Um bom capítulo. Mais fácil de ler do que os anteriores. O final do capítulo também aumenta a curiosidade do leitor ler o próximo capítulo.
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Um bom capítulo. Mais fácil de ler do que os anteriores. O final do capítulo também aumenta a curiosidade do leitor ler o próximo capítulo.
Leia minha roleplay :Terras Distantes
Tentando melhorar a questão visivelmente técnica do meu estilo de escrita, vou tentar escrever textos mais descontraidos.
Capítulo 3. O Polonês Cinzento.
Ele mirava ofuscante. Seus olhos não podiam enganá-lo, não agora. Ele permaneceu ali durante dez minutos focado no diálogo dos dois alemães que mais pareciam urros selvagens.
O que poderia fazer? Deitado ali naquela cratera, sozinho, apenas com a M1 Garand em mãos, ele respirou fundo, e finalmente quando os homens soltaram uma breve gargalhada, deu dois ligeiros tiros sem necessitar recarregar o rifle. Nem mesmo se estivesse mais próximo poderia sentir melhor a névoa de sangue que estendeu-se no ar por alguns segundos.
As balas atravessaram o tórax dos dois soldados e o som comum de ‘ping’ ecoou da arma. A munição havia acabado, e o polonês não podia fazer nada além de arriscar o uso das armas alemãs. Talvez se não fosse o medo repulsivo de seguir a infantaria e lutar pela pátria, ele não estaria ali agora dependendo de sua baixa moral e dos dentes de seu próprio predador.
O sol descia e as ruas eram mais cinzentas do que sua pele, já afetada pelas várias explosões das quais saíra ileso. No entanto, ele estava ali, escorado no asfalto, camuflado de sujo, aguardando que os malditos Panzers viessem para defender sua querida Berlim ou sabe-se lá o que.
Lá na frente bem ao alto de uma torre intacta, o polonês viu um homem se armando. Trazia consigo um rifle de longa distância que deveria ter em torno de um metro e meio. Ele colocou seis balas ou menos na arma e descera o corpo, deixando apenas parte da cabeça a mostra.
O polonês engoliu seco, sabia que aquele era um atirador, e àquela altura já o havia visto. Não atirou por medo de ser uma armadilha, um corpo morto, ou talvez não tenha atirado por achar que fosse uma distração. Mas então, a razão mais satisfatoriamente mentirosa para as dúvidas do polonês de cabelos escuros era a de que o atirador ainda não o havia visto. Estava escuro e ele era cinza como o asfalto.
Não poderia ficar ali por mais tempo, tinha de sair e se esconder, apanhar a arma dos alemães. Talvez, quando o atirador visse os dois prováveis companheiros mortos, saberia que aquela peça cinza no meio da rua, na verdade era um homem. Um alvo.
O polonês pensou em correr até as armas, não deviam ser mais de seis passos. Seis Passos até as armas, três ou dois, talvez até a morte, pensou ele, em conclusão. Era tarde para aquele rapaz cinzento levantar-se de sua única defesa e correr até seu único ataque. Para ele, restava acreditar em seu deus judeu e que ele o ajudaria a superar aquela prova.
O pior pensamento para aquele rapaz era o de que lá de cima, o atirador estava vasculhando toda a rua como uma águia que caça uma serpente, apenas esperando para apanhá-la. Ele sabia que talvez mais de cinco vezes a mira do homem já havia passado por cima de sua cabeça, e sabia que talvez na oitava vez nem estaria mais ali para contar.
Ele não podia mais esperar, de súbito, levantou.
Achei esse o melhor capítulo até agora. Todo o suspense envolvido nele acabou culminando num final de capítulo que deixou o leitor curioso. A linguagem está melhor de se ler também. Esse parece ser um novo personagem. Parabéns. Estou gostando da história, continue.
Última edição por Meltoh; 19-12-2009 às 23:22.
Leia minha roleplay :Terras Distantes
O texto está ficando claro, realmente melhor para se ler e visualizar o potencial da obra.
