Capítulo 3 - Pele De Crocodilo
Ele parecia mais um monstro do que gente. Seus cabelos, longos, negros e lisos. Sua pele numa cor amarelo-escura e aparentemente áspera. Ric era seu nome. Roupas que cobriam quase todos o seu corpo, estilo "detetive".
Ele ia saindo olhando para a imensa casa. No quintal da mesma, árvores secas e esculturas feitas a partir de arbustos. Ela possuia um tipo de torre que fazia a casa parecer uma catedral.
Estava frio e ele sumiu dentro da neblina.
Da neblina, Ric aparece novamente num pequeno casebre feito basicamente de madeira. Dentro dele, uma escada que dava acesso à parte de baixo do casebre. Lá, homens fortes e com armaduras.
- Vão até Barmstrad e procurem por este homem.
Ele mostrou a foto de Alca.
- Não procurem comente pela cidade assim como envolta dela também. Andem depressa, Barmstrad está a mais ou menos um quilômetro daqui. Vão!
Todos eles se levantaram e foram em direção a Barmstrad.
Ric calmamente anda até a entrada do casebre. Lá, anda novamente entre as neblinas e desaparece outra vez.
Aparece novamente em frente a uma formosa casa. Paredes bonitas feitas de um tipo de tijolo bem diferente. Abre a porta e entra. Um órgão o esperava. Ele sentou, e começou a tocar e a cantar. Um grande talento musical, ele tinha.
Canções tristes. Também tocou góspel, era bem religioso apesar de não parecer.
Cantou uma bela porém triste música.
Aposentou o órgão, foi se deitar. Por que ainda deveria obedecer àquela pessoa? Não era justo. Mas mesmo assim dormiu, aliás não tinha muito a fazer, sua diversão era tocar o órgão.
O homem acorda. Mas ainda estava deitado. Seu quarto se localizava na parte de cima da casa.
Tinha acordado, estava sem sono. Pensou em muitas coisas.
- "Não deveria ter feito isso com eles... Alca não pode pagar por coisas que não fez, apesar de ter escolhido ter a culpa. Mas esse é meu trabalho, se me demitir não sei do que vou viver... Aliás, ninguém aceitaria trabalhar com um monstro. Músico? Não, ninguém também iria querer ouvir músicas de um monstro. Acho que o jeito é continuar, se não, do que vou sobreviver? Mesmo indo contra meus princípios, ainda vou ter que trabalhar para ele." - Ric pensava.
Tirou o edredom e desceu da cama. Estava frio. Colocou um casaco bem confortável e quente, feito de um tecido não muito tradicional.
Foi ao oratório e rezou em latin o "Pai Nosso". Ele pedia por perdão.
Desceu as escadas. Voltou ao térreo e foi até a biblioteca. Era gigante. Na noite, o tom azul a deixava mais assustadora e bonita. Procurou por livros de histórias da quais já tinha lido muitas delas. Pegou uma que não havia lido.
Voltou à sala, acendeu a lareira e se fez a luz, além de aquecê-lo. Abriu o livro, que era bem grosso e começou a ler.
Exatos trinta minutos lendo. Não aguentou de tanta angústia, ele tinha que ajudar Alca. A essa hora ele já devia ter sido pego.
Subiu as escadas, foi até o quarto. Tirou o casaco e pôs sua roupa tradicional.
- "Eu só posso estar ficando maluco por fazer isso." - Pensava.
E saiu da bela casa.
Em Barmstrad, os homens descobriram os passos de Alca e Lwuida. Acharam até a taverna onde estavam.
Eles bateram na porta. Alca acordara.
- Ai meu Deus!
A porta parecia estar sendo arrombada.
- Katarine! Katarine! Acorda!!!
Lwuida estava dormindo pesado. Alca levantou e foi até a cama dela e a empurrou de leve.
- Acorda, Katarine!
Ela acordou.
- Ahn? O-o que foi? - Dizia ela ainda sonolenta.
- Tem gente querendo nos pegar. Eu não sei o que fazer!
- Ai meu Deus! Pelo amor de Deus!
E porta foi arrombada.
Os sete homens apareceram, todos bem armado e protegidos. Olharam sedentos para Alca. Mostraram a foto, era ele mesmo. Foram atrás do homem.
Fumaças, desaparecimentos. Alca e Lwuida sumiram.
- Alca Patrön! Muito tempo não acha?
Alca ouviu uma voz conhecida no lugar onde ele nem sabia qual era.
