Índice:
Capítulo dois - Conversa no bar
Capítulo três - Jyvia
Capítulo quatro - Um homem em desgraça
Capítulo cinco - Soam as trombetas
Capítulo seis - A reunião dos execráveis
O mago e o andarilho
Capítulo um - O servo do mago
O céu noturno anormalmente estrelado brilhava intensamente, banhando de luz uma planície gramada e de aparência deserta. As poucas árvores do local balançavam fracamente sob um vento nefasto. Sua aparente solidão só era interrompida por um vulto que se movia veloz na direção do mar, ao leste.
Era o vulto de um humano, que cavalgava um belo corcel negro. Usava uma cota de malha reluzente ao luar, bem como um elmo muito rebuscado, que cobria-lhe toda a cabeça. Uma espada pendia em sua bainha ao lado do corpo do cavaleiro.
Ele seguia resolutamente o seu caminho, por vezes contornando uma ou outra árvore. Embora a prudência disesse-lhe que devia verificar se não estava sendo seguido, a magnitude da informação que tinha tirava todo o resto de sua cabeça. Finalmente, após meses de pesquisas e buscas inúteis, a confirmação do que eles tanto queriam ouvir... E certamente ele iria participar da glória do seu senhor, como lhe fora prometido! Animado por estes pensamentos, seu rosto se abriu num largo sorriso. Estugou o corcel, fazendo-o correr ainda mais rápido, encurtando a distância que os separavam do mar.
Atingiu logo a costa, e sua excitação cresceu ao ver a luz pálida vinda de uma península, distante cerca de noventa metros do litoral. Cavalgou pelo fino rastro de terra que ligava-a ao continente, e à medida que andava, a fonte da luz se tornava visível. Vinha de uma janela no alto de uma torre cilíndrica, feita de pedra gasta pelo tempo, encardida e coberta de hera, parcialmente oculta por uma grande árvore que crescera em sua frente.
Quando chegou bem perto da torre, desmontou do corcel. Despiu o elmo, revelando um rosto jovem, cabelos muito negros e curtos e olhos da mesma cor. Como seus pensamentos voavam, esqueceu-se de abaixar ao passar por um galho baixo da árvore, batendo a testa nele com força. Praguejando baixinho, empurrou a porta de madeira simples que guardava o interior úmido e escuro da construção, enquanto passava os dedos pela testa lesada. Não havia nada ali, exceto uma escada no canto oposto, levando ao andar de cima. O cavaleiro subiu os degraus, que rangeram um pouco. No segundo andar também não havia nada, exceto mais um lance de escadas. No terceiro andar, havia outra porta, idêntica à da entrada. Ele hesitou por um momento e, então, bateu três vezes na porta com o nó dos dedos.
- É você, Geibridor? - Perguntou uma voz apática do outro lado.
- É, milorde. - Respondeu o cavaleiro de nome Geibridor, no tom cuidadoso usado sempre que falava com ele, e empurrou a porta para entrar no aposento diminuto e de teto baixo, que lhe dava uma sensação claustrofóbica.
Havia apenas uma mesa tosca no centro da pequena sala, atulhada de livros de todos os tamanhos. Uma espada fina, bem diferente da dele, jazia encostada à mesa. Um lampião iluminava o rosto de uma figura quase esquelética, que lia o maior livro da mesa. Já era velho, e tinha rugas aparentes em todo o rosto, e vários fios brancos no cabelo outrora ruivo. Era total ou parcialmente cego do olho esquerdo, evidenciado por sua cor azul opaca, e usava uma túnica vermelho sangue que lhe cobria os pés. Não ergueu os olhos de seu livro à entrada do cavaleiro, mas perguntou num tom de voz áspero, mesmo já sabendo a resposta:
- Você foi seguido?
- Hum.. - Balbuciou ele, lembrando-se de sua falha, e se preocupando. Resolveu mentir: - Não, senhor.
Só então o homem sentado na cadeira ergueu a cabeça para Geibridor, estreitando os olhos para ele.
- Não minta para mim garoto, ainda não aprendeu? Sei que você não verificou isso uma única vez. Espero que tenha me trazido algo bom e de fonte confiável desta vez, ou estarei gastando meu tempo em algo inútil novamente, e tenho certeza de que você não quer isso, Geibridor.
- Não, milorde! – Respondeu Geibridor, tentando acalmar o velho. Não se incomodava com este tratamento frio que ele lhe dispensava, como se já tivesse acostumado a ele – Desta vez eu o vi, senhor, vi com meus própios olhos! Reconheci-o pelas características com que o senhor o descreveu para mim!
Os olhos do velho se arregalaram de espanto e sua boca se abriu parcialmente numa expressão de surpresa. Logo depois, voltou ao normal e perguntou a Geibridor:
- Você tem certeza disso? – Seu tom de voz era completamente diferente do de instantes atrás, era ansioso, mal conseguia manter a voz firme.
- Tenho, senhor! Vi-o na cidade de Gízena, ainda ontem.
Mas o velho mal o ouvia. Levantara-se da cadeira, e murmurava coisas para si mesmo. Então, de repente, pegou a espada da mesa e precipitou-se para a porta, quase correndo ao descer os degraus da escada.
-M... Milorde?- Perguntou Geibridor, aturdido por um instante, mas rapidamente o seguiu escada a baixo.
Ao chegar no térreo, viu o velho montando o corcel negro.
- Milorde? Espere, milorde! Aonde vai? E a minha recompensa? – Indagou Geibridor.
O mago parou e riu. Não conseguiu se conter.
- Ainda não entendeu, garoto? Não há glória alguma! Pelo menos não para você. Eu o enganei, o fiz trabalhar para mim durante todos esses meses, e você obedientemente cumpriu todas as minhas ordens.
Geibridor congelou por um instante, paralisado pelo impacto das palavras. Então finalmente entendeu o que o velho quis dizer. Mas qualquer emoção que pudesse ter sentido foi suplantada pelo medo, pois a intenção do mago não poderia ser mais clara. Apontava a palma da mão direita em sua direção, enquanto murmurava palavras numa língua estranha. Já vira ele fazer isso contra outros infelizes antes. O jovem sacou sua espada instintivamente, e brandiu-a direto contra o pescoço do mago, que parou de murmurar no ato. Mas a espada nunca chegou a atingir o alvo. Apenas se contorceu absurdamente por um instante, então resvalou das mãos de seu dono e caiu no chão, como se fosse líquida. Espantado por essa demonstração de poder, Geibridor tropeçou nos própios pés e caiu no chão de costas, mas rapidamente levantou-se e correu desabalado na direção oposta da torre, tentando fugir do mago e seu poder. Este apenas riu diante desta exibição patética, e nada mais fez contra Geibridor. Cavalgou até o continente, pelo mesmo caminho em que o jovem correra instantes atrás, mas então seguiu na direção da cidade de Gízena, que ficava ao norte, sem olhar nem uma vez para trás, deixando o jovem desgraçado que ainda corria, a pé e agora sem sua arma.
Ta ai o primeiro capítulo, peço que quem tiver vivo comente e aponte os erros que sei que tem de montes. Semana que vem talvez eu poste o segundo capítulo, se valer a pena.
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