Não sei se foi intencional ou uma frase solta, mas achei interessantíssima a passagem do segundo para o terceiro parágrafo, quando o narrador comenta sobre "a névoa de sangue" e só depois afirma que "as balas atravessaram o tórax" (logo puxando o assunto para a munição). Eu me senti assistindo um daqueles filmes onde você vê uma situação se repetindo através de outro ângulo (de câmera); nesse caso, o do caçador e depois o da caça.
Talvez a conexão esteja muito mais próxima do que imagino, mas achei estranha essa mudança repentina de foco; é como se estivéssemos voltando ao prólogo da história.
Apesar de ter criticado muito da sua obra, vejo qualidades e melhorias a cada novo capítulo. Definitivamente, esse tópico não está recebendo a atenção que merece.
Última edição por Emanoel; 20-12-2009 às 05:55.
Vim ler o texto, curioso pelo título e para ver o que um dos bardos tinha escrito...
Eu não gostei dos dois primeiros textos. O estilo é simplesmente seco. O texto, apesar de tão curto, chega a ser tão presos aos detalhes descritivos que a leitura fica truncada.
O problema do texto é que ele está muito curto na minha opinião. Aí tu tenta explorar mas não consegue, deixando o texto desse jeito. Você comprimiu muito as descrições, tanto que teve um parágrafo que tive que reler várias vezes para entender. Outro fator é que às vezes, você simplesmente quebra a narrativa com má pontuação; Do nada, você simplesmente encaixa uma frase, quebrando toda a narrativa.
Talvez, se você aumentasse o tamanho dos textos, você deixaria o texto menos truncado, apesar de nos últimos dois capítulos você ter conseguido deixar o texto bem menos truncado, apesar de ainda haver alguns trechos com má pontuação.
Quanto ao enredo, eu, pelo menos, estou a achar intrigante a história, no entanto, as mudanças de personagens foram bruscas, e sem antes, de analisar os próximos conflitos, fica complicado de analisar.
Mas até agora, as coisas surgem meio que sem explicação, apesar da guerra já estar no final.
Acompanhando.
Primeiramente, muito obrigado pelo comentário, Meltoh, estou sempre tentando melhorar para agradar aos leitores, mesmo que não possa o fazer com todos.
Bem, Emanoel, fico feliz que depois de tanto criticar o conto - o que não acho ruim -, tenha enfim encontrado um melhoramento. Estarei tentando aperfeiçoar o texto, muito obrigado.
Bem, Hovelst, para mim é novidade alguém falar que eu uso má pontuação. Talvez eu deva dar uma olhada nisso, mesmo crendo que quando parei de pontuar demais, meus textos fluíram mais facilmente.
Sobre os primeiros capítulos, realmente não estão muito bons, mas estou tentando melhorar em alguns quesitos que não destruam minha personalidade.
Obrigado pela crítica, leia quando possível.
Achei particularmente pior do que o anterior, mas não consegui o fazer melhor. Desculpe.Capítulo 4. Dia de Sorte.
Vi-me uma vez de frente ao espelho após um banho quente. Depois de tropeços e escorregões pelo restante da casa, me olhar ainda intacto no espelho me alegrava. Ainda estava vivo, e aquele não mais prometia ser um dia azarento.
Perdi-me numa frase que escrevi de relance pela extensão borrada daquela janela de eu mesmo, “dias de azar nos fazem pagar os dias de sorte com a própria morte” .
Exagerado. A questão é que temos dias para ambos, quando levantamos da cama tombando e quando levantamos sorrindo. O fato é que as coisas dão errado quando não queremos que elas dêem; após tropeçar no piso solto de madeira, praguejei a má sorte, e logo após havia batido a cabeça contra a parede.
O importante, na verdade, é que o final do percurso do azar era um banho quente, e após a relaxante cascata artificial, vi-me livre da maldição matutina enquanto encarava o espelho.
