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Tópico: A Cadeira de Cristal

Visão do Encadeamento

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  1. #11
    Avatar de Manteiga
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    Atualização O próximo capítulo deve sair só semana que vem, estou postando agora para recuperar o tempo perdido, bem como vocês sabem. Este é um capítulo com menos ação e potencialmente inútil. PLanejei umas mil coisas pra ele, mas preferi deixar desse jeito. Serve mais para tentar salvar Angela. Esse capítulo faz um avanço que permite o capítulo seis, sendo que os dois falam mais de Angela como personagem. Espero ter humanizado mais ela. E espero que vocês gostem um pouquinho mais dela depois que esses dois capítulos passarem :x

    Capítulo Cinco
    A Face Nua

    Trevas eram emanadas de todos os cantos da escura e picotada sala circular de terra onde eles estavam. Por razões desconhecidas um frio espectral e uma sombra eterna e depressiva vagavam pela mente e pela alma daqueles aprisionados ali. Aquela dimensão sombria era habitada apenas pelos sons de um tilintar metálico de correntes colidindo-se umas com as outras e com as pedras pontudas das paredes.

    Resmungando, Angela foi lentamente abrindo os olhos cinzentos. Foi registrando a forma circular do ambiente, o solo barrento e alguns móveis e objetos irreconhecíveis pela ausência quase completa de luz. A única iluminação era feita por duas tochas secas tomadas por um fogo azul pálido e contido, que tinha vergonha de impor-se naquele ambiente hostil. Ela sentiu um gosto agridoce na boca que fazia a cor púrpura entrar com força em sua cabeça. Meio desnorteada, virou a cabeça para os lados com uma lentidão tediosa em busca do companheiro meio humano e meio besta. Encontrou-o ao seu lado esquerdo, acorrentado pelas mãos à parede, exatamente como ela. Sentiu o metal cortando seus pulsos e o desconforto finalmente tomou conta dela. Foi despertando para a consciência aos poucos, até perceber-se completamente lúcida.

    Forçou a visão para algo grande no centro de todo o lugar e constatou ser um grande balcão provavelmente de madeira, passado transversalmente ali. Sobre ele haviam coisas que pareciam ser livros, pergaminhos e uma pilha de quinquilharias irreconhecível. Exceto pelo seu chapéu, completamente discernível no topo da pilha. Mas que droga! Nada disso deveria ter acontecido! Já fora aprisionada antes, mas algo dentro dela dizia que dessa vez as coisas poderiam ser muito piores. Por alguma razão o Pentágono estava atrás dela. O que acabou mudando completamente sue jeito de ser, pensar e viver. Queria a calmaria do pântano de novo... Queria evitar essa guerra e poder voltar aos meus trabalhos!

    As correntes de Zoroast colidiram com a parede provocando um som alto e que ecoou longamente. O minotauro despertou e resmungou, falando algo em sua língua logo em seguida. Tentou soltar-se à força, mas após perceber que era inútil, bufou alto e começou a chutar algumas pedrinhas próximas.
    - Zoroast! Pare com isso! – Repreendeu Angela em um sussurro quase inaudível. Sua sorte era que os minotauros tinham uma boa audição. Ele parou e rezingou baixinho.
    - Estou com raiva. Quero sair. Vou arrancar correntes! – Trovejou ele tentando soltar-se novamente, como se fosse um ser irracional. Talvez seja, maldosamente pensou a bruxa enquanto soltava um longo suspiro. De fato, seus amplos conhecimentos sobre quase tudo não chegavam ao estilo de pensamento dos minotauros, o que poderia ser uma perda lastimável. Devo pesquisar sobre isso depois que tudo isso acabar. Só não posso agora ficar depressiva! Procurou analisar o material das correntes por um tempo enquanto o companheiro ficava se remexendo debilmente. Decorreram longos minutos até a fera se cansar e, ofegante, voltar-se para a humana.

    - Pode tirar nós daqui? Usar magia. – Disse ele, demorando um pouco antes de proferir a última palavra, como se evitasse pronunciá-la. Angela encarou-o longamente enquanto lambia o céu da boca. Após certo tempo, chegou a uma triste conclusão que demorou em anunciar a Zoroast.
    - Não. Me deram uma Poção de Anulação Mágica. Posso tentar mil vezes, mas feitiço algum vai se realizar enquanto eu não beber um antídoto. – O minotauro ouviu tudo e fez uma expressão de espanto quando a bruxa terminou de falar.
    - Como saber disso?
    - Acredite em mim. De poções eu entendo. O gosto na minha boca e a cor que ele me lembra são bem característicos deste tipo de poção. Ou é isso ou eu bebi suco de limão com beterraba, mas acho improvável. – Ela deu uma risadinha que não foi compartilhada. Preciso me acostumar com a seriedade dele. Mas uma ironiazinha não faz mal a ninguém!
    - O que nós fazer? – Indagou o minotauro enquanto tentava pela milésima vez se libertar usando a força.
    - Não faço idéia. Mas pode parar de ficar forçando as algemas. Devem ser enfeitiçadas. Pelo menos seria bem a cara do Pentágono fazer isso, não acha? Apesar de conviver a pouco tempo com essa realidade, fica bem óbvio o que eles são e o que não são capazes de fazer. Se ao menos eu pudesse usar magia...