- Vai dizer que não me conhece, Alca?
- R-Ric? - Disse o fazendeiro.
- Quem é ele, Alca? Eu não estou vendo ninguém!
- Vejo que tenho de me apresentar.
O Homem sai de um lugar escuro. Estava cabisbaixo. Ele levanta a cabeça e mostra seu "monstruoso" rosto.
- Ric, Ric Artar! Lembra de mim agora, Alca?
- Saia daqui! Não farás mal nenhum nem a mim nem a ela!
- Alca... Eu tenho certeza que você não teria a coragem de me machucar. Na verdade estou aqui em paz.
- Só porque tu rezas à noite por todos os pecados que fazes durante todo o dia não significa que tens paz ai dentro.
- Você também esqueceu quem são aqueles homens, não Alca?
Alca lembra do rosto dos homens. Eram os mesmos.
- M-mas você não comanda eles?
- Sim.
- Sinceramente não entendo... Por que você foi contra uma ordem que você mesmo deu?
- Sempre soube que você é uma boa pessoa, Alca, muito diferente de...
- Diferente de quem? - Interrompe Lwuida.
- Ainda não contou a ela?
- As vezes parece que você fala com ironia!
- Na verdade não parece, eu falo com ironia. Não é porque eu quero e sim porque é um costume.
A ladra estava amedrontada. O misterioso e monstruoso homem parecia ser bom, mas não retinha pequenas expressões malígnas.
- Vou levá-los para minha casa.
Uma neblina densa aparece novamente.
Eles aparecem agora, na casa do órgão.
- Lembra da casa, Alca?
- Eu não vou entrar aí! E você, Katarine?
Lwuida estava amedrontada e paralizada.
- Katarine?
- O-oi?
- Se quiserem dormir no lado de fora é só falarem que eu trago um cobertor. Mas garanto que dentro da casa está muito mais quente. - Disse Ric.
Alca parou, pela primeira vez demonstrava uma cara mal-humorada, de desconfiança, maliciosa.
- Por que deveria entrar? Aliás, não era você que dava as ordens para aqueles homens me pegarem?
- Alca, sabes muito bem que eu não faço isso por vontade própria. Mas fica tranquilo, não obedeço mais ordens de ninguém, só do meu Deus.
Alca chama Lwuida que não conseguia falar uma palavra, ainda não sabia o porque. Eles entram na casa, ainda desconfiados.
O homem foi mais adentro. Pegou um violino e entregou na mão de Alca.
- Ainda sabe tocar?
- Sim.
- O que foi? Está com medo da minha cara? - Falou Ric, ironicamente.
Parecia ser isso que a incomodava.
- Eu creio que uma coisa te ajudará a esquecer do meu rosto e me ver como outra pessoa.
Ele deixa o violino com Alca e entra mais para dentro da casa. Escura, ela estava. Ele voltara com uma Bíblia em mãos. Aberta.
- Leia este salmo.
O salmo falava de não se importar com a aparência exterior de uma pessoa. Um exemplo disso seria Satanás que apareceria sempre com um belo rosto mas por dentro era puro mal.
- Estás mais tranqüila agora? - Um momento de silêncio. - Bom Alca, vamos tocar, a música pode dar a ela calmaria.
Alca preparou o violino, era um tanto lindo. Feito com uma madeira que a cor parecia mogno. Talvez fosse até pau-brasil. Ric foi em dieção ao órgão.
- Ah, Alca! Ainda lembra daquela música?
- Sim...
E começaram a tocar. Alca tocava o violino como se há anos já tivesse aprendido a tocar.
Lwuida ouvia a música e ficava mais tranqüila, como Ric disse. Eles tocavam de olhos fechados, dava mais emoção.
E ficaram minutos tocando a mesma música, que parecia não ter fim.
Até que subitamente, Ric para de fazer seu som. Pressentira algo. Só podia ser ele.
- O que foi? - Perguntou Lwuida.
Ele tira o violino da mão de Alca.
- Não da pra te entender. - Falou o fazendeiro.
- Depois entenderão.
Levou o violino até o depósito. Voltou falando coisas estranhas e com voz baixa.
- Se ele vier aqui eu estou perdido. Onde posso esconder esses dois?
- O que foi, Ric?
- Subam! Se escondam onde quiserem!
- Porque?
- Não me perguntem nada, apenas subam e se escondam.
Eles atenderam à ordem do homem.
Se passou um tempo e a porta se abriu. Era quem Ric pensava.
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