Outro fato é que os dias de sorte corrompem os dias de azar alheio. É inevitável para o azarado, controlável para o sortudo.
Provavelmente deve estar se perguntando o motivo deste presságio que mais tem a ver com a vida dos idosos seguros em suas casas nas Américas do que com os soldados em campo de batalha Europeu.
Bem, espero que este complemento lhe seja útil à leitura.
****
- Desgraçado! – praguejara o polonês quando um tiro certeiro lhe atravessara a canela depois do segundo passo.
Ele tombou como morto, adiantando uns quatro passos e rolando para a esquerda. Faltou-lhe ar. Soube no mesmo instante que estava com medo de morrer, assustado como um cachorro depois de uma queima de fogos.
Engoliu o destino terrível e aguardou mais alguns segundos até que o segundo tiro viesse. Passou-lhe a cabeça rezar para o tiro ser fatal, mas não daria tempo. Apertou as pálpebras com a maior força que conseguira, mas nada veio. Nenhum tiro fora disparado.
Esforçou-se para virar a cabeça contra o chão e ver onde jazia seu corpo. Estava atrás dum muro de pouco mais de um metro e meio, ao lado dos dois corpos alemães. Seus bastardos. Praguejou ele enquanto um largo sorriso formava-se ao redor de sua boca.
Ria sozinho como um lunático.
Mas que sorte! Levara um tiro e escapara da morte. Sentiu um orgulho imenso lhe subir a cabeça e desejou poder contar isso aos seus filhos e ainda dizer que matou o atirador. Eles ficariam fascinados.
Puxou com esforço o corpo para trás, tentando recostar-se na parede e ter uma idéia do que faria a seguir. Ali era provavelmente a fachada de um bar, já que acima de sua cabeça havia uma janela que dava de frente a um balcão robusto de madeira entalhada. Ele não pôde ver muito enquanto caía de dor.
Ficou ali algum tempo encarando os dois alemães que faziam o mesmo, involuntariamente. Não pôde deixar de sentir um calafrio intercalar sua coluna enquanto aqueles cadáveres o fitavam sem piscar. Provavelmente eram novatos, nem deviam ter saído de Berlim ou Nuremberg.
Podia-se ver pelos trajes, que nunca haviam enfrentado uma explosão ou qualquer nuvem de concreto; e pelas armas, que nunca haviam nem sequer atirado. As balas pareciam estar todas ali, apesar do polonês não reconhecer o rifle que tinha em mãos.
Sentiu-se culpado por ter matado dois jovens, mas seu consolo era pensar que teriam feito o mesmo com ele. Fechou os olhos de ambos os alemães e lhes desejou o pior.
Tinha de estocar aquela ferida na perna. A primeira coisa que lhe veio a cabeça fora arrancar uma das mangas do sobretudo alemão, afinal, aos mortos não faria falta. Sem pestanejar, arrancou a manga do mais próximo e enrolara em torno da canela.
Agora tinha de mentalizar a situação. À sua esquerda havia uma torre com um atirador; à sua frente havia um grande edifício de tijolos expostos; e a para os outros lados haviam ruas extensas e restantes de vidro, madeira e cimento.
Estava preso. Não poderia sair dali, e se ficasse de pé, o atirador provavelmente o mataria. Estava novamente num dilema, mas desta vez a raposa espreitava a toca da lebre.
Fora quando a sorte lhe sorriu. Um pouco atrás da cratera de onde saíra, havia o cruzamento entre a rua da torre e a rua da lateral do edifício, e ali, escorado nos tijolos, jazia um aliado com expressão firme tentando sinalizar com as mãos. Repetia a mesma coisa e tentava indicar leitura labial, mas o polonês não compreendia.
O aliado abaixou a cabeça, pensando em como demonstraria sua mensagem. Apanhara o rifle que tinha escorado na lateral do corpo e apertara o gatilho. Nenhum tiro fora disparado. Em ordem, apontara para o rifle, para o polonês e depois fizera um gesto de questão.