    Houve então um leve ruído, quase imperceptível na extremidade oposta da sala. Apenas Zoroast o ouviu, apesar de estar se movendo barulhentamente. Pensou alto na sua língua-mãe e apertou os olhos na direção da sombra sem fim, buscando qualquer indício de presença de caveiras ou qualquer outra coisa capaz de produzir sons. O que viu o deixou desconcertado. Paradas perto de uma escadinha quase que o tempo todo estavam duas caveiras fortemente armadas e protegidas por amaduras pesadíssimas. O que as entregou foram as quase indiscerníveis sombras projetadas na parede pelo fogo fantasmagórico.

    - Ter caveiras lá. – Disse ele indicando o outro lado com a cabeça.
    - Eu suspeitei. Eles não seriam loucos a ponto de nos deixar sozinhos aqui, seriam?
    O minotauro bufou.
    - E agora, que fazer?
    Angela baixou a face e deixou os cabelos negros caírem, ocultando a face. Começou a resmungar e a fitar os sapatos de coco, até que repentinamente ergueu a cabeça e explodiu em palavras.
    - Eu não sei!... EU NÃO SEI DROGA! – O grito ecoou pela sala. Houve uma movimentação anormal do outro lado, causando um tilintar metálico que perdurou por alguns segundos, mas logo se perdeu no mar de frases que saltavam da boca de Angela. – Droga, é tudo culpa minha! Se eu não morasse com Wyda provavelmente o homem-corvo desgraçado nunca teria a matado! Ou se eu tivesse demorado mais na cidade eu poderia chegar lá e ele já ter partido... Eu não precisaria ter fugido então! E se eu não tivesse gritado daquele modo na ponte não estaríamos aqui!

    - Não culpa sua... – Disse baixinho o minotauro que olhava nervosamente de tempos em tempos para o lugar aonde deveriam estar as caveiras, agora imóveis.
    - Você não entende Zoroast. Tudo é culpa minha sim. Tudo graças a essa minha existência maldita e falsa! Eu tive uma longa e dolorosa vida, fada a aceitar a morte de pessoas queridas e a me tornar aquilo que eu não queria! O tempo juntou tudo isso e lapidou em uma máscara maldita, na qual eu lamentavelmente me escondi... E por medo! Medo! Eu me escondi atrás de uma Angela ridícula, metida a sábia e insensível por medo de tropeçar e cair! E sabe por quê? Por que eu não iria conseguir me levantar. Eu sou uma fraca, medrosa e infeliz. E sempre vou ser!

    Pairou um longo silêncio depois que os gritos de Angela finalmente retiraram-se da sala. Ela ficou fungando por algum tempo enquanto o minotauro tentava formar uma frase em sua mente para tentar confortá-la. Quando decidiu-se pelas palavras, começou a proferi-las em um tom mais alto.
    - Pois poder mudar agora. A máscara cair, ser agora outra bruxa. Ser sábia e calma, mas ser sensível. Ser humana.
    - Eis o problema... Eu não consigo expressar o que eu sinto Zoroast... Eu sou muito artificial. Que droga, que merda de vida! – Gritando, ela chutou o chão com força, provocando um baque contido. Tal movimento fez voar uma pedra que estava parada ali na direção de uma das tochas. O projétil improvisado acertou o equipamento derrubando-o sobre uma mesinha de madeira coberta por papéis próxima. O fogo azul e outrora fraco cresceu e consumiu a mesa com vontade, passando depois para algumas estantes e para o balcão principal. Logo, todo aquele pedaço da sala estava mergulhado nas chamas mágicas.

    - Há! Que ótimo, agora eu fiz mais merda ainda! Só eu mesma pra foder com tudo! – Falou Angela em um tom brutal e com os olhos fulminando os sapatos de coco. O minotauro olhava-a com uma expressão mista de confusão de ansiedade estampada na face. Decididamente nunca a vira tão alterada. Ela ficou resmungando e falando coisas auto-depressivas por algum tempo, até que o ser que a acompanhava encheu-se de tanta falação e urrou.
    - Calar a boca, sim?! Ter que pensar sair daqui, não praguejar você! Quer ferrar mais coisas?
    A bruxa parou o que estava fazendo e virou-se para o minotauro, encarando-o sem vida por alguns instantes. Foi revistando ele pelo olhar até perceber que o estava analisando profundamente, como se o visse pela primeira vez. Lembrou-se de como lidara com ele completamente desumana nos últimos tempos, como fora ingrata pelo fato de ter sido salva por ele e como pensara demais antes de fazer qualquer coisa. Viu nele um bom ser que só queria ajudar, do seu jeito rústico e irracional, de fato. Então começou a lembrar-se de toda sua vida. Das coisas difíceis, do incontável tempo que passara entre os elfos e como tentara se espelhar neles. Parou e começou a pensar. Eu sou humana. Não posso ser perfeita ou indiferente ao que ocorre aos meus semelhantes... Não posso fugir dessa guerra pois há muito tempo já me meti nela. Devo lutar... Por mim. Por Zoroast. Por Wyda.

