às de um morcego. Dos lados saíam quatro pernas grossas e musculosas, terminadas em patas que poderiam facilmente esmagar um ser humano. Era um dragão adulto, no auge de sua forma física.

    Zellerion viu-o aproximar-se, tão aturdido quanto os outros, pelo absurdo daquela situação. Dragões não viviam naquela parte do mundo. O dragão chegou e avançou sobre eles furioso. Realmente ia atacar, sem motivo aparente, o que não é comum, pois os dragões são criaturas sábias. Ao pensar sobre isso, uma suspeita surgiu na mente do mago, mas mesmo assim ele pensou rápido e proferiu em voz alta:
    - Pekcwsgej! – O dragão imobilizou-se no ar, um pouco acima dele. Era uma visão absurda. Suas asas estavam imóveis, mas seu corpo debatia-se e ele uivava. Era como se um ser colossal o estivesse suspendendo pelas asas. O encanto não duraria muito contra a força da criatura, por isso Zellerion apressou-se e pegou sua espada. Fincou a lâmina inteira no pescoço do dragão, que é seu único ponto fraco, quando ele deu uma brecha. Este apenas rugiu mais alto do que nunca e mais nada fez. A suspeita do mago se confirmou. O dragão não cuspia fogo, que é a principal arma dessas criaturas fascinantes. Nenhum dragão teria exitado em usá-lo, e nem teria caído tão facilmente. Aquele dragão era falso.
    - Parem, parem! Ele não é inimigo! – Disse ele para os outros magos, que pronunciavam palavras para usar contra o dragão. O que o fez dizer aquilo foi que descobriu o que criatura era, e a raiva subiu-lhe à cabeça na hora.
    O dragão brilhou um instante, e logo depois sumiu, fazendo a espada cair no chão. Um pássaro negro surgiu em seu lugar, e foi pousar numa árvore na borda da clareira. Era Elfireon. Esse era um dos poderes daquela criatura. Podia transformar-se em qualquer coisa que quisesse, por isso era chamado de Sem-Rosto. Porém, este poder tinha suas limitações, como todos os outros do mundo.
    - Não precisava de tudo isso!. – Exclamou ele lá de sua árvore, com um tom de falsa indignação na voz. Na verdade, ria-se por dentro.
    - Por que fez isso, criatura desgraçada? – Gritou Zellerion, que pegou sua espada e correu na direção do pássaro. Ia faze-lo em pedaços ali mesmo. Elfireon levantou voo e ficou parado no ar, alguns metros acima.
    - Pareceu-me divertido. – Disse ele lá do alto. - Agora, acalme-se, não me mate. Mesmo porque você não poderia. – Dito isso, voltou e pousou em outra árvore.
    - Irei para Fernonia, parece que coisas interessantes estão acontecendo lá. – Crocitou Elfireon.
    - Fernonia? – Perguntou Zellerion, esquecido de sua raiva. – O que está acontecendo?
    - Parece que Jyvia vai ser atacada pelos homens do norte. Imagine só. Fernonia será massacrada, usando suas espadas e escudos contra a pólvora.
    - Qual é o problema com espadas e escudos? São melhores que aquelas aberrações dos homens do norte, que eles acham que podem substituir a magia.
    - Seja lá como for, aqui vai um conselho: Dê atenção a este conflito. Sinto que ele poderá significar problemas para você e irá atrapalhar seus planos, não que eu me importe. – Elfireon falava sério, coisa que raramente fazia. De fato, se Zellerion tivesse dado ouvidos a ele, teria evitado vários problemas futuros, mas em seu orgulho e raiva pela criatura, não entendeu no momento o significado de suas palavras e nada fez. Só queria continuar com sua reunião. Disse apenas:
    - E quanto a você? Nada disso significa nada para você?
    - O que isso tem a ver comigo? Irei até lá apenas para presenciar algo que pode vir a ser divertido. Não dou a mínima para o que pode acontecer a este mundo. – Dito isso, levantou voo e seguiu para o nordeste, para a ilha onde ficava Fernonia.
    O mago nada disse. Ficou olhando o pássaro voar e depois voltou para sua cadeira. Finalmente poderia continuar com a reunião.





    Obs: Nem percam seu tempo tentando pronunciar "Pekcwsgej"

    Bom, alguns acharam que este capítulo trataria da batalha que está prestes a acontecer, e que seria recheado de muito ação e aventura (lol). Bom, ai está algo quase nada a ver com a batalha. Nesse capítulo, narrei os acontecimentos de um personagem que já apareceu na história. Fiz de tudo para que vocês percebessem isso.
    Enfim, esforcei-me para tentar escrever um capítulo bom.
    Espero que gostem, e que ainda se lembrem que essa história existe. =P
    Última edição por Gabriellk~; 06-01-2010 às 10:45.
    “The big questions are really the only ones worth considering, and colossal nerve has always been a prerequisite for such consideration”.
    - Alfred W. Crosby

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