Estava sem munição. Sua dúvida era se ao polonês também jazia a falta. O rapaz cinzento estendeu o braço e antes de indicar concordância ou contradição, lembrara do atirador que espreitava.
O polonês sentiu uma sensação terrível como a que um ecologista sente ao cortar uma árvore quando aquela idéia lhe passou pela cabeça, mas a sorte estava ao seu lado. Não podia desperdiçá-la.
Esforçou-se para ficar em posição de corrida com os joelhos flexionados, talvez quando começasse a corrida, cairia pela perna quase inútil. Ele novamente estendeu o braço para o aliado.
Rezou por trinta segundos pedindo ao seu deus que o perdoasse por isso, e então levantara o polegar como quem indica que sim.
O polonês sentiu uma dor no peito quando o sorriso de seu companheiro se estendeu pela face. O que eu fiz? Mas já estava feito.
O homem deu quinze passos pela rua em direção do polonês até que se escutasse o único som do ambiente. Aquele barulho de explosão e estardalhaço que se escuta quando um tiro é disparado.
Uma bala atravessara a cabeça do homem que no mesmo instante fechara o sorriso numa tentativa frustrada de puxar o ar e caíra.
Precioso tempo; o polonês levantou-se e saiu mancando com a maior velocidade que conseguira. Estava livre da mira do atirador.
Era um dia de sorte para o polonês. Não para o aliado.
Última edição por O Bardo Frustrado; 31-12-2009 às 22:15.
Demorei, mas cheguei.
Eu discordo que esse último tenha sido inferior; adorei esse capítulo, é o meu preferido até o momento. Você conseguiu transmitir com eficácia a sensação de estar metido em uma situação difícil, deu para imaginar o cenário e cada ação dos personagens. Um enredo simples, mas instigante, que por si só renderia um bom conto de guerra.
(Gostei dos personagens sem nome e rosto. Acredito que não descrever os soldados é uma boa coisa a ser feita em um texto com ambientação do tipo. Afinal, todos os fardados não são quase sempre idênticos aos nossos olhos?)
Só achei o último parágrafo desnecessário, sendo que a primeira parte deixa bem claro qual é o tema central do capítulo. Por sinal, apesar da reflexão inicial ter sido muito didática, combinou com o clima da história.
Espero que não desista pela escassez de comentários. Afinal, onde estão esses leitores que estavam tão animados a alguns dias atrás? Puxarei algumas orelhas...
Também demorei a ler. Estava meio ausente do fórum.
Mas agora que voltei ao fórum, resolvi começar a ler as histórias que estavam atrasadas para ler. Bom...
Foi um excelente capítulo, e junto com o anterior conseguiu transmitir bem as cenas de ação. Me lembrei muito do jogo Medal of Honor durante a leitura, o que é um elogio, já que você soube descrever muito bem as cenas.
Como foi um capítulo quase que inteiramente baseado na ação, ainda não tenho muitos comentários sobre a história, portanto não falarei disso ainda.
Parabéns e continue o excelente trabalho, não desanime pela falta de comentários.
Leia minha roleplay :Terras Distantes
O engraçado dessa seção que li qualquer coisa sobre ela estar super-movimentada, mas não vejo reflexos disso nesse texto.
É uma coisa bem estranha, já que não se perde nem meia hora para ler esses textos curtos. E ao ver esse texto, com dois leitores só, realmente deve dar desânimo.
Eu achei mais um capítulo instigante, muito bom.
Parece que você eliminou bem aquele estilo cortante do seu texto. Isso é um sinal muito bom porque agora o texto flui do começo ao fim.
O enredo parece muito bom, apesar da aparente simplicidade que ele aparenta ter. Ele poderia ser muito mais envolvente se os capítulos fossem maiores, fazendo com que prendesse a atenção do leitor, mas isso é contigo. Eu mesmo não faria isso, já que o número de leitores é ridículo...
Enfim, espero que não desanime e continue.