    - Tem razão. – Disse ela acordando de seu transe. Não podia mais submeter-se a fraquezas ou se esconder em sua máscara medíocre por medo de errar. Errar é humano, assim como sentir. E assim como eu! – Eu estava distraída demais vendo o lado pessimista de tudo. Mas eu não sou assim. Eu na verdade nem sei quem sou. – Ela soltou um risinho. - Mas eu sei que não posso fraquejar!
    - Grande filo... Filosofia?! Mas como sair nós daqui?!
    Houve um grande alvoroço do outro lado da sala e ambos viram quando o fogo avançou sobre uma das caveiras, consumindo-a. A outra rapidamente alarmou-se e saiu correndo escada acima, em um desespero notável.
    - Não sei, e não estou me sentindo fraca por causa disso! – Angela disse animada, como se o fato de estar prestes a morrer carbonizada não significasse nada. – Mas eu vou nos tirar daqui. E rápido.

    Ela voltou-se então para o resto do ambiente, buscando algo que pudesse ajudá-los a escapar. Encontrou o objeto de libertação pousado em cima da mesa, meio escondido embaixo do seu chapéu. Sua varinha branca estava apenas há alguns metros do fogo, e seu brilho costumeiro agora estava mais forte do que nunca.
    - É isso. A varinha. – Ela indicou-a para Zoroast. – Se eu puder pegá-la, posso estourar essas algemas malditas e nos livrar daqui. Só não faço idéia de como fazer isso.
    Mas ela não precisou pensar muito. As línguas de fogo azul tomaram as pernas do grande balcão e transformaram-nas em cinza. Com um forte rangido, o móvel cedeu, erguendo uma longa cortina de poeira. Os utensílios que estavam sobre ela foram arremessados em todas as direções, alguns até mergulharam nas chamas. A varinha simplesmente saltou no ar e cair no chão poucos metros à frente de Zoroast. Este alcançou a arma com uma das patas e chutou-a para Angela, que parou-a com um dos sapatos de coco. Enquanto o fogo dominava o ambiente, ela calmamente foi colocando – ou pelo menos tentando – a varinha entre os dois pés, erguendo-a em direção à sua cabeça.

    - Ter certeza que funcionar? – Indagou o minotauro, que agora só assistia.
    - Não. Eu posso errar e estourar a minha cabeça. E isso ia doer pra caramba. Mas não se preocupe, eu não vou errar. Não posso deixar você aqui para apodrecer por causa de um erro meu. Eu vou nos tirar daqui. – Ela então concentrou-se na arma e sentiu seu fluxo de magia. Virou a cabeça para a esquerda e deixou um espaço mínimo entre ela e a outra algema. Vamos Angela, você pode conseguir! A vida de Zoroast está em suas mãos! Ela soltou um berro quando uma mínima espiral arroxeada de energia pura saltou das argolas da arma, rodopiando com velocidade exemplar até a algema, acertando em cheio. O item soltou um chiado e estourou, libertando o pulso direito da bruxa. Ela comemorou e agarrou a arma com a mão livre, destruindo a outra algema. Massageou os pulsos e sentiu-se aliviada ao perceber que não estavam de fato cortados. Depois correu e soltou o minotauro, que agradeceu timidamente.

    Com um calor infernal às suas costas, a dupla correu até o que sobrava do balcão principal e recolheu suas coisas apressadamente. Antes de partir, Angela pegou um certo livro de capa negra que estava ao lado de sua mochila. Eu e minha curiosidade! Depois correu junto com o minotauro para fora dali, emergindo pela escadinha tosca em um longo corredor de barro, que vinha a terminar em outra escadaria, esta feita na própria pedra. Subiram-na e sentiram-se reconfortados quando o sol banhou-os por completo. Ofegantes e suados pararam para respirar, enquanto olhavam ao seu redor. Estavam em uma grandiosa formação de pedra e barro com grama verde e viva por todos os lados. Era uma longa montanha cheia de barrancos e vales profundos. Distante, ao sul, estava clara a formação rochosa que era a Grande Velha. Olhando para o norte era possível ver uma grande floresta fechada e próxima do litoral.
    - Vamos, temos que sair logo daqui. As caveiras podem voltar, ou até mesmo o necromante que nos atacou. – Ela então começou a correr para o leste, tentando chegar até a borda da montanha. Zoroast estava empacado.
    - Não ir. Minotauros estar para o oeste. Ter de ir agora.
    - Eu lamento muito Zoroast. – Disse Angela prontamente, como se esperasse tamanha teimosia do companheiro. – Mas eu não posso arriscar mais. Algo está me dizendo que será pior se você seguir para Carlin sozinho. E eu não posso permitir que algo ruim aconteça a você, não depois de tudo que fez por mim. – Ela fez uma pausa longa enquanto encarou o outro complacentemente. – Me desculpe meu caro amigo. Mas eu vou ter que te levar aos elfos.
    Manteiga.

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    Última edição por Manteiga; 05-08-2009 às 01:12.
    Dezesseis anos depois, estamos em paz.



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