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Tópico: A lenda do Cavaleiro Negro.

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  1. #1
    Avatar de Pernalonga
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    Foda-se o double post, falei que ia postar de manhã e vou postar.


    Cap. II


    O caminho diário do sol já passava do horizonte quando os muros da cidade foram vistos ao longe, fazendo o cansaço da longa caminhada e da batalha sumirem por um instante e trazendo uma onda de alívio e paz para cada guerreiro. A boa sensação foi embora tão rapidamente quanto chegou. Ninguém conseguia ficar feliz por muito tempo quando a tristeza em relação aos amigos, irmãos, companheiros, enfim, aos que desabaram na luta, atormentava sua cabeça.

    Aqueles eram carregados nas garupas dos cavalos, envoltos por alguns mantos manchados de vermelho púrpura, proveniente de seu sangue. Exalando um odor forte e pútrido, os cadáveres obrigavam todos a cobrirem as faces e aglomeravam dezenas de urubus que sobrevoavam em círculos famintos sobre nossas cabeças. Estas, ou pelo menos a minha, pensavam no quão desagradável era aquela situação, porém, todos eram dignos de um funeral... Ninguém merece o castigo de ter o corpo abandonado para ser devorado por parasitas, ninguém merece ter a alma aprisionada por descaso de supostos amigos.

    Quando a grandeza dos muros da impenetrável Lonsam clareou-se em minhas pupilas, o cavaleiro de capa azul, comandante das tropas, levantou sua espada furtivamente indicando um sinal para parar. Em seguida, acendeu uma tocha e retirou seu elmo de cor preta lentamente. Como o esperado, uma pequena face iluminada por uma pira de fogo surgiu no alto da torre – que ostentava uma grande e trêmula bandeira com o símbolo da cidade – fazendo vários guerreiros urrarem com alegria:

    - Grofy! Abaixe a ponte!

    O estalar metálico das correntes da ponte levadiça, que atravessa o rio que cerca a cidade, seguida de seu baque seco no chão soou como uma das mais belas músicas, penetrando nos ouvidos e instigando todos a correrem às suas casas e famílias. Mas, quando os primeiros passos já voavam no ar, duas vozes em uníssono ressoaram iguais a trovões, congelando todas as ações.

    - ALTO!! – o comandante e o meu novo amigo, o guerreiro que me salvara, gritaram. Este, continuou com seus berros, roubando as palavras da boca daquele.

    - COMO OUSAM PARTIREM PARA ALEGRIA DAS SUAS CASAS QUANDO NOSSOS AMIGOS ESPERAM ANSIOSAMENTE A LIBERDADE DESTE MUNDO?! COMO OUSAM IREM POSSUIR SUAS MULHERES ENQUANTO OS NOBRES GUERREIROS, CIDADÕES DE NOSSA QUERIDA CIDADE COMO NÓS, SÃO CAÇOADOS POR NOSSOS INIMIGOS?! – a pausa para respirar foi longa, trazendo um silêncio frio e pesado de remorso. – Enfim, – continuou com o tom de voz mais baixo, porém audível. – como ousam negar os seus últimos desejos?

    Não foi preciso ordens. Todos os pés saíram da entrada da cidade para alguns metros a sua frente e, com algumas poucas palavras do comandante, todos começaram a escavar a terra. O funeral havia começado.

    - ... Que seus nobres corpos descansem aqui, nas portas de nossa cidade, para proteger-nos de visitantes indesejados e que mostre a todos, que estamos dispostos a morrer por nosso povo... E que suas almas sejam julgadas justamente. – falava um padre que viera da cidade, trazendo curiosos e mendigos consigo, enquanto colocava um pequeno punhal nas mãos de um dos cadáveres.

    O som estridente da corneta veio melódico enquanto as tumbas eram tapadas num ritmo respeitoso. E quando, finalmente, toda terra retirada estava no local de origem, a música se calou. E o silêncio ressoou.


    Após dois minutos de preces silenciosas e perdões para os deuses, um a um viraram para adentrar na cidade e finalmente usufruir um pouco de paz. Porém, situado no meio da ponte, o homem estava de pé, observando a tudo. Com as mãos entrelaçadas na altura de sua cintura e com o rosto fracamente iluminado com o pouco de luz proveniente da cidade e das chamas fracas das nossas tochas, fez congelar os passos de cada guerreiro. Era o rei. Era o soberano Eleno.

    O comandante logo se apressou e postou-se honradamente de joelhos à frente do homem. O movimento foi, pouco a pouco, sendo imitado por todos ali presentes. Após todos se levantarem, o rei pronunciou pequenas e inaudíveis palavras, fazendo uma massa de luz altamente concentrada brotar entre suas mãos e iluminar todo o seu corpo. Até hoje vi poucos homens saberem usar magia. Na verdade, vi apenas três. Mas ele, o nosso rei, ele era um verdadeiro mago.

    Seu rosto, agora visível a todos, era jovem e bem cuidado, tirando as pequenas cicatrizes feitas pelo ceifar da barba. Seus olhos extremamente azuis passavam uma confiança e serenidade inigualável. Seu cabelo, curto e oleoso, caia sobre a testa e orelhas, dando uma aparência ainda mais agradável. E seu porte físico era alto e magro, transmitindo elegância e confiança.

    - Salve nosso rei, Eleno VI! – gritou o comandante com orgulho.

    A resposta foi um grito coletivo acompanhado do levantar das armas de cada pessoa. Ele respondeu a saudação dando um sorriso e com um singelo mover de mãos, fazendo todos se calarem a fim de prestar atenção no que ele pretendia dizer:

    - Me sinto extremamente honrado de ser o rei de todos vocês! – a saudação deixou todos felizes e o urro de resposta era esperado. - Em meus sonhos, eu sempre via homens amando seu povo e defendo-o com unhas e dentes, morrendo se fosse preciso... E foi exatamente isso que fizeram!
    Todos vocês lutaram pela paz, lutaram pela glória, lutaram pelo poder de um perfurar de espada, lutaram pela pátria que nasceram... – sua voz saia rouca, porém poderosa, fazendo todos seguirem seu ritmo perfeitamente.

    - Por isso tudo, - continuou com um sorriso no rosto. – venho pessoalmente a vocês para transmitir que a paz tão procurada e guerreada foi finalmente alcançada! ...um pouco antes de todos chegarem, um barco real vindo de Tresam desembarcou em nossos domínios com um pedido de paz, que foi concedido e imposto por mim... – o sorriso estava cada vez maior e o orgulho em cada palavra era perceptível. – Uma nova era de paz começará, e todos viveremos ela com gozo e alegria!!

    O grito de felicidade veio, mas, no meio de tantos sorrisos e abraços, um homem mantinha o semblante de infelicidade: o mesmo homem que me salvara da morte com seu machado de lâmina alva e que abriu os olhos de todos para o respeito aos mortos.

    Eu não liguei para o fim da guerra, gosto da paz, porém, ele fulminava o rei com os olhos e sibilava o que sua cabeça pensava e seu coração sentia.

    - Venha! Vamos para uma taverna! Vamos beber! Vamos comemorar essa maldita vitória!! – falei com falsa animação, tentando apaziguar seus pensamentos aparentemente mórbidos.

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  2. #2
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    Muito bom... Isso que é um rei de verdade...
    Aposto quevai rolar algo, e essa paz que o rei falou, não va rolar...:rolleyes:
    Abraços Perna!


    “I'm a traveler of both: time and space."

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